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Apesar
de se falar muito em Psicopedagogia,
seja nas escolas, revistas, internet,
muitos pais e pessoas que não são da
área ainda confundem o seu real
significado. Como você definiria para
eles a Psicopedagogia?
M.A.
A Psicopedagogia tem como objeto de
estudo a aprendizagem humana. Esta
considerada além do desempenho acadêmico,
num sentido amplo, que consiste em o
indivíduo aprender a situar-se onde
vive. O Psicopedagogo trabalha com o
cliente para ajudá-lo a identificar
suas condições de aprendiz, ou seja,
suas competências e dificuldades e
encontrar estratégias para superá-las.
Hoje,
não só de clínica e escola vive a
Psicopedagogia. Quais outros âmbitos a
Psicopedagogia têm percorrido e alcançado,
e quais papéis tem desempenhado?
M.A.Como
falei anteriormente, a Psicopedagogia
ultrapassa o âmbito acadêmico e sua
atuação expande-se a outros campos,
como Instituições, Empresas, Hospitais
ou Pesquisa. Em cada um desses, o papel
do Psicopedagogo está relacionado ao
objetivo e às tarefas que o indivíduo
estabelece para comunicar-se,
relacionar-se e adaptar-se ao mundo que
está em constante mudança.
Como
você vê os novos cursos de
Psicopedagogia que surgem com grande
intensidade em diversas instituições?
Acredita que estão conseguindo
capacitar pessoas para o trabalho da
Psicopedagogia?
M.A.
Realmente tem havido um grande número
de Instituições que promovem cursos de
Psicopedagogia, mas não podemos
assegurar a qualidade de todos. Na Bahia
há vários cursos e a ABPp-Seção
Bahia mantém uma relação de troca,
esclarecendo e divulgando os critérios
básicos, estabelecidos pela Associação
Brasileira de Psicopedagogia. São
sugeridos eixos temáticos básicos,
carga horária mínima de 600h,
incluindo estágio supervisionado e
monografia. Sendo que cada Instituição
é que define a abordagem que norteia o
curso.
Como
está o mercado da Psicopedagogia?
Existe espaço para mais psicopedagogos
ou você acredita que já está
saturado?
M.A.
O mercado tem absorvido bem o
Psicopedagogo e, cada vez mais, a
demanda tem crescido. Não está
saturado porque o mundo atual está
sempre em mudanças e exige que as
pessoas procurem adaptar-se a elas e,
para isso muitas vezes, necessitam de
apoio especializado. Especialmente as
Instituições Escolares que, em algumas
situações, precisam encaminhar à Clínica,
alunos que, por diversas razões,
apresentam disfunções, dificuldades ou
inadaptações, que devem ser
trabalhadas fora do contexto escolar.
Quais
as maiores dificuldades enfrentadas pelo
psicopedagogo que inicia sua carreira na
clínica?
M.A.
O início do trabalho do
Psicopedagogo, como em qualquer
carreira, depende principalmente em
aliar a procura das oportunidades do
mercado à qualidade profissional. É
importante que o psicopedagogo continue
atualizando-se e dê continuidade ao
aperfeiçoamento do seu papel, através
de trabalho terapêutico e de supervisão.
Apesar
da nossa categoria não estar ainda
regularizada, percebemos uma grande
procura pela profissão. Você acredita
que esta busca se dá pelo resultado
positivo que a psicopedagogia vem
obtendo seja na clínica ou na instituição,
ou existe outros fatores que possam
influenciar nesta procura?
M.A.
Acredito sim, pois a
Psicopedagogia está legitimada pela sua
ação, que vem se fortalecendo, cada
vez mais, na comunidade, reconhecida
pela população e entidades.
Além
do fato, já citado, da nova configuração
imposta pela sociedade, que faz com que
as pessoas e Instituições mudem seus
paradigmas, necessitando, muitas vezes,
de apoio especializado.
Como
está a regulamentação da
Psicopedagogia?
M.A.
A regulamentação da Profissão
foi proposta através do Projeto de Lei
nº 3124/97 de autoria do Deputado
Barbosa Neto (Goiás). Já foi votado e
aprovado pelas Comissões de Educação
e de Trabalho e, atualmente, encontra-se
em tramitação na Câmara, para votação
pela Comissão de Constituição, Justiça.
Em
alguns estados como São Paulo já
existe lei obrigando a presença do
Psicopedagogo nas escolas públicas.
Qual a importância da presença deste
psicopedagogo nestas escolas? E na
Bahia, existe previsão ou possibilidade
de acontecer o mesmo num período próximo?
M.A.
Já existe esse Decreto no
Estado de São Paulo, Município de
Ourinhos –S.P. e Rio de Janeiro, que
determina a presença do Psicopedagogo
nas Instituições Educacionais da Rede
pública. É de grande importância,
pois tem-se uma ação preventiva, em
que o Psicopedagogo atua com a equipe
escolar, visando evitar o fracasso
escolar ou minimizar as causas
intervenientes.
Na
Bahia, estamos em articulação com a Câmara
de Vereadores para apresentação dessa
proposta. Tivemos participação numa
sessão Especial, requerida pelo
Vereador Odiosvaldo Vigas, quando foi
ressaltada a importância desse trabalho
preventivo.
Você
vem realizando cursos sobre caixa de
areia, com uma proposta psicopedagógica,
que tem tido uma grande procura e
bastante aceitação. Fale um pouco
sobre os benefícios de sua utilização
como mais um recurso a seu utilizado
pelo psicopedagogo clínico.
M.A.
Esse curso “A Caixa de Areia,
como recurso psicopedagógico” é
resultado de estudos que venho
realizando e, por ter encontrado novas
possibilidades de atuação na
Psicopedagogia Clínica tenho procurado
compartilhar com os colegas. Utilizando
referencias teóricos de Piaget,
Winnicott, Vygotsky e Moreno, procuro
relacionar aos fundamentos de Jung que
usa a caixa de areia como recurso terapêutico.
A
abordagem psicopedagógica vale desse
material para facilitar a construção
ou a ressignificação do ato de
aprender.
Para
quem desejar fazer o curso como entrar
em contato para inscrição?
M.A.
Temos já realizado alguns
cursos e outros programados. Os
interassados poderão entrar em contato
através de:
Telefone
(71) 345-1111
E-mail:
cepp@terra.com.br
Publicado
em 11/08/2004
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