Introdução
Estamos vivendo num mundo globalizado, em
que a tecnologia avança em nossa vida de
maneira gradativa e se não buscarmos atualização
em relação às novas tecnologias, perderemos não
só a credibilidade, mas também, a interação
com os alunos e com o mundo, pois a realidade
deles faz parte deste cenário cheio de inovações
e modernizações tecnológicas, estamos no século
XXI, na pós-modernidade .
Em virtude da crescente complexidade das
relações (valores novos), do pouco tempo entre
uma mudança e outra (não mais décadas, mas
anos e, às vezes, meses), que impõem a
necessidade de formar para a flexibilidade e
adaptabilidade a mudanças, novas necessidades
que exigem formação adequada para dar conta
desta vertiginosa demanda. Em um mundo em que a
informação é extremamente valorizada, mas
também extremamente banalizada, enfrentamos, em
todos os níveis, um processo de transformação
acelerada que nos assusta.
Pois
se antes, em termos de valores e de
conhecimento, havia pouca ou nenhuma diferença
entre uma geração e outra, hoje corremos o
risco de estarmos defasados, desatualizados e
confusos em relação às nossas certezas em um
intervalo de tempo muito menor do que aquele que
despendemos para constituí-las, e tal fato de
forma alguma facilita a tarefa de educar, pois
aumenta muito nossa angustia por controlar o
tempo futuro.
A
presença do computador na educação é
marcante e, acreditando na irreversibilidade
deste fato, há que se pensar o computador com o
cuidado de não dar-lhe o significado de
redentor do sistema escolar, no sentido de
instrumento da modernidade ou até da pós-modernidade
que irá redimir a escola e, por si só, causar
as transformações tão desejadas, tão
sonhadas por educadores e cientistas da educação.
O
atual paradigma do sistema educacional coloca em
discussão o contexto da revolução da informação
que surge com o advento da Internet e da
Tecnologia. A educação e as tecnologias, são
dois campos que desde há muito, mantêm diálogos.
Por vezes tenso, por vezes mais interativos.
Para
aceitarmos a inovação tecnológica, devemos
desmitificá-lo. Para acabar com o mito do
computador, é preciso encará-lo como uma máquina
semelhante a qualquer outra, criada e manipulada
pelo homem .
O
uso do computador na educação tem sido alvo de
debates e questionamentos. Na verdade, o que se
discute não é o instrumento em si, mas a
maneira de empregá-lo, que depende de uma
concepção filosófica e de uma teoria de
aprendizagem.
A
Informática não só atua sobre o conhecimento,
mas possibilita uma nova ferramenta que auxilia
na aprendizagem, estimula o conhecimento e a
criatividade, e
ainda possibilita sempre uma solução
possível. Isso mantém a criança entusiasmada
e concentrada por mais tempo.
O
computador representa uma grande interrogação
sob o ponto de vista de possibilidades
educativas. A posição que procuro tomar neste
artigo é a de não subestimar nem a
oportunidade de ganhos e nem o perigo de perdas,
ambos presentes no fenômeno das tecnologias
emergentes.
Contexto
Social e a Nova Educação
Por
Pós-modernidade se entende o conjunto de
características que demarcam uma nova "Era
Histórica", o fim da modernidade do mundo
contemporâneo e uma nova maneira de ver e se
ver no mundo. E
uma
mudança , para ocorrer, necessita de um
processo lento de transformação de valores e
costumes.
O primeiro passo para a Pós-modernidade
não seria propriamente uma "tomada de
poder", mas sim uma enorme Revolução
Cultural.
O
isolamento produzido pela Pós-modernidade
vai encontrando eco na tecnologia, que
facilitando mais ainda a "auto-suficiência"
de cada um, cria um mar em volta de uma ilha. O
conflito entre o mundo e o "eu", entre
a realidade e a fantasia, se radicaliza na técnica
Pós-moderna..
Podemos citar como exemplo a informática
que se faz presente em nossas vidas.Há alguns
anos atrás para pagarmos uma conta ou fazermos
uma transferência de dinheiro tínhamos que ir
até o banco, pegar uma imensa fila, hoje
fazemos isto pela internet.Outro exemplo, para
lermos o jornal tínhamos que ir até a banca
para comprar, hoje podemos ler as noticias pela
internet.
O que se percebe é que as novas
tecnologias vêm causando mudanças importantes,
inclusive no modo de produção e no mundo do
trabalho. Diariamente
vemos máquinas cada vez mais sofisticadas
substituindo o trabalho humano.
Deparamos rapidamente com necessidades
educacionais que não existiam até há pouco
tempo atrás. O “novo homem” que se faz
necessário formar exige uma nova escola, porque
novos paradigmas se fazem presentes nesse
momento social em que vivemos.
A escola
está inserida dentro de um contexto
maior, que é a sociedade. Sabemos que reflete
as relações sociais e a cultura que nela estão
presentes e que, portanto, mudanças e
transformações profundas no sistema
educacional implicam em mudanças e transformações
profundas na sociedade.
O computador facilita uma aprendizagem
mais autônoma, no momento em que o professor
ensina a processar a informação de maneira crítica
e reflexiva, a trabalhar em grupos e a efetivar
trocas.
O computador serve para despertar a atenção
dos alunos. Os alunos processam melhor o
conhecimento quando aprendem ativamente como em
trabalhos de campo ou interagido
com experimentos.
De acordo com a concepção de educação
adotada, o computador assumirá um determinado
papel na relação entre o aluno, o conhecimento
e o professor.
Pensando nisso, não poso deixar de
concordar com Levy quando diz que:
Uma
versão puramente ergonômica ou funcional da
relação entre humanos e computadores não
daria conta daquilo que está em jogo. O
conforto e a performance cognitiva não são as
únicas coisas em causa. O desejo e a
subjetividade podem estar profundamente
implicados em agenciamento técnicos. Da mesma
forma que ficamos apaixonados por uma moto, um
carro ou uma casa, ficamos apaixonados por um
computador, um programa ou uma linguagem de
programação ( 1993, p.56).
Esta afirmativa faz-nos refletir não só
sobre o uso do computador, mas sobre o auxílio
da informática na educação. Da mesma forma não
são somente as suas funcionalidades e suas
possibilidades cognitivas que estão em jogo,
mas sim, a
relação com os seres humanos, principalmente
na relação à aprendizagem, o desejo e a
subjetividade e o interesse pelo aprender.
Com a ajuda do computador, o sujeito
desenvolve estruturas de pensamento mais flexíveis,
permitindo abordar os problemas cotidianos de
modo mais crítico e criativo.
O
educador e a visão da informática
Para
desenvolver o seu trabalho diário em sala de
aula o professor dispunha, até pouco tempo atrás,
de alguns recursos didáticos como o
quadro-de-giz e outros meios audiovisuais.
Ensinar
com o auxílio da informática consiste em usar
essa tecnologia como um recurso auxiliar no
processo ensino-aprendizagem. O aluno deve ter a
possibilidade de manipular o computador como um
suporte para as suas descobertas.
Na
escola, o computador deve ser usado não como um
substituto do professor, mas como mais um
recurso auxiliar de que ele dispõe para
facilitar o desenvolvimento do trabalho pedagógico
interdisciplinar. O computador não deve ser
encarado também como uma panacéia, isto é,
como um remédio para todos os problemas da
educação escolar, mas sim, como apenas mais
uma alternativa que se apresenta e cuja
contribuição para o processo pedagógico
exige, da parte do educador, uma análise crítica,
em função das concepções e dos objetivos da
educação.
Os
softwares educacionais são elaborados para
divertir enquanto ensinam. A idéia é a de
fazer com que o sujeito aprenda o conceito, o
conteúdo ou a habilidade embutida, através de
uma brincadeira.
A
utilização do computador como recurso de auxílio
na construção do conhecimento, dentro e fora
da sala de aula, torna-se uma realidade. Basta
observarmos que a Internet está hoje,
possibilitando infinidades de informações,
serviços e outras atividades para toda
comunidade. Quando falo de educação dentro e
fora da sala de aula, refiro-me ao fato de que,
se na escola ele utiliza o computador para fins
educacionais, ele também pode utilizá-lo em
casa para os mesmos fins: realização de uma
pesquisa, fazer uma leitura; enfim, ele poderá
se divertir, jogar, e sabe que aquela pesquisa
que precisa fazer ou aquele tema que a
professora deu, podem estar na Internet. É
claro que essa conscientização depende muito
de “um cuidar” pela qualificação do
professor de informática e pelas práticas
pedagógicas dos demais professores.
Uma
consideração fundamental é que o computador
torna-se um dos
recursos mediadores de uma aprendizagem
dinâmica.Ele não estará substituindo o
professor, mas auxiliando-o enquanto ferramenta
interativa na construção da aprendizagem.
Sendo assim utilizado pelo professor, vem a “enriquecer
o ambiente das crianças para que as trocas simbólicas
estimulem o funcionamento da representação
mental.” (Fagundes, 1994, p.49). Não é
diferente do que diz
Vygotsky (1989), sobre o funcionamento
psicológico do sujeito e o conceito de mediação,
enfocando que na relação do homem com a
realidade, existem mediadores, que são
ferramentas auxiliares.
Precisamos
melhorar este ensino informatizado repensando a
metodologia .Há uma infinidade de softwares
(programas de computador) educativos para as
mais diversas áreas: Matemática, Física,
Português e outras; enfim, inúmeras
possibilidades, muitas delas distribuídas
gratuitamente pela Internet, que podem
contribuir para uma aprendizagem dinâmica,
interativa e prazerosa, dando um novo olhar aos
discentes sobre o ambiente escolar, e assim,
estará também vivenciando na sala ou fora dela
a realidade da sociedade atual. O uso da
Internet como ferramenta de pesquisa é fantástico!
Museus podem ser visitados, bibliotecas
virtuais, há uma infinidade de livros inteiros
disponíveis na Internet, artigos, revistas,
documentários, vídeos, todos estes recursos
podem ser utilizados como fonte de pesquisa e de
conhecimento do mesmo modo que os tradicionais
livros, revistas e fitas de vídeos.
Não
podemos esquecer dos critérios que devem ser
inseridos no processo de educação através do
computador. Exemplos: exigir os endereços dos
sites visitados que fazem parte da pesquisa na
bibliografia, é um exemplo de critérios que
podem ser adotados para um controle e desempenho
melhor e mais segura das atividades.
Por
último, devemos entender que o problema maior
da informatização das escolas não está no
computador em si, nem na capacitação de
professores para esta área. Percebemos que o
problema pode estar na escola enquanto detentora
do poder de manipulação da informação, os
professores enquanto “detentores do saber”.
Essa idéia faz-nos entender a rejeição
que alguns professores/as demonstram quando lhes
é proposta a possibilidade de trabalhar com
computadores em suas práticas pedagógicas.
Desta forma, principalmente com a Internet, a
escola da informação deixa a desejar, pois o
papel da escola e do professor numa instituição
que utiliza a informática, não seria tanto o
de divulgar as informações, já que para isso,
dispomos de outros meios informatizados, mas
seria sim, o de possibilitar a construção do
conhecimento. Neste sentido, não existiria a
necessidade de uma competição com os novos
recursos da informação, mas descoberta e a
construção de modo criativo e interpessoal, o
conhecimento usando múltiplas e variadas
modalidades de informação já disponíveis.
O
que se percebe é que as novas tecnologias vêm
causando mudanças importantes, inclusive no
modo de produção e no mundo do trabalho.
Diariamente vemos máquinas cada vez mais
sofisticadas substituindo o trabalho humano. A
massa de
desempregados que aumenta assustadoramente é
fruto não só da globalização da economia e
da política neoliberal do capitalismo e da própria
rearticulação do sistema capitalista mundial.
Ela é, também, concretamente, fruto da
substituição do trabalho humano pelo trabalho
das máquinas.
O
computador facilita uma aprendizagem mais autônoma,
no momento em que o professor ensina a processar
a informação de maneira crítica e reflexiva,
a trabalhar em grupos e a efetivar trocas. O
computador serve para despertar a atenção dos
alunos. Os alunos processam melhor o
conhecimento quando aprendem ativamente,
experimentos ou interagindo com o computador. O
valor do investimento aplicado pelas escolas não
está no computador, mas na preparação dos
profissionais da educação para melhor lidarem
com essa tecnologia. É necessário que os
educadores estejam capacitados e conscientes do
seu papel, para que esse novo instrumento não
se transforme apenas em um acúmulo quantitativo
de informação, tornando-se um objeto a mais de
instrução.
A
eficácia do uso do computador na escola depende
de uma idéia integradora que promova a
aprendizagem significativa e a motivação,
privilegiando a totalidade do estudo do objeto
na tentativa de reduzir a fragmentação do
saber. Pessoas que têm acesso a recursos que
facilitam a aprendizagem, que são estimuladas a
encontrarem soluções e a produzirem ou
incrementarem seus conhecimentos acumulados, não
têm fronteiras nem limitações em relação ao
conhecimento.
O computador pode ser um poderoso recurso
na área de informática educacional, mas para
isso tem que ser usado com inteligência e eficácia
e para tanto, é preciso que o educador
desenvolva projetos que sejam coerentes com a
proposta pedagógica da escola, que promovam a
integração dos alunos, ajudem a desenvolver a
cooperação entre eles, enriqueçam seus
universos e que complementem os trabalhos
desenvolvidos em sala de aula, através de uma
linguagem diversificada.
Conclusão
A
presença do computador na educação é
marcante e, acreditando na irreversibilidade
deste fato, há que se pensar o computador com o
cuidado de não lhe dar o significado de
redentor do sistema escolar, no sentido de
instrumento da pós-modernidade que irá redimir
a escola e, por si só, causar as transformações
tão desejadas, tão sonhadas por educadores e
cientistas da educação.
Colocar
computadores nas escolas não quer dizer
informatizar a educação, mas introduzir a
informática como ferramenta de ensino dentro e
fora da sala de aula. Isso sim, torna-se sinônimo
de informatização da educação. Sabemos que a
“chave-de-ouro” de uma verdadeira
aprendizagem está na parceria (professor-aluno)
e a construção do conhecimento nesses sujeitos
interativos. Para haver um ensino significativo
que abranja todos os educandos, as aulas
precisam ser mais participativas, interativas,
envolventes; os alunos devem se tornar
“agentes” da construção de seu próprio
conhecimento e o professor, por sua vez, estará
utilizando a tecnologia para dinamizar as aulas
e orientar os alunos na construção de seu
saber.
Podemos
afirmar que o computador por si só não melhora
o ensino, apenas por estar ali presente na sala
de aula. A informatização da escola só será
eficiente e com bons resultados se for conduzida
por professores preparados e que saibam quais
objetivos pretendem alcançar.
O
educador deve ter em mente que a tecnologia não
é algo separado da sociedade e da cultura. As
verdadeiras relações se travam entre uma
multidão de agentes humanos que inventam,
produzem e interpretam diversas técnicas. Lèvy
afirma que “por trás das técnicas, no meio
delas, agem e reagem idéias, projetos sociais,
utopias, interesses econômicos, estratégias de
poder em sociedade”.
Lèvy
afirma que:
O
cúmulo da cegueira é atingido quando antigas técnicas
são declaradas culturais e impregnadas de
valores, enquanto que as novas são denunciadas
como bárbaras e contrárias à vida.
Alguém que condena a informática não
pensaria nunca em criticar a impressão e menos
ainda a escrita. Isto porque a impressão e a
escrita (que são técnicas!) o constituem
em demasia para que ele pense em apontá-las
como estrangeiras.(1993, p.15)
A
eficácia do uso do computador na escola depende
de uma idéia integradora que promova a
aprendizagem significativa e a motivação,
privilegiando a totalidade do estudo do objeto
na tentativa de reduzir a fragmentação do
saber.
Crianças que têm acesso a recursos que
facilitam a aprendizagem, que são estimuladas a
encontrarem soluções e a produzirem ou
incrementarem seus conhecimentos acumulados, não
têm fronteiras nem limitações em relação ao
conhecimento.
Referências
Bibliográfica:
ALMEIDA,
F. J. de. Educação
e Informática: os Computadores na Escola. São
Paulo: Cortez, 1987. (Coleção Polêmicas do
Nosso Tempo, n.º 19).
LÉVY,
P. A Máquina
Universo: Criação, Cognição e Cultura Informática.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
LÉVY,
P. As
Tecnologias da Inteligência: o Futuro do
Pensamento na Era da Informática. São
Paulo: Editora 34, 1996.
LÉVY,
P. O Que
é Virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.
FREIRE,
Paulo. Pedagogia
da autonomia. São Paulo: Paz e
Terra, 1996.
ZABALZA,
M.A. Qualidade em educação infantil.
Porto Alegre: Artes
Médicas,
1998.
ALMEIDA,
F. J. Para
uma Pedagogia Política do Uso da Informática:
A Educação brasileira como Instrumento
Auxiliar no Processo de Ensino e Aprendizagem.
São Paulo,1984. (Tese de Doutorado) – Pontifícia
Universidade Católica.
MORAES,
M. C. B. O
Paradigma Educacional Emergente. São Paulo,
1996. (Tese de Doutorado) – Pontifícia
Universidade Católica.
SILVA,
M. R. G. O computador e a alfabetização
: estudos das concepções subjacentes ao
softwares para educação Infantil.
São Paulo,1999. (Tese de Doutorado)
- Pontifícia Universidade Católica.
DUARTE,
N. A
individualidade para-si: contribuição e uma
teoria histórico-social da
formação do indivíduo.
Campinas, SP: Editora Autores
Associados, 1993.
PAÍN.
Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas
de Aprendizagem. Porto Alegre, Artmed.
4
ed. 1999
ALMEIDA,
R. E Vaz, J. Comunicação e Difusão.
Lisboa: Plátano Editora. (1995).
American
Psychogical Association. (1994).
Publication
manual of the American Psychological (4th ed.).
Washington, Dc: American Psychological
Association
Studies.http://dlis.gseis.ucla.edu/people/pagre/change.html