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Simaia Sampaio

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Entrevista: Autismo

 

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Entrevistada:  Simaia Sampaio

 

Entrevistadora: Jornal à tarde (Salvador/Bahia)

                    
 
Como identificar a doença? A partir de que idade?

 

Normalmente é possível observar sinais de autismo já no primeiro ano de vida e geralmente antes dos 3 anos de idade, acometendo mais meninos do que meninas numa proporção quatro vezes maior.

Algumas mães de crianças autistas, relatam que já percebiam algo diferente desde o nascimento. Normalmente são bebês que apresentam dificuldades de sugar o bico do seio. Aos seis meses já percebem que a criança não fixa o olhar, não acompanha o deslocamento de pessoas e de objetos. Relatam que são muito quietas, quase não choram e não interagem com o mundo.

Numa idade maior percebe-se a continuidade da dificuldade na interação social, pouco contato visual, não gostam de contatos próximos como abraços, movimentos repetitivos, podendo apresentar agressividade inclusive consigo mesma, dificuldade em entender o que foi dito, atrasos na linguagem, cerca da metade dos autistas não falam ou quando falam apresentam linguagem limitada como ecolalia (repetição de palavras), mas outros conseguem ter linguagem normal.

O diagnóstico precoce é de extrema importância para que se busque o tratamento adequado para esta criança.

Para o diagnóstico são usados testes mentais, DSM – Manual de Diagnóstico e Estatística da APA - DSM IV (1995) – Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, Critérios diagnósticos: CID – Classificação Internacional de Doenças – OMS, CID-10 - 1993

 

      Existe cura?

 

Ainda não há cura para o autismo. Recentemente um estudo feito pelo BMC Pediatrics submeteu crianças autistas a um tratamento hiperbárico de 40 horas durante um mês, numa câmara de descompressão recebendo 24% de oxigênio pelo aumento da pressão atmosférica.. A teoria é a de que o oxigênio pode ajudar a reduzir a inflamação e melhorar fluxo de oxigênio ao tecido cerebral. O tratamento hiperbárico consiste em dar altas concentrações de oxigênio pelo aumento da pressão atmosférica. Os estudos mostraram melhoras no funcionamento global, linguagem receptiva, na interação social e contato visual. O estudo mostrou benefícios também para  outras condições neurológicas, como a síndrome alcoólica fetal e paralisia cerebral.

No total, 30% no grupo de tratamento foram classificados pelos médicos como “melhorou muito” ou “muito melhor” comparado com 8% das pessoas no grupo controle. 80% no grupo de tratamento melhorou em comparação com 38% dos controles.

Entretanto isso está em estudo e ainda não se sabe da continuidade destas melhoras.

     Como é feito o tratamento do autismo?

 

Não existe um padrão universal no que diz respeito ao autismo até mesmo porque existem níveis variados de autismo. É preciso avaliar o grau de comprometimento para indicar o tratamento mais adequado.

O tratamento deve visar sempre a busca pelo aumento da comunicação e interações sociais, autonomia nas atividades do cotidiano, redução das alterações comportamentais (estereotipias, hiperatividade, agressividades etc.), maximização do aprendizado.

Podem se beneficiar de tratamentos como: métodos multisensoriais, terapias cognitivo-comportamental, intervenção psicopedagógica, fonoaudiologia, equoterapia.

Hoje um dos mais conhecidos é o método TEACCH, que teve sua origem na Universidade da Carolina do Norte nos EUA e tem como objetivo permitir aos indivíduos autistas participarem o mais possível significativamente e independentemente na comunidade.

Algumas crianças autistas se aproximam com mais facilidade de cachorros, ficando  mais tranquilos.

 

-          De que maneira as pessoas mais próximas devem se portar em relação ao autista?

Primeiramente é ter conhecimento do que é autismo e receber orientações de especialista de como poderá ajudá-lo, paralelo ao tratamento. A família deverá estar atenta ao ambiente desta criança. Como muitas crianças possuem uma tendência de agressividade é necessário retirar do ambiente objetos que possam se ferir. Os estímulos também deverão ser reduzidos. A família deverá procurar estimular a autonomia da criança para as tarefas do seu cotidiano: vestir-se, banhar-se, pentear-se etc. Quando falar com a criança diminuir os estímulos de distração e procurar o contato visual abaixando-se até a sua altura e sempre falando perto da criança e nunca de um cômodo para outro.

Normalmente são crianças também hiperativas e pais reclamam da exaustão em lidar com estas crianças no dia-a-dia. Muitas vezes os pais também precisam de ajuda terapêutica para ajudar seu filho.

 

-          O autista pode estudar normalmente? Deve ser incluído em escolas 'normais'?

Sem dúvida o autista pode ser incluído em escolas normais, mas é preciso que os pais busquem uma escola que trabalhe com a inclusão e tenha conhecimento e saiba lidar com o autista no dia-a-dia. Entretanto será importante o apoio de um especialista como o psicopedagogo para trabalhar as suas necessidades especiais e ajudá-lo no seu desenvolvimento de aprendizagem.

 

 

Simaia Sampaio – Pedagoga e Psicopedagoga Clínica.

Responsável por este site.

 
   Publicado em 03/07/2010
 

 

 

 

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Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
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Revisado em: 01/02/2013