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Educar
nossos filhos parece ser, cada vez mais,
uma tarefa muito difícil. Em tempos
onde a modernidade invade nossos lares,
o consumismo passa a ser encarado com
muita naturalidade. Os pais sentem-se
perdidos diante de tantos pedidos dos
filhos que vêem na televisão novidades
para todos os gostos e, na escola, os
coleguinhas que exibem a última moda.
Seu filho diz sentir-se fora do grupo se
não tiver com o último brinquedo
lançado, a roupa ou sapato da
propaganda e ainda lhe diz, com muito
exagero, que é o único da escola que
ainda não tem.
O que fazer? Ceder às chantagens
emocionais ou resistir? Acredito que a
resposta esteja no meio termo. Não
ceder tudo, mas também não negar tudo.
O limite está justamente quando você
dá alternativas para que ele ganhe o
que deseja, como por exemplo, se
esforçar em algo que anda meio
relaxado. Filhos que ganham presentes
todos os dias, sem uma data especial,
tornam-se mal acostumados e acabam não
dando o valor merecido ao presente. No
início não largam o brinquedo pra
nada, alguns dias depois, torna-se mais
um na infinita prateleira de brinquedos.
Não podemos fingir que não vivemos num
mundo capitalista, cujas datas
comemorativas entoam um forte apelo para
que você gaste, mas gaste muito!
Infelizmente esta é uma realidade que
bate à nossa porta cada vez que se
aproxima o natal e o dia das crianças,
mas podemos utilizar isto ao nosso
favor. Como? Restrinja os presentes mais
caros para esta data, assim você
poderá cobrar a arrumação do quarto,
a recuperação daquela nota baixa, o
compromisso de tomar banho sem precisar
mandar, dormir cedo e tudo aquilo que
você está cansada de mandar fazer e
ele resiste ao máximo. Porém,
alerte-o, o acordo deve permanecer mesmo
depois que ele receba o presente, senão
nada feito, e não se esqueça de avisar
que na próxima vez ele ficará sem
presentes, caso não cumpra o combinado.
Entretanto, você não precisa se sentir
culpado se você comprar um brinquedo e
lhe fazer uma surpresa. O que não pode
acontecer é isto virar uma rotina e
vício.
O que acontece é que muitos pais tentam
compensar a ausência enchendo a
criança de brinquedos para que ela não
cobre sua presença constante. Na
verdade são os pais que se sentem bem
achando que esta atitude preencherá o
vazio. Serve como uma válvula de
escape.
Os pais, nunca devem se esquecer que a
qualidade vale muito mais que a
quantidade. De que adianta você estar
em casa e não dar atenção ao seu
filho? Porém, aquele que muito trabalha
e explica esta necessidade ao filho de
forma clara, e lhe dedica seu tempo
disponível com a máxima qualidade
possível, sai ganhando certamente.
A questão do limite é muito mais ampla
e deve se iniciar quando o bebê começa
a dar seus primeiros passos de
independência.
Muitos pais costumam confundir dar
limites com proibir tudo que acha
errado. O erro é algo muito pessoal, o
que pode ser erro para mim, pode não
ser erro para você e cuidado para não
deixar seu filho paranóico. Às vezes,
num acesso de nervosismo quer proibir o
bebê de coisas que ele precisa
vivenciar para descobrir e se
desenvolver, como por exemplo: atirar um
brinquedo no chão para ver o que
acontece, colocar algo na boca para
coçar seus dentes. Ora! São os adultos
que devem vigiar a criança, deixando à
sua disposição o que ela pode mexer
sem correr o risco de se machucar.
Chamar a atenção da criança toda hora
não é bom, por isso é você quem deve
criar um ambiente onde a criança possa
sentir-se livre e não precise mexer em
coisas que não deva.
Não queira castigar seu bebê, dando
palmadinhas nas mãos se ele quebrou um
copo de vidro que foi esquecido no
centro de mesa. A culpa foi sua por
deixar um objeto perigoso ao alcance
dela. Lembre-se que nesta idade a
criança é movida a curiosidades e seus
olhos parecem estar nos dedos querendo
tudo tocar.
Criança precisa ser chamada a atenção
quando é mal educada com alguém,
quando é desaforada com você, quando
não quer estudar. Seja sensato. Não
fique chamando a atenção de seu filho
à toa, pois quando ele realmente tiver
que ser chamado à atenção por uma
falta grave, ele não vai nem lhe ouvir.
E o mais importante, faça isto com
calma, mostre que você é equilibrado.
Não saia gritando, pois você só irá
passar nervosismo e não alguma lição.
Não perca o hábito de sempre conversar
sobre coisas da vida. Procure saber de
seu filho as coisas que ele acha certo e
errado, em momentos como uma reunião em
família e não em momentos de estresse.
Converse, e converse muito. O diálogo
é o ingrediente que está faltando na
maioria das famílias e é por isso que
o bolo quase sempre está desandando.
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