A
criança percebe o mundo, interage e troca
conhecimento, como todos nós, no entanto, não
é ainda dotada de um poder de argumentação
para se defender do que incomoda, ou para
explicar o que não está bem, então a escola
passa a ser o terreno da manifestação dos
sintomas, já que na maioria das vezes, os pais
são contatados pela escola, o que os faz
dirigir suas atenções para a criança.
Nos
adultos, muitas vezes também há muito mais
coisas por trás da dificuldade em aprender
alguma coisa, do que a dificuldade propriamente
dita, como, por exemplo, algum bloqueio, falta
de concentração, podem muitas vezes ser um
sintoma causado face à um problema de fundo
emocional que está latente ou que não foi
ainda elaborado.
Ademais,
quando falamos em aprendizagem, estamos falando
do relacionamento que se dá entre o sujeito e o
objeto de conhecimento e esse pode se dar de várias
formas, inclusive de uma forma patológica,
adotando um caráter de funcionamento neurótico,
psicótico ou perverso.
De
uma maneira ou de outra, é necessário que seja
feita uma análise eficaz por parte do
psicopedagogo, seja relacionada à sua atuação
face a solucionar a dificuldade ou ao
encaminhamento do sujeito para os profissionais
adequados, o que obriga ao psicopedagogo atuar
com responsabilidade e de maneira
interdisciplinar, reconhecendo, inclusive, o não-saber
e os limites da sua atuação, evitando uma atuação
castradora.
No
momento diagnóstico, é preciso que os “rótulos”
e as frases feitas sejam deixados de lado, é
importante que o olhar psicopedagógico esteja
voltado, primeiramente para a condição da
“diferença”, que outorga ao sujeito a
singularidade, a possibilidade de ser ele mesmo
e de ser diferente dos outros, de pensar
diferentemente e de agir de modo distinto.
Roudinesco
(2000), diz: “Quanto mais a sociedade
ocidental apregoa a emancipação, destacando a
igualdade de todos perante a lei, mais ela
acentua as diferenças e cada um reivindica sua
singularidade, recusando-se a se identificar com
as imagens da universalidade”.
Partindo
desses pressupostos, não cabe ao psicopedagogo
julgamentos precoces e equivocados e tão menos
divisões de atitudes baseadas nos conceitos de
certo/errado, mas sim, um olhar dirigido a um
sujeito, que é único, peculiar e tem sua própria
história e portanto suas atitudes ou falta
delas são reflexo dessa constituição, mesmo
inserido em um cenário social.
É
necessário, por fim, considerar o
sujeito como um corpo; corpo esse que é dotado
de conhecimento, de afetos e emoções, de um
organismo, de inteligência e de cultura. À
medida que esse sujeito se integra dessa forma,
é fundamental que seja feita uma análise
que o considere em sua totalidade, até mesmo
porque estamos falando de aspectos que atuam em
conjunto e interagem entre si.
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Publicado
em 07/12/2004