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Simaia Psicopedagoga

 

Não existem receitas prontas

 

Maria de Fátima Seehagen

Facilitadora em Criatividade Aplicada, Coordenadora do de Fátima atelier http://www.defatima.com.br atelier de desenho e pintura com extensão online:

fatelier@zaz.com.br

 

Apesar das dificuldades enfrentadas para a informatização das escolas em nosso país, não resta dúvidas de que a educação passa por mais um momento de poderosa transformação: o e-Learning é uma realidade mediante a qual, indivíduos e grupos podem, de uma maneira flexível, trocar conhecimento mesmo que estejam dispersos ao redor do mundo.

Se, como afirma o prof. João Francisco Duarte Junior em seu livro ‘ Por que arte-educação ‘, “no interior da própria escola a arte continua a ser encarada como mero lazer, uma distração entre as atividades úteis das demais disciplinas”, no cotidiano de um sem número de pessoas a arte é considerada como a maneira mais eficaz de despertar o indivíduo para o seu próprio processo de sentir e interpretar, sendo um componente da educação, desenvolvimento e inserção social das pessoas.

 Assim, naturalmente, esta grande transformação teria também que chegar às artes.

Ora, sabemos que o melhor da Internet é que ela é um recurso de comunicação ilimitado. Ao conectar-se à Internet, você se junta a uma rede que integra tudo. Essa diversidade caberá inteira dentro dos grupos de discussão, nos fóruns ou nos chats (salas de bate papo) e, neste ambiente onde cada um pode expor sua visão de mundo, o iniciante em artes não necessitará de respostas prontas, e sim de uma orientação que não o leve ao adestramento, através de meras cópias impensadas, mas que o provoque a buscar a sua maneira.

Como os conteúdos em e-Learning podem ser oferecidos através de diversas ferramentas, o aluno em tempo real ou mesmo através de mecanismos como um simples serviço de e-mail, é levado à experimentação podendo sentir o grande prazer da produção artística, dividindo com o grupo a sua experiência e tendo no professor apenas um facilitador com um comprometimento humano capaz de incentivá-lo em suas descobertas e apoiá-lo em suas dúvidas técnicas.

Ao iniciar um pensamento sobre o e-Learning aplicado especificamente ao campo das artes plásticas, visualizamos três tópicos instigantes:

- até que ponto um artista, cuja legitimação da sua atuação se deu através da participação em exposições coletivas ou outras atividades afins, poderia se colocar como um professor, sem a necessária formação para educação?

- continuando: até que ponto um professor graduado, porém sem a prática imprescindível ao fazer artístico, poderia se colocar como professor de arte?

-
completando, como estes dois profissionais poderiam atuar dentro de um processo de e-Learning
onde são envolvidos conhecimentos de webdesigners necessários para se formatar um curso na web?

Resolvidos estes três tópicos, nos restaria ainda pensar no que seria necessário ao aluno para que pudesse desfrutar de um aprendizado à distância em matéria tão controvertida. 

Inicialmente é preciso entender que não basta oferecer informação na rede para se fomentar uma aprendizagem real. Ao contrário do ensino tradicional, o ensino na rede é centrado no aluno e, em se tratando de arte encontraremos aí dificuldades curiosas, não ao despertar a atenção do indivíduo para a sua maneira pessoal de pensar o mundo, mas na artesania em si, por exemplo, como ensiná-lo a pegar um pincel?

Esta coluna buscará incentivar soluções para estas dúvidas no sentido de ser mais uma fonte de pesquisa para professores e interessados em ensinar arte ou, melhor dizendo, em aprimorar um saber coletivo sobre o fazer artístico.

 

Artista, professor ou webdesigner?

 

Ao optarmos pelo e-Learning no ensino das artes, teremos que entender que, ou estudamos e nos aprofundamos nos três aspectos envolvidos ou formamos uma equipe.

 

Apesar da grande quantidade de softwares lançados no mercado para facilitar a adequação de professores a esta nova realidade, para algumas pessoas a EaD apresenta a desvantagem da ausência do contato visual e auditivo entre professor e estudante. Isso implica na necessidade de se expressar e intercambiar idéias por escrito. Neste caso apenas um FAQ.(Frequently Asked Questions) não será o suficiente. Entendo que será imprescindível não apenas conhecer a teoria da arte, mas estar apto a socorrer o aluno em suas dificuldades com clareza de informações e imagens.

Explicar claramente os conceitos, guiar o aluno a tarefas através das quais os conceitos se tornem situações verdadeiras, interagir com o estudante em situações diferentes e finalmente oferecer um feedback orientando para novos experimentos, será a seqüência adequada ao projeto.

Então além do conhecimento teórico, da segurança de longo período de prática, conhecimentos na manipulação do Word e de um programa de imagens, assim como do uso da digitalização de imagens serão imprescindíveis ao professor que se dedicar a esta tarefa.

Por outro lado, todo este investimento será minorizado uma vez que um curso pode ser aplicado para grupos numerosos sem as limitações físicas de uma aula tradicional. Da mesma maneira, um mesmo conteúdo poderá ser reutilizado indefinidamente por um grande número de usuários, diminuindo sensivelmente custos e tempo gasto.

Não existem receitas prontas, mas uma velha luta para transformar o conhecimento individual em experimento coletivo e vice-versa.


Referências Bibliográficas:

(1) DUARTE JUNIOR, João Francisco – Por que Arte-Educação .Campinas: Papirus,1988.

(2) SADDI, Maria Luiza Saboya - Arte contemporânea e o ensino contemporâneo em arte: a proposta do ensino produtor em arte.

(3) LACOSTE, Jean – A Filosofia da Arte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986. 2.

 

Publicado em 13/03/2004

 

 

e-mail para marcação de consulta: simaia@psicopedagogiabrasil.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
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Revisado em: 10/06/2011