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Vários podem ser os motivos pelos quais a escola
moderna não estar mais correspondendo às formas atuais de organização
social. Mas aqui enfocaremos para este, que é atualmente o mais
preocupante na atualidade, a evasão escolar.
Em 2007, o Brasil ficou em 76º lugar no ranking da educação Básica,
atrás de até mesmo paises menos desenvolvidos. Isso nos leva a uma
interrogação: Nossos alunos estão aprendendo de fato? O Ensino no
Brasil de fato ocorre?
Grande parte dos alunos do Ensino Fundamental em
geral adolescentes, não gostam de ir à escola, pois, se sentem excluídos
ou desinteressados. Estatísticas indicam que de 15 a 30 % das crianças
em idade escolar sofrem com alguma dificuldade acadêmica. 15% são disléxicas,
gerando o terrível problema de reprovação, o sentimento de rejeição e
impotência e conseqüentemente a evasão escolar.
A escola busca arduamente buscar respostas à cerca
do fracasso escolar e desses alunos que não aprendem, onde Annete
Abramowicz (1995, p.29) responde de uma forma bem fundamentada: Para
compreender quem é o repetente, é preciso que se responda algumas questões:
Qual é a concepção de linguagem e aprendizagem existente na escola?
Quem é aprendiz na percepção dos professores, com quem elas falam
enquanto ensinam? O que ensina a professora e o que aprende o aluno?Que
tipo de aprendiz é este, que repete no seu processo de aprendizagem,
portanto, quem é o repetente do ponto de vista da escola e do aluno?
Daqui para adiante iremos distinguir dificuldades de
aprendizagem e evasão escolar. Geralmente há algum tipo de deficiência
ou necessidade educacional especifica comprometendo o desempenho escolar e
pode causar o fracasso escolar. Já o fracasso escolar reúne uma série
de conjunções, interagindo, mobilizando o desenvolvimento do
educando e do sistema familiar/escolar/social no qual esta inserida.
Na mesma linha, Fernandez (2001, p.31) reflete:
Um fracasso escolar pode diferenciar-se de um problema de aprendizagem,
analisando a modalidade de aprendizagem do aprendente em sua relação com
a modalidade de aprendizagem do ensinante da escola. Nas situações de
fracasso escolar, a modalidade de aprendizagem do sujeito não se torna
patológica: quando se constitui um problema de aprendizagem.
Assim ao discutirmos estes problemáticas
educativas, no remete a um consenso geral de autores da educação de que
as atividades lúdicas são fundamentais a formação dos jovens e crianças
e verdadeiras facilitadoras dos relacionamentos e das vivencias dentro da
sala de aula.
Brincar, jogar, relacionar, viver, simular, imaginar
e aprender.
Celso Antunes afirma que devemos falar em jogos que
atribuam um estimulo ao crescimento, ao desenvolvimento cognitivo, aos
desafios ao viver, e não de jogos que promovam a competição entre
pessoas, que levam somente a derrota e vitória: “em outras palavras,
todo jogo pode ser para muitas crianças, mas sobre a inteligência será
sempre pessoal e impossível de ser generalizada”. (ANTUNES, 1998).
Aqui chego em nosso titulo: psicopedagogia
institucional e oficinas psicopedagógicas...”, julgo de extrema importância,
e ao mesmo tempo lastimo por não ser assim; todas as instituições
de ensino usufruírem desta ferramenta importantíssima que são as
oficinas psicopedagógicas”.
As oficinas proporcionam momentos de reflexão que
mudam o olhar para este aluno, e dele, para com sua dificuldade de
aprendizagem. Ele exterioriza seus medos, suas dificuldades de uma forma
sutil, sem agredir suas emoções e nos possibilita obter uma visão a
qual dentro de sala de aula não conseguimos enxergar.
E para defender minha teoria sobre esta importância
cito Winnicott:
É no brincar, somente no brincar, que o individuo, criança ou adulto,
pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral, e é somente
sendo criativo que o individuo descobre o seu eu. (WINNICOTT, 1975, p.80).
As crianças ao brincarem utilizam todo seu cognitivo e emocional. Criam
personagens em suas brincadeiras, dão asas à imaginação, interagem com
o meio o qual vivem, e estravasam seus medos e frustrações através do
que brincam. Brincar para criança é coisa séria. Passam a entender seu
meio, as regras socias, aprendem a ter limites e respeitar o próximo e ao
seu meio ambiente.
Explorando a criatividade, o mundo que a cerca, a criança estará
formando sua personalidade movida de autoconfiança, criticidade e espírito
coletivo.
Assim é quando brincam de casinha, representam os papeis dos adultos que
convivem expressando seus medos, frustrações nos seus personagens ou em
suas bonecas. Cuidemos como as meninas cuidam de seus bebês para
percebermos como são tratadas.
Dentro deste trabalho podemos trabalhar com brincadeiras, jogos, teatro,
musica e arte. Depende de nós psicopedagogos saber o que
queremos despertar e para que.
1-BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS
O brincar na educação, propicia vínculos entre
educando e educador,
Funciona como vivencia ou simulação de experiências e conteúdos, nos
aproximando do universo dos alunos. A brincadeira resgata o prazer,
a alegria, o poder de imaginar e criar. Faz com que a criança
encare seus medos.
Brincar não tem idade, seja criança, adolescente, adulto ou idoso
precisa reencontrar-se na brincadeira, aflorar seus sentimentos, conflitos
e inseguranças.
É através do brincar que a criança expressa suas emoções, sua
linguagem corporal e oral, explora, interage e representa o
seu meio . Também é através do brincar que desenvolverá a socialização,
entendendo o seu papel social e a dependência que temos do outro.
Assim, ela se formará socialmente e plenamente como ser humano
emocionalmente saudável. Concordo com Wallon. Cabe a nós educadores e
pais estimular estas emoções constantemente, fazê-los analisar varias
possibilidades de enxergar seu mundo, de expressar suas emoções, de
confrontar com o que a incomoda. A criança que recebe estímulos tem uma
percepção muito mais abrangente de si própria e do outro. Ela precisa
de seu corpo e mente libertos para novas descobertas
Nós seres humanos em geral, não só as crianças, sempre estamos nos
espelhando em alguém, porém as crianças ainda não estão com sua
identidade estruturada. Aqui, temos a missão de darmos bons exemplos para
serem espelhados. Crianças reproduzem tudo o que vivenciam, cabe a nós
mostrar-lhes o que é saudável para si e para sua convivência
social.
Mas devemos ter em mente todo cuidado ao escolher os brinquedos aos quais
iremos trabalhar, precisamos ter absoluta segurança de acordo com faixa
etária, selo IMETRO, objetivo especifico da brincadeira ou do brinquedo.
2-JOGOS
O jogo é visto como facilitador da estruturação da personalidade e dos
processos
Cognitivos, e vem sendo estudado por profissionais das áreas da saúde e
da educação.
Nos jogos trabalhamos com regras e limites, erros,
soluções problemas, com a.
Atenção criamos estratégias. Uma série de fatores fundamentais
à estruturação da aprendizagem.
Dohme afirma que os jogos são de fonte de diversão, mas que também
propiciam.
Situações educativas. Diz, ainda, que para a criança o jogo é um fim,
pois ela joga por prazer; para o educador, é um meio, que possibilita a
vivência dessas situações educativas, cabendo então a ele a escolha
dos jogos em função daquilo que se necessita trabalhar.
Há varias classificações para os jogos. Julgo colocar que cabe a cada
psicopedagogo
Pesquisar e escolher o que melhor se atribui a necessidade de seus
educandos.
3-TEATRO. MUSICA E ARTE
A expressão corporal e emocional é a maior aliada para sanar
dificuldades de
Aprendizagem. È aqui que a criança, adolescente, adulto ou idoso se
liberta, se reconstrói.
Não podemos deixar de trabalhar em nossas oficinas psicopedagógicas
este
Trabalho de expressão, que segundo Teresa Arribas et al cita... O corpo
é um instrumento que permite realizar os processos básicos de adaptação
ao meio exterior e é o canal de comunicação com os demais seres
humanos.
Ao se trabalhar com arte, teatro e música,
estaremos estimulando a criatividade e a imaginação: desenvolvendo o
pensamento critico; explorando novas formas de expressão; possibilitando
o autoconhecimento; desenvolvendo o interesse e a concentração,
melhorando o desempenho escolar; auxiliando no tratamento de distúrbios
de aprendizagem; lidando com preconceitos e estimulando a cooperação e o
companheirismo entre alunos.
Ao se trabalhar com os pais, a oficina oferece a
oportunidade de se discutir: a importância da participação dos pais ou
responsáveis nos processos escolares. O papel da família no equilíbrio
da criança; como lidar com o stress na vida cotidiana e como
auxiliar seu filho a lidar com os desafios da vida.
Wallon (1951) coloca a relação afetiva no centro do processo de
desenvolvimento
Do caráter e da inteligência da criança. Propondo uma estreita relação
entre tono pastoral e tono emocional, e considerando a emoção elemento
de ligação entre o orgânico e o social, elabora uma teoria do
desenvolvimento que concebe a criança, desde o seu nascimento, como um
ser em sociedade. Sendo assim, para este autor, a estruturação do caráter
e da inteligência depende, fundamentalmente, das relações estabelecidas
entre criança e seuspares.
Aqui também trabalhamos as consciências fonológicas, que é a
habilidade de dividir palavras em segmentos separados da fala,
percebendo-as como uma seqüência de fonemas. È a reflexão
explicita sobre a estrutura sonora das palavras faladas; que pode ser
segmentada em palavras, em silaba e as silaba e em fonemas e, que podemos
repeti-las em diferentes palavras faladas.
Para que ocorra uma eficácia na alfabetização, a criança precisa desta
estruturação bem distinta: rimas e aliterações, consciência das
palavras, consciência silábica e consciência fonética.
“Alfabetizar não é apenas ensinar a ver o encontro das letras, mas
aprender a ouvir os sons dos símbolos gráficos”.
Algumas atividades como trabalhar prefixos e sufixos, soletrando, ditado
fonético auxiliam para a interpretação conceitual que a criança fará
da consciência fonológica e semântica. E isto esta bem explicito em
interpretações teatrais, brincadeiras com fantoches, na música, enfim
em toda expressão oral.
A escola é um espaço fundamental na construção da identidade do
individuo, pois atua de forma importante na formação de valores e princípios
que irão nortear a vida de seus alunos. Contudo, isso só será possível
se houver um ambiente propicio a interação entre profissionais da educação,
alunos e responsáveis. Com isso as oficinas aulixiam nesta nova forma de
enxergar à qualidade no processo ensino aprendizagem: integração
entre objetivos da escola, as necessidades dos alunos, a atuação dos
educadores e expectativas dos pais, atuando na transformação de seus
alunos e filhos em indivíduos conscientes, críticos e atuantes, que
possam colaborar na conquista.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A importância de uma Educação mais abrangente faz com que procuremos
novas saídas para suprir as carências encontradas nas intuições de
ensino. Propor atividades criativas como uma das saídas viáveis para uma
maior integração entre as áreas a fins e para desenvolver valências
esquecidas na aprendizagem...
Encerro aqui com uma mensagem que resume toda importância do
brincar: “... Quando estou construindo com blocos no quarto de
brinquedos, por favor, não diga que estou apenas brincando; porque
enquanto brinco, estou aprendendo sobre equilíbrio e formas”.
Quando estou me fantasiando, arrumando a mesa e cuidando das bonecas, por
favor, não me deixe ouvir você dizer: ele está apenas brincando. Porque
enquanto eu brinco, eu aprendo. Eu posso ser pai ou mãe algum dia.
Quando estou pintando até os cotovelos, ou modelando argila, estou
expressando e criando. Quando estou entretido com um quebra cabeça ou com
algum brinquedo na escola, não sinta que é tempo perdido, porque estou
aprendendo... Hoje sou uma criança e meu trabalho é brincar! (extraído
de um vídeo “brincar e coisa séria” do you tube).
Temos urgentemente que resgatar nossa infância, nossa juventude, acabar
com a evasão e fracasso escolar. Quem pode nos auxiliar? Todos!
Psicopedagogia institucional, instituição, educadores, alunos e pais,
engajados nesta luta pela mudança, por buscas de ferramentas com as
oficinas psicopedagógicas tornando nossos alunos, educadores e pais
sujeitos/autores pensantes.
BIBLIOGRAFIA
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COUTINHO. D.K. Pesquisa: o aluno da Educação Infantil e dos Anos
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GRASSI. M.T. Oficinas Psicopedagógicas . Ed. Ver e atual – Curitiba;
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COUTINHO, V. Arteterapia com crianças. 3 ed. Rio de Janeiro: Wak Ed,
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OLIVER. L. Psicopedagogia e arteterapia. 2ª ed. Rio de janeiro: Wak Ed.
2008.
www.youtube.com.br
Publicado
em 05/09/2010
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