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A
intervenção psicopedagógica voltada
ao sujeito com distúrbios na
aprendizagem e ao sintoma tem sua atuação
restrita se não levar em conta o grupo
familiar e as experiências que ele
proporciona.
Este
trabalho busca refletir a importância
das relações familiares no surgimento
do sintoma problema de aprendizagem, bem
como a contribuição que este
conhecimento pode trazer ao especialista
não só para uma adequada percepção
da origem da dificuldade, como também
para um melhor direcionamento da
intervenção.
A
relação entre pais e filhos será
determinante do desenvolvimento não só
físico, mas também da personalidade.
Devido
sua importância, em um primeiro momento
tende-se a pensar a família como um
alicerce sobre o qual o sujeito irá
desenvolver-se bio-psico-socialmente. No
entanto, a palavra alicerce induz a uma
percepção limitadora, pois traz
consigo uma conotação de restrição e
imobilidade.
Considerando
a constante movimentação e transformação
de seus membros que agem e interagem
entre si e com o meio, sem no entanto
perder sua organização, torna-se mais
adequado pensar a família como um
sistema.
Pensando
a família sob a perspectiva sistêmica,
a compreenderemos como um sistema de
interações em constante movimentação
e, conseqüentemente constante
transformação, na medida que
possibilita que seus membros não só
atuem, mas também sofram a interferência/influência
da ação dos outros sobre si. Todos são
submetidos às pressões externas e
internas que interferirão nas relações
estabelecidas entre si e com o meio no
qual o grupo familiar está inserido.
Sua
importância em relação ao surgimento
de sintomas problema de aprendizagem
deve ser considerada pela inevitável
participação que tem em cada área de
desenvolvimento de seus membros e pelos
graves danos que sua falta pode trazer
para o desenvolvimento da personalidade
dos sujeitos.
A
família se constitui a partir da relação
entre duas pessoas e, por ser o grupo a
partir do qual se originam todos os
outros grupos, é considerada “grupo
primário”. Ela, enquanto primeiro
grupo social do qual fazemos parte,
possibilita o exercício de diferentes
papéis, somos atores principais,
coadjuvantes e expectadores construindo
e ajudando a construir histórias de
vida.
O
surgimento do sintoma problema de
aprendizagem deve direcionar o olhar do
especialista para a família do sujeito
em tratamento, de modo a conhecer o
porquê de tal membro familiar ser o que
desenvolve a dificuldade, qual legado ou
lealdade se estruturou e qual
significado tem a dificuldade para ele e
sua família.
É
freqüente que o sintoma surja como uma
cortina de fumaça que impede os membros
da família de encararem suas próprias
dificuldades.
Daí
que a busca de ajuda para o sujeito que
apresenta o sintoma repercute no alívio
da angústia que resulta de seus próprios
fantasmas.
Pode
ocorrer que, o casal parental frente seu
filho vêem nele o que poderiam ter sido
e lhe delegam toda uma gama de realizações
que desejaram para si.
O
filho, herdeiro genético, dos sonhos e
expectativas de realizações que os
pais muitas vezes não conseguiram
realizar, também torna-se depositário
dos conflitos e má elaborações se
seus pais.
Torna-se
parte dele uma história familiar que
impulsiona, mas também direciona o que
pode representar para o sujeito limitações
para seus reais desejos, muitas vezes não
considerados por não se enquadrarem no
que sua família estabeleceu para ele.
O
sintoma poderá surgir em resposta ao
estabelecido tão antidemocraticamente.
Ele
irá emergir de maneira a dar ao sujeito
uma diferença, o sujeito que apresenta
o sintoma se diferencia fugindo dos padrões
limitantes de sonhos e mitos herdados.
O
sintoma que traz a angústia pelo
fracasso também traz o gozo do poder
sobre si mesmo, poder desconhecido, mas
criado pelo próprio sujeito.
À
Psicopedagogia cabe o desafio de,
possibilitando um espaço de resignificação,
ajudar o sujeito a redirecionar a si
mesmo, para o saudável exercício de
suas potencialidades.
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