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Resumo
Estima-se que a dislexia acometa entre 10% e 15% da população
mundial. Este transtorno da aprendizagem aparece claramente na escola,
durante a alfabetização, e alguns dos seus sintomas, anterior a ela. É
hereditária e congênita, sem causas culturais, intelectuais e
emocionais, onde a criança falha no processo de aquisição da linguagem.
Os disléxicos têm um nível de inteligência normal, muitas vezes
superior, e grande habilidade em determinadas áreas, mas suas
dificuldades de aprendizagem resultam em uma discrepância entre o seu
potencial intelectual e seu
desempenho escolar. As dificuldades na aprendizagem, causadas pela
dislexia, podem causar implicações emocionais e problemas na
personalidade, por isso, o diagnóstico e acompanhamento, adequado tornarão
as implicações emocionais quase inexistentes e a criança mais confiante
e segura frente a sua realidade e necessidades.
Palavras-chaves:
dislexia, transtorno, aprendizagem.
_____________________________________________________________
Abstract
They
is esteem that the dyslexia to attack between 10% and 15% of the
world-wide population. This upheaval of the learning appears clearly in
the school, during the alphabetizing, and some of its symptoms, previous
it. She is hereditary and congenital, without cultural causes,
intellectual and emotional, where the child fails in the process of
acquisition of the language. The dyslexics have a level of normal
intelligence, many times superior, and great ability in determined areas,
but its difficulties of learning result in a discrepancy between its
intellectual potential and its pertaining to school performance. The
difficulties in the learning, caused for the dyslexia, can cause emotional
implications and problems in the personality, therefore, diagnosis and
accompaniment, adjusted will become the almost inexistent emotional
implications and the child most confident and insurance front its reality
and necessities.
Word-keys:
dyslexia, upheaval, learning.
O
primeiro trabalho sobre dislexia foi citado em 1872, por Reinhold Berlin,
seguido por James Kerr em
1897. James Hinshelwood, em 1917, publicou uma monografia sobre
“Cegueira Verbal Congênita”, que encontrara pacientes com inteligência
normal e com dificuldade para aprender a ler e escrever. Nesta época, a
visão era de que esse problema seria orgânico e, possivelmente hereditário,
sendo o predomínio maior em meninos, do que em meninas.
No
início do século XX, os psicólogos e educadores deram pouca importância
aos transtornos específicos da linguagem, se concentravam apenas no
aspecto pedagógico do problema. Ao mesmo tempo, a classe médica
negligenciava o problema na sala de aula, o que contribuía para
estabelecer uma grande lacuna entre a recuperação das crianças e o seu
problema.
Através
de uma pesquisa realizada em unidades de saúde mental, nos Estados
Unidos, em meados de 1925, mostrando a dificuldade de ler, escrever e
soletrar se constituíam nas causas mais freqüentes dos encaminhamentos
realizados. E foi a partir daí, que vários autores, começaram a estudar
e descrever o distúrbio. Oftalmologistas, norte-americanos, ajudaram a
identificar o distúrbio, alegando que: “Não são os olhos que lêem,
mas o cérebro”.
Orton,
entre 1928 e 1937, estudou famílias de disléxicos e encontrou algumas
alterações, como escrita em espelho, e chamou a atenção para o aspecto
genético. Sugeriu que o fenômeno era provocado por imagens competitivas
nos dois hemisférios cerebrais devido a falência em estabelecer dominância
cerebral unilateral e consistência perceptiva. Seguiram-se a ele vários
outros estudiosos interessados no assunto. (Rotta,2006)
No
Brasil foi criada, no ano de
1983, a
Associação Brasileira de Dislexia (ABD), com o objetivo de esclarecer,
divulgar, ampliar conhecimentos e ajudar os disléxicos em sua dificuldade
específica de linguagem. Se a
dislexia for diagnosticada e tratada adequadamente, o paciente pode ter
melhora de até 80%.
Segundo
Rotta (2006), a década de 1990 foi pródiga em trabalhos que tentavam
desvendar os aspectos genéticos envolvidos na dislexia. Por outro lado,
inúmeros autores, utilizando-se de exames complementares, provaram a
possibilidade de malformações ou alterações funcionais cerebrais em
crianças disléxicas.
Atualmente,
os estudos mais recentes estão no campo psiconeurológico
1.
O que é dislexia
A
definição mais utilizada, segundo a ABD é a de 1994 da International
Dyslexia Association (IDA) : “Dislexia é um dos muitos distúrbios
de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem
constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de
palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no
processamento fonológico. Essas dificuldades não são esperadas com relação
à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não são um
resultado de distúrbios de desenvolvimento geral nem sensorial. A
dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de
linguagem freqüentemente incluindo, além das dificuldades com leitura,
uma dificuldade de escrita e soletração.”
Em
2003, o Annals of Dyslexia, elaborado pela IDA, propôs uma nova
definição: “Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem
neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na
leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração.
Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico
da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades
cognitivas consideradas na faixa etária.” Tal definição contou com a
participação de vários profissionais, entre eles: Susan Brady, Hugh
Catts, Emerson Dickman, Guinenere Éden, Jack Fletcher, Jeffrey Gilger,
Robin Moris, Harley Tomey e Thomas Viall.
O
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV
(1995) caracteriza a dislexia como comprometimento acentuado no
desenvolvimento das habilidades de reconhecimento das palavras e da
compreensão da leitura. O diagnóstico é realizado somente se esta
incapacidade interferir significativamente no desempenho escolar ou nas
atividades da vida diária (AVD’s) que requerem habilidades de leitura.
A leitura oral no disléxico é caracterizada por omissões, distorções
e substituições de palavras e pela leitura lenta e vacilante. Neste distúrbio,
a compreensão da leitura também é afetada.
Fonseca
(1995), coloca que a dislexia trata-se de uma desordem (dificuldade)
manifestada na aprendizagem da leitura, independentemente de instrução
convencional, adequada inteligência e oportunidade sócio-cultural. E,
portanto, dependente de funções cognitivas, que são de origem orgânica
na maioria dos casos.
Condemarim
(1986), expressa seu pensamento sobre dislexia dizendo que é um conjunto
de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro
onde fica o centro nervoso da escrita), geralmente hereditário, ou às
vezes adquirida, que afeta a aprendizagem da leitura num contínuo que se
estende do leve sintoma ao severo. É freqüentemente acompanhada de
transtorno na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática e redação.
Conforme
ressalta Myklebust (1987), a dislexia representa um déficit na capacidade
de simbolizar, começa a se definir a partir da necessidade que tem a
criança de lidar receptivamente ou expressivamente com a representação
da realidade, ou antes, com a simbolização da realidade, ou poderíamos
também dizer, com a nomeação do mundo.
Segundo
um levantamento feito pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em média
40% dos casos diagnosticados na faixa mais crítica, entre
10 a
12 anos, são de grau severo, 40% são de grau moderado e 20% de grau
leve.
Atualmente
observasse um fenômeno de “vulgarização”/generalização do termo
dislexia, qualquer distúrbio de linguagem apresentado pela criança, logo
é qualificado como dislexia, tanto pelos pais como pela escola. O
problema nem sempre está na criança e sim nos processos educacionais,
sob a responsabilidade familiar, ou nos processos formais de aprendizagem,
sob incumbência da instituição escolar. Além dos problemas de
ensinagem, temos também a alfabetização precoce, cada vez mais as crianças
estão menos prontas para iniciar o processo e são identificadas
dificuldades de aprendizagem que, na realidade, não existem.
Lima
(2002), enfatiza que todo
processo de aprendizagem está articulado com a história de cada indivíduo,
e o ser humano aprende mais facilmente quando o novo pode ser relacionado
com algum aspecto da sua experiência prévia, com o conhecimento
anterior, com alguma questão que o indivíduo se colocou, com imagens,
palavras e fatos que estão em sua memória, com vivências culturais.
Ao
que parece, por trás desses problemas específicos de aprendizagem,
existe sempre um fator biológico, hereditário, isto é, há uma disposição
natural de a mesma dificuldade ocorrer em outros membros da família. Coll
(1995), descreve isso dizendo que quando falamos de problemas de
linguagem, não podemos nos esquecer de buscar no ambiente social da criança
todos os dados que nos permitam compreender melhor as dificuldades que
esta apresenta.
A
neurologista inglesa Guinevere Éden, do Centro de Investigação Neurológica
de Georgetown, fez uma pesquisa com cérebros de disléxicos na qual ela
constatou que uma das características comuns às crianças disléxicas é
a dificuldade em reconhecer em que direção os objetos se movem.
Por meio de exames de ressonância magnética funcional, foi possível
verificar que o cérebro de um portador de dislexia é anatômico e
fisiologicamente diferente de uma pessoa que não sofre do distúrbio.
De acordo com ela, ficou claro que
o hemisfério direito do cérebro, não relacionado à linguagem,
apresenta maior atividade do que o esquerdo.
Para superar essa condição é preciso aprender como compensá-la.
(Fonte: http://www.medsys.com.br/ultimas_not/noticias.php?cd_noticia=577)
Rotta
(2006), as diferenças estruturais entre o cérebro das pessoas com
dislexia e o das pessoas sem dislexia concentram-se fundamentalmente no
plano temporal. Além da simetria incomum dos planos temporais, o cérebro
de leitores disléxicos tem alterações na citoarquitetura e alterações
do cerebelo e suas vias. Isso ocorre provavelmente porque houve algum tipo
de agressão nos primeiros estágios do desenvolvimento. Finalmente, os
neurônios de tecido cerebral dos leitores disléxicos parecem ser menores
que a média, pelo menos em algumas áreas de cérebro (por exemplo, o tálamo).
O tamanho menor dos neurônios talâmicos pode muito bem estar ligado às
anormalidades tanto do sistema visual quanto no sistema auditivo de indivíduos
com dislexia. O estudo de Galaburda e colaboradores, em 2001, demonstrou
experimentalmente que as alterações na citoarquitetura do córtex
temporal e dos tálamos determinam um processamento lento dos sons.
Dentro
do quadro da dislexia devemos estar atentos ao histórico familiar para
parentes próximos que apresentem a mesma deficiência de linguagem. Também
a aspectos pré, peri e pós-natal se
o parto foi difícil, se pode
ter ocorrido algum problema de anoxia ( asfixia relativa), prematuridade
do feto (peso abaixo do normal), ou hipermaturidade ( nascimento passou da
data prevista para o parto). Se a criança adquiriu alguma doença
infecto-contagiosa, que tenha produzido convulsões ou perda de consciência,
se ocorreu algum atraso na aquisição da linguagem ou perturbações na
articulação da mesma, se houve um atraso para andar, e algum problema de
dominância lateral (uso retardado da mão esquerda ou direita), entre
outros.
Dentro
da etiologia da dislexia sempre deverão ser considerados dois aspectos,
que podem estar isolados ou relacionados, como também serem
complementares: causas genéticas e causas adquiridas. A etiologia pode
ser dividida em : genética, adquirida e multifatorial ou mista.
2.
Tipos de Dislexia
A
dislexia pode ser classificada de várias formas, de acordo com os critérios
usados para classificação.
Alguns
autores classificam a dislexia tendo como base testes diagnósticos,
fonoaudiológico, pedagógicos e psicológicos.
Conforme
Ianhez (2002), a dislexia pode ser classificada em:
2.1
Dislexia disfonética: dificuldades de percepção auditiva na análise e
síntese de fonemas, dificuldades temporais, e nas percepções da sucessão
e da duração ( troca de fonemas – sons, grafemas –
diferentes, dificuldades no reconhecimento e na leitura de palavras
que não têm significado, alterações na ordem das letras e sílabas,
omissões e acréscimos, maior dificuldade na escrita do que na leitura,
substituições de palavras por sinônimos);
2.2
Dislexia diseidética: dificuldade na percepção visual, na percepção
gestáltica, na análise e síntese de fonemas ( leitura silábica, sem
conseguir a síntese das palavras, aglutinações e fragmentações de
palavras, troca por equivalentes fonéticos, maior dificuldade para a
leitura do que para a escrita);
2.3
Dislexia visual: deficiência na percepção visual; na coordenação
visomotora (não visualiza cognitivamente o fonema);
2.4
Dislexia auditiva: deficiência na percepção auditiva, na memória
auditiva (não audiabiliza cognitivamente o fonema).
2.5
Dislexia mista: que seria a combinação de mais de um tipo de
dislexia.
Para
Moojen apud Rotta (2006), é possível classificar a dislexia em três
tipos:
2.1.1
Dislexia fonológica (sublexical ou disfonética): caracterizada por uma
dificuldade seletiva para operar a rota fonológica durante a leitura,
apresentando, não obstante, um funcionamento aceitável da rota lexical;
com freqüência os problemas residem no conversor fonema-grafema e/ou no
momento de juntar os sons parciais em uma palavra completa. Sendo assim,
as dificuldades fundamentais residem na leitura de palavras não-familiares,
sílabas sem sentido ou pseudopalavras, mostrando melhor desempenho na
leitura de palavras já familiarizadas. Subjacente a essa via, encontra-se
dificuldades em tarefas de memória e consciência fonológica.
Considerando o grande esforço que fazem para reconhecer as palavras,
portanto, para manter uma informação na memória de trabalho, são
obrigados a repetir os sons para não perdê-los definitivamente. Como
conseqüência, toda essa concentração despendida no reconhecimento das
palavras acarreta em dificuldades na compreensão do que foi lido.
2.2.1
Dislexia lexical (de superfície): as dificuldades residem na operação
da rota lexical (preservada ou relativamente preservada a rota fonológica),
afetando fortemente a leitura de palavras irregulares. Nesses casos, os
disléxico lêem lentamente, vacilando e errando com freqüência, pois
ficam escravos da rota fonológica, que é morosa em seu funcionamento.
Diante disso, os erros habituais são silabações, repetições e
retificações, e , quando pressionados a ler rapidamente, cometem
substituições e lexicalizações; às vezes situam incorretamente o
acento prosódico das palavras.
2.3.1
Dislexia Mista: nesse caso, os disléxicos apresentam problemas para
operar tanto com a rota fonológica quanto com a lexical. São assim situações
mais graves e exigem um esforço ainda maior para atenuar o
comprometimento das vias de acesso ao léxico.
Entre
as conseqüências da dislexia encontramos a repetência e evasão, pois
se o problema não é detectado e acompanhado, a criança não
aprende a ler e escrever. Acontece também o desestímulo, a solidão, a
vergonha, e implicações em seu autoconceito e rebaixamento de sua
auto-estima, porque o aluno perde o interesse em aprender, se acha incapaz
e desprovido de recursos intelectuais necessários para tal. Pode
apresentar uma conduta inadequada com o grupo,
gerando problemas de comportamento, como agressividade e até
envolvimento com drogas. Como podemos constatar
que as seqüelas são as mais abrangentes, em todos os setores da
vida. Começa com um distúrbio de leitura e escrita e acaba com um
problema que pode durar a vida inteira, como depressão e desvio de
conduta.
3. A
dislexia e a alfabetização
Lima
(2002), coloca que é função da escola ampliar a experiência humana,
portanto a escola não pode ser limitada ao que é significativo para o
aluno, mas criar situações de ensino que ampliem a experiência,
aumentando os campos de significação.
Do
ponto de vista do desenvolvimento e da construção de significados, só
pode ser significativo para a pessoa aquilo do qual ela possui um mínimo
de experiências e de informação.
Por
isso, o disléxico precisa olhar e ouvir atentamente, observar os
movimentos da mão quando escrever e prestar atenção aos movimentos da
boca quando fala. Desta maneira, a criança disléxica associará a forma
escrita de uma letra tanto com seu som como com os movimentos, pois falar,
ouvir, ler e escrever, são atividades da linguagem.
Fonseca
(1995), retrata muito bem isso quando
diz que uma coisa é a criança que não quer aprender a ler, outra
é a criança que não pode aprender a ler com os métodos pedagógicos
tradicionais. Não podemos assumir atitudes reducionistas que afirmam que
a dislexia não existe. De fato, a dislexia é muito mais do que uma
dificuldade na leitura. A dislexia normalmente não aparece isolada, ela
surge integrada numa constelação de problemas que justificam uma
deficiente manipulação do comportamento simbólico que trata de uma
aquisição exclusivamente humana.
Muitos
autores tem defendido o método fonético como o mais adequado na
alfabetização de disléxicos e não disléxicos. Os métodos fonéticos
favorecem a aquisição e o desenvolvimento da consciência fonológica
que é a capacidade de perceber que o discurso espontâneo é uma seqüência
de sentenças e que estas são uma seqüência de palavras( consciência
da palavra); que as palavras são uma seqüência de sílabas (consciência
silábica) e que as sílabas são uma seqüência de fonemas (consciência
fonêmica), o que auxiliaria muito nas dificuldades dos alunos disléxicos.
Para
auxiliar o aluno disléxico em suas dificuldades, a escola deve dar
encorajamento, atender e respeitar as capacidades e os limites da criança,
estar informada, para amparar a criança em sua dificuldade, manter o
professor da classe familiarizado e sensibilizado com a dislexia, para
compreender e apoiar a criança, na sala de aula,
reconhecer a necessidade de ajuda extra e desenvolver um clima de
paciência, para que as crianças possam ter tempo suficiente para cumprir
suas tarefas e, até mesmo, repeti-las várias vezes para retê-las.
É
importante, também, conscientizar toda a comunidade escolar que estas
“facilidades” dadas aos
disléxicos, na verdade, representam a única forma que este tem para
competir em igualdade de condições com seus colegas.
4.
Sinais de dislexia na idade escolar
Para
Ianhez (2002) estes são sinais importantes de dislexia na idade escolar:
·
Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e
escrita;
·
Trocas ortográficas ocorrem, mas dependem do tipo de
dislexia;
·
Problema para reconhecer rimas e alterações (fonemas
repetidos em uma frase);
·
Desatenção e dispersão;
·
Desempenho escolar abaixo da média, em matérias específicas,
que dependem da linguagem escrita;
·
Melhores resultados, nas avaliações orais, do que nas
escritas;
·
Dificuldade de coordenação motora fina (para escrever,
desenhar e pintar) e grossa (é
descoordenada);
·
Dificuldade de copiar as lições do quadro, ou de um livro;
·
Problema de lateralidade (confusão entre esquerda e
direita, ginástica);
·
Dificuldade de expressão: vocabulário pobre, frases
curtas, estrutura simples, sentenças vagas;
·
Dificuldade em manusear mapas e dicionários;
·
Esquecimento de palavras;
·
Problema de conduta: retração, timidez, excessiva e
depressão;
·
Desinteresse ou negação da necessidade de ler;
·
Leitura demorada, silabadas e com erros. Esquecimento de
tudo o que lê;
·
Salta linhas durante a leitura, acompanha a linha de leitura
com o dedo;
·
Dificuldade em matemática, desenho geométrico e em decorar
seqüências;
·
Desnível entre o que ouve e o que lê. Aproveita o que
ouve, mas não o que lê;
·
Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de
casa;
·
Não gosta de ir a escola;
·
Apresenta “picos de aprendizagem”, nuns dias parece
assimilar e compreender os conteúdos e noutro, parece ter esquecido o que
tinha aprendido anteriormente;
·
Pode evidenciar capacidade acima da média em áreas como:
desenho, pintura, música, teatro, esporte, etc;
O
estudo da dislexia, em sala de aula, tem como ponto de partida a compreensão,
das quatro habilidades fundamentais da linguagem verbal: a leitura, a
escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a habilidade lingüística
mais difícil e complexa, e a mais diretamente relacionada com a
dificuldade específica de acesso ao código escrito denominada
“dislexia”. (PINTO, 2003)
No
caso da criança em idade escolar, a psicolingüística define a dislexia
como um déficit inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da
escrita (disgrafia) e da ortografia (disortografia) na idade em que essas
habilidades já deveriam ter sido automatizadas. É o que se denomina
“dislexia de desenvolvimento”.
Para
ensinar crianças com distúrbios de aprendizagem, é preciso conhecer os
processos educacionais. Daí resulta a importância da pré-escola, que é
a época propícia para desenvolver a capacidade cognitiva da criança
normal ou mesmo disléxica, através de métodos ativos e baseados na
psicologia, de Jean Piaget. É preciso então atender aos estágios de
desenvolvimento mental da criança, sem pressa de alfabetizar, antes que
ela esteja madura neurologicamente.
Para
a criança disléxica, o método multissensorial surge com o objetivo de
trabalhar a criança, para que aprenda a dar respostas automáticas
duradouras (nomes, sons e fonemas) e desenvolver habilidades como
sequenciar palavras. Na alfabetização, a introdução de cada letra, com
ênfase na sua relação com o nome/som e com a importância em dar a sua
forma correta, torna o ensino sistemático e cumulativo, e deverá ser
avaliado regularmente, de forma a verificar a sua eficiência.
5.
O papel do
professor
Coll
( 1995), propõem que os professores encontram-se normalmente, diante de
um grupo de alunos com diferentes níveis , na área da comunicativo-linguística.
Crianças que diferem quanto aos usos que fazem da linguagem, em função
da procedência geográfica, social e cultural.
Os
professores precisam estar atentos para esta realidade, e para as
particularidades de seu grupo. Suspeitando dos sintomas, deve sugerir um
encaminhamento clínico para a criança e após
diagnosticado, o quadro, é necessário que ele
se dedique muito ao aluno, em sala de aula, e ao longo do
tratamento, que envolve em partes iguais a escola, a família e
profissionais da saúde.
A
primeira tarefa do professor é resgatar a autoconfiança do aluno.
Descobrir suas habilidades para que possa acreditar em si mesmo ao se
destacar em outras áreas.
O
papel do professor é dirigir um olhar flexível para cada aluno que tenha
dificuldade, é compreender a natureza dessas dificuldades, buscar um
diagnóstico especializado, uma orientação para melhorar o dia-a-dia da
criança, e se instrumentalizar, pois há
muitos professores que lecionam e não sabem o que é dislexia.
Somos
de opinião que o professor primário deve ele próprio construir os seus
instrumentos de diagnóstico pedagógico (diagnóstico informal) a fim de
conduzir a sua atividade mais coerentemente... é do maior interesse o uso
de instrumentos que permitam detectar precocemente qualquer dificuldade de
aprendizagem, pois só assim uma intervenção psicopedagógica pode ser
considerada socialmente útil, pois quanto mais tarde for identificada a
dificuldade, menos hipóteses haverá para solucionar corretamente. (
FONSECA, 1995)
O
professor que deseja ajudar seus alunos, sabe que é necessário encaminhá-lo
para tratamento e colaborar nesse tratamento. Mas ele sabe também,
que o atendimento gratuito é sujeito a grande espera e que o nível
econômico da maioria dos escolares, não permite tratamento particular. Só
através de um trabalho paciente e constante, poderá prestar a ajuda, que
a criança tanto necessita.
O
ideal é trabalhar a autonomia da criança, para que ela não comece a
sentir-se dependente
em tudo. O
professor deve acolher e respeitá-lo, em suas diferenças, sem cair no
sentimento de pena.
Cabe
ao professor recorrer a diversas atividades e técnicas de ensino e
descobrir qual delas melhor se adapta a cada estudante e a cada situação.
É
importante que o professor explique à criança o seu problema, sente ao
lado dela, não a pressione com o tempo, não estabeleça competições
com os outros, que seja flexível quanto ao conteúdo das lições, que faça
críticas construtivas, estimule o aluno a escrever em linhas alternadas
(o que permite a leitura da caligrafia imprecisa), certifique-se de
que a tarefa de casa foi entendida pela criança, peça aos pais que
releiam com ela as instruções, evite anotar todos os erros na correção
(dando mais importância ao conteúdo), não corrija com lápis vermelho
(isso fere a suscetibilidade da criança com
problemas de aprendizagem), e procure descobrir os interesses e
leituras que prendam a atenção da criança.
É
de grande importância ressaltar, que a manutenção de turmas pequenas,
com no máximo 20 alunos, ou menos, é de extrema relevância, para que o
professor tenha oportunidade de observar de maneira adequada a todos os
educandos, como também dispor de tempo para auxiliá-los.
6.
Sugestões e recursos
A
ABD faz algumas sugestões visando a melhoria da AVD’s e
qualidade de vida da criança
disléxica, tais como:
·
Estabelecer horários para refeições, sono, deveres de
casa e recreações;
·
As roupas devem ser arrumadas na seqüência que ele vai
vestir, para evitar confusões e preocupações à criança (simplificar
usando zíper em vez de botão, sapatos e tênis sem cordão e camisetas);
·
Quando for ensinar a amarrar os sapatos, não fique de
frente para a criança, coloque-se ao seu lado, com os braços sobre o
ombro dela;
·
Marque no relógio, com palavras, as horas das obrigações.
Isso evita a preocupação da criança;
·
Para as crianças que tem dificuldades com direita e
esquerda, uma marca é necessária. Isso pode ser feito com um relógio de
pulso, um bracelete ou um botão pregado no bolso do lado favorito;
·
Reforçar a ordem das letras do alfabeto, cantando e
dividindo-as em pequenos grupos;
·
Ensinar a criança a “sentir”
as letras através de diferentes texturas de materiais, como areia,
papel, veludo, sabão, etc;
·
Ler histórias que se encontrem no nível de entendimento da
criança;
·
Instruir as crianças canhotas precocemente, para evitar que
assumam posturas pouco confortáveis e mesmo prejudiciais, como encobrir o
papel com a mão ao escrever;
·
Providenciar para que a criança use lápis ou caneta
grossos, com película de borracha ao redor, e que sejam de forma
triangular;
·
A criança disléxica confunde-se com o volume de palavras e
números com que tem de se defrontar. Para evitar isso, arranjar um cartão
de aproximadamente 8cm de comprimento por 2cm de largura, com uma janela
no meio, da largura de uma linha escrita e comprimento de 4cm. Deslizando
o cartão na folha à medida que a criança lê, ele bloqueia o acesso
visual para as linhas de baixo e de cima e dirige a atenção da criança
da esquerda para a direita.
A
motivação é muito importante para a criança disléxica, pois, ao se
sentir limitada e inferiorizada, ela pode se revoltar e assumir uma
atitude de negativismo. Por outro lado, quando se vê compreendida e
amparada, ganha segurança e vontade de colaborar.
Existem
também alguns recursos e alternativas para que a criança consiga
acompanhar a turma, entre eles:
·
Dar a ele um resumo, do programa a ser desenvolvido;
·
Iniciar cada novo conteúdo, com um esquema, mostrando o que
será
apresentado no período. No final, resumir os pontos-chaves;
·
Usar vários recursos de apoio para apresentar a lição `a
classe, além do quadro- negro: projetor de slides, retroprojetor, vídeos
e outros recursos multimídia;
·
Introduzir vocabulário novo ou técnico de forma
contextualizada;
·
Evitar dar instruções orais e escritas ao mesmo tempo;
·
Avisar, com antecedência, quando houver trabalhos que
envolvam leitura, para que o aluno, encontre outras formas de realizá-lo,
como gravar o livro, por exemplo;
·
Fazer revisões com tempo disponível para responder às
possíveis dúvidas;
·
Autorizar o uso de tabuadas, calculadoras simples, rascunhos
e dicionários, durante as atividades e avaliações;
·
Aumentar o limite do tempo para atividades escritas;
·
Ler enunciados em voz alta e verificar se todos entenderam o
que está sendo pedido;
·
Usar gravador;
·
Confecção, do próprio material para alfabetização, como
desenhar e montar uma cartilha;
·
Uso de gravuras e fotografias (a imagem é essencial);
·
Material dourado (Material Curisineire);
·
Folhas quadriculadas para matemática;
·
Não deve ser forçada a ler em voz alta, em classe, a menos
que demonstre desejo em fazê-lo;
·
Uso de informática, como corretor ortográfico.
Entre
alguns exemplos de atividades e técnicas aplicáveis ao disléxico,
podemos destacar: colocar o aluno na primeira classe (para poder dar atenção
especial a ele), repetir só para a criança o que disse para a classe,
ler novamente um trecho do livro só para ela, corrigir atividades ao lado
dela, dar um tempo maior para que faça o mesmo trabalho que os demais,
substituir avaliações e outros trabalhos escritos por orais e
utilizar programas oferecidos no mercado para montar uma
metodologia de apoio ao aprendizado.
7.
Leitura e escrita
O
enfoque da psicolingüística, ramo interdisciplinar da psicologia
cognitiva e da lingüística aplicada, considera a leitura como uma
habilidade complexa na qual intervém uma série de processos
cognitivo-lingüístico de distintos níveis, cujo início é um estímulo
visual e cujo final deve ser a decodificação desse estímulo e sua
compreensão. ( PINTO, 2003)
A
dificuldade, na leitura, significa apenas o resultado final de uma série
de desorganizações que a criança já vinha apresentando no seu
comportamento pré-verbal, não-verbal, e em todas aquelas funções básicas
necessárias, para o desenvolvimento da recepção, expressão e integração,
condicionadas à função simbólica.
Coll
(1995), diz que há uma série de requisitos para um desenvolvimento ideal
da linguagem que são, em primeiro lugar, de natureza sensorial, motora e
neurológica. Para um desenvolvimento harmonioso da linguagem, precisa-se
da integridade anatômica e funcional de todos os órgãos que participam
de seu processo de produção-recepção. Destacaremos, por sua especial
importância, o aparelho respiratório, os órgãos fonatórios, o
aparelho auditivo, as vias nervosas e as áreas corticais e subcorticais
motoras e sensoriais.
Por
isso, uma criança pode reconhecer as letras do alfabeto, de sua língua
materna, mas se não souber os fonemas da fala, representados pelos signos
gráficos, não vai conseguir ler um texto.
Entre
alguns fatores ligados a incapacidade de ler, estão a capacidade
intelectual, percepção visual e auditiva (boa visão e audição), noção
de esquema corporal, orientação no espaço e no tempo, linguagem e
conhecimento do código lingüístico e fatores emocionais que acompanham
todos os outros.
Na
leitura, notam-se confusões de grafemas, cuja correspondência fonética
é próxima ou cuja forma é aproximada, bem como a existência de inversões,
omissões, adições e substituições de letras e sílabas. Ao nível da
frase, existe uma dificuldade nas pausas e ritmos, bem como revelam uma análise
compreensiva da informação, leitura deficitária (muitas dificuldades em
compreender o que lêem).
Pennington
(1997), enfoca bem isso quando ele diz que os disléxicos têm um problema
com o reconhecimento de palavras e este problema é devido a um déficit
no uso dos códigos fonológicos para reconhecer palavras. Quanto mais
lemos, mais precisamos traduzir seqüências de letras impressas em pronúncias
de palavras. Para fazer isso, precisamos
compreender que o alfabeto é um código para fonemas, os sons
individuais da fala na linguagem, e precisamos ser capazes de usar estes código
rápida e automaticamente, de modo que possamos nos concentrar no
significado do que lemos.
No
que concerne a produção escrita, verifica-se a presença de muitos erros
ortográficos, grafia disforme e ilegível, como também lacunas na
estruturação e seqüenciação lógica das idéias.
Os
processo básicos, isto é, que se voltam à decodificação e a compreensão
de palavras, são particularmente importantes nas primeiras etapas da
aprendizagem da leitura (ou leitura inicial na educação infantil), e
devem ser automatizados ou bem assimilados no primeiro ciclo do ensino
fundamental (até a quarta série), já que um déficit em algum deles
atua como um gargalo que impede o desenvolvimento pleno e melífluo dos
processos superiores de compreensão leitora. (PINTO, 2003)
Na
leitura, encontramos três tipos de dificuldades, e a primeira delas é o
atraso geral de leitura, ocasionado por baixa inteligência e que
caracteriza-se pela dificuldade de leitura de palavras isoladas e pela
dificuldade de compreensão de textos. A criança, que apresenta este
problema, tem também atraso em todas as outras aprendizagens. Uma segunda
dificuldade é o atraso específico de leitura, que compreende
dificuldades na leitura de palavras isoladas e na compreensão do texto.
Isso não significando que a criança não seja inteligente para outras
aprendizagens, pois o seu atraso é apenas em leitura e escrita. E uma
terceira dificuldade, é de compreensão, que apenas se refere à
dificuldade para entender o texto, embora ela consiga ler textos ou
palavras isoladas.
Por
isso, é importante proporcionar a criança manusear o material de
leitura, escrever e desenvolver o gosto pela leitura. Incentivando-a,
através das seguintes sugestões: lendo todos os dias, bons livros,
jornais, revistas, qualquer coisa que realmente a interesse, encorajando-a
a ler todos os tipos de texto, permitindo o uso de marcadores para seguir
a leitura, encontrando alguém que possa ler os textos
para ela, gravando os textos para
ajudá-la, dividindo a leitura de um livro de história com algum
colega e usando canetas marca-texto, para ressaltar os itens a serem
lembrados. E depois de ter lido o texto, a criança poderá reler o titulo
e explicá-lo, observar as figuras e dar uma interpretação, rever o
vocabulário das palavras do texto, desenvolver uma lista de palavras que
ela erra constantemente, ler as perguntas, se houver, ou criar perguntas
para testar sua interpretação, ler os títulos dos capítulos e comentá-los
e desenhar a respeito do que foi lido.
Na
dislexia, em geral, a dificuldade de leitura persiste até a idade adulta.
A dificuldade de ortografia geralmente acompanha a de leitura, o que é
compreensível por serem habilidades relacionadas. Muitas pessoas
aparentemente normais, ou mesmo com grande capacidade de leitura, podem
apresentar dificuldades de ortografia.
Os
erros mais comuns de serem observados tanto na leitura como na escrita,são:
·
Confusão de letras, sílabas ou palavras com pequenas
diferenças de grafia: a/o, c/o, e/f, etc;
·
Confusão de letras, sílabas ou palavras com grafia
semelhante, porém com orientação espacial diferente: b/d, p/b, b/q, etc;
·
Confusão de letras que possuem sons parecidos: b/d, p/q,
d/t, m/b, etc;
·
Inversão parcial ou total de sílabas ou palavras: me em
vez de em, sol em vez de los, som em vez de mos, etc;
·
Substituição de palavras por outras estruturas, mais ou
menos semelhantes: salvou no lugar de saltou, sentiu no lugar de mentiu;
·
Contaminação de sons: lalito em vez de palito;
·
Adição ou omissão de sons, sílabas ou palavras: casa em
vez de casaco, neca em vez de boneca, etc;
·
Repetição de sílabas, palavras ou frases: mamacaco,
paipai;
·
Salto de linha, volta à linha anterior e perda da linha
durante a leitura;
·
Acompanhamento com o dedo da linha que está sendo lida;
·
Leitura do texto, palavra por palavra;
·
Problema de compreensão do texto;
·
Escrita em espelho (em sentido inverso ao normal);
·
Letra ilegível;
·
Leitura analítica e decifratória. Quando lê
silenciosamente a criança não consegue deixar de murmurar ou mover
os lábios, pois precisa pronunciar as palavras para entender o seu
significado;
·
Dificuldade em exprimir suas idéias e pensamentos em
palavras;
·
Dificuldade na memória auditiva imediata.
8.
Problemas emocionais
Lima
(2002), coloca que o jovem e o adulto em processo de alfabetização
muitas vezes já trazem no corpo o sentimento construído socialmente de
serem “não leitores” e/ou “não escritores”. Não saber ler ou
escrever tem um “desapreço” social muito grande, e a pessoa traz este
sentimento consigo. Esta tensão e esta visão de si mesmo como “não
aprendiz” estão presentes quando a pessoa se senta para escrever, e se
manifesta muitas vezes na rigidez do braço e mão, muitas vezes anulando
o movimento do pulso (necessário para escrever). A experiência emocional
da escrita também se manifesta em verbalizações como “não gosto de
escrever”, “não quero aprender a escrever” ou “não sou bom para
escrever”... Ela só se modificará
quando a criança se vir efetivamente “realizando” o ato de
escrever.
A
criança disléxica, é geralmente triste e deprimida, pelo repetido
fracasso em seus esforços, para superar suas dificuldades, outras vezes,
mostra-se agressiva e angustiada. Estes intensos sentimentos de
inferioridade, provocam frustrações, como a reprovação e a evasão,
que são ocorrências comuns na vida escolar do disléxico. Existem, também,
conseqüências mais profundas, no nível emocional, como diminuição do
auto-conceito, reações rebeldes e delinqüências.
Em
geral, a criança é
considerada relapsa, desatenta, preguiçosa e sem vontade de aprender, o
que cria uma situação emocional que tende a se agravar, especialmente em
função da injustiça que possa vir a sofrer. Seu
esforço de lutar contra as dificuldades, a censura e a decepção,
às vezes, leva a criança disléxica a manifestar sintomas como dores
abdominais, de cabeça ou transtornos do comportamento.
Em
geral, os problemas emocionais surgem como uma reação secundária aos
problemas de rendimento escolar. As crianças disléxicas tendem a exibir
um quadro mais ou menos típico, com variações de criança para criança,
cujas características são a reduzida motivação e empenho pelas
atividades, recusa de situações e atividades que exigem leitura e
escrita, sintomatologia ansiosa, perante avaliações ou atividades de
leitura e escrita, sentimentos de tristeza e de culpabilização, reduzida
auto-estima, insegurança, vergonha, incapacidade, inferioridade e frustração,
comportamento de oposição e desobediência perante pais, professores,
enurese noturna e perturbação do sono.
9.
Diagnóstico
“A
palavra diagnóstico provém de dia (através de) e gnosis (conhecimento).
Se nos atemos à origem etimológica e não ao uso comum (que pode
significar rotular, definir, etiquetar), podemos falar de diagnóstico
como “ um olhar-conhecer através de”, que relacionaremos com um
processo, com um transcorrer, com um ir olhando através de alguém
envolvido mesmo como observador, através da técnica utilizada e, nesta
circunstância, através da família.” (FERNANDEZ, 1991)
Para
fazer um diagnóstico correto, deve-se verificar inicialmente, se na história
familiar existem casos de dislexia ou de dificuldades de aprendizagem e se
na história desenvolvimental da criança, ocorreu um atraso na aquisição
da linguagem, pois as pessoas disléxicas pensam primariamente através de
imagens e sentimentos, e não com sons e palavras, sendo bastante
intuitivas.
O
primeiro passo é excluir as possibilidades de outros distúrbios. Há
problemas de origem neurológica, sensoriais, emocionais ou mesmo
dificuldades de aprendizagem por falta de ensino adequado ou de um meio sócio-cultural
satisfatório.
Segundo
orientação da ABD, o diagnóstico só pode ser feito após a alfabetização,
entre a primeira e a segunda série. Pois a escola alfabetiza
precocemente, e a criança não acompanha porque não tem maturidade
neurológica suficiente.
Como
o diagnóstico é realizado por uma equipe multidisciplinar, a avaliação
deverá identificar dificuldades e necessidades da criança, assim como
suas potencialidades.
A
avaliação tem seu início com o psicólogo entrevistando os pais, e
enviando um questionário para o professor. Após, o psicólogo realizará
uma bateria de testes, onde avaliará o nível de inteligência e aplicará
testes visomotores, neuropsicológicos e de personalidade.
Seguindo
a avaliação, o fonoaudiólogo e o psicopedagogo aplicarão testes de
lateralidade (direita, esquerda, mista) e avaliação da aquisição das
habilidades (organização espacial e temporal, discriminação e percepção
visual e auditiva, memórias tátil e cinestésica, memória imediata e de
longo prazo, organização de figuras e praxias orofaciais), teste de
leitura (segmentação de palavras – sons unitários e em sílabas,
grupos consonantais, dígrafos, vocabulário adquirido, leitura oral
e silenciosa, com compreensão e habilidade para a aquisição
fonológica) e testes de linguagem escrita (ditado, cópia, escrita espontânea
e material escolar).Também, são solicitados
parecer neurológico e testes oftalmológicos e audiométrico.
O
diagnóstico final só acontece quando a equipe discute e direciona as
suas necessidades, através da entrevista devolutiva, que é feita com os
pais.
Se
o disléxico não for submetido a uma instrução especializada, pode
permanecer analfabeto ou semialfabetizado. Geralmente os disléxicos ficam
excluídos das profissões e vocações que exigem uma preparação acadêmica.
A criança com dislexia precisa de acompanhamento para estudar.
Condemarin
(1986), diz que o objetivo principal do tratamento re-educativo é
solucionar as dificuldades localizadas no diagnóstico, que impedem ou
dificultam o desenvolvimento normal do processo da leitura.
O
tratamento inclui dinâmicas com exercícios auditivos, visuais e de memória.
Há programas de computador desenvolvidos para isso.
É
importante definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte
após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando
as etapas anteriores. É o que se chama de sistema MULTISSENSORIAL e
CUMULATIVO.
10.
O papel dos pais
Os
pais conhecem seus filhos melhor do que ninguém, por este motivo precisam
ficar atentos a frustrações, tensões, ansiedades, baixo desempenho e
desenvolvimento. É deles a responsabilidade de ajudar a criança a ter
resultados melhores, e deve partir deles, a procura de profissionais para
realizar um diagnóstico multidisciplinar a cerca das dificuldades da
criança, porque quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e
intervenção melhor, maiores são as oportunidades de sucesso.
O
encorajamento, a ajuda, a compreensão e a paciência (pois o disléxico
leva mais tempo para realizar algumas tarefas, e poderá ter de repeti-las
várias vezes para retê-las), faz parte do papel dos pais, assim como ir
em busca de uma instituição educacional que atenda da melhor maneira às
necessidades da criança (por exemplo, estudar o currículo da escola e
seu método de ensino).E ter uma relação de troca, fazendo um intercâmbio
entre os acontecimentos em casa, na escola e com os profissionais
envolvidos.
Apesar
de suas dificuldades o disléxico apresenta muitas habilidades e talentos,
como a facilidade para construir, ou consertar as coisas quebradas, ser um
ótimo amigo, ter idéias criativas, achar soluções originais para os
problemas, desenhar e/ou pintar muito bem, ter ótimo desempenho nos
esportes e na música, demonstrar grande afinidade com a matemática,
revelar-se bom contador de histórias, sobressair-se como ator ou dançarino
e lembrar-se de detalhes.
Portanto,
é importante que os pais focalizem sempre o que ele faz melhor,
encorajando-o a fazê-lo. Faça elogios, por ele tentar fazer algo
que considera difícil e não o deixando desistir. Ressalte sempre as
respostas corretas e não as erradas, valorizando seus acertos. Tranqüilize
a criança, pois apesar das dificuldades de aprendizagem, ela é
inteligente e esperta. E não deixe a criança sentir que o seu valor como
pessoa está relacionado ao seu desempenho escolar.
É
importante, a criança notar que as pessoas a sua volta estão
auxiliando-a , isso deixa-a mais segura. O acompanhamento e/ou programas
especializados na alfabetização também auxiliam. Os pais precisam
mostrar para a criança que estão interessados na sua dificuldade, pois
quanto mais ajuda, zelo, carinho, afeto e compreensão mais ela se sentirá
capaz para evoluir.
Os
pais podem auxiliar seu filho disléxico, programando o seu dia, através
do horário do sono, incentivando a comunicação (falar e escutar são
importantes), conversando bastante com a criança, expressando
sentimentos, demonstrando interesse, tendo vocabulário e fala fluente e
estimulando suas habilidades.
Para
o disléxico organizar-se, é necessário dividir o tempo, para fazer as
lições de casa, dividir trabalhos longos em partes menores, ter um lugar
específico para fazer as lições e atividades, usar agenda, calendário
visíveis e fazer planejamento diário para suas tarefas.
O
fundamental é identificar o problema e dar instrumentos para a criança,
apesar da dificuldade, levar vida normal do ponto de vista acadêmico,
familiar e afetivo. Há indivíduos que vão depender sempre de um
corretor de texto. Mas, muitos escritores famosos fazem isso sem
constrangimento. Como eles, os disléxicos também podem escrever livros
belíssimos, desde que corretamente orientados e incentivados.
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Publicado
em 03/04/2007
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