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Simaia Psicopedagoga

 

A família e o surgimento do sintoma problema de aprendizagem

 

 

Márcia Goulart 

 

Pedagoga e Psicopedagoga, Mestre em Psicopedagogia pela Universidade de Santo Amaro, autora de artigos publicados no site Psicopedagogia on line, Coleção Cadernos de Psicopedagia vol.3, e do livro A representação simbólica na clínica psicopedagógica, ed. Vetor.

 

A intervenção psicopedagógica voltada ao sujeito com distúrbios na aprendizagem e ao sintoma tem sua atuação restrita se não levar em conta o grupo familiar e as experiências que ele proporciona.

Este trabalho busca refletir a importância das relações familiares no surgimento do sintoma problema de aprendizagem, bem como a contribuição que este conhecimento pode trazer ao especialista não só para uma adequada percepção da origem da dificuldade, como também para um melhor direcionamento da intervenção.

A relação entre pais e filhos será determinante do desenvolvimento não só físico, mas também da personalidade.

Devido sua importância, em um primeiro momento tende-se a pensar a família como um alicerce sobre o qual o sujeito irá desenvolver-se bio-psico-socialmente. No entanto, a palavra alicerce induz a uma percepção limitadora, pois traz consigo uma conotação de restrição e imobilidade.

Considerando a constante movimentação e transformação de seus membros que agem e interagem entre si e com o meio, sem no entanto perder sua organização, torna-se mais adequado pensar a família como um sistema.

 Pensando a família sob a perspectiva sistêmica, a compreenderemos como um sistema de interações em constante movimentação e, conseqüentemente constante transformação, na medida que possibilita que seus membros não só atuem, mas também sofram a interferência/influência da ação dos outros sobre si. Todos são submetidos às pressões externas e internas que interferirão nas relações estabelecidas entre si e com o meio no qual o grupo familiar está inserido.

Sua importância em relação ao surgimento de sintomas problema de aprendizagem deve ser considerada pela inevitável participação que tem em cada área de desenvolvimento de seus membros e pelos graves danos que sua falta pode trazer para o desenvolvimento da personalidade dos sujeitos.

A família se constitui a partir da relação entre duas pessoas e, por ser o grupo a partir do qual se originam todos os outros grupos, é considerada “grupo primário”. Ela, enquanto primeiro grupo social do qual fazemos parte, possibilita o exercício de diferentes papéis, somos atores principais, coadjuvantes e expectadores construindo e ajudando a construir histórias de vida.

O surgimento do sintoma problema de aprendizagem deve direcionar o olhar do especialista para a família do sujeito em tratamento, de modo a conhecer o porquê de tal membro familiar ser o que desenvolve a dificuldade, qual legado ou lealdade se estruturou e qual significado tem a dificuldade para ele e sua família.

É freqüente que o sintoma surja como uma cortina de fumaça que impede os membros da família de encararem suas próprias dificuldades.

Daí que a busca de ajuda para o sujeito que apresenta o sintoma repercute no alívio da angústia que resulta de seus próprios fantasmas.

Pode ocorrer que, o casal parental frente seu filho vêem nele o que poderiam ter sido e lhe delegam toda uma gama de realizações que desejaram para si.

O filho, herdeiro genético, dos sonhos e expectativas de realizações que os pais muitas vezes não conseguiram realizar, também torna-se depositário dos conflitos e má elaborações se seus pais.

Torna-se parte dele uma história familiar que impulsiona, mas também direciona o que pode representar para o sujeito limitações para seus reais desejos, muitas vezes não considerados por não se enquadrarem no que sua família estabeleceu para ele.

O sintoma poderá surgir em resposta ao estabelecido tão antidemocraticamente.

Ele irá emergir de maneira a dar ao sujeito uma diferença, o sujeito que apresenta o sintoma se diferencia fugindo dos padrões limitantes de sonhos e mitos herdados.

O sintoma que traz a angústia pelo fracasso também traz o gozo do poder sobre si mesmo, poder desconhecido, mas criado pelo próprio sujeito.

À Psicopedagogia cabe o desafio de, possibilitando um espaço de resignificação, ajudar o sujeito a redirecionar a si mesmo, para o saudável exercício de suas potencialidades.

Bibliografia

 FERNÁNDEZ, Alícia.  A inteligência aprisionada.  Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.

_____. A mulher escondida na professora. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.        

PAÍN, Sara.  A função da ignorância.  Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

_____. Subjetividade e objetividade. Relação entre desejo e conhecimento.  São Paulo: CEVEC, 1996.  

POLITY, Elizabeth (org). Terapia familiar nas dificuldades de aprendizagem.  São Paulo: Empório do livro, 1998.  

WINNICOTT, Donald W.  Tudo começa em casa.  São Paulo: Martins Fontes, 1999.  

ZELAM, Karen.  Os riscos do saber. Obstáculos do desenvolvimento à aprendizagem escolar.  Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.    

 

 Publicado em 04/11/2007

 

 

e-mail para marcação de consulta: simaia@psicopedagogiabrasil.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
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Revisado em: 10/06/2011