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A
motivação humana é observada
desde tenra idade, sob
diferentes formas. O bebê que
busca a satisfação de sua
fome, somada ao aconchego de um
colo quente e acolhedor,
demonstra, ao sugar o peito ou
uma mamadeira, possuir motivação
de sobra, através de seu
instinto e da fisiologia que lhe
cobra a nutrição e os afetos,
expressos pelo choro, por vezes
intensos e fortes, e os
movimentos mais bruscos de braços
e pernas.
Em
outra época, cujo
desenvolvimento permite certa
independência de movimentos de
locomoção e manipulação de
objetos, vê-se outras
possibilidades inerentes ao tipo
de motivação na criança. No
brincar, especial circunstância
do cotidiano infantil,
encontra-se rica fonte de
informações acerca de seu
mundo interno: suas emoções e
pensamentos.
Para
a criança, que busca
entretenimento de diversas
formas, valendo-se de sua
ilimitada criatividade, os
objetivos do brincar demonstram
ter pouca importância, e sim, a
sua exploração; o seu meio. Ao
observá-la durante a
brincadeira, percebe-se que há
momentos em que ela apenas age
sem qualquer finalidade ao
brincar. Todavia, há circunstâncias
em que a criança encontra uma
finalidade naquilo que está
fazendo. Por exemplo, ela pode
encher uma pequena pá de areia
e permanecer imóvel, tentando
imaginar o que fazer com aquilo.
E, pode, iniciar um movimento
freqüente de esvaziar a areia
em uma caçamba de brinquedo.
Demonstrando, assim, emprego
concentrado de energia naquela
atividade, além de manter-se
estável na freqüência de seus
comportamentos.
Isto
posto, pode-se caracterizar tal
situação, dividindo-a em duas
etapas. A primeira, em que
existe o objeto (pá e areia),
porém, não há uma finalidade
a ser atingida. A segunda, na
qual é acrescido um novo
elemento: a motivação,
percebida na concentração
exercida durante o freqüente
movimento de encher a pá com a
areia e esvazia-la na caçamba,
repetidas vezes.
Portanto,
observa-se a forte presença de
motivação por meio de
determinada atividade, presente
em uma criança de tenra idade,
aos dois anos, por exemplo.
Com
o avançar da idade, nota-se
novo momento de se construir a
motivação. Uma forma de
exemplificar este processo na
psicologia infantil são as
competências adquiridas.
Tornar-se competente em seu meio
social, leva a criança à
motivação. Uma habilidade
motora específica nos esportes
pode ser desenvolvida e isto é
capaz de acionar o desejo de se
empreender tal atividade com
determinado empenho. O reforço
externo, relativo à performance
das habilidades adquiridas vindo
dos pais e conhecidos,
possibilita o incentivo a motivação.
Se a performance for percebida
pela criança, ao adquirir um
aperfeiçoamento, então, poderá
levá-la a uma boa auto-estima,
e também à motivação intrínseca
ou interna.
Por
outro lado, a criança que pouco
percebe as suas competências,
necessita de maior estímulo
externo, possui baixa
auto-estima e demonstra-se
ansiosa, e ainda, enxerga pouca
perspectiva de melhora em suas
habilidades.
O
segredo está em conseguir
conciliar o desenvolvimento da
motivação intrínseca da criança
(pela autopercepção dos avanços
obtidos e o processo necessário),
com o apoio da motivação extrínseca
ou externa (avaliação dos
adultos, informações a
respeito, elogios verdadeiros,
etc). Este tipo de
desenvolvimento requer
acompanhamento, contato e
participação. Os afetos devem
estar presentes, uma vez que são
fonte fundamental de motivação,
além das informações que se
fazem presentes em cada situação.
Boa dose de paciência e vontade
complementam o arsenal de
instrumentos necessários ao
adulto para que colabore quanto
ao desenvolvimento motivacional
da criança.
A
motivação deve receber
especial atenção e ser mais
bem considerada pelas pessoas
que mantêm contato com as crianças,
realçando a importância desta
esfera em seu desenvolvimento. A
motivação é energia para a
aprendizagem, o convívio
social, os afetos, o exercício
das capacidades gerais do cérebro,
da superação, da participação,
da conquista, da defesa, entre
outros. Pais ou cuidadores,
educadores e especialistas que
lidam com as crianças podem
levar em conta a construção
motivacional na infância,
antevendo as suas decorrências
futuras, tais como a autopercepção
e o hábito de desenvolver a
motivação intrínseca,
reduzindo a necessidade de
buscar motivação extrínseca
para a realização de alguma
tarefa.
De
que maneira os adultos
compreendem a motivação na infância?
Que tipo de acompanhamento é
oferecido à criança, visando o
seu desenvolvimento global e,
particularmente o
desenvolvimento da motivação?
Que respostas relacionadas à
motivação podem ser esperadas
de um adulto que pouco
desenvolveu a sua capacidade
motivacional intrínseca na infância?
Ao
compreender aspectos da motivação
neste período da vida, facilita
ao adulto o entendimento sobre
que tipo de ajuda poderá
oferecer à criança, desde que
haja um compromisso nesta relação.
A sua presença é fundamental.
A criança se sente motivada a
executar muitas tarefas em
virtude do reconhecimento e
impressões daqueles com quem
convive, na tentativa de
demonstrar a sua evolução e as
conquistas que realiza. Os bons
motivos serão sempre a chave
para o desenvolvimento natural
da criança, além de gerar
harmonia entre os elementos
internos e externos, parte de
nossa própria natureza humana.
A
motivação infantil tem lugar
de destaque no desenvolvimento
de nossa espécie. Não é algo
que deva ser fonte de preocupação
posterior. É no aqui e agora
que as coisas acontecem. Esta
oportunidade pode passar, e então,
criar dificuldades em outro
momento. Colaborar já é motivo
de boa qualidade no convívio
atual e especial preparação
para o futuro. Motive-se também!
Publicado
em 25/05/2004
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