Normalmente é possível observar sinais de autismo já no
primeiro ano de vida e geralmente antes dos
3 anos de idade, acometendo mais meninos do
que meninas numa proporção quatro vezes
maior.
Algumas mães de crianças autistas, relatam que já
percebiam algo diferente desde o nascimento.
Normalmente são bebês que apresentam
dificuldades de sugar o bico do seio. Aos
seis meses já percebem que a criança não
fixa o olhar, não acompanha o deslocamento
de pessoas e de objetos. Relatam que são
muito quietas, quase não choram e não
interagem com o mundo.
Numa idade maior percebe-se a continuidade da dificuldade
na interação social, pouco contato visual,
não gostam de contatos próximos como abraços,
movimentos repetitivos, podendo apresentar
agressividade inclusive consigo mesma,
dificuldade em entender o que foi dito,
atrasos na linguagem, cerca da metade dos
autistas não falam ou quando falam
apresentam linguagem limitada como ecolalia
(repetição de palavras), mas outros
conseguem ter linguagem normal.
O diagnóstico precoce é de extrema importância para que
se busque o tratamento adequado para esta
criança.
Para o diagnóstico são usados testes mentais, DSM
– Manual de Diagnóstico e Estatística da
APA - DSM IV (1995) – Transtornos
Invasivos do Desenvolvimento, Critérios diagnósticos: CID – Classificação Internacional de Doenças – OMS,
CID-10 - 1993
Existe cura?
Ainda não há cura para o autismo. Recentemente um
estudo feito pelo BMC Pediatrics submeteu
crianças autistas a um tratamento hiperbárico
de 40 horas durante um mês, numa câmara de
descompressão recebendo 24% de oxigênio
pelo aumento da pressão atmosférica.. A
teoria é a de que o oxigênio pode ajudar a
reduzir a inflamação e melhorar fluxo de
oxigênio ao tecido cerebral. O tratamento
hiperbárico consiste em dar altas concentrações
de oxigênio pelo aumento da pressão atmosférica.
Os estudos mostraram melhoras no
funcionamento global, linguagem receptiva,
na interação social e contato visual. O
estudo mostrou benefícios também para outras condições neurológicas, como a síndrome alcoólica
fetal e paralisia cerebral.
No total, 30% no grupo de tratamento foram classificados
pelos médicos como “melhorou muito” ou
“muito melhor” comparado com 8% das
pessoas no grupo controle. 80% no grupo de
tratamento melhorou em comparação com 38%
dos controles.
Entretanto isso está em estudo e ainda não se sabe
da continuidade destas melhoras.
Como é feito o tratamento
do autismo?
Não existe um padrão universal no que diz respeito ao
autismo até mesmo porque existem níveis
variados de autismo. É preciso avaliar o
grau de comprometimento para indicar o
tratamento mais adequado.
O tratamento deve visar sempre a busca
pelo aumento da comunicação e interações
sociais, autonomia nas atividades do
cotidiano, redução das alterações
comportamentais (estereotipias,
hiperatividade, agressividades etc.),
maximização do aprendizado.
Podem se beneficiar de tratamentos como: métodos
multisensoriais, terapias
cognitivo-comportamental, intervenção
psicopedagógica, fonoaudiologia,
equoterapia.
Hoje um dos mais conhecidos é o método TEACCH,
que teve sua origem na Universidade da Carolina do Norte nos EUA e
tem como objetivo permitir aos indivíduos autistas participarem o mais possível
significativamente e independentemente na
comunidade.
Algumas crianças autistas se aproximam com mais facilidade
de cachorros, ficando
mais tranquilos.
-
De que maneira as pessoas mais próximas devem se
portar em relação ao autista?
Primeiramente é ter conhecimento do que é autismo e
receber orientações de especialista de
como poderá ajudá-lo, paralelo ao
tratamento. A família deverá estar atenta
ao ambiente desta criança. Como muitas
crianças possuem uma tendência de
agressividade é necessário retirar do
ambiente objetos que possam se ferir. Os estímulos
também deverão ser reduzidos. A família
deverá procurar estimular a autonomia da
criança para as tarefas do seu cotidiano:
vestir-se, banhar-se, pentear-se etc. Quando
falar com a criança diminuir os estímulos
de distração e procurar o contato visual
abaixando-se até a sua altura e sempre
falando perto da criança e nunca de um cômodo
para outro.
Normalmente são crianças também hiperativas e pais
reclamam da exaustão em lidar com estas
crianças no dia-a-dia. Muitas vezes os pais
também precisam de ajuda terapêutica para
ajudar seu filho.
-
O autista pode estudar normalmente? Deve ser incluído
em escolas 'normais'?
Sem dúvida o autista pode ser incluído em escolas
normais, mas é preciso que os pais busquem
uma escola que trabalhe com a inclusão e
tenha conhecimento e saiba lidar com o
autista no dia-a-dia. Entretanto será
importante o apoio de um especialista como o
psicopedagogo para trabalhar as suas
necessidades especiais e ajudá-lo no seu
desenvolvimento de aprendizagem.
Simaia
Sampaio – Pedagoga e Psicopedagoga
Clínica.
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