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Intervenção
psicopedagógica: uma forma de
prevenção ao fracasso escolar
Tatiane
Peres Zawaski
E-mail:
tatyzawaski@terra.com.br
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Resumo
O fracasso escolar é uma problemática do
nosso sistema educacional que se faz presente há
muitos anos. É comum ouvirmos dentro das instituições
escolares este termo o qual, em certas vezes
preocupa-se apenas em livrar-se de tal
responsabilidade buscando culpados ou inocentes
para tal problemática a qual perpassa pela
escola, família, educadores e equipe diretiva,
porém, os mais atingidos são os educandos. O
presente artigo tem o intuito de repensar e
atentar para importância da intervenção
psicopedagógica na busca de soluções para
melhoria da qualidade do ensino tanto para
ensinantes como para aprendentes.
Palavras
Chave: Fracasso Escolar, Aprendizagem,
Intervenção Psicopedagógica
Introdução
A problemática do fracasso escolar é uma
das temáticas mais estudadas e investigadas no
cenário educacional de nossos dias, porém,
muitas pesquisas tentam buscar culpados ou
inocentes para o fato que agrega o grande número
de alunos excluídos da escola seja pelo alto índice
de repetência ou até mesmo pela ausência nas
aulas que somam-se a falta de vontade de estarem
presentes nos bancos escolares.
Já virou moda dentre as instituições
escolares dar nomenclaturas a todo e qualquer
aluno que não acompanha o aprendizado como os
demais, é comum referir-se aos alunos como “o
disléxico”, o “fracassado”, o
“limitado”, ou seja, qual for a denominação
utilizada, mas o que nós educadores estamos
fazendo para mudar este cenário? Qual é nossa
contribuição como educadores reflexivos para
auxiliar estas crianças que a cada dia saem das
escolas sem auto-estima para retornar no outro
dia?
O presente artigo irá atentar para importância
da intervenção psicopedagógica como forma de
resgate da aprendizagem dos educandos visto que
toda aprendizagem dar-se-á pela interação da
criança com o meio social que ela está inserida
(escola, sociedade, família). Não estamos
preocupados em detectar de quem é a culpa pelo não
aprendizado ou pelas limitações que cada alunado
possui, mas sim queremos refletir sobre as
metodologias que poderão evitar este
“fracasso”, resgatando a auto-estima e o gosto
pelo aprender.
Fracasso
Escolar: do que estamos falando?
“
(...) para a aprendizagem se efetivar, é necessário
levar em conta o aluno em sua totalidade,
retomando a questão do aluno como um sujeito
sociocultural, quando sua cultura, seus
sentimentos, seu corpo, são mediadores no
processo de ensino e aprendizagem.” (Juarez
Dayrell,1999).
Para Bossa (2002),
a idéia do fracasso escolar teve seu surgimento
no século XIX com a obrigatoriedade escolar
decorridas das mudanças econômicas e estruturais
da sociedade. Porém, cabe ressaltar que no período
que antecede este século já haviam crianças que
não aprendiam, mas não eram conhecidas como tal.
Durante muitos anos o fracasso escolar era
visto simplesmente como uma falta de condição do
aluno em adquirir conhecimentos, sendo somente de
sua responsabilidade, porém, com o passar do
tempo constatou-se que este problema também era
de responsabilidade da sociedade e principalmente
da instituição escolar que não pode contribuir
para exclusão social.
Para Weiss (2004, p.16),
o fracasso escolar deve ser considerado uma
resposta insuficiente do aluno a uma demanda ou
exigência escolar, nesta perspectiva podemos
salientar que a instituição escolar também
fracassa e este processo ocorre quando ela não
consegue visualizar o que é importante e necessário
que o aluno domine, deixando de lado seus
conhecimentos prévios e todas as experiências
que ele traz consigo oriundas do contexto em que
vive.
Com base em todo cenário educacional do país
hoje, fica claro afirmar que devemos repensar
nossa prática educativa e partirmos do
pressuposto que o fracasso escolar não é uma
responsabilidade somente do aluno, mas também da
escola, família e de todos que estão envolvidos
no processo de ensinar-aprender. Se aceitarmos o
fato de sermos diferentes, temos que atentar para
a necessidade de construirmos práticas pedagógicas
que valorizem e aproveitem toda bagagem de
conhecimentos construída pelo aluno no decorrer
de sua caminhada escolar.
Escola
X Família: Redes que se interligam frente ao
fracasso escolar
“Olhe
no teu jardim as rosas entre abertas e nunca as pétalas
caídas. (A.D.)
É certo afirmarmos que a família e a
escola devem ter um objetivo em comum que é o
estabelecimento de melhores condições que venham
favorecer o desenvolvimento integral das crianças
e jovens, porém, as cenas que vimos nos cenários
educacionais hoje retratam que ambas devem rever
seus papéis trabalhando de forma coletiva e
objetivando os mesmos fins.
Como falarmos em intervenção sem
participação, como falamos em coletivo se
vivemos em uma sociedade individualista que prima
pelas partes esquecendo-se da necessidade do todo
para formar cada parte. É certo mencionarmos que
a presença da família no contexto escola se faz
muito importante para o desenvolvimento da criança.
Mesmo sabendo que atualmente houve uma transformação
na instituição familiar e com os diversos casos
de divórcio, cabe ressaltarmos a necessidade de
que seja preservado uma boa relação entre ambos
sempre primando pelas regras, limites e deveres.
Com base em diversos casos já vistos nesta
caminhada psicopedagógica, devemos relembrar que
cabe a família a prestação do apoio emocional,
pois muitas vezes estas crianças enfrentam freqüentes
frustrações, sobretudo na escola e o papel da
família é dar um constante apoio de forma que
ajude a manejar e superar suas crises.
De acordo com Gómez (2009),
é certo evidenciarmos que escola, família,
psicopedagogos e demais profissionais envolvidos
devem trabalhar interligados e procurar maneiras
de ajudá-las a potencializar suas habilidades de
forma que estas venham compensar suas dificuldades
tornando-as assim sujeitos ativos no processo de
aprendizagem.
A
Intervenção Psicopedagógica: a busca pela
significação do aprender
“Somos
aqueles que podem ajudá-las a lidar melhor com
suas vidas, a enfrentar as frustrações e a
compensar suas fraquezas.Também somos os que
podem ajudá-las a perceber seus dons e
a valorizar seu jeito único de ser.” (Sandra
Rief,1993)
Em uma época que muito se discute sobre
dificuldades, inclusão e até mesmo o conhecido
fracasso escolar de crianças e jovens e ao mesmo
tempo multiplicam-se diversas descobertas da
neurociência, não poderíamos deixar de
ressaltar a importância da intervenção
psicopedagógica como forma de significação do
aprender.
Vamos iniciar esta discussão conceituando
quem é o profissional psicopedagogo. Este
especialista está preparado para trabalhar com
todo processo da aprendizagem humana, ou seja,
ensinar / aprender. Através de técnicas
diferenciadas trabalha com os padrões normais ou
não do aprender considerando sempre a influencia
e participação do meio (escola, família e
sociedade) no seu desenvolvimento. Para Fabrício
(2008),
todo trabalho psicopedagógico está centrado e
focalizado no
auto-conhecimento e na autoria do pensamento,
buscando sempre estratégias de suporte com a
finalidade que a criança aprenda.
Muitas das crianças que fracassam e são
encaminhadas aos consultórios psicopedagógicos
trazem consigo a queixas por parte dos educadores
e da escola suspeitas de “deficiências” em
uma ou várias funções cognitivas. O que estas
instituições esquecem é que este sintoma
produzido por tal criança pode ser considerado um
sinal de mal estar mais profundo que relaciona-se
com um conflito inconsciente tornando-se
desconhecido ao próprio sujeito, em outras
palavras, dizemos que a criança não sabe os
reais fatos de sua não aprendizagem.
A intervenção psicopedagógica é um meio
eficaz como forma de prevenção do fracasso
escolar, seu trabalho norteado por recursos
cognitivos e emocionais permite não apenas o
sucesso na aprendizagem, mas possibilita o resgate
de sua auto-estima e autonomia individual tornando
assim mais fácil sua socialização com os demais
colegas.
De acordo com Maluf (2009),
para estabelecer um bom diagnóstico é necessário
termos conhecimento do desenvolvimento individual
da criança bem como centrar-se em serviços
especializados que vão além dos farmacológicos.
Para que todo este processo ocorra, sabemos que há
uma grande necessidade de participação da família
e da instituição escolar com vistas a juntos
constituirmos meios afetivos e de estimulação
cognitiva de forma que estas intervenções
tornem-se eficazes e alcancem seus reais objetivos
que é o resgate e o gosto por aprender.
O
Erro na visão Psicopedagógica: Uma fonte de
construção do conhecimento
“Devemos
compreender que o cérebro é o órgão humano de
processamento da informação, portanto, o que a
boca fala (ou o que a mão escreve) não é
necessariamente o que o ouvido escutou (ou o que o
olho viu), mas sim o que o cérebro processou para
que a boca dissesse (ou a mão escrevesse).”
(GOODMAN,
1969)
O erro sempre foi considerado um dos
principais mal estares presentes nas escolas desde
os primórdios da educação. Mesmo
com o passar dos anos com avanços tecnológicos e
diversas mudanças, muitos educadores ainda o
tratam da mesma forma as quais muitas vezes é o
grande causador do fracasso escolar nas instituições.
Mas como mudarmos estas antigas concepções
e incorporarmos uma nova visão a partir dos erros
dos alunos? Este é um fato que de certa forma não
depende somente das escolas, mas também dos
educandos e da própria família. De acordo com
Luckesi (1998),
existe um preconceito por parte do próprio aluno
que de certa forma tem um juízo culposo e
punitivo de si mesmo quando não consegue
acompanhar aos demais.
Na visão psicopedagógica muitos
profissionais tendem a considerar o erro como um
sinal de alerta para o processo de
ensino-aprendizagem, tornando-o assim um ato
construtivo tanto para educandos quanto para
educadores. Através da intervenção psicopedagógica,
partimos das diversas hipóteses as quais fizeram
o aluno chegarem a tal resposta e só assim
poderemos traçar estratégias de ajuda com vistas
chegar a formulação correta.
Cabe ressaltarmos que em muitos casos o
erro também poderá ocorrer devida uma distração
ou até mesmo falta de atenção/concentração
por parte do aluno não podendo assim ser
considerado como um não aprendizado efetivo do
conteúdo. Sobre este prisma consideramos de suma
importância o trabalho psicopedagógico que através
de técnicas diferenciadas este profissional estará
apto a identificar os reais motivos da não
aprendizagem o que de certa forma evitará o
fracasso e a evasão escolar que pode originar-se
por atos falhos ou avaliações não condizentes
ao real problema.
Por fim deve ficar claro que o objeto de
estudo do psicopedagogo é a aprendizagem como um
processo individual em que a trajetória da
construção do conhecimento (aqui incluímos os
erros cometidos pelos alunos) deve ser valorizada
e entendida como parte do resultado final sempre
visando desenvolver e trabalhar com este ser de
forma a potencializá-lo como uma pessoa autora e
construtora da sua história.
Conclusão
Neste texto abordamos a importância da
intervenção psicopedagógica como forma de
prevenção ao fracasso escolar. Entendemos que
uma das formas de sua prevenção ocorre com a
intervenção do psicopedagogo dentro das instituições
de forma que este venha resgatar o gosto pela
aprendizagem.
Sabemos que ainda há uma grande caminhada,
porém, cabe a nós educadores, especialistas e
escola darmos o primeiro passo que é rever nossas
práticas em sala de aula vendo o aluno como um
ser social em constante transformação.
Para finalizar acredito que somente uma
transformação onde a base educacional passe a
ser guiada pela pedagogia da pergunta (Freire,
2000),
poderemos formar pessoas que questionem, indaguem
e busquem o conhecimento em um ambiente
educacional favorável encarado como um espaço de
construção de saberes-fazeres, contando sempre
que necessário com profissionais especializados
trabalhando em uma equipe interdisciplinar visando
assim a aprendizagem de todos como um todo.
Referências
Bibliográficas
Publicado
em 23/05/2010