Introdução
No cotidiano da sala
de aula nos deparamos com alunos agitados, que arrancam os brinquedos de
seus colegas, andam de um lado para o outro e não conseguem ficar muito
tempo sentado, no mesmo lugar. Nunca terminam as tarefas solicitadas. Em
algumas vezes chegam a ser agressivos. Esse comportamento, geralmente
confundido com indisciplina, é característico de um distúrbio de atenção
que, de acordo com Gentile (2000), atinge 5% das crianças e adolescentes
de todo o mundo: a hiperatividade. Conhecer os sintomas e aprender a lidar
com esse problema é uma obrigação de qualquer professor que não queira
causar danos a seus alunos. Afinal, a demora em diagnosticar o caso pode
trazer sérias conseqüências para o desenvolvimento da criança.
Esse artigo busca
orientar pessoas, principalmente, pais professores sobre o TDAH. Ele
aborda a história, o que é hiperatividade, seus sintomas, medicamentos,
como prevenir e a intervenção do professor e de profissionais como o
psicólogo, neurologista e o psicopedagogo.
Todavia, relata como
tratar alunos com indisciplina ou falta de limites. Por isso, muitas vezes
cabe ao professor perceber a agitação do aluno. Se ela persistir deverá
procurar ajuda da escola e posteriormente encaminhar para outros
especialistas da área.
Com efeito, observei
seis alunos de primeira série com queixa de déficit de atenção e agitação.
Com a ajuda de uma psicóloga realizamos um questionário elaborado pela
psicóloga Edyleine, (2000), TDAH-Escala de Transtorno de Déficit de
Atenção/ hiperatividade para fazer uma previsão do suposto transtorno.
Conforme relatos da
autora só o diagnóstico da escala usada não é o suficiente para detectar o
problema, mas pode ser encaminhada para posterior investigação. Com o
resultado procurei bibliografias para ajudar pais e professores a
conviverem ou amenizarem o transtorno.
Com isso, o trabalho
ficou assim divido: História do TDAH; Conceito do que é Hiperatividade;
Tratamento convencional; Alguns fatos sobre a hiperatividade; Quadro
clínico; Diagnóstico, orientação à escola e prognóstico; Indisciplina da
classe; Metodologia; Resultado e discussão; Sugestões para intervenção do
professor; O papel da psicopedagogia; Conclusão, Referências
bibliográficas.
História do
TDAH-Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
As primeiras
referências aos transtornos hipercinéticos na literatura médica aparecem
na metade do século XIX. Entretanto, somente no início do século XX
começou-se a descrever o quadro clínico de uma maneira mais
sistemática.(PETRY, 1999).
Para Arlete Petry
(1999), na década de 1940, falava-se em lesão cerebral mínima. A partir de
1962, passou-se a utilizar o termo disfunção cerebral mínima,
reconhecendo-se que as alterações características da patologia
relacionam-se mais a disfunções em vias nervosas do que propriamente a
lesões nas mesmas. Na década de 80, com surgimento da terceira edição do
DSM-III, (Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais),
cunhou-se o termo distúrbio de déficit de atenção, que podia ou não ser
acompanhado de hiperatividade. Mas, como continuou o debate, em 1987, com
a organização do DSM-IV, voltou-se a dar maior ênfase a hiperatividade,
modificando o nome da patologia para distúrbio de hiperatividade com
déficit de atenção. Em 1994, o pêndulo voltou-se para o centro e a
patologia passou a ser designada distúrbio de déficit de atenção e
hiperatividade.
Segundo Nass e Ross
(apud, PETRY, 1998) a nomenclatura brasileira mais recente, é utilizado o
termo transtorno em vez de distúrbio, ou seja, transtorno de déficit de
atenção e hiperatividade (TDAH).
A etiologia para os
autores não é específica. Incluem-se causas pré-natais (como as
decorrentes do álcool na gestação, prematuridade), perinatais (anoxia ou
hemorragia intracraniana etc) e pós-natais (seqüelas de doenças no início
da infância, como encefalites, meningites, traumatismo crânio-encefálico
etc). Fatores ambientais decorrentes de baixo nível sócio-econômico podem
interferir na etiologia também.
Segundo Bierdeman e
seus colaboradores (apud, Arlete Petry), os aspectos genéticos são
significantes, principalmente entre os meninos. Eles verificaram que 20%
dos pais e 21% dos irmãos de crianças com TDAH também eram acometidos por
esta afecção.
O Que é a
Hiperatividade
A hiperatividade,
segundo Lancet (1998) denominada na medicina de desordem do déficit de
atenção, pode afetar crianças, adolescentes e até mesmo alguns adultos. Os
sintomas variam de brandos a graves e podem incluir problemas de
linguagem, memória e habilidades motoras. Embora a criança hiperativa
tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é
caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores
e pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção,
impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da
criança.
O comportamento
hiperativo pode estar relacionado a uma perda da visão ou audição, a um
problema de comunicação, como a incapacidade de processar adequadamente os
símbolos e idéias que surgem, estresse emocional, convulsões ou distúrbios
do sono. Também pode estar relacionado à paralisia cerebral, intoxicação
por chumbo, abuso de álcool ou drogas na gravidez, reação a certos
medicamentos ou alimentos e complicações de parto, como privação de
oxigênio ou traumas durante o nascimento. Esses problemas devem ser
descartados como causa do comportamento antes de tratar a hiperatividade
da criança
O verdadeiro
comportamento hiperativo interfere na vida familiar, escolar e social da
criança. As crianças hiperativas têm dificuldade em prestar atenção e
aprender. Como são incapazes de filtrar estímulos, são facilmente
distraídas. Essas crianças podem falar muito, alto demais e em momentos
inoportunos. As crianças hiperativas estão sempre em movimento, sempre
fazendo algo e são incapazes de ficar quietas. São impulsivas. Não param
para olhar ou ouvir. Devido à sua energia, curiosidade e necessidade de
explorar surpreendentes e aparentemente infinitas, são propensas a se
machucar e a quebrar e danificar coisas.
As crianças
hiperativas toleram pouco as frustrações. Elas discutem com os pais,
professores, adultos e amigos. Fazem birras e seu humor flutua
rapidamente. Essas crianças também tendem a ser muito agarrado às pessoas.
Precisam de muita atenção e tranqüilização. É importante para os pais
perceberem que as crianças hiperativas entenderam as regras, instruções e
expectativas sociais. O problema é que elas têm dificuldade em
obedecê-las. Esses comportamentos são acidentais e não propositais.
Para Lancet (1998), a
criança hiperativa quando sai com sua família, uma ida a um parque de
diversão ou supermercado pode ser desastrosa. Há simplesmente muita coisa
acontecendo, muito estímulo ao mesmo tempo. Devido à sua incapacidade de
concentrar-se e ao constante bombardeamento de estímulos, a criança
hiperativa pode ficar estressada.
A criança hiperativa
pode ter muitos problemas. Apesar da "dificuldade de aprendizado", essa
criança é geralmente muito inteligente. Sabe que determinados
comportamentos não são aceitáveis. Mas, apesar do desejo de agradar e de
ser educada e contida, a criança hiperativa não consegue se controlar.
Pode ser frustrada, desanimada e envergonhada. Ela sabe que é inteligente,
mas não consegue desacelerar o sistema nervoso, a ponto de utilizar o
potencial mental necessário para concluir uma tarefa a criança hiperativa
muitas vezes se sente isolada e segregada dos colegas, mas não entende por
que é tão diferente. Fica perturbada com suas próprias incapacidades. Sem
conseguir concluir as tarefas normais de uma criança na escola, no
playground ou em casa, a criança hiperativa pode sofrer de estresse,
tristeza e baixa auto-estima.
Um especialista em
comportamento infantil pode ajudá-lo a distinguir entre a criança
normalmente ativa e enérgica e a criança realmente hiperativa. As crianças
até mesmo as menores podem correr, brincar e agitarem-se felizes durante
horas sem cochilar, dormir ou demonstrar qualquer cansaço. Para garantir
que a criança realmente hiperativa seja tratada adequadamente e evitar o
tratamento inadequado de uma criança normalmente ativa é importante que
seu filho receba um diagnóstico preciso.
Segundo a equipe abc
de saúde, durante a primeira ou a segunda consulta médica, a criança
hiperativa pode ser comportar de forma quieta e educada. Sabendo o que é
esperado, pode se transformar em uma criança "modelo". Devemos estar
preparados para descrever, de forma precisa e objetiva, o comportamento da
criança em casa e nas atividades sociais. Se uma criança está encontrando
dificuldade na escola, o professor que converse com o médico ou envie-lhe
um relatório por escrito. Pode ser preciso várias consultas antes que o
comportamento hiperativo torne-se aparente. Não devemos nos preocupar,
pois um especialista em crianças, geralmente, pode realizar um diagnóstico
preciso.
Ao tratar da criança hiperativa, a nossa meta é ajudá-la a fazer o melhor
possível, em casa, na escola, e com os amigos. Lembremo-nos sempre de que
a criança estará lutando com todas as forças para superar uma deficiência
do sistema nervoso. É preciso dizer aos pais que não se sintam
envergonhados ou culpados quando seu filho não se comportar bem.
Os pais da criança hiperativa merecem muita consideração. É preciso muita
paciência e vigor para amar e apoiar a criança hiperativa em todos os
desafios e frustrações inerentes à doença. Os pais da criança hiperativa
estão sempre preocupados e atentos, sempre "em alerta". Conseqüentemente,
é fácil sentirem-se cansados, abatidos e frustrados, às vezes. É de
importância vital para os pais da criança hiperativa serem bons consigo
mesmos, descansar quando apropriado, além de buscar e aceitar o apoio para
eles e para o filho.
Tratamento
Convencional
Conforme Abrichaim
(2001) antes de qualquer tratamento, um exame físico deve se feito para
descartar outras causas para o comportamento da criança, tais como
infecção crônica do ouvido médio, sinusite, problemas visuais ou auditivos
ou outros problemas neurológicos.
O metilfenidato é o
medicamento mais comumente receitado para hiperatividade. É um estimulante
que tem efeito paradoxal de acalmar o sistema nervoso e aumentar a
capacidade da criança hiperativa de prestar atenção. Contudo, os pais não
devem deixar de verificar com seu médico antes de parar de dar esse
medicamento a seu filho.
Conforme Abrichaim
(2001), a tioridazina é um tranqüilizante ao qual se pode recorrer se a
criança for extremamente agressiva e, nesse caso, apenas nas situações
mais difíceis.
Na maioria das
circunstâncias, o medicamento para a hiperatividade pode ser interrompido
durante o verão e retomado quando as aulas começarem novamente, após as
férias. Essa conduta pode limitar alguns dos efeitos colaterais
prolongados desses medicamentos. Após um verão sem medicamento, talvez
seja útil deixar que o aluno freqüente as primeiras semanas de aula sem
qualquer medicação. Considere esse período como um teste para determinar
se a criança pode passar sem o medicamento. (Os pais devem conversar
sempre com o médico antes de descontinuar qualquer tratamento, durante
qualquer período de tempo).
Quanto à prevenção,
Abrichaim (2001), diz que é importante ressaltar que durante a gestação, a
mãe deve manter-se longe da exposição de chumbo ambiental ao mínimo
possível e eliminar o álcool. O dois tem sido relacionado a
hiperatividade.
A futura mamãe não
deve deixar que seu filho se exponha ao chumbo. As fontes mais comuns de
exposição ao chumbo são tinta à base de chumbo, água potável e cerâmica
mal esmaltada.
Alguns fatos
sobre a Hiperatividade
A equipe abc de saúde
relata que embora muitos pais de crianças enérgicas perguntem aos médicos
sobre a hiperatividade, ela não é problema comum. De acordo com um artigo
publicado no British Journal of Psychiatry, apenas 3% das crianças são
realmente diagnosticadas com a desordem do déficit de atenção. A
hiperatividade é dez vezes mais comum nos meninos do que nas meninas.
A
causa ou causas exatas da hiperatividade é desconhecida. A comunidade
médica teoriza que a desordem pode ser resultado de fatores genéticos;
desequilíbrio químico; lesão ou doença na hora do parto ou depois do
parto; ou um defeito no cérebro ou sistema nervoso central, resultando no
mau funcionamento do mecanismo responsável pelo controle das capacidades
de atenção e filtragem de estímulos externos. Metade das crianças
hiperativas tem menos problemas comportamentais quando seguem uma dieta
livre de substâncias como flavorizantes, corantes, conservantes, glutamato
monossódico, cafeína, açúcar e chocolate.
Quadro
Clínico
Kaplan e Sadock
(1984), nos ensinam que não há características físicas específicas na
TDAH. A sintomatologia tem início antes dos sete anos de idade. Os marcos
desse quadro são: desatenção, impulsividade e hiperatividade.
Além desses, podem
ser acrescentadas às dificuldades na conduta e ou problemas de aprendizado
associados a discretos desvios de funcionamento do sistema nervoso
central.
Segundo o autor
citado acima o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade podem
fazer seu aparecimento nos primeiros dias de vida. Um recém-nascido já
afetado pode ser exageradamente sensível a estímulos e responder a eles de
forma indiferenciada, maciça e adversa.
É
comum que a criança seja ativa no berço, durma pouco e chore muito, quando
já passados os meses iniciais. O bebê freqüentemente sai do berço cedo,
apesar das tentativas dos pais para impedirem sua saída. Uma vez fora do
berço, tente agir, geralmente apalpando, quebrando ou destruindo objetos.
Os pais queixam-se de não ser ele capaz de manter-se parado ou sentar-se,
calmo, numa cadeira.
Acredito que a
criança é incapaz de ficar sem ter uma atividade motora desnecessária. Com
isso, incomoda e importuna quem a cerca. Às vezes, a hiperatividade motora
é acompanhada pela verbal e a ideativa. Assim, a criança não consegue
manter a atenção, as idéias fogem e a produção intelectual diminui. É
interessante que, em atividades livres (no recreio, em atividades
esportivas), a criança hiperativa não destoa daquelas ditas normais.
Na realidade, a
hiperatividade seria devido mais à incapacidade de manter a atenção,
conforme Reed e seus colaboradores.(apud PETRY, 1999).
Quando em ambientes
estruturados por limites sociais a criança hipercinética tem muita menos
probabilidade de reduzir suas atividades locomotoras que as outras
crianças.
Freqüentemente, a
desatenção leva à distração, ao sonhar acordado e à dificuldade de
perseverar numa única tarefa por um período prolongado de tempo. Como a
atenção é desviada de um estímulo para outro, essa criança freqüentemente
deixa pais e professores com a impressão de que não está ouvindo.
A impulsividade faz
com que ela tenha dificuldade de adiar uma gratificação. A criança fica
bastante suscetível a acidentes, cria problemas com os colegas e perturba
o andamento da aula. Ainda na escola, pode iniciar rapidamente um
trabalho, mas não terminá-lo. Pode ser incapaz de esperar sua vez de ser
chamada e responder pelos outros.
Cléber da Silva
(1999) comenta que para Reed e seus colaboradores, além dessas
características básicas do quadro clínico, outros problemas são comuns que
estejam presentes, como:
1. Problemas de
conduta, através de explosões de cólera e passando rapidamente do riso às
lágrimas. Seu humor e desempenho são geralmente variáveis e imprevisíveis.
Pode apresentar características de forte oposição e desafio;
2. Implicações
emocionais, tais como hipersensibilidade, baixas auto-estima e baixa
tolerância à frustração. O autoconceito negativo e as reações de
agressividade da criança são observados pela percepção de não estar certa
por dentro;
3. Problemas de
socialização, tendo dificuldades nos seus relacionamentos interpessoais,
por não aceitar críticas, conselho ou ajuda e ser, muitas vezes, tirana;
4. Problemas
familiares, em conseqüência das insatisfações e pressões por parte do
adulto, pela inadequação do comportamento da criança. Além disso, as
dificuldades escolares ou de aprendizagem são fatos que normalmente muitas
frustrações trazem aos pais. Muitas vezes a criança torna-se ponto de
discórdia familiar.
5. Comprometimento
das habilidades cognitivas, manifestando-se em dificuldades de
organização, de resoluções de problemas, no retardo do desenvolvimento da
linguagem, na dislexia, na disgrafia e na discalculia;
6. Problemas
neurológicos; quando a criança, em geral, tem incoordenação motora (é
desajeitada), tem impersistência motora (incapacidade de manter
determinada postura ou posição por algum tempo), apresenta sincinesias
freqüentes, distúrbios da fala (dislalia etc.), dificuldades gnósicas
(inclusive na formação do esquema corporal) e práxicas. Esses pacientes,
em geral, apresentam inteligência normal.
Diagnóstico,
orientação à escola e prognóstico.
De acordo com
Marilene Travi (1999), o processo de avaliação envolve a coleta de dados
com os pais, com a criança e com o professor. Deve-se para firmar o
diagnóstico, solicitar avaliação interdisciplinar, incluindo a neurológica
infantil, psicológica e psicopedagógica. Convém ressaltar que o enfoque
diagnóstico varia, na prática, de acordo com cada caso. A partir dessa
avaliação, os profissionais decidirão as terapêuticas a serem adotadas.
Há alguns
procedimentos conforme ressalta Marilene (1999), que a escola pode adotar,
a fim de minimizar as dificuldades de um aluno com esse transtorno, assim
que for estabelecido o diagnóstico de TDAH. São eles: a) Reduzir, ao
mínimo os estímulos na sala de aula; b) Manter portas de armários
fechadas, a fim de que caixas, livros e demais materiais ali existentes
não distraiam a criança com suas cores, formas e tamanhos diferentes; c)
Sentar os alunos com esse transtorno longe de janelas e portas, pois esses
elementos são facilitadores de dispersão; d) ter um número reduzido de
alunos em sala de aula.
Essas sugestões não
têm por objetivo defender a criança de todos os estímulos, mas sim, na
medida do possível, criar um ambiente onde ela possa lidar corretamente
com um número limitado de estímulos.
Outros procedimentos
da escola são: ter atividades de ginástica que exijam coordenação de
movimentos; tornar-se um local de apoio à família e à criança, para que
elas se sintam integrantes da comunidade escolar, apoiadas para os
tratamentos necessários e respeitadas na sua diferença.
Quanto ao prognóstico
a psicóloga Arlete Petry (1999) comenta que as manifestações da TDAH em
geral, não desaparecem com a idade, gerando um adulto em circunstâncias
pouco favoráveis. Assim, certos pacientes desistem da escola ainda em
tenra idade e, inclusive, podem até se dedicar a atividades anti-sociais.
Com o tratamento que, em geral, é demorado e caro, o prognóstico é, na
maioria das vezes excelente.
Indisciplina
da Classe
Uma das dificuldades
mais comuns enfrentadas pelo professor é o que se costuma dizer ”controle
de disciplina”. Dizendo assim, dá a impressão de que existe uma chave
milagrosa que o professor manipula para manter a disciplina. Não é assim.
A disciplina da classe está diretamente ligada ao estilo da prática
docente, ou seja, a autoridade do professor, mais os alunos darão valor às
suas exigências.
A autoridade
profissional se manifesta do domínio da matéria que ensina e dos métodos e
procedimentos de ensino, no tato em lidar com a classe e com as diferenças
individuais, na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e
o trabalho docente.
Segundo Libâneo
(2001), a autoridade moral é o conjunto das qualidades de personalidade do
professor: sua dedicação profissional, sensibilidade, senso de justiça,
traços de caráter.
Crianças
excessivamente inquietas, agitadas, com tendência à agressividade, que se
destacam do grupo pela dificuldade de aceitar e cumprir as normas, ás
vezes, não conseguindo produzir o esperado para sua idade, representam um
desafio constante para suas famílias e a escola.
Certa dose de
teimosia é normal em toda criança e faz parte do processo evolutivo
infantil. Porém, quando teimar, enfrentar e desafiar tornam-se hábito
persistente e exacerbado no cotidiano da criança, acompanhado de atitudes
agressivas, isso sugere um distúrbio-sinal de alguma coisa não está
funcionando bem na sua relação com os pais, com ela mesma e com o mundo, e
as causas devem ser buscadas.
Acredito que o
primeiro passo da família ou do professor seria observar se esse estado de
agressividade ou hiperatividade se instale de forma permanente ou se é um
estado temporário (circunstancial) e se a criança apresenta, em casa,
dificuldades em se relacionar, falar, expressar emoções, entre outras.
Depois, observar como ela brinca, se persiste nas atividades se brinca
mais sozinha ou com outras crianças. É preciso refletir, também, sobre o
clima familiar, sendo o que está sendo exigido da criança e sobre a
capacidade de tolerância dos adultos para com as atitudes dela.
Muitas vezes, o
comportamento da criança pode ser confundido ou interpretado, por adultos
desavisados como teimosia. No entanto, esse é o modo dela expressar sua
curiosidade, sua ânsia por experimentar sensações e situações novas
(desafios), não conseguindo conter sua ansiedade. Vale considerar que cada
criança reage de acordo com sua personalidade.
Cardoso (1998),
relata que caso seja constatada uma conduta acentuada e permanente, cabe
além dessa simples observação, buscar um entendimento mais profundo de seu
significado, através da consulta de um especialista, com o objetivo de
investigar se essa conduta possui uma causa orgânica, de fundo físico, o
que sugere um tratamento neurológico e ou/ psicológico, ou se é uma
influência do meio em que a criança vive. A teimosia e a ausência de
limites podem estar mascarando uma insatisfação da criança com seu meio
ambiente e um desejo de mudá-lo; pode ser um protesto contra os pais ou
contra as relações conflitivas entre ele, e mesmo, encobrir uma carência
afetiva (necessidade de ser notada).
Nunca é demais
lembrar que não existe uma resposta pronta, uma solução rápida, uma
receita mágica que se ajuste a todos os casos e a todas as crianças,
porque a ausência de limites é apenas um sintoma que esconde o verdadeiro
problema. O adulto primeiro tem que descobrir o significado (aquilo que a
criança está manifestando através do sintoma) para depois ir a busca da
abertura de um canal de comunicação que lhe permita lidar com ela,
vincular-se afetivamente a ela. Para que isso aconteça, é muito importante
conhecer a criança, sua realidade social, percebê-la e ouvi-la (linguagem
verbal e não-verbal). Com um olhar e uma escuta também afetivos.
Com efeito,
precisamos nos perguntar o que significa estabelecer limite? O que deve
ser proibido e o que deve ser permitido? Quando uma conduta deve ser
tolerada? Até que ponto o adulto não está impedindo a autonomia da
criança, quando coloca um limite, uma norma? Não estará ele limitando a
criança, enquanto sujeito da própria história?
Acredito que o
estabelecimento de limites é algo indispensável para a formação de
personalidade infantil, pois isto significa dar a noção de realidade à
criança. Mas essa noção deve ser oportunizada com uma boa dose de
sensibilidade e bom senso e, às vezes, até tolerância, para não cair no
terreno dos excessos. É importante que o adulto estabeleça limites na
medida certa e no momento certo, pois o excesso de negativas é prejudicial
à formação e ao desenvolvimento da criança, porque pode vir a tolher sua
expansão motora, sua capacidade criativa e o exercício de sua maneira
peculiar de lidar (e desafiar) o mundo.
A psicóloga Simone
Muller Cardoso (1998), comenta que por outro lado, o excesso de tolerância
também o é. A frouxidão de compromissos não permite à criança o
desenvolvimento do senso crítico e a superação do egocentrismo e, ainda,
sugere a indiferença por parte dos adultos. Oferecer ampla autonomia pode
ser sinal de falta de interesse e/ou preocupação para com a criança.
Entendo que a criança
precisa compreender seus limites da sua independência e também ter a
sensação de a segurança de que os adultos (pais e professores) estarão
sempre disponíveis para ajudá-la a situar-se, podendo oferecer
referenciais, modelos. É importante considerar que todas as pessoas que
estão em contato com a criança estão servindo de padrão de identificação.
Percebe-se, contudo, que muitos educadores não servem de modelo
significativo de identificação para suas crianças: ou porque se sentem
inaptos para educar, pois não possuem conhecimento e habilidades e, por
isso, não demonstram firmeza em seus propósitos, ou porque temem exercer
autoridade (super protegem a criança), ou até, porque não, ajustam seus
conhecimentos e experiências à faixa etária da criança. Isso quer dizer:
não possuem entendimento sobre o desenvolvimento infantil, fazem
exigências que as crianças não estão aptas a cumprir.
A autora Simone
Cardoso (1998), ainda enfatiza que se deve pensar que o conceito de
autoridade é diferente do conceito de autoritarismo. Enquanto a autoridade
é indispensável para que a criança perceba seus pais e professores como
figuras fortes de apoio e identificação, internalizando-os de forma
positiva, como adultos capazes de auxiliá-la a controlar seus impulsos
destrutivos sem se sentir humilhada e com baixa auto-estima, o
autoritarismo usa de promessas e ameaças para impor, à força, um tipo de
comportamento à criança.
O ideal seria o
adulto criar as normas junto com a criança e as sanções ao não cumprimento
destas normas. Além de comprometê-la, responsabiliza-a pelas conseqüências
de seus atos, caso não as cumpra. É importante que ela possa cumprir a
norma ou deixar de participar da tarefa até que esteja se sentindo apta a
isso. Assim, o adulto a está auxiliando a tomar consciência das
conseqüências de suas atitudes. Não se trata apenas de suprimir um
comportamento indesejável (indução pelo medo, ou pela imposição), mas de
difundir a adesão ao comportamento desejado.
Não se trata de
colocar limites à afetividade (nos sentimentos da criança), mas na forma
de expressá-la, sem, com isso, dar adjetivos à criança, referindo-se ao
seu caráter. Trata-se de descrever o comportamento específico inaceitável
e os sentimentos do adulto a respeito dele. Deve-se cuidar para não usar
chantagem emocional com a criança.
Conforme observa o
psicanalista Gilberto Safra (apud, CARDOSO 1998) o uso freqüente desse
recurso para sensibilizar a criança faz com que ela pense que tudo o que
faz não é bom. Mais: ela se culpará por provocar dor
em quem mais ama.
Os psicólogos Gottman
e Declaire (1997), no seu livro: “A inteligência Emocional e a Arte de
Educar Nossos Filhos”, falam a respeito da expressão dos sentimentos da
criança, eles argumentam que o importante é que ela aprenda e os seus
sentimentos não são um problema, mas o mau comportamento, sim é um
problemão.
Os autores oferecem
algumas sugestões aos adultos, tais como: a) tentar perceber a emoção da
criança e ajudá-la a entender o que está sentindo; b) levar a sério os
sentimentos da criança; c) auxiliar a criança a nomear e verbalizar suas
emoções, utilizando palavras que ajudem a identificar o que sente; os
sentimentos negativos se dissipam quando a criança fala sobre suas
emoções, dá nome a elas e se sente compreendida.
Outras sugestões para
os pais e professores: a) o adulto deve apontar à criança o seu excesso.
Sempre que a criança está se excedendo, deve chamá-la para um ambiente
reservado, onde possa se acalmar e relaxar. Depois de mais calma,
conversar com ela sobre o seu comportamento, mostrando que o mesmo a está
prejudicando. Uma conversa franca e aberta é mais eficiente, às vezes, do
que uma punição; b) distinguir o que faz parte da personalidade da criança
(da sua maneira de ser) daquilo que seria ausência de limites. Em síntese:
conhecer a criança e seu funcionamento; c) não ceder aos apelos da
criança, não estimular a discussão nem demonstrar autoritarismo excessivo.
Ser firme e enérgico sem ser agressivo ou usar de força física. Não fazer
ameaças (principalmente se não cumpri-las) e não apelar para os gritos; d)
é importante o adulto não perder o autocontrole diante da criança,
mostrando-se seguro e confiante, e não tecer muitas justificativas a
respeito da negativa, porque isso aumenta a ansiedade da criança; e) ir a
busca das causas; se for o caso, buscar orientação de um especialista.
Com toda a teoria que
busquei entender nas referências bibliográficas, consegui ter uma noção
sobre o tema que quero a seguir trabalhar com os alunos, para então
verificar se esses alunos apresentam problemas de TDAH.
Metodologia
A minha pesquisa foi
quantitativa, devido ao estudo de caso que realizei para analisar o
percentil de TDAH dos alunos. Algumas crianças vivem no mundo da lua,
outras parecem plugadas na tomada, por esse motivo e por escutar queixas
de uma professora da primeira série de uma escola municipal, procurei
pesquisar sobre esse assunto para poder ajudá-la e poder buscar novas
informações sobre o assunto que hoje está em alta nos bancos escolares,
pois, alunos agitados e desatentos sempre causam muita preocupação, por
isso é preciso observá-los atentamente.
Mas não basta apenas
observá-las. É preciso apossar-se de instrumentos que de fato indiquem se
há algum transtorno nessas crianças.
Optei então, pela
escala da autora Edyleine Benczik (2000), na qual pudemos avaliar: Déficit
de Atenção; Hiperatividade/ Impulsividade; Problemas de Aprendizagem e
Comportamento Anti-social. A escala é composta de perguntas positivas e
negativas relacionadas com cada item acima citado.
Foram avaliadas pela
escala, seis crianças, sendo três meninas e três meninos, ambas com sete
anos de idade e estudam em uma Escola Municipal. Seus nomes são fictícios
para preservar a identidade dos alunos. A queixa da professora é de que
todos são agitados e apresenta dificuldades de atenção/ concentração.
Depois
de respondido pela professora, somei os pontos e conferi na tabela geral,
e em seguida na classificação de percentis, a qual nos diz que se o
percentil for até 25 pontos, o aluno está abaixo da expectativa, apresenta
menos problemas que a maioria das crianças. Se for de 26 a 75, o aluno
encontra-se na média ou dentro da expectativa. Quando o resultado superar
76 a 94, está acima da expectativa, o aluno apresenta mais problemas que a
maioria das crianças. Se ultrapassar a 95 percentis, há maior
probabilidade de apresentar o transtorno.
Convêm lembrar que só
o psicólogo pode fazer uma avaliação precisa sobre os alunos. Porém essa
pesquisa foi orientada por uma profissional, a qual comenta que se deve
advertir o professor quanto à leitura apurada e cuidadosa dos itens porque
estes estão dispostos de maneira diferente, sendo os itens negativos e os
positivos ao TDAH.
Outro cuidado, ainda
a ser tomado, é que o professor deverá conhecer o aluno por pelo menos
seis semanas. Dessa forma, evita-se uma observação inadequada da criança.
Caso o aluno tenha mais de um professor, pede-se a todos os professores
que preencham a escala, assim o psicólogo poderá compreender melhor quem
entende a conduta da criança como problemática e se há ou não consenso de
opiniões.
Outro fato é de que,
quem deve corrigir a escala é o psicólogo e não o professor. Ao professor
cabe apenas o preenchimento correto da escala, mediante uma observação
minuciosa. Ao psicólogo cabe orientar o professor quanto às instruções de
preenchimento correto da escala, a correção e a análise dos resultados.
Benczik (2000),
autora da escala comenta que os itens estão dispostos na escala em quatro
áreas para facilitar e proporcionar uma compreensão mais detalhada das
áreas em que a criança apresenta dificuldades e em que intensidade isso
ocorre. Depois de somado os pontos o avaliador pode conferir na tabela
geral, ou quando quer obter um resultado mais preciso pode recorrer à
tabela de crianças que estudam em escolas públicas ou particulares, ou
ainda se for do sexo masculino ou feminino. A margem de diferença é
mínima. (Tabelas em anexo).
Ela enfatiza que a
medida quantitativa permite ao profissional maior confiança para análise
dos dados e do quadro sintomatológico detectado, porém é importante que se
faça também uma avaliação qualitativa dos comportamentos apresentados no
ambiente escolar.
Resultados e
Discussão
O meu estudo com as
crianças, iniciou com a tabela de verificação por parte da professora. Com
essa tabela verifiquei se os alunos apresentam ou não dificuldades ou
transtornos. Logo após, realizei uma observação rápida
na sala de aula, para confirmar o diagnóstico. Em seguida trabalhei com os
alunos na hora atividade, retirando-os da sala para trabalhar atividades
diferentes os costumeiros da sala de aula. Após, coloco os resultados e
discussões sobre o trabalho realizado com os educandos nesses dias.
Conforme escala da
tabela geral de TDAH-versão professores (em anexo), usei as siglas:
DA-Déficit de atenção; H I-Hiperatividade e Impulsividade; PA-Problemas de
Aprendizagem e CS- Comportamento Anti- social. O resultado foi o seguinte:
Conforme a figura 1,
a aluna Kelly a apresentou déficit de atenção com um percentil de 75, isto
quer dizer que ela está na média ou dentro da expectativa. No que diz
respeito a hiperatividade/impulsividade o resultado foi de 95 percentil.
Neste caso, há maior probabilidades da aluna apresentar o transtorno.
Quanto a problemas de aprendizagem a aluna não apresenta dificuldades. Em
se tratando do comportamento anti-social, ela está dentro da média.

No caso de Ruth,
conforme (Figura 2), o percentil de déficit de atenção obteve um resultado
de 90, portanto ela pode apresentar mais problemas que a maioria das
crianças. No que tange a hiperatividade/impulsividade alcançou um
percentil de 90. Com esse resultado essa aluna também pode apresentar mais
problemas que as outras crianças. Ela apresenta dificuldades em relação à
aprendizagem. Quanto ao comportamento parece não apresentar problemas com
os colegas e a professora.

A aluna Deisi,
conforme (Figura 3), obteve um percentil de 95 na área de déficit de
atenção. Esse dado indica que essa criança apresenta um quadro severo de
desatenção, com grande possibilidade de transtorno. Quanto a
hiperatividade/impulsividade, Deisi apresenta sintomas em uma intensidade
preocupante (percentil=90). Também em relação à aprendizagem enfrenta
dificuldades. No comportamento social a aluna apresenta muitas
dificuldades em se relacionar com os colegas e a professora.
O aluno Allan, como
mostra a (Figura 4), só apresentou um percentil que chama atenção no caso
da hiperatividade/impulsividade, o qual atingiu o percentil de 90. Dessa
forma o aluno pode apresentar mais problemas que a maioria das crianças.

Conforme (Figura 5)
na área de déficit de atenção o aluno Ivan, pode apresentar maior
problemas que os outros alunos. Quanto a hiperatividade também chama a
tenção com o (percentil=95). Em relação à aprendizagem e ao comportamento
social, o aluno está dentro da expectativa de sua idade.
Na amostra da (Figura
6) o Rui apresenta maior probabilidade de apresentar problemas de
desatenção, pois, atingiu um percentil de 95. Em relação a
hiperatividade/impulsividade, está acima da expectativa, com isso
apresenta maior problemas que a maioria das crianças. Quanto à área da
aprendizagem Allan está com sérias dificuldades, precisa de mais ajuda. O
comportamento social está dentro da média esperada.
Benczik (2000),
autora da escala, nos lembra que só o uso dessa escala não permite-nos um
diagnóstico completo. Os dados obtidos tornam-se apenas um dos dados da
avaliação psicológica.
Esses resultados
obtidos refletem a opinião do professor sobre o comportamento da criança
no ambiente escolar. Sabemos que o profissional deverá investigar pelo
menos mais um contexto para auxiliar no diagnóstico para TDAH. Deve-se
investigar os pais, por exemplo, se esses sintomas aparecem também na
situação doméstica e em qual intensidade.
Depois de obter os
resultados, retirei os alunos envolvidos na observação para verificar se
eles apresentariam os problemas apresentados na sala de aula. Mediante
essa escala trabalhei com essas crianças dias alternados em sala separada.
Realizaram atividades como: pintura, jogos e dramatizações. Percebi que
esses alunos precisam de um acompanhamento paralelo de atividades, pois
estavam realizando uma atividade e já estavam pedindo o que iríamos fazer
adiante.
Em relação ao tempo,
o trabalho deve ser o mais curto possível, porque cansam facilmente. Eles
se mostraram inquietos durante todas as atividades, pareciam estar
elétricos.
Concordo com a
consultora Iza Locatelli (apud, FURTADO 2004) quando ressalta que a
principal característica dos alunos que possuem transtorno de déficit de
atenção é a dificuldade de se concentrar, de manter o foco. “Eles não
param quietos e são confusos na organização das idéias e dos trabalhos.
Fogem das tarefas que exigem esforço mental e se esquecem de cumprir
atividades diárias. Em sala de aula, causam a impressão de que não escutam
uma palavra do que é dito, pois estão sempre dispersos, ‘no mundo da Lua’.
Em geral passam de uma atividade a outra sem se concentrar em nenhuma
delas – e sem terminá-las”.
Alunos que apresentam
essa síndrome distraem-se com qualquer estímulo, como uma buzina de
automóvel ou uma pessoa que passa. Em brincadeiras e jogos, não dão
atenção às regras, se remexem na cadeira, falam demais e interrompem quem
está falando. Enfim, estão sempre “a mil”. É comum esses estudantes serem
excluídos do grupo e os professores perderem a paciência com eles. Por
isso, não esperemos resolver o problema sozinho. Vamos precisar da ajuda
dos pais, de um psicólogo, psicopedagogo, psiquiatra e de colegas mais
experientes.
No primeiro momento
trabalhei com desenho e pintura. Pedi a eles que desenhassem o que viesse
a mente. Acredito que o ato de desenhar ou pintar é carregado de
significados e reflete, para além do efeito visível, um retrato da
criança, pois tudo o que ela desenha diz respeito a experiências
anteriores em relação ao objeto de desenho.
Segundo Maria Aroeira
(1996), o mundo visto sob seus olhos deixa entrever sonhos dúvidas e
sentimentos. Por isso, quando observamos a produção artística de uma
criança podemos perceber ali uma série de elementos indicativos de seu
desenvolvimento emocional, intelectual, percentual e social.
No desenho pude
observar que a maioria deles desenharam a natureza, casas, bem como
desenhos repetitivos. Para a autora Maria, uma criança emocionalmente
insegura está centrada na representação objetiva. Ao desenhar uma casa,
não irá descrevê-la de maneira afetiva, designando-a como “minha casa” ou
contando histórias que passam ali. Para essa criança, a casa é destituída
de dimensão emocional; é apenas uma casa. Outro traço é quando a criança
faz desenhos repetitivos de forma mecânica ela está fugindo da realidade.
Ela cita Lowenfeld, o qual diz que sob a monotonia de desenhos
repetitivos, sem quaisquer variações, a criança tem a sensação de
segurança. (LOWENFELD, 1997).
Num segundo momento
distribui jogos para que, em duplas escolhessem e brincassem. Conforme
Piaget (apud, AROEIRA, 1996), o jogo facilita a apreensão da realidade e é
muito mais um processo do que um produto. Por meio dele a criança percebe
como se dão as relações humanas, pois explora e desenvolve noções sobre o
mundo físico, estabelecendo novas cadeias de significados, e amplia sua
percepção do real.
Wallon (apud,
AROEIRA, 1996), coloca o jogo como uma forma de organizar o acaso, de
superar repetições. No jogo a criança manifesta suas disponibilidades
funcionais de modo efusivo e apaixonado, e experimenta diversas
possibilidades de ação.
Segundo o autor
Vygotsky, (AROEIRA, 1996), por sua vez, destaca que no jogo a criança
encena a realidade utilizando regras de comportamento socialmente
constituídas. Nessa situação, os objetos perdem sua força determinadora
sobre o comportamento da criança; ela passa a agir independentemente
daquilo que vê. Desse modo, está lidando com uma situação imaginaria na
qual novos significados são associados aos objetos).
O jogo permite que se
estabeleça regra. A regra surge da necessidade de jogar com alguém, da
intenção de partilhar experiências, por isso implica relação com outra
pessoa. Envolve, portanto, conteúdos e ações preestabelecidas que
regularão a atividade.
Na dramatização
trabalhei com fantoches de pessoas e animais. Os alunos escolheram e
apresentaram espontaneamente sobre o que quisessem falar. Portanto, usei
uma janela de teatro de fantoches. Percebi, com essa atividade que eles
foram muito criativos e expressaram seus sentimentos em relação à escola,
quanto à sala de aula e a vida cotidiana de suas casas. Contaram piadas e
historias imaginada e ouvida por alguém.
Nesse trabalho
observei que os alunos se mantinham ouvintes, mas interferiam no que o
colega estava dizendo ou fazendo, davam opiniões para que realizasse do
jeito deles e ficavam apressando o colega para chegar a vez deles
apresentarem.
Segundo a autora
Idalina Ladeira (1993), quando os bonecos são utilizados diretamente pelos
alunos, tendo o professor apenas como guia e orientador, tornam-se
valiosos auxiliares da ação pedagógica, pois desenvolve múltiplos aspectos
educacionais, salientando-se os relativos a comunicação.
Para a criança, o
boneco, de inicio, é um brinquedo, ela explora de todas as formas,
satisfazendo o seu eu. Mais tarde, além da criação inteiramente livre,
pode haver diálogos proporcionados por histórias lidas ou ouvidos. Também
leva a descoberta das potencialidades da voz, devido à entonação da voz,
devido a circunstancias vividas pelo personagem.
O teatro de bonecos
educa a audição. Ensina a criança a prestar atenção ao mundo sonoro, a
ouvir com interesse o que os outros falam, a perceber a beleza da música e
do ritmo.
Ladeira
e Caldas (1993), enfatizam que o teatro de bonecos pode revelar ao
professor aspectos do desenvolvimento da criança que não são observados
durante os trabalhos escolares tradicionais; a partir daí, conhecendo-a
melhor o professor poderá proporcionar-lhe atividades educativas mais
adequadas as suas possibilidades.
É importante lembrar
que o teatro de bonecos desenvolve a aprendizagem de atitudes. Eles se
colocam no lugar dos personagens, dão vazão aos seus impulsos, exprimem
suas fobias e seus conflitos, vivem ativamente diversas situações, aliviam
suas tensões, agem espontaneamente, pondo a mostra sua verdadeira
personalidade ao fazer o boneco falar, cantar ou brigar. Elas se sentem
valorizadas. Ganham consciência de suas possibilidades e de suas
limitações. Podendo ser estimuladas pelo professor. Foi importante a
realização dessas atividades para comprovar que a criança que apresenta um
transtorno como o déficit de atenção, hiperatividade/impulsividade,
problemas de aprendizagem ou comportamento anti-social, deve ser
trabalhada com diferentes possibilidades de tarefas. O ideal seria com
poucos alunos na sala para que o professor pudesse trabalhar com esses
alunos mais individualmente. Enquanto não é possível ter esse indicativo
acima citado o professor terá que buscar conhecimentos, apoio com pessoas
especializadas para poder contribuir com seus alunos com déficit de
atenção e hiperatividade.
Portanto, uma sala de
aula eficiente para crianças desatentas deve ser organizada e estruturada.
A estrutura supõe regras claras, um programa previsível e carteiras
separadas. Os prêmios devem ser coerentes e
freqüentes. Um programa de reforço baseado em ganho e
perda deve ser parte integral do trabalho da classe. A
avaliação do professor deve ser freqüente e imediata.
Interrupções e pequenos incidentes têm menores conseqüências se ignorados.
O material didático deve estar adequado à habilidade da criança.
Estratégias cognitivas que facilitam a autocorreção, assim como
melhoram o comportamento nas tarefas, devem ser ensinadas.
As tarefas devem variar, mas continuar sendo interessantes para os
alunos. Os horários de transição, bem como os
intervalos e reuniões especiais, devem ser supervisionados.
Pais e professores devem manter uma comunicação freqüente.
Os professores também precisam estar atentos à qualidade de reforço
negativo do seu comportamento. As expectativas devem
ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se estar preparado
para mudanças.
Os
professores devem ter conhecimento do conflito incompetência x
desobediência, e aprender a discriminar entre os dois tipos de problema.
É preciso desenvolver um repertório de intervenções para poder
atuar eficientemente no ambiente da sala de aula de uma criança com TDAH.
Essas intervenções minimizam o impacto negativo do temperamento da
criança. Um segundo repertório de intervenções deve
ser desenvolvido para educar e melhorar as habilidades deficientes da
criança com TDAH.
Sugestões
para Intervenções do Professor
Segundo o autor San
Goldstein4,
há uma grande variedade de intervenções específicas que o professor pode
fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula:
Proporcionar estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma
arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente
definidas); Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto
da mesa do professor, na parte de fora do grupo. Encorajar freqüentemente,
elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente.
Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam
necessárias e valorizadas. Começar com tarefas simples
e gradualmente mudar para mais complexas.
Proporcionar um
ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de madeira
equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude.
Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno, é necessário que o
trabalho de aprendizagem em grupos pequenos venham favorecer oportunidades
sociais. Com isso, grande parte das crianças com TDAH consegue melhores
resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos
pequenos. Comunicar-se com os pais, pois, geralmente,
eles sabem o que funciona melhor para o seu filho. Ir devagar com o
trabalho. Doze tarefas de 5 minutos cada uma traz
melhores resultados do que duas tarefas de meia hora.
Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de
ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar
a autopercepção.
Também o autor
Goldstein, salienta a importância de favorecer oportunidades para
movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o
lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer
à mascote da classe. Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando
em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH.
Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção muito curta, não
esperar que ele se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período
da aula.
Para o autor é
necessário efetuar recompensa dos esforços, a persistência e o
comportamento bem sucedido ou bem planejado. Proporcionar exercícios de
consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. A avaliação
freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e
sobre os outros ajuda bastante. Favorecer freqüente contato
aluno/professor. Isto permite um “controle” extra
sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite
um auxílio adicional e mais significativo, além de possibilitar
oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais
adequado.
Segundo Goldstein, os
limites devem ser claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar
equilibrada e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas e
que ajudem a desenvolver um comportamento adequado. Assegurar que as
instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de
distrações. Evitar segregar a criança que talvez precise de um canto
isolado com biombo para diminuir o apelo das distrações; fazer do canto um
lugar de recompensa para atividades bem feitas em vez de um lugar de
castigo. Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma
toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.Estabelecer intervalos
previsíveis de períodos sem trabalho que a criança pode ganhar como
recompensa por esforço feito. Isso ajuda a aumentar o
tempo da atenção concentrada e o controle da impulsividade através de um
processo gradual de treinamento.
Será importante
reparar se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas.
Isso pode ser um sinal de dificuldades de coordenação ou auditivas
que exigem uma intervenção adicional. Preparar com antecedência a criança
para as novas situações. Ela é muito sensível em relação às suas
deficiências e facilmente se assusta ou se desencoraja.
Segundo o psicólogo
Goldestein o desenvolvimento de métodos devem ser variados, utilizando
apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao
ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as
novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos,
movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente irá precisar de
tempo extra para completar sua tarefa. O professor não precisa ser mártir,
basta reconhecer os limites da sua tolerância e modificar o programa da
criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável.
O fato de fazer mais do que realmente quer fazer traz ressentimento e
frustração.
Além disso, deverá
permanecer em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da
escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais
e o médico.
Diante de todos esses
indicativos do autor fica evidenciado que o professor é o principal
elemento norteador do processo de adaptação e construção do conhecimento
do aluno em sala de aula. Dessa forma não será difícil conviver com alunos
que apresentem o transtorno de TDAH.
O Papel da
Psicopedagogia
Como vimos, a criança
hiperativa, muitas vezes, pode estar atrasada, em termos de conteúdo
teórico, quando comparada com as outras crianças da sua classe. Sabemos
que os sintomas do TDAH, como a desatenção e a falta de autocontrole,
podem promover dificuldades especificas na aprendizagem.
Conforme Edyleine
(2002), o acompanhamento psicopedagógico é importante já que auxilia no
trabalho, atuando diretamente sobre a dificuldade escolar apresentada pela
criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, possibilitando
condições para que novas aprendizagens ocorram.
Com efeito, enfatiza
que as técnicas mais utilizadas são os jogos de exercícios
sensorio-motores, como a amarelinha, bola de gude ou de bolas, ou de
combinações intelectuais, como damas, xadrez, carta, memória,
quebra-cabeça, entre outros.
Os jogos com regras
permitem a criança, além do desenvolvimento social quanto a limites, a
participação, o saber ganhar, perder, o desenvolvimento cognitivo, e
possibilita a oportunidade para a criança detectar onde está, o porquê e o
tipo de erro que cometeu, tendo a chance de refazer, agora, de maneira
correta.
Podem ser usadas
técnicas que envolvam escritas, como escrever um livro e ilustrá-lo, pode
despertar nela em criar algo seu e admirar seu trabalho final, podendo
isso, ser estendido às lições em sala de aula.
Uma outra técnica é a
de despertar na criança o gosto pela leitura, através de assuntos e temas
de seu interesse e também aguçar a curiosidade por conhecer novos livros,
revistas e gibis.
A utilização de
contos de fadas e suas dramatizações podem ser um recurso a mais. Podem
ser utilizados desde a fase do diagnóstico até a fase de intervenção
educativa, adaptando-se as tarefas, em razão do nível de aprendizado em
que a criança se encontra. Edyleine (2000), salienta que essa técnica
permite ao psicopedagogo coletar tanto dados cognitivos quanto
psicanalíticos.
Conclusão
Espero com este
trabalho colaborar com todos aqueles setores da educação que enfrentam o
desafio de construir experiências significativas para alunos com déficit
de atenção e hiperatividade, mostrando a importância de conhecer e saber
como intervir.
O aluno na maioria
das vezes só é percebido que pode apresentar problemas na escola, porque
para os pais ele é muito inteligente, por isso não para quieto e não
aceita que seu filho pode ter TDAH.
Logo, vejo que,
suspeitas de comportamentos acontecidos de forma rotineira devem ser
avaliadas por equipes multidisciplinares, não com o objetivo de punir, mas
de acompanhar e ajudar. Essas equipes costumeiramente são compostas de
profissionais que farão com que as pessoas envolvidas sintam-se acolhidas
e não investigadas.
Todo esse cuidado
também não significa que o problema realmente exista, apenas relaciona
possibilidades que com essa conduta podem melhorar ou descartar a
reclamação - problema. Além de levar ao reclamante mais informações ou
sugestões mais agradáveis.
O
professor pode tomar a iniciativa e pesquisar primeiro para depois que
registrar com cuidado, notificar as pessoas diretamente interessadas
entregando-lhes seu registro como um documento de observação, deixando um
espaço aberto ao acompanhante e o diálogo com a impressão de apoio e não
de julgamento ou rótulo.
A partir da
observação dos alunos, percebi que eles precisam de atenção especial por
parte do educando, o qual possa trabalhar com atividades diversificadas
que preencham o seu tempo e que os mesmos criem regras a serem seguidas,
bem como as punições se não o fizerem.
Penso que a presença
de professores compreensivos e que dominem o conhecimento a respeito do
transtorno, a disponibilidade de sistemas de apoio e oportunidades para se
engajar em atividades que conduzem ao sucesso na sala de aula são
imperativas para que um aluno com TDAH possa desenvolver todo o seu
potencial.
Porém, a formação de
um educador é um processo e não um fim. O mundo é muito vasto, muito já se
pensou, escreveu e criou em diferentes áreas do conhecimento. Não há
limites para a leitura, a pesquisa e a reflexão. No espaço que dispunha,
apenas busquei entender o que é a hiperatividade e como separar de outros
problemas pesquisei bibliografias e profissionais especializados que
indicaram caminhos a serem seguidos.
Fica então uma
sugestão para pesquisa; como chegar próximo do mundo misterioso e
simbólico da criança? Conseguimos captar, aprender a alma da criança? Como
fazer isso? Como voltar o olhar, a observação das imagens que a criança
traz e da sua percepção?
Para aqueles que
desejam continuar refletindo, pesquisando, trilhando enfim caminhos para
sua formação, deixo uma reflexão, pois, nós educadores, costumamos abraçar
a teoria que nos dá apoio e temos dificuldades de olhar para dentro de nós
mesmos e para as crianças com as quais convivemos diariamente, não as
crianças dos livros das teorias, mas aquelas de carne, osso e alma que vêm
a nós, que nos escolheram para aprender alguma coisa e para ensinar-nos
outras tantas lições se pudermos ouvi-las. Fica aqui uma fala do psicólogo
Herbert de Souza, para que ela nos faça repensar a nossa prática
educativa. “Se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a
violentou antes e o que eu vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi
tirado”.
4 Psicólogo, diretor do
centro de neurologia, aprendizagem e comportamento em Salt, Lacke, City,
Utar, USA, autor de inúmeros livros sobre TDAH
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Publicado
em 19/02/2008