Aprendendo a dar limites



Por:  Simaia Sampaio

 


Educar nossos filhos parece ser, cada vez mais, uma tarefa muito difícil. Em tempos onde a modernidade invade nossos lares, o consumismo passa a ser encarado com muita naturalidade. Os pais sentem-se perdidos diante de tantos pedidos dos filhos que vêem na televisão novidades para todos os gostos e, na escola, os coleguinhas que exibem a última moda.
Seu filho diz sentir-se fora do grupo se não tiver com o último brinquedo lançado, a roupa ou sapato da propaganda e ainda lhe diz, com muito exagero, que é o único da escola que ainda não tem.
O que fazer? Ceder às chantagens emocionais ou resistir? Acredito que a resposta esteja no meio termo. Não ceder tudo, mas também não negar tudo. O limite está justamente quando você dá alternativas para que ele ganhe o que deseja, como por exemplo, se esforçar em algo que anda meio relaxado. Filhos que ganham presentes todos os dias, sem uma data especial, tornam-se mal acostumados e acabam não dando o valor merecido ao presente. No início não largam o brinquedo pra nada, alguns dias depois, torna-se mais um na infinita prateleira de brinquedos.
Não podemos fingir que não vivemos num mundo capitalista, cujas datas comemorativas entoam um forte apelo para que você gaste, mas gaste muito!
Infelizmente esta é uma realidade que bate à nossa porta cada vez que se aproxima o natal e o dia das crianças, mas podemos utilizar isto ao nosso favor. Como? Restrinja os presentes mais caros para esta data, assim você poderá cobrar a arrumação do quarto, a recuperação daquela nota baixa, o compromisso de tomar banho sem precisar mandar, dormir cedo e tudo aquilo que você está cansada de mandar fazer e ele resiste ao máximo. Porém, alerte-o, o acordo deve permanecer mesmo depois que ele receba o presente, senão nada feito, e não se esqueça de avisar que na próxima vez ele ficará sem presentes, caso não cumpra o combinado.
Entretanto, você não precisa se sentir culpado se você comprar um brinquedo e lhe fazer uma surpresa. O que não pode acontecer é isto virar uma rotina e vício.
O que acontece é que muitos pais tentam compensar a ausência enchendo a criança de brinquedos para que ela não cobre sua presença constante. Na verdade são os pais que se sentem bem achando que esta atitude preencherá o vazio. Serve como uma válvula de escape.
Os pais, nunca devem se esquecer que a qualidade vale muito mais que a quantidade. De que adianta você estar em casa e não dar atenção ao seu filho? Porém, aquele que muito trabalha e explica esta necessidade ao filho de forma clara, e lhe dedica seu tempo disponível com a máxima qualidade possível, sai ganhando certamente.
A questão do limite é muito mais ampla e deve se iniciar quando o bebê começa a dar seus primeiros passos de independência.
Muitos pais costumam confundir dar limites com proibir tudo que acha errado. O erro é algo muito pessoal, o que pode ser erro para mim, pode não ser erro para você e cuidado para não deixar seu filho paranóico. Às vezes, num acesso de nervosismo quer proibir o bebê de coisas que ele precisa vivenciar para descobrir e se desenvolver, como por exemplo: atirar um brinquedo no chão para ver o que acontece, colocar algo na boca para coçar seus dentes. Ora! São os adultos que devem vigiar a criança, deixando à sua disposição o que ela pode mexer sem correr o risco de se machucar. Chamar a atenção da criança toda hora não é bom, por isso é você quem deve criar um ambiente onde a criança possa sentir-se livre e não precise mexer em coisas que não deva.
Não queira castigar seu bebê, dando palmadinhas nas mãos se ele quebrou um copo de vidro que foi esquecido no centro de mesa. A culpa foi sua por deixar um objeto perigoso ao alcance dela. Lembre-se que nesta idade a criança é movida a curiosidades e seus olhos parecem estar nos dedos querendo tudo tocar.
Criança precisa ser chamada a atenção quando é mal educada com alguém, quando é desaforada com você, quando não quer estudar. Seja sensato. Não fique chamando a atenção de seu filho à toa, pois quando ele realmente tiver que ser chamado à atenção por uma falta grave, ele não vai nem lhe ouvir.
E o mais importante, faça isto com calma, mostre que você é equilibrado. Não saia gritando, pois você só irá passar nervosismo e não alguma lição. Não perca o hábito de sempre conversar sobre coisas da vida. Procure saber de seu filho as coisas que ele acha certo e errado, em momentos como uma reunião em família e não em momentos de estresse. Converse, e converse muito. O diálogo é o ingrediente que está faltando na maioria das famílias e é por isso que o bolo quase sempre está desandando.

Publicado em 19/12/2003


 

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