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Da
civilização oriental à
civilização ocidental,
passando pela Idade Média, até
aos nossos dias, a significação
do corpo sofreu inúmeras
transformações. Porém, apenas
no século XIX o corpo começou
a ser estudado. No Brasil, nos
anos 60, com o advento da
psicomotricidade, era utilizada
em forma de recursos
coadjuvantes à outras
especialidades. Em nível de
graduação “latu sensu”, a
psicomotricidade surgiu em 1990
no IBMR (currículo adaptado da
formação na França).
E
o que é psicomotricidade? Assim
conceitua a S. B. P.:
“Ciência
que tem como objeto de estudo o
homem através do seu corpo em
movimento e em relação ao seu
mundo interno e externo, bem
como suas possibilidades de
perceber, atuar, agir com o
outro, com os objetos e consigo
mesmo. Portanto, é um termo
empregado para uma concepção
de movimento organizado e
integrado, em função das
experiências vividas pelo
sujeito cuja ação é
resultante de sua
individualidade, sua linguagem e
sua socialização.”
Segundo
BERRUEZO
(1995):
“Psicomotricidade
é um foco da intervenção educacional ou terapia cujo objetivo é o
desenvolvimento da capacidade
motriz, expressiva e criativa a
partir do corpo, o que o leva
centrar sua atividade e se
interessar pelo movimento e o
ato, que é derivado de disfunções,
patologias, excitação (estímulos),
aprendizagem, etc.”
O
progresso das ciências biológicas
e da saúde têm prometido e
permitido ao homem uma vida
melhor. Essa importância dada
ao corpo, através das
atividades psicomotoras,
observando estreita relação
entre corpo, mente, movimento e
pensamento, promovem bem-estar físico
e mental ao indivíduo. Essa idéia
de movimento surgiu decorrente
da concepção fundamental de
que a atividade motora e a
mental estão em constante
inter-relação podendo uma
influenciar beneficamente no
desenvolvimento global da outra,
numa tentativa de compreender o
ser humano em sua unidade e
globalidade.
Henri
Wallon
é, provavelmente, o grande
pioneiro da psicomotricidade,
vista como campo científico.
Ele iniciou (1925) uma das obras
mais relevantes no campo do
desenvolvimento psicológico da
criança. Como médico, psicólogo
e pedagogo, impulsionou as
primeiras tentativas de estudo
da reeducação psicomotora.
Wallon
e Piaget
colocam em evidência o papel da
atividade corporal no
desenvolvimento das funções
cognitivas. WALLON (1942) afirma
que o pensamento nasce da ação
para retornar a ele. PIAGET
(1936) sustenta que, mediante a
atividade corporal a criança
pensa, aprende, cria e enfrenta
problemas de sua vida cotidiana.
No
âmbito escolar, podemos
verificar que há alunos
correndo, brincando e
participando de todos os jogos
propostos, apresentando às
vezes dificuldades, que podem
ser sanadas mediante interação
da criança com atividades que
favoreçam ampliar seu potencial
psicomotor, cognitivo e afetivo.
“Os
motivos dessas dificuldades
são diversos, e vão desde
problemas mais sérios de
incapacidade intelectual, até
pequenas desadaptações que,
quando não cuidadas, se
transformam em verdadeiros obstáculos
para uma aprendizagem
significativa.” (OLIVEIRA,
1997)
Existem
alunos que apresentam déficit
no desenvolvimento das funções
neuropsicológicas devido a vários
fatores, como má alimentação,
doenças patológicas, perturbações
emocionais, entre outros, e isto
pode influenciar no seu
aprendizado.
“Muitos
professores, preocupados com o
ensino das primeiras letras, e não
sabendo como resolver as
dificuldades apresentadas por
seus alunos, várias vezes os
encaminham para as diversas clínicas
especializadas que os rotulam
como “doentes”, incapazes ou
preguiçosos. Na realidade,
muitas dessas dificuldades
poderiam ser resolvidas dentro
da própria escola.”
(OLIVEIRA, 1997)
Deve-se
notar, no entanto, que não se
pretende que o professor faça
sessões de psicoterapia com o
aluno. Uma ação pedagógica
faz-se necessária enfocando uma
educação global, respeitando
as potencialidades e limitações
do grupo.
Desde
o início da vida, a criança
passa pela fase de vivência
corporal. Ela trabalha seu corpo
em busca de respostas. Nesse período,
a criança – através dessa
movimentação – vai
enriquecendo a experiência
subjetiva de seu corpo,
ampliando assim as
potencialidades motoras espontâneas
e coordenadas.
Considerando
a criança como ser integral
desse processo, cabe à escola
criar o máximo de situações
onde ela interaja de maneira
atrativa e prazerosa, com
atividades que favoreçam o seu
amadurecimento psicomotor.
Segundo
LAPIERRE (1986), a educação
psicomotora tem por objetivo não
só a descoberta do seu próprio
corpo e capacidade de execução
do movimento, mas ainda a
descoberta do outro e do meio
ambiente, utilizando melhor suas
capacidades psíquicas,
facilitando a aquisição de
aprendizagens posteriores.
É
através da atividade
psicomotora, principalmente nos
jogos e atividades lúdicas que
a criança irá explorar o mundo
que a cerca, diferenciando
aspectos espaciais, reelaborando
o seu espaço psíquico, ligações
afetivas e domínio do seu
corpo.
Se
o professor desenvolve sua prática
tendo por referência teórica a
idéia de que o conhecimento é
construído pelo aluno em situações
de interação, precisará
dispor de estratégias
que ajudem a compreender o que
cada um já traz consigo,
elevando suas potencialidades.
Daí,
também, a importância da
escolha das atividades
curriculares. Elas devem
contemplar a psicomotricidade a
partir de uma relação entre o
conhecimento prévio do
professor frente às etapas do
desenvolvimento motor infantil.
Piaget
trata das fases motoras da criança
desde seu nascimento. Um bebê
sente o meio ambiente como
fazendo parte dele mesmo. À
medida que cresce, com um maior
amadurecimento de seu sistema
nervoso, vai ampliando suas
experiências e passa, pouco a
pouco, a se diferenciar de seu
meio ambiente. Chega, pois, à
representação dos elementos do
espaço, descobrindo formas e
dimensões e com isto passa a
aperfeiçoar e refinar seus
movimentos adquirindo uma maior
coordenação dentro de um espaço
e tempo determinado.
A
psicomotricidade surgiu, enfim,
como um meio de combater a
inadaptação psicomotora pois
apresenta uma finalidade
reorganizadora nos processos de
aprendizagem de gestos motores.
É um alicerce sensório-perceptivo-motor
indispensável na contribuição
do processo de educação e
reeducação psicomotoras, pois
atua diretamente na organização
das sensações, das percepções
e nas cognições, visando a sua
utilização em respostas
adaptativas previamente
planificadas e programadas.
Acreditamos
que o educador não deve se
preocupar só com a aprendizagem
específica de determinada
tarefa. Existem dificuldades que
resistem a uma pedagogia normal.
É por isto que acreditamos que
é melhor “prevenir que
remediar”, isto é, ele deve
– antes de mais nada –
promover condições para esta
aprendizagem se torne satisfatória.
O professor deve ser sempre
aberto às indagações e dúvidas,
tratar os alunos com respeito e
consideração, respeitar o
ritmo de cada um.
Acompanhar
a criança num processo
psicomotor, possibilita-lhe a
uma melhor estruturação tanto
mental quanto corporal. De posse
a uma pedagogia que dê lugar a
criatividade, a espontaneidade,
conseqüentemente, a criança
fortalecerá sua auto-estima,
realizará novas descobertas,
construirá relações de
confiança consigo mesma e com
os outros, e avançará nos
demais aspectos, tanto
cognitivos quanto motores.
Concluímos
com OLIVEIRA (1997):
“Não
adianta somente discutirmos os
porquês das dificuldades de
aprendizagem. É preciso propor
caminhos que possam, se não
solucionar, pelo menos diminuir
alguns destes problemas que são
tão dolorosos para a criança
– como ver suas chances diminuídas
por problemas que são alheios a
ela.”
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