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Simaia Psicopedagoga

 

As Implicações da Psicomotricidade no Processo de Alfabetização

  • Lívia Cristina de Almeida Ramos Sola – Bacharel em Psicologia pela UNIP, pós-graduada em Psicopedagogia pela Metrocamp, pós-graduada em Violência contra criança e adolescente pela USP. Atualmente trabalhando como psicóloga social e clínica, em Campinas. E-mail: livia_ramos@yahoo.com.br. Endereço: Rua Francisco Bueno Lacerda, 220 – apto 52 – Ed. Hawaí – Jardim Dom Vieira – CEP 13036-265 – Campinas – SP. Tel. (19) 3395-7495 ou (19) 8174-5110.

 

  • Patrícia Luara Alves França – Pedagoga pela UNIP, pós-graduada em Psicopedagogia pela Metrocamp. Atualmente trabalha como docente do ensino fundamental, séries iniciais em escola particular em Campinas. E-mail: patricialuara@ig.com.br.

 

  • Priscilla Terra – Psicóloga pela PUCCAMP, pós-graduada em Psicopedagogia pela Metrocamp. Atualmente trabalhando como psicóloga clínica, em Campinas. E-mail: priscilla_terra@uol.com.br.

Resumo

Com o objetivo de apresentar as implicações da psicomotricidade no processo de alfabetização, realizou-se uma análise de atividades desenvolvidas com um grupo de 22 crianças do primeiro ano do ensino fundamental de uma escola particular, onde buscou-se identificar fatores de estimulação no desenvolvimento da educação infantil que colaboraram para o processo de alfabetização das mesmas. Os resultados mostram que as crianças que tiveram melhores produções e apresentaram melhores resultados nas atividades relacionadas a alfabetização foram também aquelas que demonstraram ter sua psicomotricidade trabalhada de forma adequada.


Palavras-chave: psicomotricidade, alfabetização, desenvolvimento e criança.

 

Abstract

In order to present the implications of psychomotor activity in the literacy process, an analysis of activities was carried out with a group of 22 children in the first year of elementary education at a private school, where we identified factors stimulating the development of early childhood education that contributed to their literacy process.

The results show that the children with better yields and results in activities related to literacy were also those ones who have demonstrated their psychomotor worked properly.

 

Keywords: psychomotor activity, literacy, development and children.

 

Da infância ao ser criança: o desenvolvimento e a psicomotricidade  

Segundo Ferreira (1993), infância significa período de crescimento, no ser humano, que vai do nascimento até a puberdade e infante significa que está na infância, criança. Pode-se entender a infância, ou melhor, a criança, ser humano em desenvolvimento como um ser que requer cuidados para crescer.

Segundo Lajolo (apud Freitas, 2003) “enquanto objeto de estudo, a infância é sempre um outro em relação àquele que a nomeia e a estuda. As palavras infante, infância e demais cognatos, em sua origem latina e nas línguas daí derivadas, recobrem em campo semântico estreitamente ligado à idéia de ausência de fala. Não se estranha, portanto, que esse silêncio que se infiltra na noção de infância continue marcando-a quando ela se transforma em matéria de estudo ou de legislação”.

Ainda sobre a infância (Freitas, 2003, p.230) acrescenta:

Assim, por não falar, a infância não se fala e, não se falando, não ocupa a primeira pessoa nos discursos que dela se ocupam. E, por não ocupar esta primeira pessoa, isto é, por não dizer eu, por jamais assumir o lugar de sujeito do discurso, e, consequentemente, por consistir sempre um ele/ela nos discursos alheios, a infância é sempre definida de fora.

Porém, na história da infância no Brasil, observa-se que tais cuidados nem sempre aconteceram, pois a criança já passou por um período de escravidão, já foi considerada como um adulto em miniatura, possuindo assim responsabilidades como tal.

         O trabalho infantil nunca se limitou ao meio industrial ou ao campo. Pode-se mencionar uma infinidade de outras funções, inclusive informais, exercidas por crianças, como por exemplo, as meninas que deixam de estudar para cuidar dos afazeres domésticos e dos irmãos menores ou as chamadas “filhas de criação”, muitas vezes submetidas a uma servidão enrustida e abusos sexuais; sem falar nas pequenas mãos mendicantes nos grandes centros, vagando horas a fio e sendo geralmente exploradas por terceiros”.

Segundo Vygotsky (1988), o brincar pedagógico, lúdico, dito de diversas formas, além de contribuir para que a criança estabeleça uma relação com significado de determinado objeto, brinquedo, permite que estabeleça relação com o outro, que se socialize, utilize-se da linguagem falada para se comunicar, fazer parte, assim, de um meio social.

Para Bee (2003), teórica da psicologia do desenvolvimento, a infância é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo graduais mudanças no comportamento da pessoa e na aquisição das bases de sua personalidade   Gonçalves (apud Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, 2009, p. 1) afirma que, “na infância, a psicomotricidade é de vital importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. Estruturando-se sobre três pilares: o querer fazer (emocional), o poder fazer (motor) e o saber fazer (cognitivo), essa ciência leva a criança a um desenvolvimento global e multidisciplinar”.         

A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2009) define que psicomotricidade, é um termo utilizado para designar uma concepção de movimento organizado e integrado às funções e experiências vivenciadas pelo sujeito. Esta junção de fatores é o que resultará na individualidade de cada um de nós, bem como nossa linguagem e socialização.

Assim sendo, pode-se entender que psicomotricidade está intimamente relacionada ao processo de maturação do indivíduo, pois o corpo é a origem não somente das  aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas, como também sustenta a tríade básica dos conhecimentos: o movimento, o intelecto e o afeto.

Gonçalves (apud Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, 2009, p. 1) ainda afirma que “o corpo é nosso universo particular”. Sendo ele nosso meio para o mover, sentir, agir, perceber e descobrir, tudo é nele registrado e gravado de acordo com o que determinamos ser mais relevante. A infância tem papel importantíssimo e é nela onde todo este processo se inicia, auxiliada pela psicomotricidade, explora todo um universo em formação e possibilita descobertas íntegras e concretas do mundo e realidade vivida através de estimulação e exploração do mesmo.

 Para Fonseca (1983), a “psicomotricidade é a evolução das relações recíprocas, incessantes e permanentes dos fatores neurofisiológicos, psicológicos e sociais que intervêm na integração, elaboração e realização do movimento humano". Portanto, ao deixarem de se relacionar algum destes fatores, ou seja, havendo ruptura de interação entre partes interligadas; como na ausência de espaço ou privação de movimento do indivíduo, bem como, uma total não-aceitação da necessidade de experiência corporal da criança; coloca-se em comprometimento atividades instrumentais que organizam o cérebro.

 “Esta é a verdadeira talidomida da atual sociedade, continuando na família (urbanização) e na escola.” (Fonseca, apud Pereira, 2005, p. 21)

A evolução filogenética do homem ocorre quando o mesmo alcança o status de ereto e assim torna-se capaz de usar as mãos. Entendemos, portanto que os atos motores e as ações desencadeadas por eles que nos levaram a um desenvolvimento intelectual, pois iniciamos a construção não só de idéias como também de objetos que nos deixaram mais livres para o pensar e planejar.

         O indivíduo terá então muito a ganhar ou perder, ontogeneticamente, dependendo do grau e qualidade da estimulação ao qual lhe é apresentado e seu desenvolvimento e amadurecimento neurológico, bem como sua socioafetividade com o meio, ditaram a apreensão e marcha de sua evolução.

 Ajuriaguerra (1980), o esquema corporal resume e sintetiza toda experiência corporal que temos perante o mundo, assim sendo é através dele que a criança irá realizar movimentos criados e ajustados para sua adaptação e descoberta do mundo que a cerca.

 De acordo com Dantas (1992), Wallon concebe que o movimento será, até a aquisição de uma linguagem, a primeira estrutura relacional com o meio, seus objetos e o outro. A inteligência, portanto, será edificada a partir deste princípio e forma de expressão emocional e comportamental.

Para o autor, isto se deve ao fato de que o movimento não é um simples e puro deslocamento de espaço, ou tão pouco somente adição de contrações musculares. O movimento é significado de relação afetiva com o mundo, ou seja, uma expressão concreta da dialética subjetivo-afetivo que contextua a criança no seu tempo e espaço de história biossocial.

De acordo com Fonseca (1995), os pais que permitem que a criança fique mais tempo no chão, incentivando-a com objetos interessantes, adequados a sua idade, favorecem um desenvolvimento e amadurecimento mais rápido e harmônico.

Segundo Abreu (2009) devido aos avanços dos tempos modernos, os recém-nascidos de hoje desenvolvem-se a um ritmo frenético, pois antigos empecilhos; como as faixas que amarravam os cordões umbilicais até cicatrizarem, os cueiros, cobertores, mantas e todos os demais objetos que outrora deixavam os bebês sem movimento; foram substituídos por peças práticas como macacões e fraldas descartáveis, as quais possibilitam não somente maior mobilidade como autonomia e, por isso mesmo, ganho no amadurecimento neurológico e, consequentemente, motor.

Abreu (2009) ainda destaca que as antigas tabelas de expectativas do desenvolvimento motor necessitaram ser revisadas para estes casos de crianças onde foi permitido buscar um desenvolvimento mais livre e natural, sem os antigos empecilhos.

Assim, é de responsabilidade dos profissionais da área de saúde, que intervêm direta ou indiretamente no desenvolvimento da criança, assegurar não somente um crescimento físico saudável de seus educandos, como também orientar os pais para este sentido; pontuando as relações  entre o  crescimento e desenvolvimento da criança, e esclarecendo o quanto a independência da criança gera sentimentos de capacidade e segurança necessários para que ela tenha iniciativa e seja  capaz de tomar decisões, bem como  possa  participar  ativamente do seu meio sociocultural e  aprender a utilizar-se de todas as suas capacidades.

Almeida (2008, p. 1), afirma que a razão e definição de psicomotricidade no contexto de prática pedagógica se objetiva na colaboração para o desenvolvimento global do educando durante seu processo de ensino-aprendizagem, propiciando não somente coerência com sua realidade de vida, mas também, integração dos aspectos físicos, mental e sócio-cultural.  É a coordenação de movimentos integrados aos exercícios de múltiplas funções como; memorização, atenção, observação, raciocínio, discriminação, ações motoras, psicológicas, etc. 

A autora também afirma que é de suma importância o entendimento dos processos relacionados a motricidade, e de valor inquestionável para o planejamento pedagógico e psicopedagógico do aprendiz. A adoção do “brincar” como recurso diário das instituições de ensino infantil, pois é justamente a ausência de trabalhos com foco nestas  habilidades necessárias ao  avanço do educando no ato de aprender que tem levado cada vez mais crianças apresentarem déficit de atenção durante seu processo e contexto de aprendizagem.

Para Fonseca (1995), a criança que anda sobre uma linha no chão; pula pneus, corda, amarelinha; rasteja; corre; engatinha; encontra objetos escondidos; percebe diferenças entre o cenário anterior e o atual; participa de atividades de musicalização; canta; dança; brinca de roda, de cabra cega, de passar anel, de baliza, de pique-pega, de pique-esconde, de pique-cola, de macaco disse, de Maria viola, etc... dificilmente apresentará dificuldades no processo de alfabetização.

Ainda segundo Fonseca (1995), “a motricidade e, posteriormente a psicomotricidade, representam a maturação do Sistema Nervoso Central. Portanto é compreensível que o problema psicomotor, mais do que os problemas motores,seja evidenciado pelas crianças com déficit de atenção.

O autor ainda salienta que atividades tradicionais podem e devem ceder lugar ao brincar pedagógico para assim propiciar aos educandos momentos que possibilitem aquisição de competências para um rápido entendimento do processo de escrita e leitura, assim como a socialização das crianças e entendimento de regras, disciplina e cooperação. Como exemplos simples e ilustrativos para este brincar pedagógicos podemos citar: brincar de pegar objetos com a ponta dos dedos ou confeccionar seu próprio brinquedo, soprar bolinha de sabão, rasgar e embolar papéis, reconhecimento de partes do corpo brincando de macaco disse, cantar musicas de roda, pular amarelinha; atividades que favorecem o pegar no lápis e nos demais objetos escolares, estimulam o traçado das letras e a observação das diferenças.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2009, p. 1):

“a criança que tem o privilégio de fazer parte de uma Educação Infantil que enfatize as brincadeiras em seus planejamentos, certamente não encontrará dificuldades no processo de alfabetização, pois aprendeu de forma concreta, aquilo que no tempo certo irá colocar no papel. Em controvérsia, quando esta fase não é trabalhada, os danos se estenderão por boa parte - ou toda - a vida escolar da criança. A alfabetização pode e deve ser trabalhada na Educação Infantil, desde que isto aconteça de forma lúdica respeitando a idade e o tempo da criança”.

 

Considerando estas questões citadas, o presente trabalho tem por objetivo apresentar as implicações da psicomotricidade no processo de alfabetização, tendo como objeto de estudo crianças do primeiro ano do ensino fundamental, buscando identificar fatores de estimulação na educação infantil que colaboraram para o processo de alfabetização das mesmas.

 

Método

 

         Este estudo foi realizado em uma escola particular de ensino fundamental, localizada no município de Campinas, com um grupo de 22 alunos do primeiro ano, com idades de 6 a 7 anos.

         A sala de aula estudada possui uma área de 21,80 m2 , iluminação e ventilação naturais obtidas através das janelas, porta e ventilador de teto, e a iluminação artificial é feita através de lâmpadas comuns. A sala também possui 01 armário de aço, 01 mesa para professora e 01 quadro de giz.

         Os alunos estão dispostos em 22 cadeiras e carteiras individuais.

         De acordo com a direção da escola, a comunidade é bastante participativa e atuante, a maioria dos pais ou responsáveis pertence à classe média, ocupando profissões diversas, tais como: engenheiros, advogados, profissionais autônomos, entre outros.

         As crianças apresentam boas condições de saúde, são assíduas, interessadas e participativas.

         A proposta pedagógica é de co-responsabilidade de todos os envolvidos (funcionários, professores, pais, diretora e coordenadora pedagógica), direta e indiretamente, no processo individual que se faz presente no cotidiano, pois a proposta está calcada em princípios éticos, políticos e estéticos que demandam a responsabilidade de todos.

         Para coletar informações, foram utilizados: questionário fechado com onze questões respondidas individualmente pelos próprios alunos, atividade em classe (reprodução do texto “atirei o pau no gato”, feito em uma folha sulfite A4, e o desenho de uma casa, árvore e figura humana, também em folha sulfite A4, produzidos individualmente) e atividades lúdicas (pular corda e escravos de Jó, realizado em grupo, porém avaliado individualmente).

         Os resultados do questionário foram analisados separadamente considerando o sexo da criança, que segue nos gráficos a seguir:

 

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

         Já os resultados da reprodução do texto e desenho foram analisados observando-se os aspectos psicomotores (praxia global, praxia fina, tonicidade, orientação espaço- temporal, esquema corporal e concentração) e as atividades lúdicas, observando-se a praxia global, praxia fina, tonicidade, orientação espaço-temporal, esquema corporal, atenção e equilíbrio, de acordo com o gráfico 1.6.

         Destaca-se que o estudo foi desenvolvido seguindo-se todos os cuidados éticos esclarecendo à escola, às mães e às crianças sobre os objetivos e procedimentos a serem realizados, mantendo-se o sigilo sobre as informações coletadas.

 

Resultados

         Inicialmente, no gráfico abaixo, é possível observar que a maioria das meninas, cerca de 59,1% gostam de realizar quase todas as atividades. Em relação aos meninos, com exceção de quatro atividades (pintura a dedo, brincar com massa de modelar e argila, ouvir histórias e pular amarelinha e caracol) cerca de 40,9% gostam de realizar as restantes:

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

         Observando o gráfico abaixo, a maioria das meninas gosta de dançar e cantar e em relação aos meninos observa-se que 18, 2% gostam de dançar e cantar.

 Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

         Referente à aplicação da reprodução de texto, observou-se que dos resultados dos textos copiados pelos alunos, das 22 crianças, somente 03 não apresentaram resultados dentro do esperado, para a sua faixa etária, pois apresentaram dificuldade em relação a tonicidade e orientação espaço-temporal, sendo que uma delas era menina e dois meninos.

         Em relação aos dados obtidos através da análise dos desenhos, as crianças, em geral, apresentaram um bom desempenho na realização desta tarefa, porém obtiveram maiores dificuldades no que se refere à tonicidade e a organização espacial.

         Em relação à atividade de pular corda, a maioria das meninas e meninos sabe bater e pular na corda, sendo que somente 9,1% dos meninos sabem entrar com a corda em movimento.

 

Fonte: Dados da pesquisa realizada com 22 crianças (9 meninos e 13 meninas). Resultados em porcentagem

 

 

         Foi constatado que na atividade lúdica “escravos de Jó” somente uma menina obteve um número elevado de erros, não acompanhando o ritmo da brincadeira.

         Conclui-se que as crianças que tiveram melhores produções e apresentaram melhores resultados nas atividades relacionadas à alfabetização foram também aquelas que demonstraram ter sua psicomotricidade trabalhada de forma adequada.

 

Conclusão

 

As práticas próprias da infância quando aplicadas possibilitam que a criança se desenvolva de forma saudável e adequada, não acarretando prejuízos decorrentes da possível negligência da atenção em determinada fase de desenvolvimento.

Observando os aspectos físicos e o desenvolvimento da criança, pode-se notar que ela vai maturando algumas áreas orgânicas necessárias ao seu aprendizado, ou melhor dizendo, necessárias para seu processo de aprendizagem ao longo da vida. Aprendizagem essa que vai desde um simples amarrar um sapato como fazer contas de matemática, por exemplo.

Torna-se importante, portanto, enxergar a criança como ela é, como o que é próprio dela e dessa forma propiciar a maior gama possível de estímulos, objetos e todo o necessário para seu desenvolvimento bio-psicossocial, para que seja parte integrante de uma sociedade em que fazem parte crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, cada qual com sua peculiaridade, cada qual com seu período de acertos, erros, dependência e independência, mas todos vistos como um ser humano que possui sentimentos e opiniões.

A criança em desenvolvimento como podia ser entendida segundo Ferreira (1993) está ficando cada vez mais rara de se ver. A relação com o outro, o brincar, as coisas próprias de criança estão muitas vezes sendo trocadas pela boneca que fala e faz tudo sozinha, a criança interagindo com ela mesma, pois o mundo que a cerca tem tempo para as coisas aconteceram e esse tempo é curto para as famílias se reunirem, conversarem, se relacionarem, para interagir com a criança através do brincar. Estas estão crescendo de forma acelerada, assumindo muitas vezes compromissos e responsabilidades de adulto sem condições físicas, psicológicas e afetivas de realizarem.

A partir deste contexto e através da prática no âmbito escolar, considera-se que a psicomotricidade é um instrumento riquíssimo que nos auxilia a promover ações preventivas e de intervenção psicopedagógicas, que proporcionam resultados satisfatórios em situações de dificuldades no processo de ensino-aprendizagem.

 

Referências

 

ABREU, B. F. L. A psicomotricidade e o desenvolvimento do ser humano.  Disponível em: <http://www.leoabreu.psc.br/02.htm>. Acesso em 24/11/2009.

AJURIAGUERRA, J. Manual de psiquiatria infantil. São Paulo, Editora Masson, 1980.

ALMEIDA, A. A. A psicomotricidade como pré-requisito para o processo de alfabetização. Publicado em 22/12/2008. Disponível em: <http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/a-psicomotricidade-como-pre-requisito-ao-processo-de

-alfabetizacao-693866.html>. Acessado em: 24/11/2009.

BEE, H.. A criança em desenvolvimento. Porto Alegre : Artmed, 2003.

DANTAS, H. A afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon. In LA TAILLE , Y. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo : Editora Summus, 1992.

FERREIRA, A. B. H. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2003.

FREITAS, M. C. A História Social da Infância no Brasil. São Paulo: Editora Cortez, 2003.

FONSECA, V. Psimomotricidade. São Paulo: Martins Fontes, 1983.

FONSECA, V. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1995.

FONSECA, V. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2005.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. Psicomotricidade: uma ciência a serviço da vida. São Paulo. Disponível em: <http://www.psicomotricidade.com.br/sp/texto_psicomotricidade.htm>. Acesso em 24/11/2009.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1988.

  

 Publicado em 06/02/2011

 

 

e-mail para marcação de consulta: simaia@psicopedagogiabrasil.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
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Revisado em: 06/02/2011