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Apesar
das dificuldades enfrentadas para a
informatização das escolas em nosso
país, não resta dúvidas de que a
educação passa por mais um momento de poderosa
transformação:
o e-Learning é uma realidade
mediante a qual, indivíduos e grupos
podem, de uma maneira flexível, trocar
conhecimento mesmo que estejam dispersos
ao redor do mundo.
Se,
como afirma o prof. João Francisco
Duarte Junior em seu livro ‘ Por que
arte-educação ‘, “no interior da
própria escola a arte continua a ser
encarada como mero lazer, uma
distração entre as atividades úteis
das demais disciplinas”, no
cotidiano de um sem número de pessoas a
arte é considerada como a maneira mais
eficaz de despertar o indivíduo para o
seu próprio processo de sentir e
interpretar, sendo um componente da
educação, desenvolvimento e inserção
social das pessoas.
Assim,
naturalmente, esta grande
transformação teria também que chegar
às artes.
Ora,
sabemos que o melhor da Internet é que
ela é um recurso de comunicação
ilimitado. Ao conectar-se à Internet,
você se junta a uma rede que integra
tudo. Essa diversidade caberá inteira
dentro dos grupos de discussão, nos
fóruns ou nos chats (salas de bate
papo) e, neste ambiente onde cada um
pode expor sua visão de mundo, o
iniciante em artes não necessitará de
respostas prontas, e sim de uma
orientação que não o leve ao
adestramento, através de meras cópias
impensadas, mas que o provoque a buscar
a sua maneira.
Como
os conteúdos em e-Learning podem ser
oferecidos através de diversas
ferramentas, o aluno em tempo real ou
mesmo através de mecanismos como um
simples serviço de e-mail, é levado à
experimentação podendo sentir o grande
prazer da produção artística,
dividindo com o grupo a sua experiência
e tendo no professor apenas um
facilitador com um comprometimento
humano capaz de incentivá-lo em suas
descobertas e apoiá-lo em suas dúvidas
técnicas.
Ao
iniciar um pensamento sobre o e-Learning
aplicado especificamente ao campo das
artes plásticas, visualizamos três
tópicos instigantes:
- até que ponto um artista, cuja
legitimação da sua atuação se deu
através da participação em
exposições coletivas ou outras
atividades afins, poderia se colocar
como um professor, sem a
necessária formação para educação?
-
continuando: até que ponto um professor
graduado, porém sem a prática
imprescindível ao fazer artístico,
poderia se colocar como professor de
arte?
- completando, como estes dois
profissionais poderiam atuar dentro de
um processo de e-Learning
onde são envolvidos conhecimentos de
webdesigners necessários para se
formatar um curso na web?
Resolvidos
estes três tópicos, nos restaria ainda
pensar no que seria necessário ao aluno
para que pudesse desfrutar de um
aprendizado à distância em matéria
tão controvertida.
Inicialmente
é preciso entender que não basta
oferecer informação na rede para se
fomentar uma aprendizagem real. Ao
contrário do ensino tradicional, o
ensino na rede é centrado no aluno e,
em se tratando de arte encontraremos aí
dificuldades curiosas, não ao despertar
a atenção do indivíduo para a sua
maneira pessoal de pensar o mundo, mas
na artesania em si, por exemplo, como
ensiná-lo a pegar um pincel?
Esta
coluna buscará incentivar soluções
para estas dúvidas no sentido de ser
mais uma fonte de pesquisa para
professores e interessados em ensinar
arte ou, melhor dizendo, em aprimorar um
saber coletivo sobre o fazer artístico.
Artista,
professor ou webdesigner?
Ao
optarmos pelo e-Learning no ensino das
artes, teremos que entender que, ou
estudamos e nos aprofundamos nos três
aspectos envolvidos ou formamos uma
equipe.
Apesar
da grande quantidade de softwares
lançados no mercado para facilitar a
adequação de professores a esta nova
realidade, para algumas pessoas a EaD
apresenta a desvantagem da ausência do
contato visual e auditivo entre
professor e estudante. Isso implica na
necessidade de se expressar e
intercambiar idéias por escrito. Neste
caso apenas um FAQ.(Frequently Asked
Questions) não será o suficiente.
Entendo que será imprescindível não
apenas conhecer a teoria da arte, mas
estar apto a socorrer o aluno em suas
dificuldades com clareza de
informações e imagens.
Explicar
claramente os conceitos, guiar o aluno a
tarefas através das quais os conceitos
se tornem situações verdadeiras,
interagir com o estudante em situações
diferentes e finalmente oferecer um
feedback orientando para novos
experimentos, será a seqüência
adequada ao projeto.
Então
além do conhecimento teórico, da
segurança de longo período de
prática, conhecimentos na manipulação
do Word e de um programa de imagens,
assim como do uso da digitalização de
imagens serão imprescindíveis ao
professor que se dedicar a esta tarefa.
Por
outro lado, todo este investimento será
minorizado uma vez que um curso pode ser
aplicado para grupos numerosos sem as
limitações físicas de uma aula
tradicional. Da mesma maneira, um mesmo
conteúdo poderá ser reutilizado
indefinidamente por um grande número de
usuários, diminuindo sensivelmente
custos e tempo gasto.
Não
existem receitas prontas, mas uma velha
luta para transformar o conhecimento
individual em experimento coletivo e
vice-versa.
Referências
Bibliográficas:
(1) DUARTE JUNIOR, João Francisco –
Por que Arte-Educação .Campinas:
Papirus,1988.
(2)
SADDI,
Maria Luiza Saboya - Arte
contemporânea e o ensino contemporâneo
em arte: a proposta do ensino produtor
em arte.
(3) LACOSTE, Jean – A Filosofia da
Arte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.
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