PSICOPEDAGOGIABrasil

       Prazer em aprender

 

            

 

  :: MENU

  Home

  Contato

  Encontre um especialista

  Supervisão Psicopedagógica

  Cadastre seu consultório

  Sobre a Psicopedagogia

  Breve Histórico

  Artigos: Simaia Sampaio

  Artigos: colaboradores

  Regulamentação       

  Código de ética da Pp

  Provas operatórias

  Termos e significados

  Temas para monografia

  Distúrbios 

  Entrevistas 

  Dica de livros

  Vídeos (dstúrbios)

  Biografias

  Florais de Bach

  Brincadeiras e cantigas

  Sites de pesquisa 

Blog Simaia Sampaio

 

Simaia Sampaio

Psicopedagoga clínica

Responsável pelo site

 

» Marcação de consulta

 

LIVROS À VENDA

Simaia Psicopedagoga Simaia Psicopedagoga Simaia Psicopedagoga

 

Entrevista: Brincadeiras antigas

Outras entrevistas

Entrevistada: Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo

 

Atua como Psicopedagoga clínica. É pedagoga, faz supervisão, treinamentos e orientação vocacional. É especialista em Psicopedagogia e diretora deste site.

 

1. Para você, qual é a importância de resgatar as brincadeiras e os brinquedos antigos? O que eles têm de positivo e o como favorecem as crianças?

Os brinquedos e brincadeiras antigas proporcionam diversos benefícios às crianças, favorecendo o desenvolvimento de várias áreas tais como esquema corporal, coordenação motora, lateralidade, socialização, respeito às regras, raciocínio, agilidade.

2. Como você vê as crianças de ontem, as de hoje e as de amanhã? Quais são as principais características e diferenças de cada uma delas em relação à brincadeira e à forma de se divertir? 

Antigamente as crianças tinham mais liberdade para brincar na rua de gude, carrinho de mão, roda, amarelinha, corda, por exemplo, situação que foi mudando com o crescimento das cidades e com a onda de violência que presenciamos a cada dia. Diante disto as crianças passaram a brincar em play graunds, sem contato com a terra, areia e em apartamentos tão pequenos que mal dá pra dar uma cambalhota. A classe social da criança, hoje, determina o tipo de brinquedo ou brincadeiras. As crianças de classe média, se divertem com vídeo-games, computadores, barbies, brinquedos eletrônicos em geral. Não vemos incentivos, dos pais, em proporcionar encontros de crianças, em casas ou condomínios, para brincar de velhas brincadeiras e as crianças limitam-se a brincar de pega-pega, esconder ou bola. Já as crianças da periferia ou zona rural, são criadas com mais liberdade, e como não possuem recursos para comprar brinquedos caros, são incentivados pela própria família a criar seus brinquedos, inclusive com sucata e a brincar com a terra, fazendo amarelinha, brincando de gude, corda, dentre outras brincadeiras, além das cantigas de roda.

Acredito que as crianças de classe média de amanhã terão, cada vez mais, acesso a novos brinquedos, que serão ainda mais eletrônicos, e as crianças da periferia bem como as da zona rural, continuarão com seus brinquedos, feitos por eles ou pelos pais, como: gudes, pipas, cinco marias, amarelinha, por exemplo. 

3. Você poderia dizer que as crianças de antigamente eram mais criativas ou, pelo menos, tinham mais estímulo para criar? 

Antigamente não havia tanta tecnologia, tanta informação de produtos lançados que pudessem influenciar as crianças. Elas se contentavam em ganhar brinquedos apenas no natal, aniversário e dia das crianças. Havia um maior controle e um maior limite dado pela família. O resto do ano ficava por conta da criatividade em criar brinquedos que recebiam influência dos avós. Costuravam saquinhos para fazer o jogo cinco marias, costuravam bonecas de pano inclusive para fazer fantoches, brincavam com um simples elástico que desenvolvia tantas habilidades corporais e sociais, inventavam inúmeras brincadeiras com o baralho, faziam pipas.

Com a apelação da mídia, os pais passaram a comprar brinquedos eletrônicos, que não possibilitam à criança nenhuma criação, nenhuma utilização de sua coordenação ou criatividade para produzir. Materiais como: argila, gesso, tintas, sucatas, são raramente vistos nos lares de classe média para alta, salvo quando encontramos neles uma mãe ou pai pedagogos, psicólogos ou com clareza suficiente para entender os benefícios destas criações.  

4. Qual o impacto que as brincadeiras e entretenimento de hoje em dia (computador, video-game, televisão) têm sobre a socialização das crianças?

As crianças e adolescentes estão cada vez mais viciadas em jogos de computador, internet ou vídeo-games, e este vício acaba isolando o sujeito num quarto perdendo a vontade de sair e brincar ao ar livre, jogar futebol, encontrar os amigos, fazer novas amizades ou mesmo estudar, porque acham o computador mais interessante. Passam horas jogando, e o que é pior, não são jogos educativos, como a coleção do coelho sabido, por exemplo, são jogos violentos de luta, guerra, tiros, com prejuízos graves no comportamento: agressividade, isolamento, mau rendimento escolar; e na saúde: dores de cabeça, náuseas. Sou contra o vídeo-game, mas não contra o computador quando este é usado de forma adequada, com um mediador ao lado da criança, que ofereça um bom software educativo, regule o tempo de jogo e utilize a internet como um veículo importante para pesquisas que não deverão ser copiadas, mas lidas, entendidas e reescritas com suas palavras. 

5. Você acha que a violência das grandes cidades contribuiu para que as crianças deixassem de freqüentar as ruas e os quintais?  

Sim, presenciamos a cada dia seqüestros relâmpagos, balas perdidas, assaltos, cujas situações têm deixado os pais apavorados. A conseqüência disto tudo é o isolamento em apartamentos onde a  única opção da criança é descer para o play ground. Aqui na Bahia, atendo no bairro de Stella Maris e muitos pais me dizem que optaram em vir morar aqui pela qualidade de vida que podem proporcionar aos filhos como estarem à beira da praia e as crianças terem contato com a terra, morarem em casas em condomínios fechados onde as crianças podem correr como se estivessem nas ruas e contando com escolas de boa qualidade. 

6. Que sugestão/dica você daria aos pais para que eles não deixassem as crianças esquecerem as brincadeiras antigas ou, pelo menos, as resgatassem? 

Esta iniciativa deve partir mesmo dos pais, porque é difícil um brinquedo simples competir com brinquedos tão engenhosos. Se os pais não incentivarem e tornarem aquela brincadeira gostosa e prazerosa dificilmente a criança sentirá vontade de, por si só, tomar a iniciativa de pedir. Recomendo que os pais tentem relembrar brincadeiras como as que brincavam quando crianças e tentem colocar magia nisto. Se não se lembrarem, não tem problema, há inúmeros sites que relatam brincadeiras, inclusive no meu, vocês poderão encontrar cantigas de roda e brincadeiras antigas: http://www.psicopedagogiabrasil.com.br . Devem, também, propor desafios às crianças, procurando estimular seu raciocínio sem dar respostas prontas ou ensinar logo as regras. Poderão propor que a criança observe e explique o jogo, ou que leia as instruções das regras e interprete-as, ou estimular outras regras para o jogo. Os pais devem, definitivamente, tentar arranjar tempo para brincar com seus filhos, nem que seja à noite quando chegam do trabalho, para que possam acompanhar seu desenvolvimento e estimular a afetividade. Com esta atitude, os pais irão se aproximar mais dos filhos, irão arrancá-los de seus quartos, ajudando no desenvolvimento cognitivo, físico e social da criança.

 

7. Você, como psicopedagoga, utiliza jogos e brincadeiras antigas como recurso para trabalhar com as crianças? De que forma e em que situações?

 

Sim, num consultório psicopedagógico deve-se oferecer, às crianças, um material mais simples, principalmente em se tratando de crianças que estejam acostumadas com vídeo-games, computadores ou com brinquedos eletrônicos e que pouco contato têm com estes materiais. A depender da idade e das necessidades da criança trabalharemos com materiais não estruturados (tinta, argila, massa de modelar, peças para montar, sucatas para reciclagem) ou com materiais semi-estruturados ou estruturados como jogos. Muitos desses jogos são aqueles antigos como cinco marias, bolas de gude, jogos em madeira tais como: mancala, resta um, quarto, torre de brahma, pentaminós, tangram. Além de jogos como dominó, baralho, senha, dama, xadrez, pega-varetas, memória, puzzles e mosaicos, dentre outros. Devemos sempre utilizar antigas brincadeiras, porém adequando-as à cultura de hoje.

É importante destacar também o papel da pré-escola, que tem resgatando antigas brincadeiras e cantigas de roda. Além de proporcionarem um espaço para a realização destas brincadeiras, muitas solicitam, às crianças, pesquisas sobre a origem, maneiras diferentes de brincar ou variações da música. Este é um ótimo local para que a criança tenha a oportunidade de, juntamente com outras, compartilhar, socializar, negociar, definir e respeitar as regras e, desta forma, estarão se preparando para o mundo dos adultos aprendendo a lidar com perdas e ganhos, frustrações, alegrias e tristezas.

   

Publicado em 22/12/2007

 

 

e-mail para marcação de consulta: psicosimaia@ig.com.br

Simaia Sampaio Maia Medrado de Araújo
© 2004 [Psicopedagogiabrasil]. Todos os direitos reservados.
Revisado em: 01/02/2013