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Simaia Sampaio

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Simaia Psicopedagoga

 

O Contexto Escolar diante das transformações Sociais e Tecnológicas

Caroline Côrtes Lacerda1

 

E-mail:  carolinelacerda@yahoo.com.br

RESUMO:

As mudanças estão ocorrendo de maneira acelerada e os sujeitos da aprendizagem vêm se modificando. As crianças, desde cedo têm contato com uma gama de conhecimentos e informações, o que requer profissionais atualizados que acompanhem o ritmo dessas transformações, construindo conhecimentos baseados em discussões atuais e através da utilização de recursos tecnológicos. Para tanto faz-se necessário que haja interação entre aluno-professor-escola-família e sociedade, visto que estas devem atuar juntas, através da dialogicidade, lutando por um mundo melhor a caminho da diversidade, do respeito as diferenças e de luta por uma educação de qualidade para todos.

PALAVRAS-CHAVE: escola, educação, transformações sociais.

 Hoje, a Educação passa por profundas transformações, tendo em vista as mudanças constantes que vêm ocorrendo no mundo. As novas tecnologias evoluem num ritmo cada vez mais acelerado, e o mundo científico também avança constantemente, com novas descobertas e estudos, apontando diferentes competências para atuar na sociedade e no campo educacional. Diante disso, é impressionante os novos desafios que vêm, de uma certa forma, instigando os profissionais a buscarem novos saberes, conhecimentos, metodologias e estratégias de ensino.

A universalização do conhecimento forma uma rede de informações que não é privilégio de poucos, mas um recurso cada vez mais disponível a todas as populações, pois, mesmo aqueles que não podem adquirir livros e outras fontes do conhecimento vivem num clima de intercâmbio de idéias, pois o rádio e a televisão, a mídia, e a internet, estão presentes no dia a dia na vida da população. Hoje são quase mínimas as chances de alguém estar totalmente despreparado para refletir as questões da atualidade, uma vez que, o acesso à informação nunca foi tão fácil como agora. (BOLAN, 2000)

Por outro lado, sabemos que existem pessoas excluídas e que estão à margem da sociedade visto que não usufruem dos mesmos direitos de cidadania, bem estar social e qualidade de vida como aqueles que têm melhores condições para se manter no contexto em que vivem. É oportuno destacar, que por mais que a educação seja direito de todos, nem todas as crianças estão na escola. No entanto, temos consciência de que há necessidade de novos paradigmas para as políticas públicas, o contexto social, político, econômico, cultural e educacional em que vivemos, esses com a intenção de usufruir de direitos e deveres para que aconteça o exercício de cidadania, elucidando novas perspectivas voltadas para oportunidades igualitárias.

A escola e os profissionais da educação devem estar preparados, pois através dessas mudanças que estão ocorrendo, os sujeitos da aprendizagem vêm se modificando. As crianças, desde cedo têm contato com toda esta gama de conhecimentos e informações, o que as torna pessoas com uma maior agilidade, maior liberdade de expressão, e com a criatividade mais desenvolvida. É preciso que os professores estejam atualizados, acompanhando o ritmo das transformações, para que junto com seus alunos construam conhecimentos baseados em discussões atuais, de maneira contextualizada, significativa e criativa. Neste aspecto, podemos verificar que a educação vai muito mais além do espaço escolar, visto que é uma forma do sujeito intervir e interagir no e com o mundo, partindo da idéia do que são e para o que desejam ser.

Gadotti (2000) menciona que há uma pluralidade de meios de comunicação, e a escola não deve tentar melhorar um único meio a educar, utilizando somente o computador, por exemplo, mas, sim colocar à disposição dos educandos toda multiplicidade de meios, inclusive a biblioteca, pois esta é tão necessária quanto as videotecas, laboratórios, panfletos, televisão, rádio, internet, entre outros.

Diante disso, cabe cada vez mais a escola estar preparada e atualizada, pois é importante proporcionar aos alunos as inovações e conhecimentos, principalmente se estes não têm acesso em casa. A partir desta idéia, é que vem o grande desafio do professor: aprender constantemente e fazer uso das tecnologias de forma significativa no processo de ensino e aprendizagem, pois as mudanças exigem profissionais capacitados que possam educar com base na atualidade, permitindo ao aluno desenvolver habilidades fundamentais para o convívio em sociedade.

O professor deve transformar os meios de comunicação em espaços educativos, onde através das tecnologias, o conhecimento possa estar sendo construído de forma atraente e significativa tanto para o aluno como para a escola no todo. Sabemos que o uso de atividades diferenciadas é um valioso instrumento para o processo de ensinar e aprender, extremamente enriquecedor e prazeroso. Nesse sentido, faz-se necessário que os educadores tenham conhecimento dessa questão para que possam aplicar em seu fazer pedagógico novas metodologias e estratégias de ensino.

O papel do professor já não corresponde àquele que foi desempenhado no passado, pois vive-se numa época em que a informação é como a água que corre pelos nossos dedos, não conseguimos acompanhá-la. Portanto, salas de aula isoladas umas das outras e limitadas em recursos; mesas e cadeiras dispostas em filas; o professor desempenhando a função de dono e entregador principal do saber; a apresentação de informação limitada ao uso de livros, textos e do quadro-negro e quase sempre de forma linear e seqüencial; o papel ativo é exercido pelo professor; o aluno como um elemento passivo, um mero receptor dos pacotes de informação preparados pelo sistema educacional. Esse modelo de ensino, já não cabe mais a demanda educacional nos dias de hoje, faz-se necessário inovar e aprender uns com os outros, caminhar no rumo da transformação, utilizando métodos inovadores e adequados à realidade do aluno e, principalmente estar atualizado. (ZACHARIAS, 2007).

Frente a este cenário da educação, Freire (1987, p. 58) faz algumas reflexões acerca da educação como instrumento de opressão.

 A narração de que o educador é sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem enchidos pelo educador. Quanto mais vai “enchendo” os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor o educador será. Quanto mais se deixem docilmente “encher”, tanto melhores educandos serão. Desta maneira a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são depositários e o educador o depositante. Eis aí a concepção bancária da educação em que a única margem de ação que se refere aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los.

 O que se exigia, era que os alunos tivessem uma boa capacidade de receber o conhecimento e memorizá-lo. Este tipo de ensino é o que, muitos de nós, participamos, porém hoje, torna-se inoportuno, pois com todas essas mudanças e transformações que vêm ocorrendo, as exigências tornam-se diferentes. Precisamos de professores e alunos críticos e reflexivos, que sejam capazes de inventar e reinventar saberes, que tenham o poder da interação, da comunicação da troca de conhecimentos e informações, onde um aprende com o outro. Para tanto, faz-se necessário que o professor acompanhe as evoluções dos tempos, para que possa refletir junto com seus alunos, temas significativos, visto que o espaço da sala de aula deve ser um lugar envolvente, rico em conhecimento, informação, tecnologia, diversidade e significados.

Diante dessas mudanças muitas estruturas vêm se modificando, começando pelo papel da família, que não visa mais ao modelo nuclear, se estruturando por outras concepções. Para Chalita (2003) essas transformações provocaram a falência do sistema familiar. Essa falência, passou a ser comum a partir não somente da liberdade sexual, do sexo sem repressão, como também da separação dos cônjuges aceita e/ou tolerada, sem que haja uma cumplicidade na educação dos filhos, onde se defina e realize respeito aos valores indispensáveis ao convívio social. Nesse aspecto, é que o profissional docente precisa atuar, mostrando para o aluno e a “família” como é importante existir regras e limites, já que estes são construídos através do diálogo e da interação.

Paulo Freire (2000, p. 29) menciona sua indignação diante dessa perda de valores:

(...) a mim me dá pena e preocupação quando convivo com famílias que experimentam a “tirania da liberdade” em que as crianças podem tudo: gritam, riscam paredes, ameaçam as visitas em face da autoridade complacente dos pais que se pensam ainda campeões da liberdade.

 Frente a isto, é preciso que o professor eduque para a vida, trabalhe em conjunto com a família, para que a proposta desenvolvida em sala de aula também se estenda à comunidade, onde o processo de ensinar e aprender faça parte da vida do aluno também fora da escola, pois sabemos que o aprendizado não é adquirido somente na escola, mas construído pela criança em contato com a sociedade, na família, e no mundo que a cerca. Assim, através dessa relação recíproca entre escola e família, acreditamos que possam ser resgatadas estruturas perdidas e melhorar os problemas educacionais, bem como os grandes números de problemas de comportamento em sala de aula.

Hoje, o que nos instiga a lutar por uma educação melhor é saber que apesar de todos os problemas que envolvem o processo educacional, também encontramos profissionais comprometidos, responsáveis e apaixonados. Em algumas escolas o cenário vem sendo modificado, pois para os profissionais “envolvidos” com a educação a falta de recursos e infra-estrutura não é empecilho, uma vez que trabalham na perspectiva de tornar a escola um lugar destinado à aprendizagem, na qual os alunos possam construir seus conhecimentos segundo estilos individuais de aprendizagem.

Estes profissionais utilizam a criatividade para com “pouco” construir, porque diante das dificuldades financeiras, é preciso utilizar recursos que não necessitem de grandes investimentos. Um claro exemplo dessa ação é a utilização dos materiais de sucata, bem como oficinas da criatividade, que vêm dando suporte a falta de recursos. Brinquedos e jogos são construídos a partir da imaginação dos alunos e professores, proporcionando que diversas habilidades sejam desenvolvidas, na confecção desses instrumentos, bem como a motricidade, concentração e a coordenação motora. Essas competências que são construídas pelos professores, fazem parte da persistência e amor pela educação, pois são profissionais que procuram aprender continuamente, trabalhando em equipe, e utilizando o diálogo para transformar o processo de ensinar e aprender.

A escola insere-se cada vez mais na sociedade, ampliando horizontes, levando conhecimento, criatividade e informação a lugares e pessoas cada vez mais distintas. Assim, sonhar e fazer parte deste modelo educacional que se apresenta nos dias de hoje, é colocar-se em movimento de abertura para o novo, para as transformações e lutar diante das dificuldades. Isto envolve modificações nas relações, aluno-professor-escola-família e sociedade, visto que estas devem atuar juntas, através da dialogicidade e interações comuns, sonhando e lutando por um mundo melhor a caminho da diversidade, do respeito as diferenças e de luta por uma educação de qualidade para todos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BOLAN, Valmor. A educação no Contexto das transformações atuais. In: Comunicações. Página 59. Caderno UNIabc – Pedagogia. Santo André: São Paulo. Ano II (05), Março de 2000.

CHALITA, Gabriel. Pedagogia do amor: a contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações. São Paulo: Editora Gente, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido 17 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

___________. Educação como prática da liberdade. 24 ed. São Paulo: Paz e Terra. 2000.

GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 2000.

ZACHARIAS, Vera Lúcia Câmara. Vygotsky e a Educação. 2007 Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/vygotsky.html . Acesso em: 06/06/2008.

 

 Publicado em 17/06/2009

 

 

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Revisado em: 09/07/2009