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Um
dos objetivos deste trabalho é abordar,
através de uma pesquisa bibliográfica,
os paradigmas da sociedade do
conhecimento, situando o Brasil nesses
valores emergentes, visto que , a produção
do conhecimento no âmbito da
Psicopedagogia está profundamente
intrincada com os aspectos sociais
vigentes.
A
necessidade de um estudo sobre a sociedade
do conhecimento é decorrência do
reconhecimento das transformações no
mundo em que vivemos, o qual, com a
virada de milênio, tem-se revelado um
cenário para intensas pesquisas. Cada
vez de forma mais veloz, as inovações
e produtos de todos os tipos são
desenvolvidos e difundidos, interferindo
em todas as formas de atividades econômicas
e na sociedade, de uma maneira geral. As
mudanças têm como demanda a introdução
de novos procedimentos e a renovação
dos procedimentos até então
dominantes.
Dentro
dessas novas tecnologias, o computador,
com todas suas funcionalidades,
inclusive o acesso à Internet, tem
contribuído em muito para o
desenvolvimento da sociedade do
conhecimento. Já a Internet está
mudando o mundo, porque oferece às
pessoas milhões de oportunidades e
facilidades. A forma como as informações
são oferecidas gera uma necessidade de
movimento, de partir em busca do
conhecimento, visto que as mudanças
ocorrem a velocidades assombrosas a cada
segundo. Mas, dentro desse novo
“layout”, fica uma questão: será
que as pessoas e especificamente os
brasileiros estão preparados para as
possíveis mudanças ocasionadas pelo
uso da internet?
A
internet pode mudar o mundo, mas os
indivíduos precisam mudar o seu modo de
lidar com as informações. Sobretudo no
que se relaciona ao mundo virtual, em
que a maioria das informações se
encontra no idioma inglês, já é
preciso derrubar essa primeira barreira
e expandir os horizontes na conquista de
novas ferramentas de linguagem, pois o
conhecimento não é uma arma e muito
menos um objeto de poder para se
concentrar nas mãos de poucos
especialistas. O conhecimento é a
expressão de uma vida, de pensamentos,
e deve ser encarado pelas pessoas com
respeito e não como uma via de
controle.
Pessoas
capazes de utilizar a Internet, de lidar
com o conceito de aprendizagem por vias
virtuais, de processar informações de
maneira a socializá-las, não se formam
da noite para o dia. Mesmo estando com
os valores da sociedade do conhecimento
em voga, é difícil deixar de lado
representações do trabalho, formadas
dentro de um conceito da sociedade
industrial, as quais determinam o modo
de ação das pessoas que ainda podem
estar apertando parafusos sem se dar
conta do lindo carro que existe no final
da linha de produção.
A
Internet é uma ferramenta que permite
um conhecimento global sobre tudo e
todos estamos envolvidos nesse processo.
A ferramenta existe, mas nossos olhares
precisam superar limites, ultrapassando
a nossa ilusão de uma segurança que
faz parte do passado e impede o
crescimento e a mudança de paradigma.
As informações não têm limites e
podem produzir ações num sistema
global, ainda que haja a tentativa de
construir um todo por meio de ações
fragmentadas.
Agora,
o poder não é mais gerado apenas pelo
domínio dos bens tangíveis, pela
manipulação da matéria e dos meios
políticos e institucionais, mas, sim,
cada vez de maneira mais crescente,
define-se pelo controle dos bens intangíveis,
do uso adequado do que é imaterial,
seja no campo das informações ou até
mesmo dos conhecimentos. Espera-se que
os indivíduos assumam graus cada vez
maiores de excelência na manipulação
desses meios, na busca do tratamento das
novas formas de tecnologia.
É
importante, aqui, enfatizar o processo
de globalização nessa jornada rumo ao
poder. O termo globalização, desde sua
origem, sempre foi estruturado dentro de
um forte conteúdo ideológico, visando
à formação de um mundo sem
fronteiras, em que estar inserido nessa
imensa rede proporcionaria uma sensação
de igualdade e de possibilidades de
articulação enormes. Com o
desenvolvimento das forças econômicas
em escala global, o poder estaria diluído
nas mãos de muitos, não importando o
lugar do planeta onde as pessoas
estivessem estabelecidas. Seguindo a
linha de Chesneaux (1995) , a globalização
é um processo que envolve transformações
nos significados de intensificação das
comunicações , temporalidade,
espacialidade, desterritorialização,
integração mundial, modernidade técnica
e reflexividade social.
Mas,
segundo Lastres (1999, p. 11):” (...)
as análises sobre o atual processo de
globalização geralmente não incluem
duas grandes regiões do planeta, que
juntas comportam mais de sessenta países,
a África e a América Latina “.
Ou
seja, a globalização pode ser vista
como um processo válido somente para os
países desenvolvidos.
A
produção de conhecimentos, informações
e tecnologias, considerados importantes
para o desenvolvimento mundial, está
concentrada em espaços econômicos e
sociedades muito bem delimitadas,
fazendo com que a globalização assuma
características cumulativas de
vantagens para grandes e poucos
conglomerados, localizados em pontos
extremamente desenvolvidos do mundo.
A
delimitação da área de produção dos
bens intangíveis torna a proliferação
do conhecimento controlada e o acesso às
informações regulado pelos países que
possuem vantagens competitivas dentro de
uma escala sócio-econômica. Observa-se
que, com a finalidade de se manter a
hegemonia, os grandes talentos, na maior
parte dos casos, habitam lugares
escolhidos a dedo por uma minoria
dominante. O conhecimento é codificado,
permitindo um desenvolvimento
controlado.
É
importante destacar que informação e
conhecimento são termos que se
correlacionam , mas não são sinônimos.
Aliás, convém salientar que a denominação
“sociedade do conhecimento” foi o
formato encontrado pelos brasileiros
para traduzir “sociedade da informação”,
expressão conceitualmente mais
realista, visto que para Rubem Alves (
apud Nagel, 2002, p.03) “o ato de
conhecer ‘é’ fundamentalmente
diverso do ato de informar-se”.
Dessa
forma, estabelecidas as diferenças
entre conhecimento e informação, é
importante salientar que dentro do
conceito de conhecimento existe o
conhecimento codificável, que é passível
de ser socializado , reproduzido,
compartilhado e comercializado, mas que
também existe o conhecimento tácito.
O
conhecimento tácito é o conhecimento
mais individualizado, que impossibilita
a sua universalização, na forma de símbolos,
e depende de aspectos específicos para
a sua decodificação. Assim, como já
foi dito, o desenvolvimento passa a ser
limitado a regiões que controlam o
conhecimento tácito e que dominam a
decodificação dos variados símbolos
que compõem essa forma de poder. Com
isso, países desenvolvidos garantem sua
hegemonia e aumentam a distância em
relação aos países em
desenvolvimento, os quais não têm
acesso ao conhecimento de acordo com as
demandas do processo de globalização,
ao menos teoricamente.
O
Brasil, dentro desse cenário de propagação
e expansão do conhecimento, permanece,
em muitas situações, à mercê de
informações importadas e, portanto
limitadas, já que somos um país com
recursos financeiros não muito bem
aproveitados e submetidos a políticas
externas de controle. Independente
disso, ao se analisar a situação
brasileira do ponto de vista interno,
sempre houve uma alta exploração dos
recursos naturais e a formação de uma
imagem de que o Brasil é um país de
riquezas naturais infindáveis, de mão-de-obra
barata e de muitas fontes de energia.
A
exportação de bens tangíveis é a tônica
da economia brasileira, tornando-se a
grande luta dos governantes a briga pelo
aumento da produção desses tipos de
bens e pela instalação de indústria
relacionada aos bens tangíveis. Ainda
é uma economia baseada em fatores retrógrados,
o que a deixa mais vulnerável. Há uma
extrema dependência da importação dos
bens intangíveis e, conseqüentemente,
um baixo investimento em ciência e
tecnologia.
O
que se sabe é que, no Brasil, ainda
existe uma defasagem entre os momentos
vividos pelos países da Europa e pelos
Estados Unidos. Nessa época de transição
da sociedade industrial para a sociedade
do conhecimento, ao Brasil cabe o papel
de importador e consumidor de bens
intangíveis e exportador de produtos
industrializados. Sempre a nossa
sociedade permanece em defasagem em relação
aos países desenvolvidos, tornando a
discussão sobre a sociedade do
conhecimento algo inovador e imprescindível
para que o Brasil, dentro do possível,
esteja num patamar competitivo.
Todas
as sociedades necessitam de uma
constante renovação, inclusive a
brasileira, e a defasagem, em vez de ser
encarada com uma ameaça, pode assumir a
roupagem de uma oportunidade, tudo
depende do ponto de vista. O uso da
tecnologia transforma as potencialidades
das empresas e, aliado ao uso da
criatividade, permite que algumas se
destaquem de maneira rápida.
O
Brasil é um país com potencial imenso
para a produção dos mais variados
tipos de “softwares”, produto que
pode enriquecer a competitividade
brasileira dentro dessa nova economia.
Além disso, a biodiversidade existente
no território nacional permite o
desenvolvimento dos mais variados tipos
de medicamentos, bem como sua exportação.
O Brasil tem grande destaque na
teledramaturgia, produzindo programas de
alta qualidade, os quais são assistidos
no mundo inteiro. A produção musical
brasileira é muito conhecida e
apreciada, e a cada ano que passa surgem
novos talentos. O cinema está ganhando
seu espaço, consolidando a imagem
brasileira de um povo criativo e flexível.
Atualmente,
a tecnologia da informação é
essencial para tornar competitivas as
economias em desenvolvimento no comércio
global. Dentro dessa realidade, o
Brasil, em termo gerais, encontra-se bem
colocado. Experiências como a entrega
do imposto de renda pela Internet, o uso
intensivo de tecnologia pelos bancos
brasileiros e nos processos de eleição,
assim como a liderança regional do país
no comércio eletrônico entre empresas
são pontos positivos e de destaque
mundial. O que precisa haver é o estímulo
da troca de experiências tecnológicas
bem sucedidas entre os países em
desenvolvimento.
É
preciso haver processos que estimulem o
aprendizado, capacitando as pessoas e
levando-as a um acúmulo constante de
conhecimento. O potencial brasileiro
existe, bem como a criatividade para que
se faça uso das informações, mas é
necessária uma mobilização dos
governantes no sentido de incentivar o
crescimento da economia do aprendizado,
na qual o aprendizado é o processo mais
importante.
Autores
como Lundvall (1994), Johnson (1994),
Foray (1996) e Borras (1998) (apud
LASTRES, 1999, p. 50-51) consideram o
uso do termo “economia do
aprendizado” muito apropriado, visto
que o conhecimento agiria apenas como um
recurso estratégico que possibilitaria
o pleno processo do aprendizado. Para
esses autores, “talvez mais grave
ainda do que não possuir fontes de
acesso a informações seja não dispor
de capacidade de aprendizado e
conhecimento suficientes para fazer uso
das mesmas.”
A
capacidade de aprendizado de um país é
determinada não apenas pelo
investimento em tecnologia da informação,
mas também por fatores de base, como
alimentação e saneamento básico,
fatores que influem em muito para o
desenvolvimento global dos seres
humanos. Dessa forma, dentro da
realidade brasileira, existe um trabalho
de longo prazo a ser realizado para o acesso dos brasileiros ao
advento da “economia do
aprendizado”.
É
necessário que haja uma expansão dos
conhecimentos dentro dessa nova
realidade que se instaura, para que seus
preceitos sejam introjetados de maneira
mais consolidada. A discussão entre países
precisa ocorrer de modo mais igualitário.
O fato é que conceitos como informação,
conhecimento e aprendizado são
fundamentais para que se possa entender
o mundo socioeconômico contemporâneo.
Notava-se,
na sociedade industrial, uma maior
cobrança de atitudes inteligentes e
competentes das pessoas que estavam em
cargos de chefia, de coordenação, já
que a inteligência era separada do
corpo, do trabalho braçal. Portanto,
aos operários sobrava a parte
relacionada ao esforço físico, não
sendo exigido qualquer esforço mental.
O
Brasil, com sua economia fortemente
voltada para atividades relacionadas à
indústria, tem seu processo de gestão,
de uma maneira geral, fortemente
influenciado pelas diretrizes da
sociedade industrial. Mas sabemos que,
atualmente, a inteligência e a competência
são qualidades imprescindíveis em
qualquer tipo de atividade ou nível de
atuação, não sendo um atributo apenas
dos chefes. Por isso, estimular o
processo criativo dentro das empresas e
o melhor aproveitamento do potencial
brasileiro, com a finalidade de promover
a sua melhor integração aos valores da
sociedade da aprendizagem, torna-se algo
interessante.
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Curso de Pós-Graduação em Psicologia
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Publicado
em 06/09/2004
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