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Há
mais de cem anos, em 30 de março de 1882, nasceu em Viena Melanie née
Reizes (1882-1960), futura Melanie Klein, psicanalista britânica de
origem austríaca. Seu pai, Moritz Reizes, era um médico judeu polonês,
originário de Lemberg, na Galícia, que se tornou clínico geral graças
a uma ruptura com pais tradicionalistas. Sua mãe , judia eslovaca
brilhante, dedica-se, por necessidades familiares, ao comércio de plantas
e répteis, cuja família, erudita e culta, era dominada por uma linhagem
de mulheres. Melanie Klein, pouco desejada, foi a quarta entre os filhos
desse casal que não se entendia. Quando, por sua vez, se tornou mãe,
também sofreria em sua vida particular as intrusões de sua mãe, Libussa, personalidade tirânica, possessiva e destruidora. A juventude de
Melanie foi marcada por uma série de lutos, muitos provavelmente responsáveis
pela culpa, cujos vestígios se encontram em sua obra teórica.
Tinha quatro anos quando sua irmã Sidonie morreu de tuberculose com a
idade de 8 anos; tinha 18 quando o pai, debilitado há longos anos,
morreu, deixando-a com a mãe; tinha 20 quando seu irmão Emmanuel, que a
influenciara muito e a quem estava ligada por uma relação de tons
incestuosos, morreu esgotado pela doença, pelas drogas e pelo desespero.
Phyllis Grosskurth observou que Melanie se casou pouco depois desse
falecimento, pelo qual se sentia culpada, o que, acrescentou,
“provavelmente tinha sido o objetivo perseguido por Emmanuel”.
Klein estudou de início arte e história na Universidade de Viena, porém
as dificuldades econômicas que se seguiram à morte do pai parecem ter
sido a causa de sua renúncia aos estudos de medicina, que ela decidira
empreender com o objetivo de ser psiquiatra. Essas mesmas dificuldades
explicariam igualmente seu casamento precipitado, em 1903, com Arthur
Klein, engenheiro químico de caráter sombrio, que ela conhecera dois
anos antes, que por força de suas atividades profissionais era obrigado a
muitos deslocamentos o que possibilitou a Melanie aprender muitas línguas
estrangeiras e do qual se divorciaria em 1926.
Em 1910, por insistência de Melanie, cronicamente deprimida, o casal,
cujo desentendimento era alimentado pelas incessantes intervenções de
Libussa, se fixou em Budapeste. Em 1914, sua mãe morreu e nasceu seu
terceiro filho, Erich Klein (futuro Eric Clyne), que ela analisaria, como
Hans e Melitta, o irmão e a irmã mais novos. Mas esse ano de 1914 foi
também o de sua primeira leitura de um texto de Sigmund Freud, “Sobre
os sonhos”, e do início de sua análise com Sandor Ferenczi. Essa análise
foi interrompida devido à guerra. Ela recomeça, em 1924, mas em Berlim,
com K.Abraham, que morreria no ano seguinte. A análise é concluída em
Londres, com S.Payne.
Melanie Klein logo começou a participar das atividades da Sociedade
Psicanalítica de Budapeste, da qual se tornou membro em 1919. Antes, em
28 e 29 de setembro de 1918, sob a presidência de Karl Abraham, o V
Congresso da International Psychoanalytical Association (IPA) se realizou
nessa cidade, que Freud considerava como o centro do movimento psicanalítico.
Era a primeira vez que Melanie Klein via Freud. Escutou-o ler, na tribuna,
sua comunicação “Os novos caminhos da terapêutica psicanalítica”
e, fortemente impressionada, tomou consciência de seu desejo de se
consagrar à psicanálise. Em julho de 1919, levada por Ferenczi,
apresentou, diante da Sociedade Psicanalítica de Budapeste, seu primeiro
estudo de caso, dedicado à análise de uma criança de cinco anos, que na
realidade era o seu próprio filho Erich. Uma versão reformulada dessa
intervenção, na qual ela dissimulou a identidade do jovem paciente
chamando-o de Fritz, constituiu seu primeiro escrito, publicado no
“Internationale Zeitschrift für Psychoanalyse”. Um ano depois, uma
terceira versão desse trabalho apareceu em “Imago”: “A criança de
que se trata, Fritz, escreveu ela, é um menino cujos pais, que são de
minha família, habitam na minha vizinhança imediata. Isso permitiu
encontrar-me muitas vezes, e sem nenhuma restrição, com a criança. Além
do mais, como a mãe segue todas as minhas recomendações, posso exercer
uma grande influência sobre a educação de seu filho.”
O terror branco e a onda de anti-semitismo que assolava Budapeste depois
do fracasso da ditadura comunista de Bela Kun (1886-1937) obrigaram os
Klein a deixar a capital e a exilar-se. Em 1920, Melanie Klein participou
em Haia do Congresso Internacional da IPA. Ali, encontrou Hermine von
Hug-Hellmuth e principalmente, graças à recomendação de Ferenczi, Karl
Abraham. Este acabava de fundar, com a ajuda de Max Eitingon, a famosa
policlínica do Berliner Psychoanalytisches Institut (BPI), onde eram
acolhidos muitos pacientes traumatizados pela guerra. Atraída pela
personalidade de Abraham e pela vitalidade do grupo de analistas que o
cercava, Melanie Klein se instalou, em 1921, na capital alemã. Um ano
depois, tornou-se membro da Deutsche Psychoanalytische Gesellschaft (DPG)
e, em setembro de 1922, assistiu ao VII Congresso da IPA, durante o qual
participou das primeiras discussões sobre a questão da sexualidade
feminina, depois da contestação das teses freudianas por Karen Horney.
No congresso psicanalítico de Haia, em 1920, conheceu Abraham, que a
convidou a se mudar para Berlim, onde ela se instalou como psicanalista,
continuando com ele sua análise pessoal. Quando Abraham morreu, Melanie
Klein deixou Berlim, cujo meio psicanalítico aderia às idéias da Anna
Freud, julgando as suas pouco ortodoxas. Em 1925, no congresso de
Salzburgo, leu seu primeiro artigo sobre a técnica da análise de crianças.
Impressionado com esse trabalho, Jones a convidou para dar conferências
na Inglaterra, país onde Melanie Klein se instalou definitivamente em
1926. Em 1922 se divorciara do marido, de que já estava separada havia
algum tempo.
No começo de 1924, Melanie Klein começou uma segunda análise, com Karl
Abraham, de quem adotaria algumas idéias para desenvolver suas próprias
perspectivas sobre a organização do desenvolvimento sexual. Em abril, no
VIII Congresso da IPA em Salzburgo, apresentou uma comunicação altamente
controvertida sobre a psicanálise da crianças pequenas, na qual começava
a questionar certos aspectos do complexo de Édipo. Foi apoiada por
Abraham e também por Ernest Jones, que seduzido por esse discurso
contestatário, até interviria junto a Freud para que este aceitasse
levar em consideração essas declarações heréticas. Em 17 de dezembro
do mesmo ano, Melanie foi a Viena para fazer uma comunicação sobre a
psicanálise de crianças na Wiener Psychoanalytische Vereinigung (WPV), e
nessa ocasião confrontou-se diretamente com Anna Freud. O debate estava
então aberto, e trataria do que “devia” ser a psicanálise de crianças:
uma forma nova e aperfeiçoada de pedagogia (posição defendida por Anna
Freud) ou a oportunidade de uma exploração psicanalítica do
funcionamento psíquico desde o nascimento (como queria Melanie Klein)?
Em Berlim, Melanie fez amizade com Alix Strachey, também analisanda de
Abraham. Com a ajuda do marido, James Strachey, que estava em Londres,
Alix introduziu Melanie na British Psychoanalytical Society (BPS). Graças
também ao apoio de Ernest Jones, fez uma série de conferências em
Londres, em julho de 1925. Essa permanência na Inglaterra a encantou, a
ponto de despertar nela o desejo de se estabelecer além-Mancha, o que se
realizaria mais cedo do que ela imaginava em virtude da morte de Karl
Abraham em dezembro de 1925. A pedido de Jones, que a convidou a passar um
ano na Inglaterra, Melanie Klein deixou Berlim em setembro de 1926. Sua
instalação em Londres marcou efetivamente a abertura das hostilidades
entre a escola vienense e a escola inglesa: quaisquer que fossem os esforços
de Jones para convence-lo de que as teses kleinianas se inscreviam na lógica
das suas, Freud, desejando apoiar Anna, manifestaria um descontentamento
crescente.
Em Londres, Melanie Klein experimentou suas teorias, tratando filhos
perturbados de alguns de seus colegas: o filho e a filha de Jones, por
exemplo. Sua personalidade invasiva provocou à sua volta paixões e
repulsas. Em março de 1927, Anna Freud fez uma comunicação ao grupo
berlinense da DPG. Na verdade, tratava-se de um verdadeiro ataque contra
as teses kleinianas em matéria de análise de crianças. Houve críticas
e Freud irritou-se. A discordância entre ambas não parava de crescer,
referindo-se especialmente à oportunidade da análise de crianças: parte
integrante da educação geral de toda criança, afirmava Melanie Klein;
necessária apenas quando a neurose se manifesta, replicava Anna, que
circunscrevia a análise de crianças apenas à expressão do mal-estar
parental, enquanto Melanie autonomizava a criança, tanto em sua demanda
quanto no tratamento.
Em setembro de 1927, durante o X Congresso Internacional em Innsbruck, o
conflito se ampliou: Klein apresentou uma comunicação, “Os estádios
precoces do conflito edipiano”, na qual expunha explicitamente suas
discordâncias com Freud sobre a datação do complexo de Édipo, sobre
seus elementos constitutivos e sobre o desenvolvimento psicossexual
diferenciado dos meninos e das meninas. Em outubro de 1927, apoiada pela
renovada confiança de Jones, Melanie foi eleita para a BPS.
As idéias de Melanie Klein suscitaram fortes oposições, que tomaram uma
amplitude considerável com a chegada na Inglaterra dos psicanalistas
expulsos pelo nazismo, entre os quais A. Freud e E. Glover, que
consideravam suas idéias meta psicológicas uma heresia idêntica às de
Jung e Rank.
Em janeiro de 1929, começou a tratar de uma criança autista de quatro
anos, filha de um dos seus colegas da BPS, à qual deu o nome de Dick.
Logo percebeu que ele apresentava sintomas que ela nunca havia encontrado.
Não expressava nenhuma emoção, nenhum apego, e não se interessava
pelos brinquedos. Para entrar em contato com ele, colocou dois trenzinhos
lado a lado e designou o maior como “trem papai” e o menor como
“trem Dick”. Dick fez o tem com o seu nome andar e disse a Melanie:
“Corta!”. Ela desengatou o vagão de carvão e o menino guardou então
o brinquedo quebrado em uma gaveta, exclamando : “Acabou!”. A história
desse caso se tornaria célebre, por mostrar como alguns psicanalistas não
conseguem dar aos filhos o amor que esperam deles.
Dick continuou a análise com Melanie Klein até 1946, com uma interrupção
durante a Segunda Guerra Mundial. Quando Phyllis Grosskurth se encontrou
com ele, então com cerca de 50 anos, não tinha mais nada a ver com o
menino fechado de outrora. Era até francamente tagarela.
Em 1932, Melanie Klein publicou sua primeira obra síntese, “A psicanálise
de crianças”, na qual expunha a estrutura de seus futuros
desenvolvimentos teóricos, sobretudo o conceito de posição (posição
esquizo-paranóide/posição depressiva), assim como sua concepção
ampliada da pulsão de morte. Mas, nesse mesmo ano, que inaugurou um
aparente período de calma institucional para ela, sua vida particular foi
perturbada por conflitos que teriam, alguns anos depois, pesadas repercussões
em sua vida profissional. Sua filha Melitta Schmideberg, casada com Walter
Schmideberg, amigo da família Freud e de Ferenczi, tornou-se analista.
Sem perceber, Melanie repetiu com sua filha o comportamento que Libussa
tivera com ela. Foi por ocasião de uma retomada da análise com Edward
Glover que Melitta se afastou de Melanie. Logo seria publicamente apoiada
em sua atitude por seu analista, que não hesitou em manipular as tensões
familiares para reforçar suas próprias posições teóricas diante de
Melanie.
A partir de 1933, Melanie Klein, que sofria os ataques incessantes de
Glover e de Melitta, via com terror a chegada a Londres dos analistas
vienenses e berlinenses que fugiam do nazismo. Confidenciou a Donald Woods
Winnicott que pressentia, na instalação desses refugiados que lhe eram
na maioria hostis, a iminência de um “desastre”. Alguns meses depois
da chegada dos Freud a Londres, as hostilidades irromperam efetivamente.
Em julho de 1942, a tensão no seio da BPS atingiu um ponto crítico.
Enquanto Londres era bombardeada, tomava-se a decisão de fazer reuniões
para discutir os pontos de discordância científicos e clínicos. Assim
começou o período das Grandes Controvérsias, inaugurado por um ataque
violento de Edward Glover contra a teoria e a prática dos kleinianos.
Ernest Jones, em quem Melanie Klein acreditava ter um fiel aliado, saía
freqüentemente dessa cena, cujos atores eram essencialmente mulheres,
umas reunidas em torno de Melanie, outras em torno de Anna Freud. Os
confrontos assumiram tal intensidade que Donald Wood Winnicott, partidário
de Melanie, interrompeu uma noite os debates para observar que um ataque aéreo
estava ocorrendo e era urgente procurar abrigo.
Em novembro de 1946, depois de intermináveis negociações, marcadas
principalmente pela demissão de Edward Glover, um “laady’s
agreement” se produziu – mas que nem sempre foi respeitado-,
resultando na institucionalização de uma divisão da BPS entre
kleinianos, annafreudianos e independentes.
Em 1995, Melanie Klein, que nada perdera de seu dinamismo e de sua
agressividade, interveio de maneira esmagadora no Congresso da IPA em
Genebra, apresentando uma comunicação intitulada “Um estudo sobre a
inveja e a gratidão”, na qual desenvolvia o conceito de inveja, que
articulava com uma extensão da pulsão de morte, à qual dava um
fundamento constitucional. Ao fazer isso, reatava com aquele que sempre
considerara o seu mestre, Karl Abraham. Melanie Klein acabava assim de dar
partida a uma nova controvérsia, que, se não teve a amplitude das
precedentes, a levou à ruptura com Winnicott e com Paula Heimann, que
fora a mais inteligente e a mais ardorosa dos adversários de Glover em
1943.
Nunca tendo se reconciliado com sua filha Melitta, deixando inacabada uma
autobiografia parcelar e seletiva, Melanie Klein morreu de câncer do cólon
em Londres, a 22 de setembro de 1960.
Diferentemente de A. Freud, Melanie Klein considerava o brincar como um
material suscetível de interpretação no quadro da situação
transferencial. As brincadeiras eram a seu ver equivalentes às fantasias,
dando acesso à sexualidade infantil e à agressividade: em torno delas
podia se instaurar uma relação transferencial-contratrasferencial entre
a criança e o analista.
Melanie Klein conferiu lugar capital à pulsão de morte, conceito que no
entanto estava longe de gozar de unanimidade no seio do mundo psicanalítico.
Radicalizando a posição de Freud, fez da angústia a conseqüência
direta da ação da pulsão de morte no seio do organismo. Essas considerações
estavam também presentes em sua concepção das fases ou posições por
que a criança passava: a posição esquizoparanóide, que traduziria o
modo de relação dos quatro primeiros meses da existência, seria
caracterizada por uma união entre as pulsões sexuais e as pulsões
agressivas, por um objeto vivido como parcial e clivado em “bom” (gratificador) e “mau” (frustrador). “Na posição paranóide-esquizóide”
, escreve Hana Segal, “a angústia dominante provém do temor de que o
objeto ou os objetos persecutórios penetrem no eu, esmagando ou
aniquilando o objeto ideal e o “self”. Dois mecanismos psíquicos
seriam dominantes nessa fase: a introjeção e a projeção. Instalando-se
por volta dos quatro meses, a posição depressiva se seguiria à posição
paranóide, sendo por sua vez superada por volta do final do primeiro ano.
O objeto já não é parcial, podendo ser apreendido pela criança como
total, a clivagem “bom”-“mau” já não é tão categórica como
outrora, a angústia é de natureza depressiva e está ligada ao temor de
perder e de destruir a mãe. Em face de suas angústias, a criança
desenvolve vários tipos de defesa e de atividades reparatórias, que
constituem a primeira fonte da criatividade e da sublimação. A posição
esquizoparanóide e a posição depressiva voltam a se fazer presentes
posteriormente na vida, em especial no adulto acometido de paranóia, de
esquizofrenia ou de estados depressivos.
A Grã-Bretanha, sua última pátria, conforme mencionamos acima,
acolheu-a em 1922. A partir desse momento, e durante trinta e quatro anos,
a vida de Melanie Klein foi completamente ligada à psicanálise, às
atividades da Sociedade Britânica e ao movimento internacional. Em 1960,
às vésperas da morte, ela ainda estava dando instruções sobre seu último
manuscrito e aos alunos que tinha em formação. Estava com 78 anos.
Somente os netos conseguiram realmente distrair Melanie Klein da parcela
de desumanidade- de genialidade, diriam outros- que ela reconhecia ter em
si. Virginia Woolf deixou em seu “Diário” um retrato de Melanie Klein
que permite entrever sua força, de outro modo silenciosa e invisível:
ela era “uma mulher de caráter, com uma espécie de força meio oculta-
como direi ?-, não uma astúcia, mas uma sutileza, alguma coisa
trabalhando por baixo. Uma tração, uma torsão, como uma vaga sísmica:
ameaçadora. Uma mulher encancida e brusca, com grandes olhos claros e
imaginativos”.
CRONOLOGIA-
Melanie Klein (1882-1960)
1882
- Nascimento a 30 de março, em Viena de Melanie Reizes.
- Era a filha mais nova, tinha duas irmãs e um irmão.
- O pai, de origem judaica, era médico e um estudioso do Talmud. Aos 37
anos, rompe com a ortodoxia religiosa e cursa Medicina.
- A mãe mantinha um pequeno comércio para colaborar com o marido na
manutenção da casa.
1887
- Após moléstia de um ano, morte de Sidonie, sua irmã, que lhe ensinara
a ler e escrever, além de rudimentos de aritmética.
1896
- Sob influência do irmão Emmanuel - descrito como alegre, amante de
literatura e da música - interessa-se pelas artes. Com a ajuda dele,
ainda, prepara-se para o exame de admissão ao liceu feminino, visando
cursar Medicina.
1899
- Aos 17 anos, logo após a matrícula, fica noiva de Arthur Klein, que
estuda engenharia química.
1900
- Morte do pai, Moritz Reizes.
1902
- Morre, aos 25 anos, de cardiopatia, seu irmão Emmanuel.
1903 a 1915
- 31 de março: casamento com Arthur Klein.
- Mudança de projeto, com o abandono da Medicina.
- Segue cursos de Arte e História na Universidade de Viena, sem
graduar-se.
- Em 1910 a família de Klein se estabelece em Budapeste.
- Nascimento dos filhos: Mellita em 1904, Hans em 1904 e Eric em 1914.
- Realiza numerosas viagens e tratamentos de repouso em decorrência de
depressões.
- A mãe de Melanie Klein, Libussa, cuida da casa; ela morre em 1914.
- Aos 32 anos, Klein realiza a leitura de “A interpretação de
sonhos”, de S. Freud, tem uma convicção imediata e entusiástica.
1916
Início da análise com Sándor Ferenczi. Estimulada por ele, a dedicar-se
a psicanálise, inicia o atendimento de crianças.
1919
- Apresenta o seu primeiro trabalho à Sociedade Psicanalítica de
Budapeste: “ O romance familiar em seu estado nascente” (a educação
analítica de seu filho Erich) - "O desenvolvimento de um criança".
- Entra como membro nessa Sociedade em Budapeste.
- Queda do império autro-húngaro.
1920
- Contato com Freud e Abraham, no Congresso Psicanalítico de Haia.
- Neste congresso ouve a comunicação de Hermine von Hug-Hellmuth,
“Sobre a técnica da análise de crianças”.
- Abraham convida-a para trabalhar em Berlim.
- Freud publica “Além do princípio de prazer”.
1921
- Arthur Klein vai para a Suécia.
- Melanie Klein instala-se em Berlim com os filhos.
- Começa um processo de separação.
- Numerosos tratamentos de crianças.
- Apóio de Karl Abraham.
1923
- Melanie Klein passa a dedicar-se totalmente à Psicanálise.
- Freud publica “O Eu e o Isso”, “A organização genital
infantil” e “A dissolução do complexo de Édipo”.
1924
- Com 42 anos, tem início a uma análise de 14 meses com Abraham.
- Em abril Melitta se casa com Walter Schmideberg.
- No VIII Congresso Internacional de Psicanálise, Klein apresenta “A técnica
da análise de crianças pequenas”.
- Descoberta do supereu arcaico e da precocidade do complexo de Édipo.
1925
- Alix Scrachey convida-a para dar um ciclo de conferências em Londres.
- Ernest Jones a convida a se estabelecer na Inglaterra.
- Morre Karl Abraham em 25 de dezembro.
1926
- Divórcio de Melanie e Arthur Klein.
- Chega em Londres em setembro.
- Recebe apoio de Arthur Klein e dos psicanalistas ingleses.
- Freud publica “Inibições, sintoma e angústia”.
1927
- Anna Freud publica o livro “O tratamento psicanalítico de crianças”.
- Colóquio sobre Psicanálise de crianças, onde critica as idéias de
Anna Freud.
- M. Klein torna-se membro da Sociedade Britânica de Psicanálise.
- Inicia-se um subgrupo kleiniano na Sociedade Britânica de Psicanálise.
- Ato de fundação analítico da prática com crianças.
1929
- M. Klein realiza a análise em Dick, um menino autista com 5 anos, até
1946.
- M. Klein demonstra a importância do símbolo no desenvolvimento do eu.
1930
- Começa as análises didáticas e o atendimento de adultos.
1932
- Publicação simultânea, em inglês e alemão, da obra: A psicanálise
da criança.
- Início da hostilidade no relacionamento de M. Klein com a sua filha
Melitta.
1933
- Morre S. Ferenczi.
- Chega Paula Heimann à Inglaterra.
1934
- Morre seu filho Hans, com 27 anos de idade, em acidente de alpinismo, em
abril.
- Sua filha Mellita Schmideberg, também analista, opõe-se ao trabalho teórico
desenvolvido pela mãe, rompendo com ela.
- Em agosto, apresenta a “Contribuição à psicogênese dos estados maníaco-depressivos”.
1934-40
- Descobre a posição depressiva e da fase esquizo-paranóide.
- Em 1936 realiza a conferência sobre “O desmame”.
- Em 1937 publica “Amor, ódio e reparação”, de M. Klein e Joan
Rivière.
- Em 1938 Freud chega a Londres, em junho, com a mulher e a filha Anna.
- Em 1939 morre Freud em 23 de setembro.
1940
- Redação definitiva da comunicação apresentada no XV Congresso, em
1938, “O luto e a sua relação com os estados maníaco-depressivos”.
- Dissensões entre M. Klein e Anna Freud.
- Segunda Guerra Mundial.
1941
- M. Klein aos 59 anos realiza a análise de Richard, um menino de 10
anos.
- M. Klein realiza a vinculação entre o complexo de castração e a posição
depressiva (cf. 1945, “O complexo de Édipo esclarecido pelas angústias
precoces” e, em 1956-59, a redação da Narrativa da análise de uma
criança).
1942-44
- As Assembléias Extraordinárias e as Discussões Polêmicas organizam
as oposições teóricas e políticas entre kleinianos e annafreudianos.
- Elaboração da doutrina kleiniana por M. Klein e seus discípulos, J.
Rickman, C. Scott, D. Winnicott, S. Isaacs, J. Rivière e P. Heimann.
1943
- Discussões entre kleinianos e opositores em sessões plenárias da
sociedade Britânica.
1944
- Comunicação sobre “A vida emocional dos bebês”.
- Análise de Hanna Segal.
1945
Publicação da crítica de E. Glover, "Exame do sistema kleiniano de
Psicologia infantil", que solicita a expulsão dos kleinianos da
Sociedade. Diante da recusa, Glover demite-se.
1946
- Conclusões de novembro: a Sociedade Britânica é dividida em três
Grupos, e a Formação, em dois regimes de ensino.
- Comunicação “Notas sobre alguns mecanismos esquizóides”, onde a
“noção de identificação projetiva” seria introduzida, na redação
de 1952, e desenvolvida pelos kleinianos, em particular H. Rosenfeld, a
propósito das psicoses.
1947
- Aos 65 anos publica “Contribuições à psicanálise” (1921-1945).
1949
- Congresso de Zurique, “Sobre os critérios do término da análise”.
- Concepção do término do tratamento como uma experiência de luto.
- Lacan publica “O estádio do espelho como formador da função do
eu” , sendo que a primeira versão do estádio do espelho, foi em 1938 e
a introdução do “Tempo lógico” (em 1945).
1951
- Congresso de Amsterdam, “As origens da transferência”.
1952
- Edição especial de International Journal of Psycho-Analysis, dedicada
aos 70 anos de Melanie Klein.
- Banquete organizado por E. Jones em sua homenagem e publicação de
“Os progressos da psicanálise” por seus discípulos e colegas.
1953
-Congresso de Londres, intervenção sobre “A psicologia da
esquizofrenia”, “Da identificação”.
- Lacan expõe “Função e campo da fala e da linguagem” em Roma.
1955
- Fundação do Melanie Klein Trust (Fundação Melanie Klein).
- Congresso de Genebra, “Um estudo sobre a inveja e a gratidão”.
- Rompimento com P. Heimann.
- Publicação de “A técnica psicanalítica através do brinquedo; sua
história, sua significação”, artigo escrito a partir de uma conferência
de 1953.
1953
- Publicação de Inveja e gratidão.
1958
- Morte de Ernest Jones.
1959
- “As raízes infantis do mundo adulto”.
- Congresso de Copenhague, “O sentimento de solidão”.
1960
- Na primavera fica anêmica.
- É operada de um câncer do cólon em setembro.
- Morre aos 78 anos Melanie Klein, no dia 22 de setembro e é cremada.
1961
- Publicação da “Narrativa da análise de uma criança”.
- Necrológico de W. Hoffer, H. Segal e W. Bion no International Journal
of Psycho-Analysis, v. XLII
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Fonte da biografia:
http://psicanalisekleiniana.vilabol.uol.com.br/index.html
Publicado em 26/05/2004
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