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RESUMO
A utilização de jogos educativos digitais nas
instituições de ensino como um recurso didático está cada vez mais
presente, especialmente em salas de aula da Educação Infantil. O uso de
tecnologias de informação e comunicação nesse campo pode trazer benefícios
para o ensino e aprendizagem, sendo ainda uma atração desafiante para
crianças nessa etapa, apontando possibilidades de ser um rico instrumento
para a construção do conhecimento. O
presente artigo propõe demonstrar os benefícios dos jogos educativos
digitais de autoria multimídia como instrumento metodológico para Educação
Infantil, no processo ensino-aprendizagem, tendo sido precedida de
contatos com alunos em sala de aula, observando seu comportamento diante
do computador. Com a análise dos dados observados concluiu-se
que o uso dessa prática vem promovendo melhoras no aprendizado das crianças
e nas suas relações sociais de um modo geral.
Palavras-chave: Jogos
Educativos Digitais. Educação Infantil. Recurso Pedagógico.
Hoje, não seria possível viver sem
computadores ou sistemas informatizados, um bom exemplo disso são os
jogos de videogames, que já ocupavam espaço na vida das crianças. Se antes os jogos eram vistos pelos pais como algo nocivo para os seus
filhos, hoje, a pedagogia moderna pode demonstrar uma série de maneiras
de incluí-los no processo ensino-aprendizagem, transformando o ato de
jogar em ato de aprender e ensinar, construindo os objetivos necessários
para se alcançar a aprendizagem. Será que esses jogos podem desenvolver
conhecimentos e habilidades, e se bem explorados contribuem para a
melhoria do ensino e garantem satisfatoriamente a permanência do aluno na
escola? “[...] os videogames, sendo o primeiro exemplo
de tecnologia de computação aplicada à fabricação de brinquedos,
foram, sem dúvida a porta de entrada das crianças para o mundo da informática”.
(PAPERT, 1994. p. 12).
Observa-se
que a maior parte do tempo na infância é dedicada ao jogo, a criança se
dedica a essa atividade como uma necessidade fundamental na sua vida. De
acordo com a pedagogia esse fato possibilita o equilíbrio entre o mundo
externo e o interno, canalizando sua energia e transformando suas
ansiedades em prazer. A psicologia confirma que o jogo ainda é a
construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório-motor
e pré-operatório.
As crianças ficam mais
motivadas a usar a inteligência, pois querem jogar bem; sendo assim,
esforçam-se para superar obstáculos, tanto cognitivos quanto emocionais.
Estando mais motivadas durante o jogo, ficam também mais ativas
mentalmente. (IDE, 2005, p. 96).
Com base nos estudos de Piaget, Papert (1994),
grande idealizador da era digital no campo da educação afirma que agindo
sobre os objetos, as crianças, desde pequenas estruturam seu espaço e
seu tempo, desenvolvem noção de casualidade, chegando à representação
e finalmente à lógica.
Já Lebovici
e Deatkine (1985), concordam que o ato de jogar é uma atividade
importante na vida da criança, que ela joga por diversão e também
porque o jogo representa esforço e conquista.
No mercado digital surge cada vez mais uma gama de
jogos educativos, eles estão associados à
função lúdica e já é notória sua utilização em grande parte das
instituições de ensino do Estado,
sobretudo nas salas de aula da Educação Infantil. Pela sua potencialidade, é um
acesso viável para estimular ou reforçar a inter-relação da criança
com as pessoas, tanto em situações familiares como sociais.
Está
também no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
(1998) que a criança precisa brincar ter prazer e alegria para crescer.
Precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo, e através
do lúdico ela se desenvolve.
A propósito, a partir das experiências adquiridas em sala de aula
pode-se perceber que, ao longo de 6 anos lidando com crianças entre
3 a
6 anos, que os jogos pedagógicos efetivamente desenvolvem a atenção, a
disciplina, o autocontrole, respeito a regras e habilidades perceptivas e
motoras. Dependendo do tipo e de suas características, pode ser jogado de
forma individual ou coletiva, mas sempre com a presença do professor para
mediar o processo, observar e avaliar o nível de desenvolvimento das
crianças, diagnosticando as dificuldades e intercorrências
individuais.
Para serem utilizados com fins educacionais os jogos precisam ter
objetivos de aprendizagem bem definidos e ensinar conteúdos das
disciplinas aos usuários, ou então, promover o desenvolvimento de estratégias
ou habilidades importantes para ampliar a capacidade cognitiva e
intelectual dos alunos (GROS, s/d).
Os jogos digitais educativos tendem a potencializar
os conceitos, fazer com que os conteúdos sejam visualizados de forma
clara e desenvolver as habilidades naturais da criança; propiciam um
ambiente de aprendizagem rico, complexo e emocionante. Daí justifica os
elaboradores de jogos digitais denominá-los de micro mundos, justamente
porque eles fornecem um mundo imaginário a ser explorado, no qual as
crianças podem aprender da forma mais divertida possível.
Meio a essa fantasia e curiosidade, motivos que
tornaram os jogos educativos digitais intrinsecamente motivadores, o professor deve fazer uma análise do
conhecimento prévio dos seus alunos para selecionar convenientemente as
atividades, a partir das informações colhidas anteriormente, o
profissional deve respeitar o interesse da criança e trabalhar sua
atividade espontânea, ouvindo as duvidas, formulando desafios à
capacidade de adaptação infantil e acompanhar seu processo de construção
do conhecimento.
[...] Os alunos trazem para a escola
conhecimentos, idéias e intuições, construídos através das experiências
que vivenciam em seu grupo sociocultural. Eles chegam à sala de aula com
diferenciadas ferramentas básica para, por exemplo, classificar, ordenar,
quantificar e medir. (BRASIL, 1998, p.30)
Além
disso, há outro desafio a percorrer para que se possa alcançar o sucesso
desejado no uso dos jogos digitais educativos, a dificuldade que a maioria
dos professores tem para encontrar e selecionar um bom jogo, mesmo porque
os educadores estão diante do desafio de educar crianças que convivem
desde muito cedo com o mundo digital. De modo que é de fundamental importância
que o jogo seja aplicado como recurso pedagógico, desde a educação
infantil para a captação das mudanças e adaptações pela qual as
escolas estão tendo que passar para receber crianças com um perfil
diferente.
Como
este estudo adquiriu um caráter
demonstrativo, nossa perspectiva metodológica se encaminhou para pesquisa
bibliográfica e com exemplificação de jogos educativos digitais de
autoria multimídia e seus tipos específicos, sendo precedida de contatos
com alunos em sala de aula, observando seu comportamento diante do
computador. A experiência com os alunos e o contato com eles diariamente como
professora, constituiu-se um meio de verificação válido para considerar
que o uso de jogos educativos digitais em salas de aula vem promovendo
melhoras no aprendizado das crianças e nas suas relações sociais de um
modo geral.
A
análise dos dados se procedeu mediante observação do comportamento dos
alunos em contato com os jogos para a qual se levou em consideração o
tempo gasto para a conclusão das tarefas executadas pelas crianças e a
atenção delas para as demais atividades laborais propostas pelo
professor, em uma determinada escola da Educação Infantil.
JOGOS EDUCATIVOS DIGITAIS
De uma forma geral, os jogos fazem parte da
nossa vida desde os tempos mais remotos, estando presentes não só na infância,
mas como em outros momentos. Podem ser ferramentas instrucionais
eficientes, pois eles divertem enquanto motivam, facilitam o aprendizado e
aumentam a capacidade de detenção do que foi ensinado, exercitando as
funções mentais e intelectuais da criança na educação infantil.
Os jogos, também permitem o reconhecimento e
o entendimento de regras, a identificação de determinados contextos das
quais estão sendo utilizadas e o estabelecimento de novas situações
para a modificação dessas regras. Jogar é participar do mundo de faz de
conta, dispor-se às incertezas e enfrentar desafios em busca de
entretenimento. Através do jogo se revelam a autonomia, criatividade,
originalidade e a possibilidade de simular e experimentar situações
perigosas e proibidas no nosso cotidiano.
Para serem utilizados com
fins educacionais os jogos precisam ter objetivos de aprendizagem bem
definidos e ensinar conteúdos das disciplinas aos usuários, ou então,
promover o desenvolvimento de estratégias ou habilidades importantes para
ampliar a capacidade cognitiva e intelectual dos alunos.
Os
jogos educativos digitais possibilitam ao aluno uma aprendizagem de forma
mais atraente do que as práticas pedagógicas tradicionais, uma vez que
acontece de forma lúdica. Com o jogo as crianças aprendem a trabalhar em
equipe e interagir de maneira mais efetiva. Além disso, devido à
constante interação por parte da criança o conhecimento é adquirido de
maneira mais autônoma.
Muitos
pais não adotam o jogo como uma prática viável para os seus filhos, o
considera até prejudicial, apesar de que seu olhar para o jogo no
ambiente escolar tenha uma melhor aceitação, ainda há questionamento em
torno deles. Begoña Gro (s/d), nesse mesmo contexto afirma claramente
sobre causa e efeito dos jogos.
Contudo, esta visão causa-efeito (seja negativa ou positiva) não pode
provar-se, pois os comportamentos humanos são muito mais complexos e a
assimilação de um determinado filme, notícia ou videojogo, depende não
só de características próprias de cada pessoa, mas sim, também, do
contexto social em que se produz.
Existe uma variedade de sites de jogos digitais que podem ser utilizados
como recursos pedagógicos, especialmente na educação infantil, com
diversos tipos de jogos e objetivos diferenciados. Os jogos são de ação,
aventura, lógicos, estratégicos, esportivos, entre outros. Nesses sites
também apresentam modalidades de apetrechos tecnológicos para facilitar
e tornar os jogos mais realistas, como lousas interativas, luvas e outros
itens que proporcionam uma interação mais direta do jogador.
A lousa, que também é chamada de quadro digital interativo, é um
recurso onde uma caneta magnética é tocada diretamente na tela
dispensando o uso do mouse. Outro aparato são os óculos em 3D que dão
mais realismo para o jogador no cenário do jogo, facilitando assim o
processo cognitivo.
O professor deverá está sempre atento às novas tecnologias para suprir
as demandas eventuais, no sentido eliminar as dificuldades que por ventura
surgirem dos seus alunos na aplicação de qualquer tipo de jogo, em sala
de aula.
Jogos de ação
Os jogos de ação podem auxiliar no desenvolvimento psicomotor da criança
e concentração, desenvolvendo reflexos, coordenação olho-mão,
auxiliando no processo de pensamento rápido frente a uma situação
inesperada. No ponto de vista instrucional, o ideal é que o jogo alterne
momentos de atividade cognitiva mais intensa com períodos de utilização
de habilidades motoras. Essa prática educativa direciona a criança no
aprimoramento seus reflexos e percepção viabilizando uma integração da
teoria com a prática na ação pedagógica.
Jogos
de aventura
Os jogos de aventura são aqueles que proporcionam ao jogador a sensação
de estar em pleno cenário do jogo, também chamado de vivência virtual.
Diferenciam-se pelo controle por parte da criança, do ambiente a ser
descoberto. Pode auxiliar na simulação de atividades impossíveis de
serem vivenciadas em sala de aula, tais como um desastre ecológico ou um
experimento químico, ainda que a criança tenha uma percepção
globalizada do fenômeno. Na opinião de uma parte da população os jogos virtuais são
incentivadores da violência. A este respeito, Begoña Gro (s/d) comenta sobre os exemplos dessa
modalidade de jogos:
Os exemplos são variados, mas todos apontam para um sistema de
pensamento simples no qual, as crianças que jogam se encontram expostas
à: violência, deficiente saúde, agressividade, isolamento, etc. Esta
ideia "multiplica-se" rapidamente e o efeito é imediato:
preocupação dos pais que vêm os seus filhos a jogar, luta dos
educadores contra a perversidade dos meios.
Devido à complexidade da inter-relação, que envolve os aspectos
afetivos e cognitivos da aprendizagem, o professor deve desenvolver com a
criança uma relação de respeito mútuo, de afeto e de confiança que
favoreça o desenvolvimento da sua autonomia. Um clima sócio-afetivo
tranqüilo e encorajador, livre de tensões e imposições, é fundamental
para que este aluno possa interagir de forma confiante com o meio,
saciando sua curiosidade, descobrindo, inventando e construindo, enfim,
seu conhecimento.
Jogos de lógica
Esse
jogo pode ser utilizado para estimular o processo cognitivo coerente e tem
como objetivo desafiar a mente do que os reflexos. Contudo,
muitos jogos lógicos podem ser com cronômetro, oferecendo um limite de
tempo dentro do qual o usuário deve finalizar a tarefa.
Jogos de
Estratégia
Os jogos de estratégia se focalizam na astúcia
e agilidades de interesses da criança, principalmente no que se refere à
construção ou comando de algo. Esse tipo de jogo pode ajustar para uma
simulação em que a criança aplica conhecimentos adquiridos em sala de
aula, percebendo uma forma prática de aplicá-los no seu cotidiano,
pois o jogo de estratégia
requer que a criança gerencie um conjunto
limitado de recursos para atingir um objetivo pré–definido.
Jogos de
Memória
O jogo da memória permite à criança
assimilar pouco a pouco cada fase do jogo, Dessa forma, gradativamente, a
criança vai desenvolvendo suas habilidades de percepção e memória,
brincando.
Os jogos, sob a ótica de crianças, se
constituem na maneira mais divertida de aprender. Além disso, eles
proporcionam a melhora da flexibilidade cognitiva, pois funcionam como uma
ginástica mental, aumentando a rede de conexões neurais e alterando o
fluxo sanguíneo no cérebro quando em estado de concentração.
Os jogos educacionais digitais se baseiam numa
abordagem em que a criança aprende por si só, através da descoberta de
relações e da interação com o jogo. Neste cenário, o professor tem o
papel de orientador do processo, dando orientações e selecionando os
jogos adequados que condizem com a sua prática pedagógica. Ele vai além
do simples coletor de informações, ele precisa pesquisar selecionar,
elaborar e confrontar visões, metodologias e os resultados esperados.
Em primeiro lugar, as crianças gostam do jogo porque ele é divertido,
ou seja, atende à necessidade lúdica da criança de descobrir e aprender
sobre o que lhe interessa. Outro motivo de preferência é a satisfação,
que parece estar ligada a um processo de projeção: a criança vê-se
como uma das personagens da narrativa. Assim, ela pode treinar e superar
desafios, produzir algo personalizado, enviá-lo a outras pessoas pelo
serviço de e-mail ou simplesmente imprimi-lo. Por fim, o jogo funciona
como instrumento de socialização. (PACHECO, s/d).
A variedade de jogos
educativos digitais torna-se mais fácil e rápido para o professor
adequar ao seu planejamento de forma interdisciplinar dentro dos seus
conteúdos e contribuindo para alcançar algumas competências cognitivas
dos alunos da educação infantil. Pois o ambiente possibilita a integração
facilitada dos diversos segmentos do currículo escolar, permitindo que
sejam criados ambientes com interconexões bastante atrativas despertando
o interesse das crianças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse
trabalho demonstra a importância dos jogos digitais educativos para a
educação infantil, tendo em vista que essa prática é uma ferramenta
que vem possibilitar maior interação dos alunos e troca de saberes. A
aprendizagem que se adquire com o uso dos jogos, desperta um interesse
maior da criança por desenvolver sua autonomia e participação mais
efetiva no processo educativo.
Assim,
com o crescimento da informática educativa, os jogos educacionais
digitais se configuraram em uma ferramenta complementar na construção e
fixação de conceitos desenvolvidos em sala de aula, bem como num recurso
motivador tanto para o professor como para o aluno. A criança deve ser constantemente orientada no sentido de se tornar um ser
criativo, independente e capaz de encontrar, por si própria, as respostas
para suas indagações. É onde os jogos digitais educativos entram como
suporte para auxiliar muito bem tanto o professor quanto o aluno para
atingir esses objetivos.
Compreendida a importância desse recurso,
podemos transformar as aulas um pouco mais divertidas e mais lúdicas,
chamar mais a atenção das crianças para o conteúdo a ser explorado em
sala de aula, além de diagnosticar as dificuldades individuais,
facilitando uma mudança de estratégia para sanar algumas dificuldades
adequadamente. Os jogos educacionais digitais podem promover um ambiente
de aprendizagem atraente e gratificante, quando planejado de forma
adequada para alcançar os seus objetivos, pois constituem num recurso
poderoso de estímulo para o desenvolvimento integral da criança.
REFERÊNCIAS
BRASIL.
Parâmetros Curriculares Nacionais: para
educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
GROS,
Begoña. Os jogos digitais e a
responsabilidade mediática.
2003.
Disponível em:http://www.aprendaejoguecomaea.com.
Acesso em 20 de abril de 2010.
ide,
Saha
Marta. O jogo e o fracasso escolar. In: Kishimoto,
Tizuko
Morchida. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 8ª ed. São
Paulo: Cortez, 2005.
LEBOVICI,
S.; DIATKINE, R. Significado e função do brinquedo na criança. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1985.
PACHECO,
Elza Dias.
Jogos digitais e Internet no cotidiano infantil.
Disponível em: http://www.oei.es/noticias/spip.php?article800.
Acesso em: 21 de março de 2007.
PAPERT,
Seymour. A máquina das crianças: repensando
a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas,
1994.
Publicado
em 05/09/2010
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