RESUMO:
O texto apresenta algumas observações
sobre a forma de ensino de produção de
texto nas escolas, a visão que os
professores têm do assunto, bem como a
maneira de se operar didaticamente com
essa prática de ensino dentro da sala de
aula.
ABSTRACT:
THE text presents some observations on the
form of teaching of text production in the
schools, the vision that the teachers have
of the subject, as well as the way to
operate didactically inside with that
teaching practice of the classroom.
KEYWORDS:
A produção
do texto; O papel do professor na sala de
aula.
INTRODUÇÃO
Tem-se
como relação de texto escrito um
conglomerado de informações que são
complexos dentro de suas especificidades
quando se avalia esse texto na modalidade
oral ou na modalidade escrita. Bem disse
Kato (1995) não são mais ou menos
complexas, dada a complexidade de cada uma
em seu nível especificamente, porém não
se pode deixar de lembrar que tanto a
modalidade oral quanto a escrita têm
aspectos que influenciam na produção de
texto e por vezes nem se dá conta dessas
influências, pois se vê sempre apoiados
na norma da língua escrita - a gramática
– para a análise dos textos dos alunos.
Embora
seja o espaço de uma escola bem
estruturado quanto à engenharia de
construção civil, normalmente deixa a
desejar quanto à estrutura de apoio pedagógico,
de ambientes tecnológicos, de espaços de
pesquisa e leitura – biblioteca – com
pouco acervo para a pesquisa e a maioria
dos livros são didáticos e de uso em
sala de aula, doados por docentes e
pessoas da comunidade. É necessário que
os docentes estejam conscientes de suas ações,
enquanto profissionais que ministram
conhecimentos, porque muitas vezes o que
se fala em sala de aula é o que se
registra para sempre, e pensando nessa
maneira de como se fala e o que se fala em
sala de aula é que se faz aqui alguns
comentários que poderão ser úteis para
o exercício docente.
1
Os professores e suas ações nas aulas de
produção de texto através da abordagem
da pesquisa
A
reflexão teórica sobre a formação de
professores e sua importância na emancipação
política, enquanto garantia do exercício
da profissão, entende-se que se deve à
prática da pesquisa e na formação
docente, tornando-se relevante uma
participação que pretende formar alunos
e professores críticos acerca das suas
realidades sociais. É Através da
pesquisa que se pode ter a formação de
alunos mestres e não apenas de ‘discípulos’
reprodutores e transmissores de
conhecimento, afirma Demo (1997, p.15),
onde a formação de alunos discípulos
que se tende a construir é, segundo o
autor, "alguém subalterno, tendente
à ignorante, que comparece para escutar,
tomar nota, engolir ensinamentos, fazer
provas e passar de ano". Vê-se que a
reflexão sobre a prática pedagógica
docente é uma das tentativas para se
construir uma sociedade com maior eqüidade
social, levando-se em consideração o
tempo que se vive no tradicionalismo do
processo educacional.
As
concepções tradicionais de educação
que entendia o aluno como tábula rasa
Demo (1997), sem nenhum conhecimento prévio
sobre o assunto, a falta de pré-conhecimento
a ser preenchido com um conjunto de
conhecimentos testados através de provas
e exames periódicos, o aluno é visto às
vezes como um ser passivo e com poucas
chances de aumentar o seu saber, não
permitindo que esse possa ver o mundo com
os próprios olhos e que possa ter
discernimento crítico adquirido na
escola. Entende-se que a didática
tradicional tornou-se incapaz de lidar com
as mudanças que a sociedade se depara e
mais difícil ainda foi trazer a realidade
e a necessidade da sociedade para dentro
da escola, que em decorrência dessas,
tivemos na década de 80, no século
passado, concomitante com a crise do
estudo da gramática tradicional, ações
nas áreas da pesquisa em ensino da
linguagem.
As
abordagens relativas ao ensino da
linguagem estiveram voltadas para questões
do tipo: como ensinar? Quais os elementos
que compõem a prática pedagógica
docente no ensino de língua materna? A
questão maior era como explicar e não
mais observar e descrever, cujo fato não
aconteceria de maneira uniforme, uma vez
que ainda se tem, hoje em dia, docentes
preocupados apenas com a descrição.
Nesse
novo cenário que aos poucos vai se
delineando é que se tem a valorização
da pesquisa no ensino ligada à prática
pedagógica do ensino de língua materna,
pois se acredita que o repensar de nossas
ações, leva-nos diretamente à pesquisa
dessa prática, cujo esquema pode
contribuir para uma melhora efetiva do
ensino de língua materna na escola. O
problema decorre de que o esquema de prática
pedagógica, pesquisa e novamente prática,
porém transformada, esbarra numa situação
bastante séria que é o incentivo à
pesquisa que pode melhorar a qualidade
intelectual do professor.
A
melhor maneira para que o professor
alcance qualidade intelectual de se
desenvolver e as suas atividades, essa é
a pesquisa. “Não é ato isolado,
intermitente, especial, mas atitude
processual de investigação diante do
desconhecido e dos limites que a natureza
e sociedade nos impõem" (DEMO,
1977). A pesquisa deve ser entendida como
meio de se obter uma capacidade de elaboração
própria, que deve estar presente na
atitude diária do professor e a pesquisa
possa ser entendida como sendo um diálogo
inteligente com a realidade, vendo-a como
um comportamento e ferramenta cotidianos
do professor.
A
posição de um professor atuante e
inovador não permitem que esse professor
seja um mero ministrador de aulas, mas
exige dele constante atualização e uma
atuação coerente com a sua realidade.
Dentre os mais diversos itens que se
poderia estar aqui enumerando, compreendo
que a pesquisa se torna importante nesta
formação por começar a incentivar os
futuros professores a estarem pesquisando
sobre os problemas que enfrentam em sala
de aula, como indisciplina, métodos de
avaliação, dentre outros, por contribuir
com o entendimento acerca da realidade,
tanto do aluno como do professor e por
promover uma emancipação intelectual e
política tanto do professor quanto do
aluno, entendendo-se essa emancipação
como meio de recuperar o espaço próprio
que outros usurparam. Para que o professor
possa emancipar seu aluno é necessário
que antes ele procure se emancipar,
motivando os alunos a uma forma mais
eficaz na produção de texto, que se
passa a discutir a partir de então.
2
A
intermediação
do professor na motivação do aluno
O
professor, para que possa emancipar seus
alunos, precisa motivá-los, uma vez que a
leitura e a pesquisa podem ser esses
instrumentos. Tomando essas atividades
como a capacidade de elaboração própria,
a pesquisa e a leitura podem levar o aluno
a se emancipar crítica, intelectual e
politicamente, por isso é necessário que
essas atividades estejam presentes na
formação do professor, tornando-se
altamente recomendável que esses futuros
professores possam ter em sua formação
as oportunidades do contato com a leitura
e a pesquisa, bem como com os
pesquisadores, por intermédio de seus próprios
professores e que não sejam simples
repetidores de um saber acumulado e
solidificado, mas pessoas ativas e
participantes de um saber que se elabora e
(re) elabora a cada momento, em toda
parte. Um dos problemas que se poderia
apontar como causa da existência de
professores pouco qualificados é a formação
pluralista que esses recebem, tendo condições
de um aprofundamento de conteúdos somente
na pós-graduação, pois esse é um dos
desafios a ser enfrentado, superado pela
pesquisa ainda no decorrer da formação
do futuro docente (LÜDKE, 1995, p.116).
Considera-se
que as dimensões da leitura e da
pesquisa, por exemplo, também são
importantes para o professor que já está
atuando no ensino fundamental, médio e
superior, isso porque o docente que exerce
sua função de ensinar necessita do
trabalho da pesquisa e da leitura para ser
mestre e não discípulo, pois aquele
profissional que pesquisa e lê ensina e
forma novos mestres. A pesquisa, em toda a
sua dimensão, oferece meios e condições
para se eliminar a formação de discípulos
do campo do mero ensinar e do aprender por
aprender. Em Cavalcanti & Lombello
(1987) tomando por competência alguns
livros didáticos, mostra que a tomada de
qualquer atividade com a palavra escrita
aparece com a seleção de textos e como
determinante seletivo à faixa etária de
seus conteúdos, trabalhando mais com a
questão da moralidade e com atividades de
ensino que se limitam a responder
perguntas previamente formuladas com a
finalidade de interpretação e
entendimento de textos em exercícios de
completar espaços, enquanto que a
atividade de produção de texto escolar
se limita à prática ortográfica e ao
uso da pontuação, ainda que essa última
mais importante, para se falar somente na
disciplina de língua materna.
Por
outro lado, é necessário que se esteja
atento ao fato de que a pesquisa exige
competência do professor e habilidade do
aluno, com a consciência de que não
existem receitas prontas para desenvolvê-la
e também não existem receitas ou normas
pré-estabelecidas que possam orientar
seguramente o trabalho nesse novo tipo de
pesquisa, pois as decisões têm mesmo de
ser tomadas com muito cuidado na medida em
que cada problema vai se apresentando (LÜDKE,
1995, p.41).
Pode-se
neste ponto retomar o assunto discutido no
tópico anterior, uma vez que o professor,
desde a sua formação, vem desenvolvendo
pesquisas e tende, via de regra, elaborar
sua própria metodologia de ensino e a
pesquisa poderá ter uma participação
nessa metodologia adotando a postura de se
educar pela pesquisa[2].
Esta pesquisa, na prática pedagógica
docente, pode fazer com que o docente seja
“formador da própria concepção da matéria
e da maneira de ensiná-la, como um saber
em construção" (LÜDKE, op.cit.,
p.118), espaço em que a pesquisa adquire
possivelmente novos contornos, pois a prática
reflexiva exige um novo modelo de
investigação, onde tinha lugar a
complexidade do realismo.
Para
a construção de uma prática pedagógica
competente, como, por exemplo, no ensino
de produção de texto escrito, cabe ao
professor desenvolver a capacidade de
interpretação própria da realidade, a
fim de que esse possa apreendê-la e
compreendê-la. É necessário que o
docente esteja em constante contato com
pesquisas já elaboradas sobre linguagem
para melhor possibilitar esta compreensão.
Além disso, as novas interpretações
acerca dessas realidades tendem a criar
novos métodos e novos pensamentos a
respeito da realidade a ser pesquisada e
trabalhada.
O
professor pode começar a entender sua
realidade educacional pesquisando sua própria
ação em sala de aula e gerar contradições
de como enfrentar desafios de revelar sua
prática docente que nem a ele ficavam ou
estavam claras; identificar uma experiência
vivida em sala de aula sem muito sentido lógico;
não encontrar pesquisas prontas,
elaboradas acerca do problema que este
vive em sala de aula, dentre tantos
outros. Quando apreende e compreende essa
realidade procura mecanismos que o
auxiliem na solução de supostos
problemas identificados nessa apreensão
e, caso esses não existam, deve estar
disposto a resolvê-los, mediante
pesquisas. Não há meios de se
desenvolver essas pesquisas sem a necessária
relação entre teoria e prática e uma
das coisas mais ridículas em ciências
sociais é a teoria sem a prática, ou a
teoria como prática. É fundamental
defender a necessidade mútua de teoria e
prática, na maior profundidade possível
de ambas, porquanto nada é mais essencial
para uma teoria do que a respectiva prática
e vice-versa, conforme nos mostra Demo
(1997, p.57).
Compreende-se
que a pesquisa faz usos de teorias para
analisar determinada realidade e é a
partir da validação desta, por meio da
prática, que essa teoria pode ser
reformulada dando um avanço à ciência,
cuja relevância da dimensão da pesquisa
na prática pedagógica docente tende a
contribuir para a formação de um
professor competente, ainda na graduação
ou já como profissional, não ficando
concentrado na posição de ministrador de
aulas, mas que procure conhecer sua
realidade, apreendendo-a e
compreendendo-a, modificando-a a fim de
auxiliar a formação de alunos
emancipados, críticos e atuantes, onde o
professor passa de mero ensinador para
mestre e o papel de discípulo passa a ser
eliminado da educação. Partindo-se dessa
referência vemos que as pesquisas práticas
passam a ser o grande filão das teorias
educacionais evolutivas e fazem alusão a
avanços metodológicos que se passa a
comentar a partir de então.
3
As práticas metodológicas docentes como
recurso para o ensino da produção
escrita na escola: uma discussão na
perspectiva dos estudos de Bakhtin
Na produção escrita, por exemplo,
embora haja abordagens delimitadas no
campo teórico, uma complexa discussão
tangencia os aspectos do desenvolvimento
histórico e duas frentes são bastante
destacadas: a primeira é a discussão
acadêmica e a segunda é a prática
docente. Na discussão acadêmica, a
vertente tradicionalista pedagógica
postula a produção escrita como reprodução
de textos, enquanto que a enunciativa a
entende como trabalho e exercício da
subjetividade na linguagem. Várias
metodologias de abordagens com relação a
essa prática docente são demonstradas e
estudadas, relacionando uma reflexão mais
abrangente na questão metalingüística
com o anonimato da gramática, tendo em
vista que a atividade de conhecimento se
processa na atividade prática, havendo a
interação entre produção e compreensão
que permanece integrada à atividade de
redação (JUNKES, 2002, p. 268).
Traz-se sempre à tona a
dificuldade da prática docente, embora
tenha sido bastante teorizada no campo da
pedagogia metodológica, mas pouco
aplicada na prática em sala de aula,
quando se trata de ensino de língua
materna, pois em se falando de produção
escrita na escola e os seus problemas de
intervenção, vê-se que há um
distanciamento muito aparente e que leva a
uma incompreensibilidade das soluções
que tangenciam a linguagem, uma vez que
encontramos no ensino de produção
escrita da língua materna os diversos
problemas intervencionais.
Das mais significativas abordagens
sobre a questão da produção escrita do
aluno, depara-se com a que aponta
problemas nas redações de vestibulandos
e em redações escolares, cujos problemas
não decorrem da ineficácia do tratamento
didático, mas da carência de concepção
de linguagem. Essa inconsistência resulta
da falta de conhecimento técnico por
parte do aluno e da inexistência de parâmetros
que possibilitem a produção escrita dos
alunos significativa. Para a produção
escrita na escola, o problema passa pela
significação da linguagem e a polissemia
de sentidos, enquanto podemos ver que o
mais importante na tarefa de entender o
texto não está no reconhecer a forma
utilizada, mas compreendê-lo dentro de
uma contextualização de fato,
compreendendo sua colocação numa forma
enunciada, de modo particular e individual
(BAKHTIN, 1981, p. 93).
A
presença de um interlocutor efetivo na
interação verbal entre sujeitos é
essencial, mas em se tratando de ensino de
língua materna, a língua escrita se
tornou prioritária, uma vez que a torna
objeto social, possuindo seus dicionários,
suas gramáticas, suas enciclopédias que
se tornam orientadores do ensino na escola
e na vida, que apesar disso, há uma tendência
a considerar a escrita como transposição
gráfica (visual) da linguagem oral
(JUNKES, 2002, p. 82). Nesse mesmo viés,
vê-se que Bechara (2003, p.53) se remete
à afirmação de que:
Nas
línguas em que, ao lado da realidade
oral, existe a representação escrita de
um sistema convencional dessa oralidade
chamando sistema gráfico ou ortografia,
este sistema se regula, em geral, ora pela
fonética, ora pela fonologia, o que
conduz a uma primeira dificuldade para se
chegar a um sistema ideal, que exigiria
uma só unidade gráfica para um só valor
fônico. Neste particular tornou-se necessário
confundir letra com som da fala; letra é
a representação gráfica com que se
preocupa reproduzir na escrita o som, o
que não significa identificá-los.
Têm-se como objetivo entender a
linguagem como o meio em que o homem
existe e age e os vestibulares podem ser o
termômetro desta problematização,
deixando claro que o ensino continua
centrado em regras, adoção de livros didáticos
como prescrição e guia de conduta, e que
a formação de professores é deficitária,
mas caminha-se para a mudança desse
sentido, procurando levar o maior número
de informações possível para que os
professores, através de cursos de formação
continuada, artigos e periódicos que são
disponibilizados nas escolas vejam esses
as inovações na área de linguagem,
embora essa ação demonstre uma grande
resistência por parte de professores que
se limitaram aos ensinamentos no curso de
graduação de maneira a passar o
conhecimento de forma mais
tradicionalista, ou seja, pela norma da língua
– a gramática.
O tradicionalismo dos métodos é a
‘solução’ imediata, já que a noção
de liberalidade é pouco eficaz. O texto
literário como padrão, como prescrição,
não pode ser a única forma de se
conferir ao texto escrito do aluno algum
valor enunciativo. O desenvolvimento de
temas com base do trabalho didático e com
idealismo do aluno guiado, não incitado
ou motivado ao aprendizado, somente para
ter uma avaliação centrada na correção
gramatical e nos mecanismos textuais na
forma de regras ou rotinas, não deve ser
considerada definitiva e reguladora.
A
comunicação é o centro do processo de
produção. Todos escrevemos, falamos,
gesticulamos impulsionados pelo desejo de
nos comunicarmos. Trabalhamos diariamente
com signos verbais e não-verbais que
colaboram não só para o desenvolvimento
de nossas funções e expressões
intelectuais, mas também no
desenvolvimento de funções sociais. A
construção desse processo de produção
que insere a todos em uma esfera (inter)
pessoal, onde sempre se vê em interação
com o outro, uma enorme tessitura de
comunicação e não como atos isolados de
fala sem que se tenha a interação verbal
como meio de se expandir essa comunicação,
cujo trabalho deve ser integrado e que se
passa a falar a partir de então.
4
Tipologias textuais: o tradicionalismo
rompido pela categoria produção de texto
– um gênero.
Um
trabalho que respeite as diferenças do
tradicionalismo e proporcione ao aluno uma
melhor distinção das tipologias textuais
e complexidades das produções escritas são
extremamente necessárias. Um espaço onde
é permitido, sobretudo, errar; um espaço
onde a imaginação e a criatividade poderão
brotar sem resistências; um lugar para
intervir, construir e compartilhar
levando-se sempre em consideração que o
ponto de partida para esses estudos de
hoje foi o que se denominava – erro
– ontem.
Várias
são as discussões em torno do processo
de interação verbal e do gênero
discursivo verbal e tais discussões podem
ser entendidas como o produto ou a
manifestação da atividade lingüística
de um falante em relação ao(s) outro(s)
falante(s), quando se trata de um contexto
de interlocução. Uma interação lingüística
se estabelece e se torna significativa em
função de diferentes fatores que
condicionam essa produção e é possível
se observar essa situação quando:
O
reconhecimento da importância da dimensão
pragmática da linguagem não implica a
negação de suas dimensões semântica e
gramatical. Implica, sim, o compromisso
com a concepção de que a enunciação é
o modo fundamental de existência da
linguagem: cada processo enunciativo
envolve a mobilização e o processamento,
pelo sujeito, de conhecimentos relativos
(...) e requer sua elaboração específica
em função das circunstâncias
particulares daquela enunciação, num
trabalho pessoal de produção e sentido.
(COSTA VAL, 1999, p.7).
Pode-se perceber claramente que a
seleção do uso das palavras está
vinculada às circunstâncias particulares
da enunciação e é esse o momento em que
o aluno tem a preocupação e o cuidado no
uso dessas palavras, pois se estabelece
uma relação entre a oralidade e a
escrita nas produções de texto
elaboradas por ele.
Essa relação entre a oralidade e
a escrita somente poderá ser discutida se
levarmos em consideração a questão do gênero
discursivo narrativo oral e do discursivo
narrativo escrito, onde “A gênese do
discurso narrativo escrito se sustenta no
pressuposto de os discursos orais e
escritos, embora parcialmente isomórficos,
guardando especificidades que os tornam
tipicamente diferentes” (COSTA VAL,
1999, p.7). As diversidades que essas
considerações guardam devem ser
interpretadas como relações de intersecção
de objetivos e estilos entre os discursos
orais e os escritos que não implica negar
as distinções básicas entre o
funcionamento oral e escrito da linguagem
e que não impedem que se fale exatamente
como se escreve ou que se escreve
exatamente como se fala.
Em
todo esse processo, em se tratando de
escrita, encontramos
em Costa Val
(1999, p.20) o legado de que se precisa,
quando a autora diz que:
Meu
objetivo é compreender como, no processo
de construção da escrita, os sujeitos,
vivendo no ‘mundo da oralidade’, foram
compondo uma teoria sobre o funcionamento
e a configuração do discurso narrativo
escrito[3]
que o distingue tipicamente do discurso
narrativo oral, assumindo o pressuposto de
que o domínio da modalidade oral da língua
(o processamento lingüístico do discurso
oral em função de suas condições de
produção) é a base sobre a qual se
assenta o processo de ‘aquisição’ e
desenvolvimento dos conhecimentos necessários
à interação lingüística mediada pela
escrita.
Basta
que se observe a produção escrita dos
alunos para que se possa entender que há
um cuidado excessivo com o uso das
palavras quando se trata de produção
escrita em um ambiente de sala de aula,
havendo o monitoramento e a influência do
professor. Não se pode negar que é na
escola o lugar e o ambiente em que se deve
ensinar o uso de língua materna, quer
seja na sua forma de oralidade ou de
utilização da norma escrita, mas não se
pode interferir nesse processo com a única
arma que se pensa ter – a norma
estabelecida pela gramática[4].
A
respeito da fala e da escrita não se pode
abandonar a tese de que essas duas
modalidades são pertencentes ao mesmo
sistema lingüístico, maneira pela qual
sempre se vê nos teóricos uma posição
mais definida.
Ao se tratar de fala e de escrita
é preciso lembrar que se está
trabalhando com duas modalidades
pertencentes ao mesmo sistema lingüístico,
o da língua portuguesa, com ênfase
diferenciada nos determinados componentes
desse sistema. Desse modo, aquilo que se
poderia considerar distinção corresponde
às diferenças estruturais (FÁVERO,
2002, p.69)
São
essas distinções que fazem a diferença
nos modos de aquisição, nas condições
de produção escrita, transmissão e
recepção, bem como nos meios em que os
elementos estruturais são organizados.
Nessa linha de idéias, encontra-se a
escrita essencialmente como um processo
mecânico, sendo necessária a manipulação
de um instrumento físico e a coordenação
consciente de habilidades específicas
tanto motoras como as cognitivas. Assim, a
escrita é completa e irremediavelmente
artificial, enquanto a fala é um processo
natural, fazendo uso de meios chamados órgãos
da fala (Akinnaso, 1982, p.113 apud
FAVERO, 2002, p.69) embora também se
encontre hoje autores que defendem a
escrita reflexiva consciente.
Alguns
pesquisadores têm se preocupado com esta
questão e se nota que há uma isomorfia
na questão de relação entre a fala e a
escrita considerando-se que as modalidades
diferem em suas formas e estruturas.
Lingüistas
do século XXI continuam priorizando a língua
falada em detrimento da escrita, com
argumentos objetivos: a língua oral
precede a escrita; a criança desenvolve a
fala e só depois aprende a escrever;
sujeitos, de modo geral, mesmo os mais
cultos, falam mais do que lêem e
escrevem, talvez resquício de todo um
processo histórico.
Mesmo
assim, a língua escrita é um objeto
social por excelência. Ela possui seus
dicionários, suas gramáticas, suas
enciclopédias – uma espécie de
biblioteca que orienta o ensino na escola
e a vida em todas as instituições.
Socialmente, aliás, estabelece-se uma
imensa distância entre a voz e a letra, o
que serve para hierarquizar os sujeitos.
Apesar disso, há uma tendência a
considerar a escrita como transposição
gráfica (visual) da linguagem
oral.(JUNKES, 2002, p.81)
Com relação à oralidade,
observa-se que há informação bastante
isomórfica levando-se em conta a colocação
de Junkes (2002) e Fávero (2002) em que
as autoras ressaltam a opinião de Givón
de que a língua escrita é uma transposição
da oral e é indiscutível que ela tem
relações ‘genéticas’ com a fala e
os princípios fundamentais de
funcionamento da língua falada, dentre
outros, verificando que a língua falada não
possui uma gramática própria; suas
regras de efetivação é que são
distintas em relação à escrita havendo
maior liberdade de iniciativa por parte de
quem fala, criando-se então um contrato
social entre o locutor e alocutário. A
diferença entre a fala e a escrita não
se esgota em tão pouco espaço de tempo e
nem tem seu aspecto mais relevante no
problema de representação física da
grafia e do som, já que entre a fala e a
escrita o ponto médio é os processos de
construção que são diversos (MARCUSCHI,
1993, p.4)[5].
Nesse
mesmo viés, Junkes (2002, p.82) observa
que algumas considerações são
pertinentes quando a autora diz que “Se
a fala obedece às imposições de ordem
funcional, a escrita precisa, além disso,
obedecer às convenções e normas ditada
pela gramática tradicional o que, às
vezes, pode prejudicar sua
funcionalidade”. A isomorfia parcial se
houver, nas modalidades oral e escrita da
linguagem, é porque essas compartilham do
mesmo sistema gramatical e teoricamente
comunicam as mesmas coisas
estabelecendo-se diferenças fundamentais
entre elas. Continua a autora dizendo que
“A linguagem escrita tem um processo de
planejamento verbal mais cuidadoso: as
hesitações, as dúvidas e as pausas também
ocorrem no ato de escrever, mas o texto
final normalmente não revela essas
marcas, isso porque o ‘produto’ já se
apresenta ‘desvinculado’ de seu
processo – a escrita é mais sujeita a
correções prescritivas” (JUNKES,
op.cit., p.82)
Na
obra de Fávero (2002, p. 70) há informações
sobre trabalhos de pesquisadores que se
preocupam em fazer a distinção entre a
linguagem falada e a escrita observando a
escolha do vocábulo e o léxico como método.
Vê-se que um dos maiores problemas no
ensino de língua materna, com relação
à produção escrita, são as significações
(polissemia e efeito de sentidos) que as
palavras escritas dos alunos geram dentro
do texto produzido por eles.
Os
efeitos de sentido podem ter conotações
que diferem da análise feita pelo
professor, daí a importância da análise
da produção escrita, levando-se em conta
todas as possibilidades de efeito de
sentido que essas palavras desempenham
dentro da produção escrita, de maneira
que o ideal nesse campo de ensino seria a
retomada da leitura do texto pelo próprio
aluno, tendo esse a oportunidade de poder
comentar sobre sua produção e poder
fazer os comentários pertinentes para os
entendimentos e efeitos de sentido que
esses enunciados têm dentro do texto
produzido.
Esse
é o ponto que se procura esclarecer
quando se trata de influência da
oralidade na produção escrita do aluno,
trabalhando os efeitos de sentido que os léxicos
empregados têm e suas especificações
sintáticas e semânticas dentro da
proposta do texto, no momento em que a
produção é escrita pelo aluno. As relações
de fala e escrita tendem sempre a ficar no
campo das comparações, já que os
objetos de análise são bastante variados
e podem levar em conta as variações
dialetais que têm outros parâmetros de
análise, mas interferem na atuação de
comunicação.
Há
uma perfeita relação na forma como se
aborda a comunicação entre falantes, porém
essa situação tem sempre como meio de
estudo e proposta um jogo de atuação
comunicativa como forma de fundamentar uma
teoria de texto que possa vislumbrar um
conhecimento e uma certa filosofia da
linguagem. A respeito dessa relação vê-se
que os estudos mais avançados chegam a
uma conotação muito mais acadêmica e
empírica do que realista e notória. Não
se pode deixar de citar Schimidt (1978) em
cuja obra se encontra um estudo com o
objetivo voltado para a discussão dos
problemas de pesquisas parciais,
direcionados a uma teoria de texto na
parte semântica, referencial e de
pressuposição.
Todos
os estudos sempre procuraram demonstrar um
meio de se poder relacionar “o jogo de
atuação comunicativa como categoria básica
na teoria do texto, orientada para a
comunicação, exposição e discussão em
nível de teoria do conhecimento”
(SCHIMIDT, 1978, p.43) e que coloca o
homem (enquanto falante de língua
natural) inserido numa sociedade vinculada
que se estabelece num jogo de atuação
comunicativa, como afirma Bakhtin (1981)
uma interação verbal entre sujeitos,
cujas relações de equivalência são de
mão dupla pelo fato de haver uma relação
de emissão e recepção entre a sociedade
que se vincula à atuação comunicativa,
causando ou provocando uma interação
verbal. A sociedade, enquanto sistema de
interação e comunicação, mostra-nos
Schimidt (1978), tem como princípio três
elementos básicos, enquanto criança:
primeiro o seu desenvolvimento; segundo
como isso se dá através de regras e
terceiro as normas complexas de comunicação
verbal e não-verbal, uma vez que todo usuário
de uma língua realiza os atos de fala,
sendo o espaço em que a referência ou
expressão de qualquer nível se realiza
conforme as normas recorrentes no processo
de interação verbal.
Uma
referência tácita relacionada com a
comunicação ativa quando o
enunciado está voltado não só para o
seu objeto, mas também para o discurso do
outro se referenciando a esse mesmo
objeto. Por menor que seja a referência
ao enunciado do outro se confere ao ato de
fala um aspecto dialógico que nenhum tema
constituído puramente pelo objeto poderia
lhe conferir. Afirma Bakthin (1997, p.320)
que “o enunciado é um elo na cadeia da
comunicação verbal e não pode ser
separado dos elos anteriores que o
determinam, por fora e por dentro e
provocam nele reações-resposta imediatas
e uma ressonância dialógica”, mesmo se
tratando de ação comunicativa.
Vê-se
que o enunciado está sempre ligado não só
aos elos que o precedem, mas também aos
que lhe sucedem na seqüência da comunicação
verbal, pois no momento em que o enunciado
está sendo elaborado tais ligações
ainda não existem, mas o enunciado, desde
o início, elabora-se em função da
eventual reação-resposta (BAKTHIN, 1981)
que é o objetivo único de sua elaboração.
Os outros não são ouvintes passivos, mas
participantes ativos da interação
verbal, pois logo de início o locutor
espera deles uma resposta, uma compreensão
responsivo-ativa, levando-se em consideração
que “todo enunciado se elabora como que
para ir ao encontro dessa resposta”
(BAKHTIN, op.cit.).
Pode-se
observar em Schimidt (1978, p.46) uma
leitura mais contemporânea dessa relação
de elaboração de enunciado da visão
bakhtiniana, tratando de um conteúdo mais
dentro de uma sociedade comunicativa, com
a finalidade de acentuar esse aspecto de
forma mais efetiva do que permite o termo
‘jogo verbal’. Pode-se afirmar como
categoria elementar da teoria de texto o
termo jogo de atuação comunicativa que
é constituído por uma inserção sócio-cultural
na sociedade, com a participação dos
parceiros de comunicação denominados de
interlocutores, bem como da totalidade das
condições e pressuposições que passam
influenciá-los, havendo uma situação de
comunicação envolvente, onde os textos
pronunciados bem como os textos (e
contextos) verbais são associáveis,
formando-se uma rede textual, uma
tessitura textual.
As
reflexões sobre essas análises dos
fatores de atuação e de comunicação
nos remetem às incansáveis pesquisas
sobre as relações de interação verbal,
uma vez que a oralidade da fala precede, e
muito, a linguagem escrita e nos deixa
mais perto de uma consciência da influência
da oralidade na produção escrita, ou
porque não denominá-la de interferência
da oralidade na escrita do aluno.
Em
Junkes (2002, p.83) encontra-se uma referência
das posições sociais de oralidade e
escrita, quando a autora diz que:
Na
elite cultural, a língua escrita ganha
prestígio e é considerada pelos sujeitos
que a compõem como superior à língua
oral. Ela discrimina, portanto. É essa
mesma elite sociocultural que regulamenta
os usos; é a língua escrita, de preferência
literária, que vem exemplificada nas gramáticas
normativas, que servem de parâmetro para
o ensino nas escolas. Na evolução sócio-histórico-cultural
é considerado um processo lingüístico
autônomo e mais avançado de expressão,
no desenvolvimento mental do homem.
Através
destas informações é que se baseia para
se transpor os limites da norma e
discutir, a partir de então, os caminhos
investigativos em relação aos efeitos de
sentido que as palavras usadas pelos
alunos em suas produções escritas têm
dentro do texto, mostrando sua polissemia
de sentidos e suas relações léxico-sintático-semânticas
do texto produzido.
5
Os objetos usados no estudo da produção
de texto e os elementos de apoio pedagógicos
Ao
se fazer observação dos aspectos que
circundam o ambiente em que os professores
trabalham, pode-se notar que, embora a
unidade escolar se constitua de pessoal
qualificado para as funções didático-pedagógicas,
alguns movimentos chamaram a atenção que
nos levam a fazer uma relação com a prática
docente. Em contato com a proposta pedagógica
de uma escola e com o acesso às informações,
ao se ler o tópico que trata da concepção
filosófica, encontra-se a conclusão
do grupo que descreve “a escola promoverá
uma emancipação do homem pelo trabalho
através da apropriação de
conhecimentos, desenvolvendo no aluno a
capacidade de pensar refletir analisar e
transformar o contexto social numa ação
conjunta[6]”.
Com
base nessa conclusão, não se pode deixar
de comentar que isso já não é mais
nenhuma novidade que as mudanças na educação
dependem da vontade política e do
dinamismo e empenho do professor que são,
de fato, os responsáveis para que, no dia
a dia, consolide-se uma prática sempre
idealizada por professores e toda a
sociedade. A necessidade de um projeto político
pedagógico na escola precede a qualquer
exigência legal ou decisão política já
que, enquanto educadores e membros da
instituição – escola -, deve-se ter
claro em que horizonte se pretende chegar
com os alunos, com a comunicação e com a
sociedade, caso contrário, poder-se-á
ser mais aventureiros que educadores.
Os
eixos temáticos devem ficar estabelecidos
e compreendidos em uma ação integrada de
forma que os projetos integrem a
comunidade dentro do ambiente escolar para
que as pesquisas e os estudos acadêmicos
sejam bem delineados.
A
razão que motivou uma pesquisa desse gênero
foi a intenção de poder compreender o
subjetivismo que se encontra com relação
à construção dos sentidos e a
necessidade dos conhecimentos lingüísticos
para se operar com as relações de produção
escrita e a prática de texto ensino,
investigando-se a influência da oralidade
na produção escrita do aluno[7]
as palavras – usadas na modalidade oral
e empregadas na modalidade escrita, seus
efeitos de sentidos pragmático-discursivos
na produção de texto escolar. Tendo por
base esse objetivo toma-se como objeto de
estudo o texto escolar escrito e
procura-se investigar se há palavras
novas e qual os efeitos de sentido que
essas palavras novas tinham quando os
estudantes, levando-as da interação
verbal do quotidiano, as usavam na produção
escrita na escola, tendo como princípio o
fato de que os alunos se preocupam mais
quando usam essas palavras novas da
oralidade de fala na produção escrita na
escola. Procura-se estabelecer aqui a
necessária distinção entre a produção
de texto referida na obra – O
texto em sala de aula, organizado por
Geraldi (2003) – que denominou de produção
escrita na escola. Mantendo sempre a oposição
e os conceitos delas decorrentes,
procura-se empregar o termo – produção
escrita – numa outra acepção do termo,
como que de forma subjetiva ao se
modificar as expressões consagradas na
literatura especializada como “produção
de texto”, “texto verbal” e “texto
não-verbal”, etc. Portanto, no uso
desta terminologia, a menos que
ressalvado, o termo produção escrita é tomado como aquela produção que o aluno fez
dentro da sala de aula e com o
acompanhamento de um professor de língua
materna.
Como
objeto de pesquisa e a forma de abordagem,
procura-se ter uma visão do processo de
produção do texto escrito, cujo ponto de
partida foi pesquisar se os alunos
usariam, nas suas produções escritas, as
mesmas palavras que usam na interação
verbal e se essas palavras, quando
empregadas na produção escrita teriam o
mesmo efeito de sentido que se usadas na
interação verbal. Sabe-se que há “uma
crise científica em marcha” (CASTILHO,
1989) que poderá ser facilmente
identificada, como se fosse um
pêndulo que assinala o paradigma lingüístico
vigente quando oscila, deixando o pólo da
linguagem como um enunciado, deslocando-se
para a ponta da linguagem entendida como
enunciação. Já não se postula mais a
linguagem como um código abstrato,
incorporando-se às análises do enunciado
as condições de sua produção que, em
conseqüência disso, a equipe indignada
do mundo científico se desloca “da análise
taxonômica dos produtos lingüísticos
para a análise dos processos
psicossociais que constituem esses
produtos” (CASTILHO, 1989, p.106),
talvez como desvio de uma questão mais
empírica e menos prática.
Pode-se
observar que o aluno quando está no
processo de interação verbal e no seu
ambiente social procura processar essa
interação sem a preocupação com a
avaliação do professor. No momento da
produção escrita o aluno procura as
palavras para poder usar, dado o fato que
na interação verbal com professores, por
exemplo, questionamentos e intervenções
a respeito de conteúdos ou na produção
escrita, ambos são objetos de um processo
de avaliação. Essas ações dependem,
certamente, de pressupostos lingüísticos
que agem para que se possa fazer essa
dicotomia.
Nas
observações feitas, pode-se ver que há
mudanças, mas quando se faz uma análise
minuciosa dos segmentos se percebe alterações
significativas que interferem na estrutura
sintática, dando um efeito de sentido
diferenciado a cada momento da leitura e
uma idéia mais clara da própria concepção
de escrita e suas preferências sintáticas.
A oralidade da fala tem como característica
se utilizar a contextualização física
sistematicamente seja para referenciação
ou para orientação espacial (MARCUSCHI,
2001, p. 83), fazendo-se do ambiente físico
o parâmetro da questão não verbalizada,
uma vez que fora deste espaço é necessário
que se complemente com informações para
que se recupere a idéia do ambiente físico
que se faz ausente.
Tais
dificuldades se deram quando na análise
de produções escritas que foram
produzidas dentro das salas de aula, pois
adentrar à sala de aula é um dos meios
para que se aprofunde e se perceba o papel
do professor no processo de
ensino-aprendizagem da produção de texto
escrito e é nesse espaço que os
processos interacionais se efetivam de
forma intencional e sistematizada, uma vez
que a recuperação do espaço é mais
consciente quando participante e atuante
nele.
Para
essa abordagem, precisa-se de um método
de investigação que se preocupe com o
entendimento dos fenômenos humanos e
sociais, dentro de um contexto histórico
que está em oposição a uma visão
empiricista de ciência tendo por objetivo
a dimensão e o estabelecimento de leis
gerais a partir dos dados, pois a pesquisa
qualitativa procura a descoberta
valorizando a indução e assumindo os
fatos e valores que estão relacionados
tornando-se inaceitável a postura neutra
do pesquisador (ANDRÉ, 1995,
p.28).
Algumas
produções escritas pelos alunos foram
usadas
para contextualizar o fenômeno da influência
da oralidade na produção escrita,
completando as informações, pois os
dados mediados por um pesquisador permitem
que haja uma interação ativa com as
circunstâncias que o rodeiam. Através
desse método é possível rever as questões
que orientam uma pesquisa, localizando
novos elementos com uma revisão da
metodologia e com a possibilidade de se
repensar os fundamentos teóricos durante
o desenvolvimento de um trabalho.
A
pesquisa deve utilizar-se de um plano de
trabalho aberto e flexível, cujas
características sejam o envolvimento das
atividades de campo e os eventos, onde as
pessoas e situações possam ser
observadas em manifestações naturais,
formulando-se hipóteses, conceitos,
abstrações e teorias, porém não a
comprovação dessas, mas a interação
com o sujeito na produção do texto
escrito. O foco de uma pesquisa é
complementado por metodologias relativas
ao estudo
de caso, enfatizando-se o
conhecimento de uma determinada unidade,
considerando-se o seu contexto e sua
complexidade. Um caso tem seus limites bem
definidos no desenvolver da investigação
podendo ser similar a outros estudos, mas
distinguindo-se por ter uma intenção própria,
sendo uma unidade dentro de um sistema
mais amplo (LÜDKE; ANDRÉ, 1986). Os
estudos de caso retratam situações do
dia a dia de uma escola, representando
diferentes e conflitantes pontos de vista
presentes em uma situação social, embora
durante a conversa com professores os
comentários que mais se destacam são com
relação à ordem das atividades em sala
de aula em que primeiro se vê o texto
(leitura), depois a gramática e por último
o texto, a produção escrita.
É
evidente a submissão do texto e da produção
escrita em função da norma da escrita. Há
uma fala que é comum aos professores a de
que somente depois do estudo da norma
escrita concluída em sala de aula é que
se passa para a produção escrita. Quando
o trabalho com a norma da escrita ocupa
muitas aulas, a produção escrita só
acontecerá depois de concluído o
trabalho com o estudo da norma escrita.
Quando
a escola prioriza o ensino da gramática,
pressupõe-se acriticamente que o
aprendizado desse aspecto da língua os
leva à produção de bons textos
automaticamente, pois não são apenas
construções normativas da escrita, mas
necessidades que pressupõem o
conhecimento da língua enquanto estrutura
e o da língua como acontecimento (SANTA
CATARINA, 1998). Quão pertinente é o
fato de precisarmos ter uma proposta em
movimento e que se desvincule do plano
ortodoxo da aplicação de um sistema
fechado e alienado quando vemos
pesquisadores e lingüistas se preocupando
com a estagnação da forma de ensino da língua
materna. Para muitas pessoas e das mais
variadas classes intelectuais e sociais,
ensinar língua é a mesma coisa que
ensinar gramática. Ou, o que é
diferente, embora pareça mera inversão,
para muitos, ensinar gramática é a mesma
coisa que ensinar língua (POSSENTI, 2002,
p.60).
Para
se produzir um texto é necessário ter
por finalidade a interação verbal, os gêneros
e as produções textuais independentes,
pois uma coisa é o estudo da gramática e
outra é o domínio da língua (POSSENTI,
op.cit., p.59). Conhecida e dominada a língua,
a escola poderia acrescentar em seu
planejamento atividades que
proporcionassem uma reflexão com relação
à linguagem, à sistematização de algo
que não se tem domínio e é plenamente
ineficaz. Vêem-se nos documentos oficiais
para o ensino de língua portuguesa,
orientações para a prática de análises
lingüísticas a partir do conhecimento
epilingüístico e de práticas que tenham
o texto como elemento de pretexto para o
ensino dessa prática.
Bastante
evidente é a prática pedagógica
docente, a língua enquanto norma,
estruturada gramaticalmente, e que nos
leva a uma indagação, tendo-se como fato
o de que os docentes a consideravam como
objetivos da disciplina de língua
portuguesa e se pretende fazer com que o
aluno:
Consiga
se expressar, tanto pro escrito quanto
oralmente. Consiga se expressar
corretamente, você entende? Por exemplo,
quando o aluno diz algo, que diga essa
coisa para TODOS ou QUALQUER pessoas, de
Presidente da República à faxineira, que
esta coisa seja dita e entendida, você
entendeu? né? Por que o aluno tem que
perceber que dizer esta coisa para o
Presidente precisa ser de modo mais culto,
né? E para a faxineira ele tem de falar
de uma maneira mais simples, entendeu? Se,
de repente você tiver de escrever para
alguém alguma coisa, este aluno deve
saber como se escreve, corretamente,
entende? E procurar falar de acordo com as
normas gramaticais, para que a outra
pessoa entenda, né? Pensamos que é esse
o papel da língua portuguesa.(comentário
verbal/oral de professores sujeitos de uma
pesquisa).
Nota-se
por esse discurso que os objetivos traçados
são o de se desenvolver nos alunos a
competência discursiva, a capacidade de
interpretar e produzir textos nas mais
variadas situações e com o conhecimento
da norma da gramática sem a qual a
primeira não seria possível, pensavam as
professoras. Para alcançar os objetivos
propostos, fez-se necessário promover o
uso da língua como prática de leitura
com persistência e hábito e uma relevância
da aplicação de estudos gramaticais a
partir de textos e práticas que pudessem
alcançar o objetivo delineado. É
importante ressaltar que essa prática
docente deveria ser um hábito desde os
primeiros anos de escolaridade do aluno,
prática rotineira e continuada de forma
que pudesse estimular o aluno a uma prática
de manuseio do texto, pois é bastante
claro que a prática de leitura estimula o
aluno ao gosto da mesma.
Observa-se
que o aprendizado da escrita não teria
nenhuma eficiência se o foco das
atividades fossem os exercícios
estruturais, totalmente desvinculados da língua
em uso. Pela
interação verbal com docentes, soube-se
que “há
um programa a ser cumprido que conta com
muitas regras de gramática” (comentário
verbal/oral) e é consciente que a prática
com a leitura e a escrita, privilegiando
mais esta que àquela proporcionará ao
aluno uma inclusão social, mas consideram
“ser
dispensável o trabalho com a decodificação
de regras gramaticais e nomenclaturas, ou
também, definições que tão pouco são
colocadas em prática” (comentário
verbal/oral).
O
planejamento da disciplina de língua
portuguesa é elaborado em conjunto e com
a participação de todos os docentes de língua
portuguesa das escolas e uma das colocações
quanto ao desenvolvimento dos objetivos
propostos chama-nos a atenção:
Análise
do tema gramatical a ser estudado
(conforme o programa ou necessidade da
turma), selecionando materiais (textos,
recortes de jornais, livros e enciclopédias
e propostas de redação) que possam
instruí-los [sic]. Pesquisas em diversos
livros didáticos, gramaticais e outras
formas para a coleta de exercícios mais
adequados referentes às unidades
gramaticais a serem estudadas.
Não
é difícil de se notar que o objetivo se
estabeleceu, fazendo referência à colocação
acima, e quando indagadas com relação à
produção escrita, as professoras afirmam
que o objetivo era de fazer com que o
aluno pudesse se expressar, por escrito,
de modo que o seu interlocutor possa
entender o que já foi dito, tanto que no
contato com as produções escritas pelos
alunos, afirmam elas, “normalmente,
lemos o texto, fazemos as correções
gramaticais, ortográficas e da tipologia
usada e depois os entregamos aos alunos,
ficando somente como exercício”
(comentário verbal/oral).
Em
Geraldi (1997) encontramos a citação de
que a produção textual é um exercício
em que os alunos podem mostrar o domínio
que têm dos recursos expressivos aos
docentes. Continua o autor, com relação
ao assunto, afirmando que a escrita real
da fala do aluno [que] lançaria alunos e
professores em busca de texto que ampliam
o que se tem a dizer (GERALDI, op.cit.,
p.191). A linguagem oral, para esses
professores, não é concebida como forma
de interação verbal e sim um meio pelo
qual o aluno pode expressar uma idéia,
uma criação particular. Conforme comentário
feito pelos professores o texto é claro
quando dizem que “não passa
de uma idéia escrita. É a idéia que você
registra, que você escreve. Texto, para
mim, é uma idéia que pode ser
compreendida, entende? É algo que se lê,
se entende e se põe no papel”
(Comentário verbal/oral).
Os
professores não deram importância à
expressão do pensamento que depende da
organização das idéias, cujo
posicionamento se fundamenta na corrente
do subjetivismo abstrato, onde o indivíduo,
isolado do contexto social, expressa seu
conteúdo intraproduzido numa proposta
lingüística.
Outra
surpresa encontrada é com relação à prática
pedagógica dos professores, cujo discurso
dá importância “à
interpretação, entendimento e compreensão
de qualquer enunciado, seja este enunciado
qual possa ser [sic] para que possa haver
o tão falado exercício de cidadania”
(comentário verbal/oral).
No
ambiente escolar, docentes, diretores,
funcionários, pais, alunos e a comunidade
estão em constante processo de interação
verbal, produzindo discursos que refletem,
na constituição desses, cuja finalidade
e condições sócio-culturais os fazem
locutores e alocutários. Um desses
enunciados, embora relativamente estáveis,
é o plano de ensino que, elaborado pelo
professor sob a égide de “planejamento”,
deve ser entendido como uma parte
integrada do plano de ensino, muitas das
vezes elaborado como elemento separado de
todo um processo. Um planejamento deve
conter as formulações das questões,
tomadas de decisões, da atividade a ser
desenvolvida e a avaliação que finalizam
todo o processo do plano de ensino,
devendo ser entendida como avaliação de
ações didático-pedagógicas e de
ensino-aprendizagem[8].
Quando
o professor assume uma disciplina é
preciso que se posicione frente a uma série
de indagações do tipo: que turma é essa
que será instituída? Como o professor da
série anterior ministrou os conteúdos?
Qual o procedimento de sondagem da turma?
Que se pretende que os alunos aprendam ou
assimilem até o término do ano letivo?
Que competências desenvolver? Que
recursos didáticos irão facilitar esta
aprendizagem?
Todas
essas questões terão como respostas as
de ordem didática, cuja seleção deverá
nortear os parâmetros de o
quê e como ensinar, com orientações
e fundamentos na concepção do professor,
ensino, aluno, mas com orientações e
discussões que possam ser compartilhadas
e que tenham como objetivo a construção
do conhecimento, valorizando-se a
argumentação e o conhecimento de mundo
do aluno, estimulando-o a uma interação
de sujeitos concebidos como detentores de
diferentes saberes.
Admita-se,
por hipótese, que ensinar é criar espaços
para se fazer valer estes saberes
silenciados e confrontá-los com os
conhecimentos sistemáticos, mas nem
sempre capazes de explicar todos os fatos
(GERALDI, 1997). As questões ou ações
do ensino –aprendizagem são delineados
de acordo com os saberes do professor,
pois esses mesmos saberes é que orientam
as ações didático-pedagógicas dos
professores, cujas concepções de língua
são definidoras do processo de
ensino-aprendizagem.
Nos
PCN’s (BRASIL, 1998), o plano de ensino
e as metas são definidos e delineados,
prevendo-se os recursos necessários e a
avaliação sistemática, visando a
representar o processo pedagógico
elaborado no início do curso e de forma
flexível, devendo sofrer alterações ao
longo de todo o processo à medida que
acontece a interação com os alunos. É
um elemento de comunicação, uma vez que
os professores se comunicam com seus
superiores, mostrando-lhes a metodologia a
ser empregada o que lhes permite uma
adequação entre o plano de ensino e os
professores de disciplinas afins, através
de discussões pedagógicas.
É
através da análise do plano de ensino
que se observa ser muito comum o uso da
expressão “desenvolver a comunicação
através de diferentes linguagens” que,
no texto do Plano de Ensino tem vários
efeitos de sentido. Considerando-se que
para os PCN’s um dos objetivos é
“utilizar as diferentes linguagens -
verbal, musical, matemática, gráfica, plástica,
corporal -
como meio para produzir, expressar
e comunicar suas idéias, interpretar e
usufruir das produções culturais, em
contextos públicos e provados, atendendo
as diferentes intenções e situações de
comunicação” (BRASIL, 1998, p. 7).
Importante ressaltar que os professores
parecem não entenderem as diretrizes, os
eixos norteadores do documento,
limitando-se à reprodução de um
discurso oficial.
Como
meta do plano de ensino encontra-se o de “realizar
trabalhos em grupo para treinar o aluno a
viver em sociedade, respeitando os limites
do outro, conscientizando-se do senso crítico
e a participação em debates para se
chegar a um consenso” e é notória
a observação de que a escola tem a função
de (treinar) preparar o aluno para um convívio
social e a idéia pré-concebida de que
esse aluno não tem maturidade, é muito
carente e precisa de ferramentas (armas
lingüísticas) para o mundo,
desprezando-se o conhecimento desses sobre
o mundo de cada um deles. Todo indivíduo
que é crítico, se o é, é porque
entende a realidade que o circunda e se
posiciona como sujeito nos contextos
sociais nos quais está inserido, opinando
e sustentando seu posicionamento como um
indivíduo que é ativo na participação
de transformação da sociedade, dando
suporte e sustentabilidade à sua cultura.
Ainda
que redundante, há momentos em que a
questão da cultura não é muito
discutida nos ambientes escolares, mas as
questões do multiculturalismo e da
diferença se tornaram, nos últimos anos,
o centro da teoria educacional de modo crítico
e até mesmo nas pedagogias oficiais,
ainda que tratadas de forma marginal, como
‘temas transversais’, e essas
questões são reconhecidas, inclusive
pelo oficialismo, como legítimas questões
de conhecimento (SILVA, 2003, p.73).
Assim,
para que se possa tornar o aluno como
indivíduo crítico, tem-se de garantir um
conjunto de saberes lingüísticos dando
suporte de identidade e cultura para que
este mesmo indivíduo possa comparar,
dicotomizar, observar as semelhanças e as
diferenças através de seu processo de
atividade cognitiva (BRASIL, 1998). Com
relação aos chamados “conteúdos”
pode-se observar nos planejamentos que as
competências de conhecimento deverão ser
desenvolvidas dentro da sala de aula.
Não
há uma especificação do conteúdo, as
suas estratégias de abordagem e
metodologia didática que serão definidas
como meio para as competências de
conhecimento, ratificando o desinteresse
dos alunos e as críticas veementes ao
ensino de língua materna, sendo a leitura
ou a falta dela a grande vilã desse
desinteresse. Na abordagem de leitura, há
uma evidência de que os alunos lerão
para adquirir – um vasto e rico universo
de significados -, como se pode notar em
um dos objetivos do plano de ensino
analisado que diz: “Sensibilizar o
aluno para os assuntos que serão
discutidos, trazendo para a sala de aula
um vasto e rico universo de significados,
através de perguntas, histórias,
depoimentos ou usando atividades empíricas”.
Vê-se,
no entanto, que o plano de ensino tem um
limite de ação baseado em sua elaboração
fragmentada, fatos esses que não se
interseccionam em suas competências de
conhecimento o que os tornam fragmentado e
pouco elaborados.
6
Conclusão
A
conclusão a que se chega é que a dimensão
verbal tem como elemento os recursos de
comunicação verbal, o material e a relação
entre os elementos no sistema da língua.
Nos Planos Curriculares de Santa Catarina
a dimensão é denominada língua-estrutura,
abrangendo um sistema isolado dos aspectos
interativos que englobam a gramática no
sentido mais amplo, como a configuração
sonora, pontuação, ortografia dentre
outros aspectos (SANTA CATARINA, 1998). Em
outra extremidade tem como ornamento o
discurso, as relações entre os
enunciados, as conexões esses, o autor,
os gêneros discursivos e seus aspectos
constitutivos, mas que é possível se
observar que os professores focalizam a
elaboração deste objetivo em apenas um
aspecto da língua – o verbal.
O
plano de ensino privilegia, na produção
escrita, os gêneros do discurso (bilhete,
cartas, histórias em quadrinhos e
recortes de revistas e jornais) e a narração,
como tipologia textual. Percebe-se que os
professores na tentativa de aproximarem os
avanços teóricos e reconhecidos às práticas
tradicionais, como proposta de mudança, não
fogem do padrão normal que para eles é o
de querer que os alunos mostrem, através
das produções escritas, o domínio da
norma culta.
No
que tange à produção escrita não há
uma previsão explícita e clara,
procedimento esse que ratifica o
posicionamento do estudo de língua-estrutura,
uma vez que é claro e evidente o
posicionamento apresentado da gramática
normativa indicado no livro didático[9].
Percebe-se que os professores pretendem
trabalhar alguns gêneros do discurso,
procurando seguir o documento oficial que
elegeram como referência, que para tal
estudo é necessário que se tenha um
conjunto de atividades cujo Plano de
Ensino não prevê. A produção de textos
escritos tem como procedimento uma
complexidade de ações:
Ao
produzir um texto, o autor precisa
coordenar uma série de aspectos: o que
dizer, a quem dizer, como dizer. Ao
escrever profissionalmente, raras vezes o
autor realiza tal tarefa sozinho. Tão
logo tinha colocado no papel o que tem a
dizer a seus potenciais leitores, verá
seu texto, ainda em versão preliminar,
ser submetido a uma série de
profissionais. Bem desigual é a tarefa do
aprendiz. Espera-se que o aluno coordene
sozinho todos estes aspectos. Pensar em
atividades para ensinar a escrever é,
inicialmente, identificar os múltiplos
aspectos envolvidos na produção de
textos, para propor atividades seqüenciadas,
que reduzem parte da complexidade da
tarefa no que se refere tanto ao processo
de redação quanto ao de refacção.
(BRASIL, 1998, p.75).
Elementos
de complexidade e categorias didáticas não
podem ser desprezados na questão de práticas
de produção escrita – transcrição,
reprodução, decalque e autoria – que,
a partir de então o aluno deverá ser
capaz de “construir padrões da escrita,
apropriando-se das estruturas
composicionais, do universo temático e
estilístico dos autores que transcrevem,
reproduzem, imitam” (BRASIL, 1998,
p.77). Seria prudente verificarmos, ao se
fazer uso de um livro didático, se esse
traz noções básicas de oralidade de
fala e de escrita para que se compreenda a
o uso da oralidade de fala na produção
escrita.
Espera-se
que essa leitura possa mostrar aos
professores, em geral, a necessidade que
temos de orientar os nossos alunos
dando-lhes subsídios para que possam
produzir e fazer uma verificação
complexa de sua produção, valorizando-os
como criadores de uma obra de arte.
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Publicado
em 22/02/2007