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“(...) Se amar fosse fácil... nem soldados
haveria, pois ninguém agredia, no máximo
ajudariam no combate ao cão feroz. Mas
o amor é um sentimento que depende de
um “eu quero” seguido de um “eu
espero”. E a vontade é rebelde, o
homem, um egoísta que maximiza seu
“eu”. Por isso o amor é difícil”.
Tempo de Germinar.
Sabemos que a teoria muitas vezes não funciona na prática.
Os benefícios oferecidos pelo governo são
muito bons como planos, porém não
passam da folha de papel. A população
mereceria, de fato, receber os auxílios
descritos nos projetos de nossos
governantes. Os projetos são discutidos
incansavelmente, alguns até colocados
em prática, porém, quem recebe os auxílios
nem sempre são os mais necessitados. É
impressionante como a cada dia que passa
o número de desabrigados, mendigos,
famintos e desempregados no Brasil
aumenta mais e mais. Como olhamos essas
pessoas que estão da desigualdade
social, menosprezados, direito de
propriedade e sem ter condição alguma
de resgatá-los?
Isso incomoda, e como educadora sinto-me impotente diante
da situação; não encontro
justificativas plausíveis no ato de
colocar essas crianças na escola sem um
amparo psicológico, pois muitos não têm
nem mesmo o alimento diário, estando em
contato, com a desnutrição, o pranto
desesperado da mãe, as drogas
usadas pelo pai, a gravidez precoce da
irmã, sujeitos à possibilidade de
serem espancados ao retornar à sua própria
casa por não ter ido atrás do sustento
diário da família. Não compreendo
como os pais dessas crianças não
sentem a necessidade de colocá-las
dentro de uma escola para receber uma
instrução diferenciada da deles, olhá-las
como uma esperança para o futuro, ao
invés de levá-las para catar lixo.
Isso se deve, possivelmente, à falta de
escolaridade deles próprios ou à baixa
estima. Há, de fato, um preparo, uma
base familiar capaz de sustentar a idéia
de educação como meio de solucionar
esses problemas familiares e sociais?
Será que essas crianças estão com seu
psicológico estruturado para entrar em
sala de aula?
Em que mundo estamos? O que queremos para as
nossas crianças, as quais chamamos de
futuro? Muitas vezes, nos deparamos com
a transferência dos problemas
supracitados à metafísica dizendo:
"Se está assim é porque Deus
quer" ou agimos com um discurso
individualista: "Parem de ter
filhos" e ainda continuamos:
"Cada um tem o que merece”. Será
que devemos agir assim? Não estaria no
momento de refletirmos sobre como
está nosso país? Somos tão
brasileiros quanto eles, ou seja, cidadãos
com os mesmos direitos. Como não
enxergamos e exigimos de nossos
governantes atitudes para a melhoria de
tal situação? “Quem cala
consente”, e estamos calados, deixando
nossos concidadãos enfrentarem grandes
dificuldades.
É inaceitável esse quadro, que
desconsidera o princípio da isonomia e
dos Direito Universais do Homem, no
Brasil. Se a educação é a solução
para essas questões sociais, boa parte
do problema já estaria solucionado,
visto que muitos políticos freqüentaram
uma universidade, são sociólogos, médicos,
empresários, engenheiros, assistentes
sociais, professores e advogados (como
fica isso? Advogando para quem? Ou
contra quem?). Todos passaram por
cadeiras escolares e fazem parte de uma
família "estruturada”, na sua
maioria, sem terem presenciado tantos
problemas sociais ou se preocupa com o
sustento diário, enquanto crianças.
Onde está a responsabilidade social?
Nosso Brasil está desse jeito: uns com tanto e
outros tão pouco, pouquíssimo.
Governantes participando de operação
sanguessuga, ministros cometendo erros
inexplicáveis, presidente com a mesa
repleta de comida, wisky, vinhos,
queijos, mais caviar e lagosta.
Religiosos sendo julgados, presos por
enviar dinheiro ilegal para o exterior,
envergonhando nosso país com tal
atitude; e a comunidade vendo esses escândalos
sem tomar as providências cabíveis. Uma
“montanha russa” (sobe e desce) de
acontecimentos, famílias abaixo da
linha da miséria reivindicam o sagrado
direito de ter salvaguardado sua
dignidade humana, necessitando um pouco
mais de compreensão, de amor, de sentimento,
tentando amenizar sua dor, seu
sofrimento.
A filosofia, trouxe o legado de grandes
pensadores, suas noções de
governabilidade contemplando direito de
propriedade, igualdade, liberdade: foi
proposto o contrato social,
colocando que os governos são instituídos
pelo povo e para o povo, não em benefício
dos governantes, conforme observa-se
atualmente; fato que se traduz pela
preocupação de nossos politiqueiros
em
receber maiores salários. Os filósofos
tinham poderes de premonição, mas já
vivenciavam esses impactos e alertavam o
povo do que estava por vir, querendo
de algum modo diminuir os conflitos
sociais.
Não
gostaria, de por meio dessa reflexão,
concluir que o ser humano não é capaz
de atitudes coerentes, íntegras, honrar
sua palavra, como no caso daqueles que
possuem cargos atribuídos pelo povo; se
possível, que pelo menos deixem-se
planejamentos individualistas e
privilegie-se o bem da coletividade.
Conforme Rosseau: “Não se trata mais
de levar as pessoas a agirem bem, basta
distraí-las de praticar o mal”.
Será que diante dos aspectos político-filosóficos
abordados acima, nós, enquanto
educadores e ideólogos, estamos
preparados para colocar essas crianças
em sala de aula, fazendo-as assimilar
somente conteúdos sistemáticos? Ou
estamos preocupados com o cidadão em
sua completude, o ser
cognoscente, aquele que pensa, sente,
age e interage com a sociedade?
Obteremos o sucesso? O que precisamos
mudar na educação de nossas crianças?
Onde está a fonte dos problemas sócio-políticos
e educacionais no Brasil?
O
primeiro passo para contribuirmos com
nosso país é realizarmos nosso papel
de educadores com amor e dedicação.
Nossos alunos precisam ser estimulados e
sentir o desejo em buscar o novo, o
conhecimento. Nós, como educadores,
somos instrumentos para mostrar aos
alunos uma parte desse conhecimento e
deixá-los buscar a outra parte, pois a
falta, a lacuna renova a vontade de
aprender. Sejamos otimizadores de uma
educação solidária, em que seja posto
o conhecimento, como guia do aluno até
o aprendizado, fazendo com que possa
colher seus frutos. Não tornemos uma
aprendizagem dependente, mas apontemos
sua importância, incentivando o
“futuro” de nosso Brasil, ou seja,
as crianças. Esqueçamos a educação
bancária, na qual se fazia do aluno depósito
do que falamos em sala, fazendo de nossa
palavra uma única verdade.
Outra contribuição para o progresso da nação,
que deve ser mais humana e melhor sob vários
aspectos, é nossa convicção enquanto
educadores que lutam pela formação de
seres reflexivos. Não no sentido de
simplesmente pensar por pensar. Falamos
no sentido de receber o conteúdo, e
encontrar meios de colocá-lo em prática
no seu cotidiano, fazer relações com
sua realidade. Os alunos também
precisam ter livre arbítrio para
argumentar, perguntar e, quando necessário
responder suas próprias dúvidas
baseado em suas pesquisas e estudos.
Pode ser que com uma nova concepção de
educação consigamos enfim, construir
um Brasil melhor, colocando toda essa
reflexão na prática.
Temos em nossas mãos o instrumento mais
valioso, capaz de alavancar a vida do
ser humano, a construção do saber.
Logo, precisamos estar envolvidos com o
processo de aprendizagem dos alunos.
Cada qual possuindo um estilo de
aprendizagem o qual deve ser respeitado
com devida atenção. Nas palavras de
nosso querido Paulo Freire fica bem
claro a necessidade da relação
professor – aluno em sala de aula:
“Diz-me e esquecerei. Ensina-me e
lembrarei. Envolva-me e aprenderei”.
Se esse vínculo professor-aluno for bem
estabelecido será um grande facilitador
para uma aprendizagem satisfatória.
Deve-se ensinar e instruir com paixão,
cuidando do outro, entendendo o olhar do
nosso aluno e evidenciando suas
habilidades e compreendendo suas limitações.
Isso é envolver-se com aprendizagem do
outro.
Aqui não saberemos a resposta para inquietações
levantadas acima, por outro lado temos
idéias que oferecerão caminhos e
alternativas para um Brasil melhor, mais
humano, com alunos mais preparados
psicologicamente e, dispostos a
ingressar na sala de aula. Os problemas
sociais, políticos e filosóficos aqui
apontados podem continuar a existir, porém,
nossa esperança deve continuar acesa,
firme para que continuemos na luta por
uma educação melhor e capaz de aperfeiçoar
os seres humanos acima de tudo.
O momento de escrever este artigo, foi também
a oportunidade de colocar ao leitor
algumas dúvidas, angústias e encontrar
também a esperança. Compreender que
nem tudo está perdido no Brasil, nem na
educação. Basta encontramos uma solução
para que a nossa chama, enquanto
educadores, não apague. Quando todos
cumprem seus papéis consegue-se alcançar
objetivos com certa facilidade e
sucesso. O maior legado deixado por
Paulo Freire é justamente a esperança.
Antes de qualquer reação, tenhamos em
mente uma “razão encharcada de emoção”.
Publicado
em 15/04/2007
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