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Aprender os sons da fala ajuda na hora de ler

 

Vicente Martins

Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. E-mail:vicente.martins@uol.com.br

          

As crianças, desde cedo, devem perceber que há uma relação muito estreita entre fala e escrita.

A escrita é o esforço cultural e civilizatório do homem de representar, através de sua percepção visual, os sons da fala, da sua expressão oral. A alfabetização não vem apenas do olhar, mas da escuta ativa dos sons da fala.

A boa alfabetização não viria, pois, a rigor, nem se justificaria mesmo, com cartilhas de ABC, mas com a expressão oral: isto é, defendo aqui que a alfabetização escolar se dê inicialmente com os sons da fala, uma alfabetização fonológica, para, em seguida, transformar-se em alfabetização ortográfica.

A fala precede a escrita na vida e na escola, quer queiramos ou não. É um fato lingüístico, mas nem por indução, é lógica para escola e para muitos eduadores.

          O segundo ponto que considero importante é a formação para consciência fonológica e o domínio das habilidades metafonológicas para o desenvolvimento da leitura fluente.

          A consciência fonológica vem com o ensino formal e sistemático da correspondência entre letras e fonemas da língua. Existem mais sons da fala do que letras para representa-los, Daí, a correspondência entre letras e fonemas não ser unívoca, mas equívoca.

          Por exemplo, o som /a/ é, em boa parte, na escrita, representado pela letra “a”. O som /b/ (leia-se bê) é representado na escrita pela letra b. Mas, a letra “c” pode representar o som /s/ (leia-se sê) ou o som /k/ (leia-se cá), dependendo do ambiente fonológica. Em casa, a letra “c” representa o som /k/, mas em cebola, a letra “c” representa o som /s/. Ora, isso, sim, que precisa ser bem ministrado pelos docentes e não pode ser ensinado, outrossim, por qualquer pessoa, por uma pessoa sem habilitação e, a rigor, é uma rigor exclusiva para um pedagoga com formação lingüística ou para um lingüista com formação pedagógica. Quem pretende ser alfabetizador ou alfabetizadora devem conhecer a fonologia da língua materna, especialmente os fonemas consonantais:

          

Classificação das consoantes

As consoantes são classificadas de acordo com quatro critérios:

  • 1-modo de articulação: é a forma pela qual as consoantes são articuladas.Quanto ao modo de articulação, as consoantes podem ser oclusivas ou constritivas.

                        a- Nas oclusivas existe um bloqueio total do ar.

                        b- Nas constritivas existe um bloqueio parcial do ar.

  • 2-ponto de articulação: é o lugar onde a corrente de ar é articulada (lábios, dentes, palato. . .) De acordo com o ponto onde é articulada, as consoantes são classificadas em:

          a- bilabiais- lábios + lábios.

          b- labiodentais- lábios + dentes superiores.

          c- linguodentais- língua + dentes superiores

          d- alveolares- língua + alvéolos dos dentes.

          e-  palatais- dorso do língua + céu da boca

          f- velares- parte superior da língua + palato mole

  • 3-função das cordas vocais: se a cordas vocais  vibrarem, a consoante será sonora; no caso contrário, a consoante será surda.

  • 4-função das cavidades bucal e nasal: caso o ar saia somente pela boca, as consoantes serão orais; se sair também pelas  fossas nasais, as consoantes serão nasais.

 

  QUADRO DAS CONSOANTES

Consoantes

Papel das Cavidades Nasais

Orais

Nasais

Modo de Articulação

Oclusivas

Constritivas

 

Fricativas

Vibrantes

Laterais

Papel da cordas vocais

Surdas

Sonoras

Surdas

Sonoras

Sonoras

Sonora

Sonora

Ponto de articulação

bilabiais

 p

b

 

 

 

 

m

labiodentais

 

 

f

v

 

 

 

linguodentais

t

d

 

 

 

 

 

alveolares

 

 

s

c

ç

s

z

r

rr

l

n

palatais

 

 

x

ch

g

j

 

lh

nh

velares

c q

(k)

g

(guê)

 

 

 

 

 

 Fonte webliográfica: http://www.portugues.com.br/fonetica/fonema/fonema7.asp

 

           Quando as crianças, na faixa de 3 a 6 anos de idade, aprendem os  fonemas da língua são levadas, no ensino fundamental,  já entre  7 a 14 anos de idade, à consciência fonológica e às habilidades fonológicas . Por exemplo, saber quantas letras e fonemas possui uma palavras ou fazer sua divisão silábica revela muito da capacidade fonológica da criança.

          Quem adquire, na idade própria, a consciência dos sons da fala pode relacionar esta habilidade lingüística com a aprendizagem da leitura. O que é ler um texto senão decantar os sons da fala ali, em enigma, na escrita ortográfica?

         O trabalho com a consciência fonológica favorece ao ensino da ortográfica. O que é a ortografia senão uma representação, na escrita, dos sons da fala? Portanto, ler ajuda na consciência ortográfica. Grafar bem as palavras ajuda no ato de ler com proficiência.

Por que a escola não alcança essa consciência da língua e de sua estreita relação com suas habilidades lingüísticas (leitura, escrita, escuta e fala)?

   Publicado em 20/09/2004

Outros artigos do autor:

 

> A guerra dos métodos na alfabetização

     Vicente Martins

 

> Passaporte da leitura: como as crianças entram no mundo da linguagem

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>  Dislexia em sala de aula

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> Aprender os sons da fala ajuda na hora de ler 

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Revisado em: 10/06/2011