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“Como
uma floresta, o cérebro está ativo
algumas vezes, quieto outras, mas sempre
cheio de vida. Semelhante à selva o cérebro
tem regiões distintas para lidar com várias
funções mentais, tais como pensar,
sexualidade memória, emoções respiração
e criatividade. Ambos, as plantas e
animais e a rede de neurônios funcionam
tanto de forma competitiva como cooperativa,
respondendo aos desafios do ambiente. A
lei da selva como a do cérebro é a sobrevivência.”
Gerald
Edelman
Sempre
tivemos uma certa curiosidade em saber
como funciona “nossa cachola” mais
precisamente ele, o cérebro, que é o
responsável por todas as ações voluntárias
tais como: falar, mexer os dedos,
correr; bem como pelas ações involuntárias
como a respiração, por exemplo.
Ao
olharmos uma pessoa, não nos damos
conta de quão importante é esta
empresa cujos trabalhadores são as células
nervosas que processam as informações,
para que o cérebro trabalhe direitinho.
Não podemos nos tornar Psicopedagogos
sem ter uma noção básica sobre o cérebro
já que, certamente, iremos nos deparar
com situações que exigirão certo
conhecimento.
Para
que o cérebro desenvolva todo seu
potencial é preciso que seja estimulado.
Nos primeiros anos de vida esta estimulação
garante o desenvolvimento das fibras
nervosas capazes de ativar o cérebro e
dotá-lo de habilidades.
O
que pretendemos mostrar neste trabalho
é a importância da estimulação na
dose certa, de forma direcionada e
responsável, sem os excessos a que estão
expostas as crianças nos dias de hoje.
Este
órgão, parecido com uma noz gigante,
controla todo o nosso corpo, e é por
isso que devemos dar uma atenção
especial a ele, mesmo antes do
nascimento, pois, existem doenças que são
diagnosticadas e tratadas mesmo na vida
intra-uterina como é o caso da
hidrocefalia, do contrário, doenças
poderão comprometer seriamente a
aprendizagem do indivíduo.
Um
bebê recém-nascido possui mais ou
menos um quarto da massa cerebral de uma
pessoa adulta. Ele já possui quase
todos os neurônios que usará para o
resto da vida, afinal, os neurônios,
assim como nós, também crescem.
É
por isso que os estímulos são
importantes, porém, se forem
direcionados e intencionais. Um móbile
musical no berço, por exemplo, tem como
objetivo desenvolver a percepção
visual e auditiva do bebê. Estudos
mostram que o bebê ainda no ventre da mãe
já reage ao ouvir uma música e esta
deve ser preferencialmente lenta tendo a
intenção de deixa-lo tranqüilo. Um
bebê necessita de estímulos que o ajudarão
a ter um desenvolvimento normal e sadio.
É importante que as pessoas conversem
com o bebê, sorriam, brinquem com cores
e formas diversas, o deixem explorar o ambiente
ao engatinhar tirando objetos perigosos
do seu alcance.
O cérebro responde bem a estímulos
desde que somos criança e é na infância
o período que ele funciona melhor,
pois, está a pleno vapor. Aos dois anos
o cérebro está em uma importante fase
de evolução, portanto, é hora de
falar bastante com o bebê para
enriquecer seu vocabulário, já que,
segundo Piaget, é nesta fase que ele
começa a traduzir o pensamento em
frases e a misturar as palavras segundo
um processo mental lógico. Nunca é
tarde para aprendermos coisas novas, porém
a melhor fase para uma pessoa aprender uma
segunda língua, por exemplo, é até os
dez anos de idade possuindo grande
chance de que o idioma seja falado sem sotaque.
O
quadro abaixo mostra a idade ideal para
que a criança inicie novas
aprendizagens, não significando,
contudo, que se ultrapassada esta fase a
criança ou o adulto não terá mais
condições de aprender; ela poderá
aprender sim,
porém, seu esforço será maior.
Períodos cruciais da infância:
|
Visão
|
0
– 2 anos
|
|
Controle
emocional
|
0
– 2 anos
|
|
Vinculação
social
|
0
– 2 anos
|
|
Vocabulário
|
0
– 3 anos
|
|
2ª
língua
|
0
– 10 anos
|
|
Matemática
e lógica
|
1
– 4 anos
|
|
Música
|
3
– 10 anos
|
(Begley,
1996)
Até
algum tempo atrás os neurocientistas acreditavam
que, completado o seu desenvolvimento, o cérebro
não mudava mais, particularmente em relação aos
neurônios; que os neurônios não se reproduziam
mais, nem sofriam mudanças nas estruturas de
conexão com outros neurônios.
Acreditavam ainda, que as vítimas de
derrame ou tumores não recuperavam as funções
das partes lesionadas do cérebro. Entretanto hoje
já se sabe que não é bem assim. A
neuroanatomista americana Drª Marian Diamond
realizou experiências com ratos capazes de
demonstrar que aqueles que foram criados em um
ambiente enriquecedor, com estímulos como
brinquedos, bolas, rodas, escadinhas e rampas
desenvolviam um córtex cerebral mais espesso do
que aqueles criados em um ambiente mais limitado,
ou seja, sem brinquedos ou isolados. O aumento da
espessura do córtex era devido ao aumento de
ramificação de dendritos e das interconexões
com outras células (sinapses).
Segundo
pesquisas recentes, o crescimento de outros neurônios
também aparece no hipocampo (região cerebral
ligada à memória e à aprendizagem). Conclui-se,
portanto que em ambientes enriquecedores há maior
crescimento de dendritos, aumentando o número de
sinapses e melhorando a aprendizagem.
http://www.epub.org.br/cm/n11/mente/eisntein/rats-p.html
|
1
Ambiente
pobre em objetos
|
2
Ambiente
enriquecedor, onde os ratos interagem com os
brinquedos provocando mudanças anatômicas
no córtex cerebral.
|
Neurônios
“exercitados” possuem um número muito maior
de ramificações (dendritos) se comunicando com
outros neurônios. A sinapse pode ocorrer de várias
formas: dendrito com axônio, axônio com axônio,
axônio com corpo celular.
A
sinapse é uma microscópica fenda altamente
especializada da comunicação entre células
nervosas, que transmitem impulsos ao longo de sus
fibras. A membrana pré-sináptica da célula
libera neurotransmissores que levam o impulso de
energia-informação.
Ao cair na fenda que é o espaço comum às
duas células, as moléculas provocam a excitação
da membrana da célula em contato sináptico com
ela, onde portões se abrem para haver a troca de
cargas elétricas positivas e negativas. Uma única
célula pode mandar, através de sinapses,
impulsos para até mais de 10 mil outras células,
simultaneamente.
http://www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_nervoso/cerebro/cerebro.html
(Os
nomes da imagem foram modificados de inglês para
português)
Os estímulos apropriados nos primeiros
anos de vida são de extrema importância. As
experiências da infância irão determinar se uma
criança será um adulto mais inteligente ou menos
inteligente, se será medroso ou não etc. O
ambiente pode influenciar na maneira como o cérebro
será ativado para funções como matemática,
linguagem, música. Se o cérebro não receber estímulos
apropriados durante este período, será muito difícil
se reativar por si mesmo, embora não impossível.
Deve-se ter cuidado pra os excessos, tudo
deve ser na medida certa. Um clima positivo, sem
ameaças possui grande poder de aprendizagem.
Quando as emoções são bloqueadas podem causar
stress, doença ou depressão. Somos mais seres
emocionais do que cognitivos, segundo Eric Jensen,
escritor e conferencista internacional.
Pessoas
que praticam algum exercício mental como pintar,
tocar instrumento, ensinar, fazer palavras
cruzadas dentre outros, demoram mais para se
esquecerem das coisas, principalmente, quando
chegam na terceira idade.
A doença de Alzheimer, por exemplo,
aparece em cerca de 20% da população com mais de
80 anos, caracterizando-se por inúmeras alterações
patológicas dos neurônios e pela morte maciça
de células provocando a perda de memória e
outras deteriorações do comportamento e da
personalidade. Este quadro pode ser amenizado ou
evitado quando o indivíduo é submetido a
atividades que exijam o constante exercício da
memória.
As emoções e o equilíbrio psicológico
também dependem de exercícios cerebrais. O
sistema límbico é o principal centro ativado
para estas funções. Esta usina das emoções
funciona bem ou mal de acordo com o combustível
que recebe. Um elogio a uma criança que acertou o
problema de matemática, por exemplo, estimula e
fortalece as conexões do sistema límbico.

As
atitudes futuras da criança dependem muito da
qualidade que envolve razão e emoção. Um
abraço e palavras de estímulo à criança que
caiu da escada podem fazer a diferença,
ajudando-a a controlar suas emoções e
futuramente saber sair-se bem de situações
difíceis.
Há casos em que a deterioração parcial
do desenvolvimento da linguagem está associada,
em certos casos, com a perda temporária de audição
devido a infecções na infância, como é o caso
da otite, justamente no período em que está se
iniciando o processo de descoberta da linguagem.
Isto prejudica, sobremaneira, o curso normal do
desenvolvimento implicando em dificuldades na
aprendizagem.
A audição é apenas um dos diversos
sentidos de comunicação com o mundo. Podemos
perceber o mundo através de outros canais como a
visão, olfato, gustação, tato.
Estes
sentidos são fornecidos através de alguns de
nossos órgãos que possuem células
especializadas convertendo as mensagens de luz,
som, imagens, cheiro, sabor, dor, em códigos
compreensíveis para o cérebro, ou sinais elétricos
que são registrados pelo cérebro e através de
suas células mandam respostas de volta ao
ambiente.
A
interação destas mensagens e respostas irá
determinar nossa sobrevivência, experiências e
evolução do mundo, permitindo percebermos o
perigo, ou ter idéias extraordinárias como
algumas que marcaram a nossa história, como a ida
do homem à lua, a criação do avião ou a
construção de genes humanos.
A diversidade cultural do ambiente provoca
mudanças no cérebro. Novos ramos de células
interconectados são adicionados e ampliados em
resposta à experiência e à aprendizagem. O
comportamento humano também e remodelado, para
que o ser possa adaptar-se ao novo.
Assim,
após breve estudo a respeito do sistema nervoso,
podemos concluir que devemos propiciar à criança
um ambiente sensorialmente enriquecedor, causando,
assim, um impacto cognitivo significativo sobre a
criança, seja ela ainda bebê ou mais crescida.
Por isso é tão importante que a educação seja
ministrada em um ambiente saudável recheado de
cores, músicas, exercícios corporais e mentais,
dramatizações, jogos e isto vale também para um
consultório psicopedagógico onde a criança,
certamente, sentir-se-á bem. Este ambiente
positivo será um estímulo para uma aprendizagem
mais significativa.
Bibliografia
MACHADO,
Ângelo. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição,
Atheneu, São Paulo-SP, 1987.
GANONG,Willian
F. Fisiologia Médica. 5ª
edição, Atheneu, São Paulo-SP, 1989.
http://www.canalkids.com.br/saude/vocesabia/saude_cerebro.htm
http://www.worldbank.org/children/crianca/porque/cerebro.htm
http://www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_nervoso/cerebro/cerebro.html
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