PSICOPEDAGOGIABrasil

       Prazer em aprender

 

           

  :: MENU

  Home

  Contato

  Encontre um especialista

  Cadastre seu consultório

  Cursos

  Eventos

  Sobre a Psicopedagogia

  Breve Histórico

  Artigos: Simaia Sampaio

  Artigos: colaboradores

  Regulamentação       

  Código de ética da Pp

  Provas operatórias

  Termos e significados

  Temas para monografia

  Distúrbios 

  Entrevistas 

  Dica de livros

  Vídeos (dstúrbios)

  Biografias

  Florais de Bach

  Trava línguas

  Brincadeiras e cantigas

  Sites de pesquisa 

Simaia Sampaio

 Psicopedagoga clínica

Responsável pelo site

  » Marcação de consulta 

Simaia Psicopedagoga

 

Informática como uma abordagem psicopedagógica

 

Mônica Nogueira da Costa Figueiredo

 

Pedagoga; Psicopedagoga; Professora do Departamento de Educação da Universidade Gama Filho, professora da Disciplina Informática Educativa para o curso de Letras e Pedagogia; Professora de Psicopedagogia Institucional pela Universidade Castelo Branco.

E-mail: monicafigueiredo@click21.com.br

 

Resumo

O computador é um grande recurso educacional capaz de auxiliar as possíveis “dificuldades de aprendizagem” que possam surgir.

O objetivo deste artigo é justamente este, apresentar um recurso que pode auxiliar o professor no seu trabalho, permitindo que os ditos “problemas de aprendizagem” possam ser amenizados diante de uma boa relação estabelecida e do uso correto deste recurso.

Na maioria das vezes que utilizamos, ficamos preocupados com o que ele oferece para prender a atenção do aluno ou ao conteúdo que está sendo trabalhado nele. Esquecemos, todavia, de perceber o que ele está trabalhando cognitivamente.

É possível trabalhar dentro do processo ensino-aprendizagem com sensibilidade e conhecimentos adequados para auxiliar as possíveis dificuldades surgidas.

Algumas destas dificuldades podem até vir a serem solucionadas no ambiente escolar, minimizando a grande freqüência de encaminhamentos feitos a consultórios, diminuindo, assim, o desgaste da criança e família.

Veremos de que forma a Informática Educativa pode auxiliar um professor em sala de aula, com algumas noções do conhecimento Psicopedagógico.

Introdução

Hoje em dia, imaginar a tecnologia envolvida com o processo de aprendizagem não significa uma impossibilidade, mas infelizmente muitos ainda não compreenderam como ela pode funcionar de uma forma a trazer qualidade ao processo de aprendizagem. Ainda preocupam-se em responder a um apelo da sociedade e não às necessidades reais do aprender.

Vários recursos tecnológicos são utilizados e aceitos, mas quando se fala de computador parece que todos tremem e não conseguem enxergar o que ele pode trazer de benefícios para a aprendizagem. Este recurso, o computador, com seus softwares educacionais podem, não só auxiliar, como minimizar os possíveis problemas que possam surgir, isto é, prevenir.

O computador é mais um recurso, que assim, como os outros, não deve ser desgastado. Nem tudo precisa ser trabalhado no computador. O uso excessivo faz com que sua prática não seja muitas vezes adequada. Às vezes, é preferível utilizar outro recurso que vá atender muito mais aquele objetivo que quer se desenvolver no momento, do que usá-lo. Por lidar com uma realidade virtual, o computador não pode ser utilizado de forma a ameaçar a própria realidade, deverá ser utilizado para fortalecê-la. Este não substitui, por exemplo, a manipulação do concreto, indispensável ao processo.

Segundo Tikhomirow, o computador deve ser visto como instrumento de aprendizagem. Ele é o mediador entre o nosso pensamento e as ações. Transforma o raciocínio em coisas manipuláveis. Não desaparece com o pensamento humano, mas reorganiza-o.

Vale ressaltar que com o computador a interdisciplinaridade, tão valorizada, pode ser desenvolvida e trabalhada tanto nos projetos de criação, quanto nos softwares fechados. As informações podem ser relacionadas, como na vida real, sem haver etapas estanques, de uma forma lúdica. As propostas não são compartimentalizadas.

“O desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem”. (Fernández, 2001).

O vínculo é algo extremamente importante no processo de aprendizagem. Com este ponto, então, o computador torna-se facilitador, pois, de maneira geral, atrai as atenções das crianças fazendo com que fiquem voltadas a ele e interessadas no seu trabalho. A maioria gosta de estar diante de uma máquina, isto acaba sendo um ponto positivo para o recurso que acaba atraindo a atenção das crianças que nem percebem estar no processo de aprendizagem. 

Uma abordagem Psicopedagógica

Segundo Vygotsky (1982), a atividade criadora é uma manifestação exclusiva do ser humano, pois só este tem a capacidade de criar algo novo a partir do que já existe.

O ser humano é capaz, de partindo de uma situação real criar novas situações futuras. Logo, a ação criadora vai surgir do fato dele não estar acomodado na situação presente e buscar equilíbrio na construção de algo novo.

É importante que exista a oportunidade de desenvolver esta ação criadora. O papel do computador é justamente ser auxiliador no desenvolvimento de atividades que ajudam na ordenação e coordenação de suas idéias e manifestações intelectuais.

Os softwares educacionais apresentam diversas oportunidades de trabalho com crianças de várias faixas etárias.

Eles criam um ambiente de aprendizagem em que o lúdico, a solução de problemas, a atividade reflexiva e a capacidade de decisão são privilegiados.

Desenvolvem a aprendizagem ativa, controlada pela própria criança, já que permitem representar idéias, comparar resultados, refletir sobre sua ação e tomar decisões, depurando o processo de aprendizagem.

Seymour Papert, discípulo de Piaget, entusiasmado com o construcionismo deste, passou a aprofundar sua pesquisa das estruturas intelectuais. Para ele, nós nos motivamos a aprender o novo quando este tem alguma ligação com um conhecimento prévio ou significativo para nós. Acreditou que com a informática poderia desenvolver mudanças significativas na área educacional. Para isto, desenvolveu a linguagem de programação Logo.

Com a linguagem Logo se consegue dar os comandos e perceber suas ordens sendo obedecidas ou não. Não sendo aquele o seu objetivo inicial, pode-se voltar e remanejar seus comandos. É um processo de vai-e-vem constante das idéias. Isto traz resultados não só no lado cognitivo, como também no afetivo, trabalhando inclusive sua auto-estima. A capacidade de fazer suposições intuitivas e análises lógicas destas intuições demonstra alguns dos estágios e mecanismos usados pelo cérebro durante a utilização de algum programa. Este software é aberto, considerado de autoria.

Segundo Valente (1998), diante de uma situação problema, o aprendiz tem que utilizar toda sua estrutura cognitiva descrevendo para o computador os passos para a resolução do problema, utilizando uma linguagem de programação. A descrição da resolução do problema vai ser executada pelo computador. Essa execução fornece um “feedback” somente daquilo que foi solicitado à máquina. O aprendiz deverá refletir sobre o que foi produzido pelo computador; se os resultados não corresponderem ao desejado, o aprendiz tem que buscar novas informações para incorporá-las ao programa e repetir a operação.

Os softwares fechados são aqueles em que não há intervenção da criança, apenas participação nas ações já previamente estabelecidas. Neles, encontramos jogos e desafios.

O jogo, por exemplo, gera prazer e interesse, ao mesmo tempo auxilia na aquisição do auto conhecimento, ensina a lidar com símbolos e a pensar por analogia. A criança passa a entender regras e lidar com elas. Ele trabalha a formação de conceitos e de desenvolvimento de habilidades para a construção de significados, estimulando a curiosidade e a investigação, por meio de diferentes modos de representação.

O jogo é um importante instrumento didático que pode e deve ser utilizado na educação institucional.

Os softwares fechados são muito positivos em vários casos, um exemplo é daquelas crianças com dificuldades para criação e medo do novo. Com este tipo de software ela vai seguir passo a passo o que deve ser feito, até se familiarizar com o recurso e só depois, então, poder passar para os abertos.

Alguns outros softwares são abertos, aqueles em que a participação da criança é ativa, incluindo a programação (como os da linguagem Logo). Nestes, o aprendiz pode intervir, e além de utilizar as diversas estruturas cognitivas já descritas anteriormente, trabalha também a criatividade e parceria.

A presença do professor é fundamental para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra, pois ele será mediador e estimulador deste processo. Um software por si só não promove aprendizagem, e sim, apenas, a articulação do pensamento.

A informática, quando utilizada num enfoque psicopedagógico, é um instrumento importante para facilitar a construção das funções: percepção, cognição e emoção. Ela possibilita o desenvolvimento do aprendiz unindo corpo-mente-emoção.  

Estimula ainda funções neuropsicomotoras que envolve diferentes aspectos: discriminação e memória auditiva e visual; memória seqüencial; coordenação viso-motora; ativação dos dois hemisférios cerebrais (textos e imagens de forma combinada); orientação espaço/temporal; controle de movimentos.

A cognição é trabalhada através da capacidade de representação, passando do virtual para o real; simbolismo (através dos ícones); resolução de problemas; criatividade e imaginação; leitura e escrita.

Na área da emoção, o uso de recursos da informática favorece a autonomia e independência; trabalha o erro de maneira construtiva, elevando a auto-estima; exige limites levando ao controle da ansiedade; o trabalho é motivador, pois permite a consciência da própria cognição, atenção e memória.

Além destes fatores, ainda desenvolvem a curiosidade, a autonomia, a rapidez de interpretação e resposta, a organização na realização das tarefas, desenvolvimento lógico-temporal e a concentração para perceber o que deve ser feito. 

Conclusão

Não existe um único motivo para o fracasso escolar ou para as dificuldades, mas alguns destes problemas podem ser ajudados não acionando, assim, tantos outros que possam vir a surgir por um relaxamento ao sintoma inicial.

Separar o aluno com suas dificuldades ou simplesmente rotulá-lo é fácil, o difícil é ter a percepção necessária no momento, para auxiliá-lo a ultrapassar esta fase.

O computador pode auxiliar o processo da descoberta de aprender a aprender, onde existe o respeito ao tempo individual do sujeito e a percepção de suas dificuldades. Isto permite que o aluno consiga superá-las através de sua própria análise, sem necessariamente depender do outro para isto.

Além disso, tudo, o computador exerce um grande interesse em crianças e jovens. Existe uma grande atração pela tecnologia. De frente ao computador a criança relaxa e esquece que aquele também é um processo de “ensinagem”.

O computador não pode deixar de estar inserido num contexto desafiador, pois senão não promoverá mudanças, nem crescimento.

O aluno adquirirá uma compreensão do significado e da utilidade daquilo que faz, pois ele é o agente criador e transformador do seu conhecimento.

Referências Bibliográficas

COSTA, Maria Luiza Andreozzi. Piaget e a Intervenção Psicopedagógica, São Paulo: Editora Olho d’Água, 2002.

FERNÁNDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada: Abordagem Psicopedagógica Clínica da Criança e Sua Família, Porto Alegre: Artmed Editora, 1991.

Informática Educativa. Disponível em:

<www.carlrogers.com.br/info/default_proposta.html> acesso em março de 2003.

MEIRA, Michelle de Castro. Fracasso Escolar: De Quem É a Culpa?. Disponível em: <http://www.divinopolis.uemg.br/revista-eletronica/revista-eletronica3/artigo12-3.htm> acesso em abril de 2003.

OLIVEIRA, Vera Barros de. Informática em Psicopedagogia, 2ª edição, São Paulo: Editora SENAC, 1999.

Piaget. Disponível em: < www.psicopedagoga.hpg.ig.com.br/piaget.htm> acesso em março de 2003.

SCATTONE, Cristiane. O Software Educativo; Sem Medo De Errar. Disponível em:

<http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=525> acesso em abril de 2003.

VIEIRA, Fábia Magali Santos. A Utilização das Novas Tecnologias na Educação numa Perspectiva Construtivista. 22ª Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros Núcleo de Tecnologia Educacional – MG7 – ProInfo – MEC

VITORINO, Janete Leony.O trabalho psicopedagógico e a aprendizagem segundo a abordagem Vygotskyana. Disponível em:

<http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/otrabalhopsicopedagogico.htm> acesso em março de 2003.

WEISS, Alba Maria Lemme, CRUZ, Mara Lúcia R. M. da. A Informática e os Problemas Escolares de Aprendizagem, Rio de Janeiro: DP&A editora, 2001

WEISS, Maria Lúcia L. Psicopedagogia Clínica: uma Visão Diagnóstica, 2ª edição, Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

ZACHARIAS, Vera Lúcia Câmara F. Construção do Conhecimento. Disponível em: <www.centrorefeducional.pro.br/conheci.html> acesso em março de 2003.

Publicado em 21/04/2007

 

 

e-mail para marcação de consulta: simaia@psicopedagogiabrasil.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
© 2004 [Psicopedagogiabrasil]. Todos os direitos reservados.
Revisado em: 10/06/2011