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Comunicação pragmática

Trabalhar figuras de linguagem com pessoas com autismo e com transtorno da pragmática não é apenas um recurso pedagógico, é uma necessidade clínica e funcional. Isso porque a comunicação humana vai muito além do sentido literal das palavras. No cotidiano, usamos metáforas, ironias, duplo sentido, expressões idiomáticas e inferências o tempo todo, e é exatamente nesse campo que muitos desses indivíduos apresentam dificuldades.

Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente nível 1 de suporte, e com Transtorno da Comunicação Social (Pragmática) tendem a apresentar um estilo de processamento mais literal da linguagem. Ou seja, compreendem bem o que é dito de forma direta, mas encontram obstáculos quando a linguagem exige interpretação implícita, leitura de contexto ou flexibilidade cognitiva para ir além do significado concreto.

Esses prejuízos podem impactar significativamente a vida social, acadêmica e emocional. A criança ou adolescente pode não entender uma piada, interpretar uma metáfora de forma equivocada ou não perceber ironias, o que pode gerar situações de constrangimento, isolamento social e até conflitos interpessoais. Além disso, dificuldades na compreensão inferencial afetam diretamente a leitura e a produção textual, prejudicando o desempenho escolar.

Do ponto de vista neuropsicológico, essas dificuldades estão relacionadas a alterações em funções executivas, especialmente flexibilidade cognitiva e controle inibitório, além de aspectos da teoria da mente, que envolvem a capacidade de compreender intenções, emoções e perspectivas do outro. Ou seja, não se trata apenas de linguagem, mas de um funcionamento cognitivo mais amplo que sustenta a comunicação social.

Por isso, o trabalho com figuras de linguagem deve ser intencional, sistemático e adaptado ao nível de desenvolvimento do indivíduo. Não basta apenas apresentar exemplos, é necessário ensinar explicitamente o que cada expressão significa, em quais contextos é utilizada e como identificar pistas que ajudam na interpretação.

O tratamento envolve intervenções estruturadas que podem incluir:
• Ensino explícito de figuras de linguagem, com exemplos concretos e visuais• Uso de imagens e situações do dia a dia para facilitar a compreensão
• Comparação entre sentido literal e sentido figurado• Treino de inferência e interpretação de contexto
• Role-playing e simulações sociais para generalização
• Integração com abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), quando há impacto emocional associado.

Quando esse trabalho é bem conduzido, observamos ganhos importantes na comunicação funcional, na compreensão de textos, na interação social e na autonomia do indivíduo.

Pensando nisso, desenvolvi um material completo em PDF com atividades práticas de figuras de linguagem, organizado de forma progressiva e com foco clínico e educacional. É um recurso pensado para psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, professores e pais que desejam trabalhar essas habilidades de forma estruturada e eficaz.


Esse tipo de intervenção não é apenas um treino de linguagem, é uma ponte para o desenvolvimento da comunicação social e para uma participação mais segura e significativa no mundo.

Simaia Sampaio

 
 
 

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