Resumo
Muito
tem se falado sobre as dificuldades de
aprendizagem que as crianças enfrentam
na escola, os motivos que levam as
mesmas a fracassarem e o papel
fundamental da família. Mas e a escola?
O que ela pode fazer para ajudar seus
alunos? O professor, a coordenação
pedagógica e outros membros da equipe
da escola? A escola deve ser um lugar
onde as crianças sintam vontade de ir,
que peçam aos pais para levarem e acima
de tudo, um lugar que possibilite o
conhecimento, a aprendizagem. Por que
então a escola, com tantas obrigações
com seus alunos é uma das causas das
dificuldades de aprendizagem?
Com
este estudo, pretendi abordar este tema
tão discutido, falar um pouco sobre a
importância da família, como ela ajuda
e dificulta o processo de aprendizagem
da criança e mostrar ou ao menos tentar
mostrar o papel da escola na vida das
crianças.
Através
do estudo foi possível analisar o que
as crianças enfrentam no momento em que
estão com dificuldades na escola, o que
pensam em relação a si próprias, onde
e porque a família contribui para o
fracasso escolar, qual a parcela de
culpa da escola e o que ela poderia
fazer para ajudar seus alunos.
Foi
sugerido algumas formas de atuação da
escola frente as dificuldades de
aprendizagem, sugestões simples e que
poderiam ser implantadas em todas as
escolas. A escola deve ter o aluno como
um aliado e não como um inimigo, o que
está acontecendo muito.
O estudo baseou-se em livros, artigos e sites da
internet onde traziam questões
relacionadas às dificuldades
enfrentadas pelas crianças em idade
escolar.
Unitermos:
Dificuldades de aprendizagem; escola;
educação.
WHAT
IS THE ROLE OF THE SCHOOL
CONCERNING THE LEARNING DIFFICULTIES OF
ITS STUDENTS?
Abstract
A
lot has been said about the learning
difficulties that children face in
school, the reasons that make them fail
and the fundamental role of the family.
And what about the school? What can it
do to help its students? The teacher,
the educational coordinator and other
members of the school staff? School must
be a place where children are willing to
go, ask their parents to take them and
above all, a place that makes knowledge
and learning possible. Why is then the
school one of the causes of the learning
difficulties with so many obligations
with its students?
Through
the study it was possible to analyze
what children face the moment they have
difficulties in school, what they think
about themselves, where and why the
family contributes to the school failing,
how big is the fault of the school and
what it could do to help its students.
Some
forms of action from the school
concerning the learning difficulties
were suggested, simple suggestions,
which could be used in all schools.
The
school must have the student as an ally
and not as an enemy, which happens most
of the times.
Key
words: difficulties in learning; school; education.
Introdução
As
crianças com dificuldades de
aprendizagem não são crianças
incapazes, apenas apresentam alguma
dificuldade para aprender.
São crianças que tem um nível de inteligência
bom, não apresentam problemas de visão
ou audição, são emocionalmente bem
organizadas e fracassam na escola.
Para Guerra (2001) crianças com dificuldades de
aprendizagem não são deficientes, não
são incapazes e, ao mesmo tempo,
demonstram dificuldades para aprender.
Incapacidades de aprendizagem não devem
ser confundidas com dificuldades de
aprendizagem.
Para
Strick e Smith (2001), as dificuldades
de aprendizagem refere-se não a um único
distúrbio, mas a uma ampla gama de
problemas que podem afetar qualquer área
do desempenho acadêmico. As
dificuldades são definidas como
problemas que interferem no domínio de
habilidades escolares básicas, e elas só
podem ser formalmente identificadas até
que uma criança comece a ter problemas
na escola. As crianças com dificuldades
de aprendizagem são crianças
suficientemente inteligentes, mas
enfrentam muitos obstáculos na escola.
São curiosos e querem aprender, mas sua
inquietação e incapacidade de prestar
atenção tornam difícil explicar
qualquer coisa a eles. Essas crianças têm
boas intenções, no que se refere a
deveres e tarefas de casa, mas no meio
do trabalho esquecem as instruções ou
os objetivos.
Segundo
o “DSM-IV: Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais” (1995),
desmoralização e baixa auto-estima
podem estar associadas às dificuldades
de aprendizagem. A criança com
dificuldades de aprendizagem muitas
vezes é rotulada, sendo chamada de
“perturbada”, incapaz “ou”
retardada”.
Vygotsky (1989) afirma que o auxílio prestado à
criança em suas atividades de
aprendizagem é válido, pois, aquilo
que a criança faz hoje com o auxílio
de um adulto ou de outra criança maior,
amanhã estará realizando sozinha.
Desta forma, o autor enfatiza o valor da
interação e das relações sociais no
processo de aprendizagem.
Segundo
Fonseca (1995), a aprendizagem é uma
função do cérebro. A aprendizagem
satisfatória se dá quando determinadas
condições de integridade estão
presentes, tais como: funções do
sistema nervoso periférico, funções
do sistema nervoso central, sendo que os
fatores psicológicos também são
essenciais.
Vários estudos têm assegurado que os dois hemisférios
do cérebro trabalham
em conjunto. Ainda
de acordo com o autor, o hemisfério
esquerdo é responsável pelas funções
de análise, organização, seriação,
atenção auditiva, fluência verbal,
regulação dos comportamentos pela
fala, praxias, raciocínio verbal,
vocabulário, cálculo, leitura e
escrita. É o hemisfério dominante da
linguagem e das funções psicolingüísticas.
O hemisfério direito é responsável
pelas funções de síntese, organização,
processo emocional, atenção visual,
memória visual de objetos e figuras. O
hemisfério direito processa os conteúdos
não-verbais, como as experiências, as
atividades de vida diária, a imagem as
orientações espaço-temporais e as
atividades interpessoais.
O autor refere que para que uma criança aprenda é
necessário que se respeitem várias
integridades, como o desenvolvimento
perceptivo-motor, perceptivo e
cognitivo, e a maturação neurobiológica,
além de inúmeros aspectos
psicossociais, como: oportunidades de
experiências, exploração de objetos e
brinquedos, assistência médica, nível
cultural, etc.
Souza
(1996) coloca que os fatores
relacionados ao sucesso e ao fracasso
acadêmico se dividem em três variáveis
interligadas, denominadas de ambiental,
psicológica e metodológica. O contexto
ambiental engloba fatores relativos ao nível
sócio-econômico e suas relações com
ocupação dos pais, número de filhos,
escolaridade dos pais, etc. Esse
contexto é o mais amplo em que vive o
indivíduo. O contexto psicológico
refere-se aos fatores envolvidos na
organização familiar, ordem de
nascimento dos filhos, nível de
expectativa, etc, e as relações desses
fatores são respostas como ansiedade,
agressão, auto-estima, atitudes de
desatenção, isolamento, não concentração.
O contexto metodológico engloba o que
é ensinado nas escolas e sua relação
com valores como pertinência e
significado, com o fator professor e com
o processo de avaliação em suas várias
acepções e modalidades.
A
autora ressalta que em conseqüência do
fracasso escolar, devido à inadequação
para a aprendizagem, a criança é
envolvida por sentimentos de
inferioridade, frustração, e perturbação
emocional, o que torna sua auto-imagem
anulada, principalmente se este
sentimento já fora instalado no seu
ambiente de origem. Se o clima dominante
no lar é de tensões e preocupações
constantes, provavelmente a criança se
tornará um acriança tensa, com tendência
a aumentar a proporção dos pequenos
fracassos e preceitos próprios da
contingência da vida humana. Se o clima
é autoritário, onde os pais estão
sempre certos e as crianças sempre
erradas, a criança pode se tornar
acovardada e submissa com professores, e
dominadora, hostil com crianças mais
jovens que ela, ou pode revoltar-se
contra qualquer tipo de autoridade. Se o
clima emocional do lar é acolhedor e
permite a livre expressão emocional da
criança, ela tenderá a reagir com seus
sentimentos, positivos ou negativos,
livremente.
Strick e Smith (2001) ressaltam que o ambiente doméstico
exerce um importante papel para
determinar se qualquer criança aprende
bem ou mal. As crianças que recebem um
incentivo carinhoso durante toda a vida
tendem a ter atitudes positivas, tanto
sobre a aprendizagem quanto sobre si
mesmas. Essas crianças buscam e
encontram modos de contornar as
dificuldades, mesmo quando são bastante
graves.
As
autoras colocam que o estresse emocional
também compromete a capacidade das
crianças para aprender. A ansiedade em
relação a dinheiro ou mudanças de
residência, a discórdia familiar ou
doença pode não apenas ser prejudicial
em si mesma, mas com o tempo pode
corroer a disposição de uma criança
para confiar, assumir riscos e ser
receptiva a novas situações que são
importantes para o sucesso na escola.
Para
Fernadez (1990) quando o fracasso
escolar se instala, profissionais
(fonoaudiólogos, psicólogos,
pedagogos, psicopedagogos) devem
intervir, ajudando através de indicações
adequadas.
José
e Coelho (2002) colocam que as crianças
não conseguem acompanhar o currículo
estabelecido pela escola e, porque
fracassam, são classificados como
retardados mentais, emocionalmente
perturbados ou simplesmente rotulados
como alunos fracos e multirrepetentes.
Souza (1996) afirma que o ambiente de origem da
criança é altamente responsável pelas
suas atividades de segurança no
desempenho de suas atividades e na
aquisição de experiências bem
sucedidas, o que faz a criança obter
conceito positivo sobre si mesma, fator
importante para a aprendizagem.
Para Garcia (1998) é possível conceber a família
como um sistema de organização, de
comunicação e de estabilidade. Esse
sistema, a família, pode desordenar a
aprendizagem infantil, o mesmo que podem
fazer os fatores sociais tais como a raça
e o gênero na escola.
O autor ainda refere que as dificuldades de
aprendizagem devem ser diagnosticadas de
forma diferente em relação a outros
transtornos próximos, ainda que, frente
a presença em uma pessoa de uma
dificuldade de aprendizagem e de outro
transtorno, seja necessário classificar
ambos os transtornos, sabendo que se
trata de dois transtornos diferentes.
Para
Strick e Smith (2001) a rigidez na sala
de aula para as crianças com
dificuldades de aprendizagem, é fatal.
Para progredirem, tais estudantes devem
ser encorajados a trabalhar ao seu próprio
modo. Se forem colocados com um
professor inflexível sobre tarefas e
testes, ou que usa materiais e métodos
inapropriados às suas necessidades,
eles serão reprovados.
Souza (1996) afirma que as dificuldades de
aprendizagem aparecem quando a prática
pedagógica diverge das necessidades dos
alunos. Neste aspecto, sendo a
aprendizagem significativa para o aluno,
este tornar-se-á menos rígido, mais
flexível, menos bloqueado, isto é,
perceberá mais seus sentimentos,
interesses, limitações e necessidades.
Para
Fonseca (1995) as dificuldades de
aprendizagem aumentam na presença de
escolas superlotadas e mal equipadas,
carentes de materiais didáticos
inovadores, além de freqüentemente
contarem com muitos professores
“derrotados” e “desmotivados”. A
escola não pode continuar a ser uma fábrica
de insucessos. Na escola, a criança
deve ser amada, pois só assim se poderá
considerar útil.
Roman
e Steyer (2001) ressaltam que é
importante o estabelecimento de uma
Rotina na escola. A Rotina deve ser
desenvolvida para possibilitar, a partir
da organização externa, a segurança
emocional e a organização interna de
cada criança. Desse modo, a Rotina
favorece e complementa o processo de
socialização por meio da aprendizagem
das regras de convívio em grupo, da
formação de vínculos e da aquisição
de conhecimentos em todos os âmbitos de
desenvolvimento.
É
através da rotina da escola que são
identificadas algumas das queixas comuns
na primeira infância, as quais em geral
são erroneamente confundidas, por
desconhecimento, com diagnósticos como
agressividade, hiperatividade e desatenção.
Esses diagnósticos, quando analisados
com o devido cuidado por meio de
entrevista com os pais ou responsáveis
pela criança, podem revelar dados
importantíssimos e que demandam orientações
da própria escola.
Para
os autores, uma das formas de prevenção
nas propostas de trabalho da educação
é preparar teoricamente o corpo docente
para a prática dos jogos e atividades lúdicas,
realizando, principalmente, um
aprofundamento sobre a importância do
ato de brincar para o desenvolvimento
infantil. Os fatores experienciais
potencializam suas condições
intelectivas, propostas pedagógicas que
privilegiam atividades lúdicas e
estimulantes possibilitarão
aprendizagens cada vez mais complexas e
mais eficientes.
Roman
e Steyer (2001) referem que os conflitos
emocionais interferem muito no
rendimento da criança. Cabe a escola,
na figura da professora, fazer a
“escuta” adequada destas manifestações,
considerando o estado geral da criança
em seu dia a dia, o contexto familiar em
que está inserida e os eventuais
problemas familiares que possam estar
vivenciando, desde o nascimento de um
irmão, a morte de um familiar, uma
situação de desemprego, separação
dos pais, entre outros problemas.
Material e Métodos
Os
autores aqui referidos basearam-se em
estudos e pesquisas que abordam sobre as
dificuldades de aprendizagem e a escola,
bem como todos os aspectos relacionados.
São muitos os autores que se preocupam
com as dificuldades que as crianças
encontram em idade escolar.
Resultados
e Discussão
O
fracasso escolar perturba profundamente
a criança, pois sofre a pressão da família,
dos professores, dos colegas,
prenunciando seu insucesso na vida
escolar.
A
criança deixa o professor sem saber
como trabalhar com ela. Ela não
aprende, mas não apresenta qualquer
incapacidade particular. A recusa em
aprender é um ato agressivo diante de
seu fracasso e frustração. Ao entrar
na escola, a criança perturba-se devido
à dificuldade que encontra na transição
da família e do aprendizado informal,
para o convívio com estranhos e o
aprendizado formal.
Com
o estudo, pudemos perceber que a escola
tem muito ainda o que fazer para ajudar
seus alunos.
Alguns
exemplos são métodos inadequados de
ensino, falta de percepção, por parte
da escola, do nível de maturidade da
criança, professores que não dominam
determinados assuntos, superlotação
das classes, dificultando a atenção do
professor para todos os alunos.
Planos
de prevenção nas escolas, com toda a
equipe escolar, principalmente com
professores e batalhar para que o
professor possa ensinar com prazer para
que o aluno também possa aprender com
prazer são atitudes básicas com que as
escolas deveriam preocupar-se.
Muitas dificuldades de aprendizagem são
decorrentes de metodologia inadequada,
professores desmotivados e
incompreensivos, brigas e discussões
entre colegas, entre outras. Volto a
enfatizar que a escola deve ser a
segunda casa do indivíduo, um lugar
onde ele possa se sentir bem e entre
amigos, contar com a professora sempre
que precisar ou sempre que tiver um
problema familiar. (outra causa de
dificuldades de aprendizagem) e manter
contato com os outros membros da equipe
escolar, como coordenação pedagógica,
por exemplo.
Se
o aluno sente-se à vontade para
conversar com a professora e lhe pedir
opiniões ou mesmo ajuda é sinal de que
as coisas andam bem na relação
professor X aluno.
Conclusão
A escola é um dos agentes responsáveis pela
integração da criança na sociedade,
além da família. É um componente
capaz de contribuir para o bom
desenvolvimento de uma socialização
adequada da criança, através de
atividades em grupo, de forma que
capacite o relacionamento e participação
ativa das mesmas, caracterizando em cada
criança o sentimento de sentir-se um
ser social.
Se a criança não se envolve com o grupo ou este não
a envolve, começa haver um baixo
nível de participação e envolvimento
nas atividades e, conseqüentemente, o
isolamento que interferirá no
desempenho escolar. O comportamento
retraído de uma criança no ambiente
escolar, pode ser interferência do
ambiente familiar.
A escola tem uma tarefa relevante no resgate da
auto-imagem distorcida da criança, por
ter uma concepção socialmente
transmissora de educação e de cultura,
que transcende as habilidades
educacionais familiares, além da
responsabilidade e competência em
desvendar para a criança o significado
e o sentido do aprender.
As escolas devem buscar formas de prevenção nas
propostas de trabalho, preparar os
professores para entenderem seus alunos,
diferenciar um a um, respeitar o ritmo
de cada um. A escola deve ser um
ambiente onde as crianças possam
sentir-se bem, amadas e sempre alegres.
A metodologia da escola deve ser adequada,
envolvendo seus alunos. E no momento em
que surgir algum problema com algum
aluno é importante que haja uma
mobilização por parte da escola, a fim
de que solucionem a possível
dificuldade. A escola deve esforçar-se
para a aprendizagem ser significativa
para o aluno. Com isso todos tem a
ganhar, a escola, a família e
principalmente a criança.
Esta será uma criança mais flexível, mais
motivada e mais interessada em aprender.
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