RESUMO:
As
mudanças estão ocorrendo de maneira acelerada
e os sujeitos da aprendizagem vêm se
modificando. As crianças, desde cedo têm
contato com uma gama de conhecimentos e
informações, o que requer profissionais
atualizados que acompanhem o ritmo dessas
transformações, construindo conhecimentos
baseados em discussões atuais e através da
utilização de recursos tecnológicos. Para
tanto faz-se necessário que haja interação
entre aluno-professor-escola-família e
sociedade, visto que estas devem atuar juntas,
através da dialogicidade, lutando por um mundo
melhor a caminho da diversidade, do respeito as
diferenças e de luta por uma educação de
qualidade para todos.
PALAVRAS-CHAVE:
escola, educação, transformações sociais.
Hoje,
a Educação passa por profundas transformações,
tendo em vista as mudanças constantes que vêm
ocorrendo no mundo. As novas tecnologias evoluem
num ritmo cada vez mais acelerado, e o mundo
científico também avança constantemente, com
novas descobertas e estudos, apontando
diferentes competências para atuar na sociedade
e no campo educacional. Diante disso, é
impressionante os novos desafios que vêm, de
uma certa forma, instigando os profissionais a
buscarem novos saberes, conhecimentos,
metodologias e estratégias de ensino.
A
universalização do conhecimento forma uma rede
de informações que não é privilégio de
poucos, mas um recurso cada vez mais disponível
a todas as populações, pois, mesmo aqueles que
não podem adquirir livros e outras fontes do
conhecimento vivem num clima de intercâmbio de
idéias, pois o rádio e a televisão, a mídia,
e a internet, estão presentes no dia a dia na
vida da população. Hoje são quase mínimas as
chances de alguém estar totalmente despreparado
para refletir as questões da atualidade, uma
vez que, o acesso à informação nunca foi tão
fácil como agora. (BOLAN, 2000)
Por
outro lado, sabemos que existem pessoas excluídas
e que estão à margem da sociedade visto que não
usufruem dos mesmos direitos de cidadania, bem
estar social e qualidade de vida como aqueles
que têm melhores condições para se manter no
contexto em que vivem. É oportuno destacar, que
por mais que a educação seja direito de todos,
nem todas as crianças estão na escola. No
entanto, temos consciência de que há
necessidade de novos paradigmas para as políticas
públicas, o contexto social, político, econômico,
cultural e educacional em que vivemos, esses com
a intenção de usufruir de direitos e deveres
para que aconteça o exercício de cidadania,
elucidando novas perspectivas voltadas para
oportunidades igualitárias.
A
escola e os profissionais da educação devem
estar preparados, pois através dessas mudanças
que estão ocorrendo, os sujeitos da
aprendizagem vêm se modificando. As crianças,
desde cedo têm contato com toda esta gama de
conhecimentos e informações, o que as torna
pessoas com uma maior agilidade, maior liberdade
de expressão, e com a criatividade mais
desenvolvida. É preciso que os professores
estejam atualizados, acompanhando o ritmo das
transformações, para que junto com seus alunos
construam conhecimentos baseados em discussões
atuais, de maneira contextualizada,
significativa e criativa. Neste aspecto, podemos
verificar que a educação vai muito mais além
do espaço escolar, visto que é uma forma do
sujeito intervir e interagir no e com o mundo,
partindo da idéia do que são e para o que
desejam ser.
Gadotti
(2000) menciona que há uma pluralidade de meios
de comunicação, e a escola não deve tentar
melhorar um único meio a educar, utilizando
somente o computador, por exemplo, mas, sim
colocar à disposição dos educandos toda
multiplicidade de meios, inclusive a biblioteca,
pois esta é tão necessária quanto as
videotecas, laboratórios, panfletos, televisão,
rádio, internet, entre outros.
Diante
disso, cabe cada vez mais a escola estar
preparada e atualizada, pois é importante
proporcionar aos alunos as inovações e
conhecimentos, principalmente se estes não têm
acesso em casa. A partir desta idéia, é que
vem o grande desafio do professor: aprender
constantemente e fazer uso das tecnologias de
forma significativa no processo de ensino e
aprendizagem, pois as mudanças exigem
profissionais capacitados que possam educar com
base na atualidade, permitindo ao aluno
desenvolver habilidades fundamentais para o convívio
em sociedade.
O
professor deve transformar os meios de comunicação
em espaços educativos, onde através das
tecnologias, o conhecimento possa estar sendo
construído de forma atraente e significativa
tanto para o aluno como para a escola no todo.
Sabemos que o uso de atividades diferenciadas é
um valioso instrumento para o processo de
ensinar e aprender, extremamente enriquecedor e
prazeroso. Nesse sentido, faz-se necessário que
os educadores tenham conhecimento dessa questão
para que possam aplicar em seu fazer pedagógico
novas metodologias e estratégias de ensino.
O
papel do professor já não corresponde àquele
que foi desempenhado no passado, pois vive-se
numa época em que a informação é como a água
que corre pelos nossos dedos, não conseguimos
acompanhá-la. Portanto, salas de aula isoladas
umas das outras e limitadas em recursos; mesas e
cadeiras dispostas em filas; o professor
desempenhando a função de dono e entregador
principal do saber; a apresentação de informação
limitada ao uso de livros, textos e do
quadro-negro e quase sempre de forma linear e
seqüencial; o papel ativo é exercido pelo
professor; o aluno como um elemento passivo, um
mero receptor dos pacotes de informação
preparados pelo sistema educacional. Esse modelo
de ensino, já não cabe mais a demanda
educacional nos dias de hoje, faz-se necessário
inovar e aprender uns com os outros, caminhar no
rumo da transformação, utilizando métodos
inovadores e adequados à realidade do aluno e,
principalmente estar atualizado. (ZACHARIAS,
2007).
Frente
a este cenário da educação, Freire (1987, p.
58) faz algumas reflexões acerca da educação
como instrumento de opressão.
A
narração de que o educador é sujeito, conduz
os educandos à memorização mecânica do conteúdo
narrado. Mais ainda, a narração os transforma
em “vasilhas”, em recipientes a serem
enchidos pelo educador. Quanto mais vai
“enchendo” os recipientes com seus “depósitos”,
tanto melhor o educador será. Quanto mais se
deixem docilmente “encher”, tanto melhores
educandos serão. Desta maneira a educação se
torna um ato de depositar, em que os educandos são
depositários e o educador o depositante. Eis aí
a concepção bancária da educação em que a
única margem de ação que se refere aos
educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los
e arquivá-los.
O
que se exigia, era que os alunos tivessem uma
boa capacidade de receber o conhecimento e
memorizá-lo. Este tipo de ensino é o que,
muitos de nós, participamos, porém hoje,
torna-se inoportuno, pois com todas essas mudanças
e transformações que vêm ocorrendo, as exigências
tornam-se diferentes. Precisamos de professores
e alunos críticos e reflexivos, que sejam
capazes de inventar e reinventar saberes, que
tenham o poder da interação, da comunicação
da troca de conhecimentos e informações, onde
um aprende com o outro. Para tanto, faz-se
necessário que o professor acompanhe as evoluções
dos tempos, para que possa refletir junto com
seus alunos, temas significativos, visto que o
espaço da sala de aula deve ser um lugar
envolvente, rico em conhecimento, informação,
tecnologia, diversidade e significados.
Diante
dessas mudanças muitas estruturas vêm se
modificando, começando pelo papel da família,
que não visa mais ao modelo nuclear, se
estruturando por outras concepções. Para
Chalita (2003) essas transformações provocaram
a falência do sistema familiar. Essa falência,
passou a ser comum a partir não somente da
liberdade sexual, do sexo sem repressão, como
também da separação dos cônjuges aceita e/ou
tolerada, sem que haja uma cumplicidade na educação
dos filhos, onde se defina e realize respeito
aos valores indispensáveis ao convívio social.
Nesse aspecto, é que o profissional docente
precisa atuar, mostrando para o aluno e a “família”
como é importante existir regras e limites, já
que estes são construídos através do diálogo
e da interação.
Paulo
Freire (2000, p. 29) menciona sua indignação
diante dessa perda de valores:
(...)
a mim me dá pena e preocupação quando convivo
com famílias que experimentam a “tirania da
liberdade” em que as crianças podem tudo:
gritam, riscam paredes, ameaçam as visitas em
face da autoridade complacente dos pais que se
pensam ainda campeões da liberdade.
Frente
a isto, é preciso que o professor eduque para a
vida, trabalhe em conjunto com a família, para
que a proposta desenvolvida em sala de aula também
se estenda à comunidade, onde o processo de
ensinar e aprender faça parte da vida do aluno
também fora da escola, pois sabemos que o
aprendizado não é adquirido somente na escola,
mas construído pela criança em contato com a
sociedade, na família, e no mundo que a cerca.
Assim, através dessa relação recíproca entre
escola e família, acreditamos que possam ser
resgatadas estruturas perdidas e melhorar os
problemas educacionais, bem como os grandes números
de problemas de comportamento em sala de aula.
Hoje,
o que nos instiga a lutar por uma educação
melhor é saber que apesar de todos os problemas
que envolvem o processo educacional, também
encontramos profissionais comprometidos,
responsáveis e apaixonados. Em algumas escolas
o cenário vem sendo modificado, pois para os
profissionais “envolvidos” com a educação
a falta de recursos e infra-estrutura não é
empecilho, uma vez que trabalham na perspectiva
de tornar a escola um lugar destinado à
aprendizagem, na qual os alunos possam construir
seus conhecimentos segundo estilos individuais
de aprendizagem.
Estes
profissionais utilizam a criatividade para com
“pouco” construir, porque diante das
dificuldades financeiras, é preciso utilizar
recursos que não necessitem de grandes
investimentos. Um claro exemplo dessa ação é
a utilização dos materiais de sucata, bem como
oficinas da criatividade, que vêm dando suporte
a falta de recursos. Brinquedos e jogos são
construídos a partir da imaginação dos alunos
e professores, proporcionando que diversas
habilidades sejam desenvolvidas, na confecção
desses instrumentos, bem como a motricidade,
concentração e a coordenação motora. Essas
competências que são construídas pelos
professores, fazem parte da persistência e amor
pela educação, pois são profissionais que
procuram aprender continuamente, trabalhando em
equipe, e utilizando o diálogo para transformar
o processo de ensinar e aprender.
A
escola insere-se cada vez mais na sociedade,
ampliando horizontes, levando conhecimento,
criatividade e informação a lugares e pessoas
cada vez mais distintas. Assim, sonhar e fazer
parte deste modelo educacional que se apresenta
nos dias de hoje, é colocar-se em movimento de
abertura para o novo, para as transformações e
lutar diante das dificuldades. Isto envolve
modificações nas relações,
aluno-professor-escola-família e sociedade,
visto que estas devem atuar juntas, através da
dialogicidade e interações comuns, sonhando e
lutando por um mundo melhor a caminho da
diversidade, do respeito as diferenças e de
luta por uma educação de qualidade para todos.