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As
crianças, desde cedo, devem perceber
que há uma relação muito estreita
entre fala e escrita.
A
escrita é o esforço cultural e
civilizatório do homem de representar,
através de sua percepção visual, os
sons da fala, da sua expressão oral. A
alfabetização não vem apenas do
olhar, mas da escuta ativa dos sons da
fala.
A
boa alfabetização não viria, pois, a
rigor, nem se justificaria mesmo, com
cartilhas de ABC, mas com a expressão
oral: isto é, defendo aqui que a
alfabetização escolar se dê
inicialmente com os sons da fala, uma
alfabetização fonológica, para, em
seguida, transformar-se em alfabetização
ortográfica.
A
fala precede a escrita na vida e na
escola, quer queiramos ou não. É um
fato lingüístico, mas nem por indução,
é lógica para escola e para muitos
eduadores.
O segundo ponto que considero
importante é a formação para consciência
fonológica e o domínio das habilidades
metafonológicas para o desenvolvimento
da leitura fluente.
A consciência fonológica vem
com o ensino formal e sistemático da
correspondência entre letras e fonemas
da língua. Existem mais sons da fala do
que letras para representa-los, Daí, a
correspondência entre letras e fonemas
não ser unívoca, mas equívoca.
Por exemplo, o som /a/ é, em boa
parte, na escrita, representado pela
letra “a”. O som /b/ (leia-se bê)
é representado na escrita pela letra b.
Mas, a letra “c” pode representar o
som /s/ (leia-se sê) ou o som /k/
(leia-se cá), dependendo do ambiente
fonológica. Em casa, a letra “c”
representa o som /k/, mas em cebola, a
letra “c” representa o som /s/. Ora,
isso, sim, que precisa ser bem
ministrado pelos docentes e não pode
ser ensinado, outrossim, por qualquer
pessoa, por uma pessoa sem habilitação
e, a rigor, é uma rigor exclusiva para
um pedagoga com formação lingüística
ou para um lingüista com formação
pedagógica. Quem pretende ser
alfabetizador ou alfabetizadora devem
conhecer a fonologia da língua materna,
especialmente os fonemas consonantais:
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Classificação das consoantes
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As
consoantes são classificadas de
acordo com quatro critérios:
a- Nas oclusivas existe um
bloqueio total do ar.
b- Nas constritivas existe um
bloqueio parcial do ar.
-
2-ponto
de articulação: é o lugar onde a corrente de ar é
articulada (lábios, dentes,
palato. . .) De acordo com o
ponto onde é articulada, as
consoantes são
classificadas em:
a- bilabiais- lábios + lábios.
b- labiodentais- lábios +
dentes superiores.
c- linguodentais- língua +
dentes superiores
d- alveolares- língua + alvéolos
dos dentes.
e- palatais- dorso do língua
+ céu da boca
f- velares- parte superior da língua
+ palato mole
-
3-função
das cordas vocais:
se a cordas vocais
vibrarem, a consoante será
sonora; no caso contrário,
a consoante será surda.
-
4-função
das cavidades bucal e nasal:
caso o ar saia somente pela
boca, as consoantes serão
orais; se sair também pelas
fossas nasais, as consoantes
serão nasais.
QUADRO DAS CONSOANTES
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Consoantes
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Papel das Cavidades Nasais
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Orais
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Nasais
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Modo de Articulação
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Oclusivas
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Constritivas
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Fricativas
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Vibrantes
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Laterais
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Papel da cordas vocais
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Surdas
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Sonoras
|
Surdas
|
Sonoras
|
Sonoras
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Sonora
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Sonora
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Ponto de articulação
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bilabiais
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p
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b
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m
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labiodentais
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f
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v
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linguodentais
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t
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d
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alveolares
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s
c
ç
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s
z
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r
rr
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l
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n
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palatais
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x
ch
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g
j
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lh
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nh
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velares
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c q
(k)
|
g
(guê)
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Fonte
webliográfica: http://www.portugues.com.br/fonetica/fonema/fonema7.asp
Quando
as crianças, na faixa de 3 a 6 anos de
idade, aprendem os
fonemas da língua são levadas,
no ensino fundamental,
já entre
7 a 14 anos de idade, à consciência
fonológica e às habilidades fonológicas
. Por exemplo, saber quantas letras e
fonemas possui uma palavras ou fazer sua
divisão silábica revela muito da
capacidade fonológica da criança.
Quem adquire, na idade própria,
a consciência dos sons da fala pode
relacionar esta habilidade lingüística
com a aprendizagem da leitura. O que é
ler um texto senão decantar os sons da
fala ali, em enigma, na escrita ortográfica?
O trabalho com a consciência
fonológica favorece ao ensino da ortográfica.
O que é a ortografia senão uma
representação, na escrita, dos sons da
fala? Portanto, ler ajuda na consciência
ortográfica. Grafar bem as palavras
ajuda no ato de ler com proficiência.
Por
que a escola não alcança essa consciência
da língua e de sua estreita relação
com suas habilidades lingüísticas
(leitura, escrita, escuta e fala)?
Publicado
em 20/09/2004
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