|
O
Psicopedagogo na instituição escolar:
Intervenções Psicopedagógicas no
processo de ensino-aprendizagem
Rogério
Augusto dos Santos - Psicopedagogo
- Pós- Graduado
em Pedagogia Empresarial
e
em Supervisão Escolar. Licenciado
em Normal Superior
com habilitação para a Educação
Infantil e Séries Iniciais do Ensino
Fundamental. Especialista
em Educação Básica
(Supervisor Pedagógico) e Professor
da Educação Básica da Rede Estadual
de MG. Atualmente Analista Educacional
do Programa de Intervenção Pedagógica
(PIP) da SEE/MG e Tutor de EAD dos
cursos de Metodologias de Ensino da
Faculdade Internacional de Curitiba, Pólo
CA Frederico Ozanan
em Belo Horizonte.
E-mail:
rogério.augusto05@hotmail.com
|

|
A
psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana e
surgiu de uma demanda: o problema da aprendizagem.
É uma ciência que se preocupa com os problemas
de aprendizagem e o psicopedagogo é o
profissional que deve ocupar-se inicialmente do
problema envolvendo-se com o processo de
aprendizagem buscando explicações do tipo: Como
esta criança aprende? Como sua aprendizagem
varia? Como se produzem as alterações em sua
aprendizagem? Como reconhecer, tratar e prevenir
os problemas de aprendizagem?
Segundo
BOSSA (2000), o objeto central da psicopedagogia
está estruturado em torno do processo da
aprendizagem humana: seus padrões evolutivos
normais e patológicos, bem como a influência do
meio (família, escola, sociedade) no seu
desenvolvimento (apud KIGUEL, 1994, p.8). O
psicopedagogo é um profissional que tem total
dedicação à assessoria de instituições
escolares com o intuito de certificar aos
profissionais que nela atuam e oferecer condições
precisas para se poder atingir uma melhor
compreensão da complexidade do processo de
ensinar e aprender. O trabalho desempenhado pelo
mesmo permite uma composição de análises
correspondentes a cada instituição escolar
garantindo a elas uma melhor qualidade de trabalho
para os educadores e ainda estimular à
desenvoltura de relações inter-pessoais, a
estabilidade de vínculos sócio-afetivos, o
emprego de processos de ensino e aprendizagem
compatibilizados com as concepções mais
atualizadas a respeito dos métodos de trabalho e
planejamento por meio de um envolvimento mais dinâmico
com a equipe escolar, proporcionando acima de tudo
uma ampliação no modo de olhar o aluno em torno
dos problemas que ocorridos em torno de seu
processo de aprendizagem. Está preparado para
atender crianças e/ou adolescentes que apresentam
problemas de aprendizagem, com a função de
prevenir, diagnosticar e intervir, podendo sua
atuação ocorrer em escolas, empresas e clinicas.
Por
meio do diagnóstico psicopedagógico podem-se
identificar os motivos que causam/causaram os
problemas de aprendizagem, tendo como instrumentos
pedagógicos provas operatórias e materiais pedagógicos
em geral. O
psicopedagogo pode confirmar ou não suas
suspeitas após fazer o diagnóstico na criança,
podendo afirmar se há ou não problemas de
aprendizagem, caso existam o
mesmo inicia com anuência da família
acompanhamento psicopedagógico e também analise
se a necessidade do envolvimento de outros
profissionais tais como: psicólogo, fonoaudiólogo,
neurologista ou outro especialista dependendo do
caso.
O
acompanhamento psicopedagógico pode ser
realizado, por meio de várias atividades e
diversos recursos tais como: brincadeiras e jogos
pedagógicos, contação de, todos com o objetivo
de identificar o melhor caminho para a promoção
da aprendizagem para a criança e ainda
identificar o que pode estar causando algum
bloqueio para a mesma.
Por
meio de jogos a criança alcança a maturidade,
aprende a ter limites, aprende a vencer e a
perder, aumenta seu raciocínio, desenvolve a
concentração, consegue maior atenção. Para
Piaget, (1986, p. 117):
(...)
os jogos consistem numa simples assimilação
funcional, num exercício das ações individuais
já aprendidas. Gera ainda, sentimento de prazer,
tanto pela ação lúdica em si, quanto pelo domínio
destas ações”.
A
atividade lúdica é um dos melhores caminhos para
o entendimento do mundo da criança e/ou
adolescente, por isso, a mesma deve sempre ser
utilizada em sessões de acompanhamento psicopedagógico.
No que se refere ao acompanhamento escolar,
algumas vezes se faz necessário, o acompanhamento
por
meio da observação dos cadernos, a organização
e os erros cometidos, auxiliando a criança a
compreender seus erros e ajudando-a descobrir o
melhor meio de estudar e fazer com que a
aprendizagem efetivamente aconteça. O
psicopedagogo que está fora da instituição onde
está a criança e/ou adolescente poderá
comparecer a mesma para conversas informais ou não
com o docente, colegas e demais funcionários da
instituição para um melhor conhecimento da criança/adolescente
atendido. O contato do profissional com as pessoas
envolvidas no dia-a-dia da criança e/ou
adolescente sempre revelam aspectos que podem
auxiliar no acompanhamento das mesmas..
Considerando os fatores implicados no
processo da aprendizagem, pode-se pensar no papel
do psicopedagogo com relação ao fracasso
escolar. Ele deve buscar o que significa o
aprender para esse sujeito e sua família,
tentando descobrir a função do não aprender.
Conhecer como se dá a circulação de
conhecimento na família, qual a modalidade de
aprendizagem da criança, não perdendo de vista
qual o papel da escola na construção do problema
de aprendizagem apresentado, tentando também
engajar a família no projeto de acompanhamento
para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade,
modificando seu modo de pensar e de agir com relação
à criança e/ou adolescente.
O
trabalho na instituição escolar apresenta duas
naturezas: o primeiro diz respeito a uma
psicopedagogia voltada para o grupo de alunos que
apresentam dificuldades na escola. O seu objetivo
é reintegrar e readaptar o aluno à situação de
sala de aula, possibilitando o respeito às
necessidades e ritmos. Tendo como meta desenvolver
as funções cognitivas integradas ao afetivo,
desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente
para a aprendizagem dos conceitos conforme os
objetivos da aprendizagem formal. O segundo tipo
de trabalho refere-se à assessoria junto a
pedagogos, orientadores e professores. Tem como
objetivo trabalhar as questões pertinentes às
relações vinculares professor-aluno e redefinir
os procedimentos pedagógicos, integrando o
afetivo e o cognitivo, através da aprendizagem
dos conceitos e as diferentes áreas do
conhecimento.
Segundo
BOSSA (2000, p. 13), no exercício preventivo,
pode-se falar em três níveis de prevenção:
No primeiro nível, o psicopedagogo
atua no sentido de diminuir a freqüência dos
problemas de aprendizagem, seu trabalho recai nas
questões didático-metodológicas, bem como na
formação e orientação de professores, além de
fazer aconselhamento aos pais.
No segundo nível, o objetivo é
diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já
instalados, a partir dos quais, procura-se avaliar
os currículos com os professores para que não se
repitam tais transtornos.
No terceiro nível, o objetivo é
eliminar os transtornos já instalados, num
procedimento clínico com todas as suas implicações.
O caráter preventivo permanece aí, uma vez que,
ao eliminarmos um transtorno, estamos prevenindo o
aparecimento de outros.
Na
sua tarefa junto às instituições escolares, o
psicopedagogo, numa ação preventiva, deve adotar
uma postura critica ao fracasso escolar, visando
propor novas alterações de ações voltadas para
a melhoria da prática pedagógica nas escolas.
Segundo
FERNÁNDEZ (1991):
Para
resolver o fracasso escolar necessitamos recorrer
principalmente ao plano de prevenção nas escolas
batalhar para que o professor possa ensinar
com prazer para que, com isso, seu aluno
possa aprender com prazer,
tende
a denunciar a violência encoberta e
aberta, instalada no sistema Educativo, em outros
objetivos. (1991. p.81-82)
A
intervenção do psicopedagogo no processo de
diagnóstico das classes de alfabetização é
muito importante para o sucesso dos alunos nos
anos iniciais de sua escolarização, pois os
grupos de crianças são sempre heterogêneos
quanto aos conhecimentos já adquiridos nas
diversas áreas do conhecimento, ou seja, o seu
conhecimento prévio, portanto, às crianças não
chegam à escola com o mesmo desenvolvimento real,
como também não mostrarão ao educador os
mesmos processos de maturação em via de serem
consolidados na zona proximal e, tampouco, terão
as mesmas possibilidades na zona potencial. Cada
criança mostra-se como um ser único, com
capacidades, limitações, motivações,
habilidades, atitudes e interesses específicos.
Diante
desse universo de diversidades próprias do ser
humano, que o professor encontra na sala de aula,
a intervenção psicopedagógica é fundamental,
pois na maioria das vezes, o professor não detém
o conhecimento necessário para conhecer cada
criança na sua individualidade, principalmente
por ser grande o quantitativo de alunos que na
maioria das vezes apresentam problemas. Cabe ao
psicopedagogo juntamente com o professor fazer um
levantamento das possibilidades, limitações,
conhecimentos, habilidades e aprendizados construídos
por cada aluno, para subsidiar a elaboração de
propostas didático-pedagógicas que irão
realmente atender a cada sujeito-aprendente em seu
processo de desenvolvimento e aprendizado em todas
as áreas do conhecimento.
Segundo Vygotsky (1988) o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, daí o
papel da escola na construção do “ser psicológico”
dos indivíduos que vivem em sociedades
escolarizadas. O psicopedagogo e o professor devem
atuar
na zona de desenvolvimento proximal como
mediadores, e interventores no
organismo que não se desenvolve plenamente sem o
suporte de outros indivíduos de sua espécie.
Para o desempenho desse papel e preciso conhecer
os processos já consolidados pela criança, seu nível
de desenvolvimento real, os que já se iniciou ou
não na zona proximal e o que se precisa aprender
para o desenvolvimento de suas funções psicológicas
– Zona de Desenvolvimento Potencial ou Imediato
De posse do diagnóstico o psicopedagogo e a escola devem dirigir o ensino
não para etapas intelectuais já consolidadas,
mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não
alcançados pelos alunos, mas já iniciados no seu
processo de desenvolvimento. Assim, o
psicopedagogo será o construtor da ponte entre o
que o aluno sabe e o que ele pode e deve aprender.
Nesse percurso, é necessário observar sempre as
possibilidades das crianças e o nível de
desenvolvimento potencial de cada uma.
Nessa perspectiva, o processo ensino-aprendizagem na escola será construído
a partir do nível de desenvolvimento real da
criança, num determinado momento, em relação a
um dado conteúdo curricular a ser desenvolvido,
tendo em vista os objetivos e as metas
estabelecidas pela escola, professor e até mesmo
pelo psicopedagogo, para aquele ano escolar e para
cada grupo de criança atendida.
O professor não precisa mais trabalhar o que a criança
já sabe; precisa sim trabalhar o que ela não
sabe, mas o que ela precisa aprender e que
certamente aprenderá com o professor e o
psicopedagogo na intervenção na zona de
desenvolvimento proximal e na interação inter-psíquica
do grupo. Com o auxilio do outro, seu processo de
desenvolvimento será muito mais fácil. Em seus
estudos, Vygotsky, ressalta a importância do
educador no processo de ensino-aprendizagem, para
ele é fundamental que o professor assuma seu
papel de interlocutor mais experiente, intervindo
nessa interação, ajudando a criança e/ou
adolescente a confrontar seus modelos com o modelo
do outro e, a partir desse confronto, chegarem à
compreensão das diversidades encontradas.
Consideram-se, ainda, de grande importância às
interações sociais que ocorrem no espaço
escolar, porque através delas professor e aluno
tomam consciência de que o saber é construído
socialmente, e que aquilo que a criança faz com a
ajuda do professor ou de colegas mais experientes
será uma etapa de grande valia para a interiorização
do conhecimento escolar e para o seu
desenvolvimento psíquico.
Segundo
Vygostsky (1988) a aprendizagem da criança começa
muito antes da aprendizagem escolar e esta nunca
parte do zero.
Toda a aprendizagem da criança na escola
tem uma pré-história. E a partir desse
pressuposto que os professore devem ressignificar
sua prática docente, pois ela precisa ser
concreta, consciente, atual e transformadora,
elaborando vínculos afetivos com o ser
aprendente, mesmo que não se deseje aprender
naquele momento, por alguma circunstância. E se
persistirem tais resistências, a frustração, em
função do não alcance dos objetivos devem ser
banidos, pois, o trabalho é conjunto, e talvez
seja o momento de compartilhá-lo com outro
profissional especializado, pois como se viu a
psicopedagogia trabalha concomitantemente com a
aprendizagem e o desenvolvimento do seu processo.
_____________
Notas:
·
Zona de Desenvolvimento Potencial/Imediato (ZPI): é um construto
teórico que, metaforicamente, implica em uma área
na qual se dá o desenvolvimento cognitivo ou um
processo gradual de interação mediante trocas
com o outro social, mas dentro de certas
possibilidades limitadas pelo desenvolvimento real
ou atual e pelo desenvolvimento potencial.
·
Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): é a distância entre seu
desenvolvimento real, determinado pelas tarefas
solucionadas de forma independente, e o nível de
seu desenvolvimento potencial determinado com a
ajuda de tarefas solucionadas pelo individuo com m
a orientação de adultos em cooperação com seus
colegas mais capazes
·
Zona de Desenvolvimento Real (ZDR): é aquilo que o individuo sabe
fazer sem auxílio ou com suas competências já
consolidadas.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BOSSA,
Nadia A. A
psicopedagogia no Brasil: contribuições a
partir da prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed,
2000.
COUTINHO, Maria Tereza
da Cunha. Zona
de Desenvolvimento Proximal. Revista Presença
Pedagógica. V. 12. n.71. set./out.2006.
FERNÁNDEZ, Alicia. A Inteligência
Aprisionada: Abordagem Psicopedagógica clinica da
criança e sua família. Porto Alegre: Artes Médicas,
1991.
BEUCLAIR,
João. Psicopedagogia:
trabalhando competências, criando habilidades.
Rio de Janeiro: Wak Editora, 2004.
_______________.
Para
entender psicopedagogia:perspectivas atuais,
desafios futuros. Rio de Janeiro: Wak Editora,
2006.
PAÍN Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed.
Porto Alegre: Artmed, 1992.
PIAGET, J. Epistemologia genética.
Petrópolis: Vozes, 1972.
_________. A Linguagem e o pensamento na criança. São Paulo: Martins Fontes,
1986.
SCOZ, J. L. (Orgs.) Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação
profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
TOPCZEWSKI, Abram. Aprendizado e suas desabilidades: como lidar?. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2000.
VISCA, Jorge. Psicopedagogia:
Novas Contribuições. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1991.
VYGOTSKY, L. A Formação social da mente. São Paulo: Martins
Fontes, 1987.
_____________. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes,
1988.
_____________. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: U.S. P, 1988.
WEISS, Maria Lúcia
Lemme. Psicopedagogia
clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de
aprendizagem escolar. Rio de Janeiro:
DP&A, 2004.
Publicado
em 06/02/2011