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Bullyng nas escolas- Discutindo as diferenças entre os agressores e os agredidos

 

Flávia Sayegh

Formada em psicologia pela Universidade Mackenzie e Psicopedagogia Clínica e Institucional. Participou no atendimento a adolescentes na UNIFESP, no ambulatório de Pediatria, onde formou-se como especialista. Atua em clínica particular em São Paulo. 

E-mail: flaviasayegh@hotmail.com

Resolvi discutir o assunto do bullyng nas escolas pela procura clínica referente ao assunto. Ultimamente os pais estão a procura de profissionais para comentar essas questões referente a seus filhos. Está havendo uma crescente procura por essas queixas não somente entre os adolescentes, mas também entre às crianças. Na verdade o bullyng sempre existiu, porém agora, este assunto passa a ser o discutido do momento. É como se os pais pensassem, se existe o bullyng nas escolas, vou procurar profissionais para tratar porque é um absurdo. O que ocorre também é que hoje a frequência de episódios são maiores do que antes e que se desfere mais ao físico do que antigamente.

Primeiramte proponho um exercício psicopedagógico de reflexão para professores e educadores. 1) O que podemos questionar através deste ponto é do porque hoje a sociedade ser mais violenta do que antigamente. 2) Desde que época está violência física está aumentando? 3) Quais as causas da frequência dessa violência social? 4) Como essa violência tem chegado nas escolas? 5) Quais medidas sócio-educativas pode-se tomar para suplantar a violência moral e social entre os jovens? 6) Qual é o futuro de uma sociedade onde existe um grande número de agressores e agredidos?

Após repensar essas questões podemos voltar para nossa compreensão textual.

O que se deve pensar é que o bullyng não vem sozinho, ele somente é a consequência de outras coisas anteriores. É o ápice da falta da moralidade de quem o faz.

Por exemplo, uma criança que tem dificuldade em prestar atenção no que o professor explica em sala de aula, porque acaba se distraindo com outras coisas que acontecem com ela, ou pensa na partida de futebol que vai brincar no prédio onde mora, ou ela pensa no pai que irá buscá-la para viajar. Enfim, qualquer coisa que a distraia, acaba por afastá-la de compreender os conteúdos explicados em sala de aula. E se dissermos que isso é uma característica dessa criança. Ela sempre não presta atenção, se distrai com frequência em sala de aula, presta atenção somente nas coisas que a interessam. Com essas características de uma criança distraída, é "normal" que ela não acompanhe o que os professores explicam em sala de aula. Claro, ela pensa no futebol, no cinema, nas viagens, no brinquedo do final do ano. O que ocorre por fim, é que essa criança ou adolescente será cobrada em desempenho em trabalhinhos ou em prova na escola. Porém, ela deixou de prestar atenção e com tantas coisas que a cercam mentalmente, deixou também em empregar seu tempo para se organizar, organizar suas atividades e estudar. O que acontecerá com ela? Provavelmente sua nota será muito baixa.
Enquanto este jovem está tirando notas baixas, sendo questionado, seus colegas estudaram, prestaram atenção e tiveram vontade de estudar. O desempenho desses jovens é igual a média em sala de aula.
Essa outra criança ou adolescente está em outro universo, um universo que naquele momento é o mais interessante a se fazer ou a fuga que encontra de seus problemas.

Seus outros colegas passam a parceber que esse adolescente ou criança tem baixo rendimento e começam a questioná-la. E dizer que esse jovem é "burro", "tonto". Geralmente é sempre um colega que começa a questionar atitudes estranhas e a perguntar o porque da pessoa ser assim. É como se esse colega questionador não aceitasse em si essas atitudes de nota baixa e colocasse no outro:-Ei porque age assim?
Logo, um começa a comentar com o outro: -Ei, você viu, fulano tirou três em matemática. -Nossa, que burro!. Ele não é só burro, é chato também.

É neste momento que esse jovem passa a ser visado pelos colegas e passa a ser uma vítima em potencial de tudo aquilo que o grupo não aceita em si, uma baixo desempenho, uma bronca em casa, uma desaprovação familiar, escolar e social. Porque esses jovens que questionam também são cobrados a ter desempenho contante e com isso, aprendem que estudar é o mais importante a se fazer. E, também, quando percebem que existe alguém que faz o que eles não tem coragem de fazer, também costumam questionar.

Desferir ofensas físicas ou verbais a alguém seria uma forma também de aliviar algo que não está agradando internamente e juntar-se ao grupo para fazer essa ação é uma forma de sentir-se forte e aceito pelos demais.
O que podemos fazer para conter esses jovens agressores é mostrar para eles que as pessoas não são iguais, cada um age e pensa de uma forma. Precisamos pensar numa prática psicopedagógica e educacional para trabalhar as diferenças e aceitá-las.

Precisamos repensar uma prática que desvie jovens agressores para ações mais benévolas e generosas para seus demais companheiros. Esses jovens agressores também irão sofrer penalidades morais por atitudes violentas.

Publicado em 05/09/2010

 

 

e-mail para marcação de consulta: simaia@psicopedagogiabrasil.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
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Revisado em: 05/09/2010